domingo, 17 de agosto de 2014

Ainda os massacres do 'Exército Islâmico', no Iraque



Ainda o massacre dos djihadistas dos cristãos e yazidis no Iraque. E a fuga desesperada. O terror. 
Quem nos fala é um médico catalão, médico e cirurgião de guerra, que sente a necessidade de lançar um grito de protesto! No jornal El Mundo.


Os meninos e a guerra, são um binómio que vai unido e que, desgraçadamente, já tinha vivido. No entanto, nunca de modo tão cruel como agora vi. Esta guerra está-me afectando muito mais do que qualquer outra.
 É um genocídio medieval. O terror pelo terror, apenas. O mais duro tem sido recolher crianças feridas depois de um ataque djihadista contra uma coluna de refugiados, e não poder levá-los todos dali para fora.  É uma sensação de impotência brutal.


(…) Chamo-me Juan Luis Ney Sotomayor, tenho 46 anos e sou de Barcelona. Sou médico cirurgião e a minha especialidade é a cirurgia de guerra. (…) A minha vida dediquei-a à cooperação internacional participei em mais de 10 missões humanitárias: Libéria, Malí, Palestina, Iraque, Afganistão, Sudão... 
Vivo em Erbil desde há três meses, contratado pelo governo autónomo do Kurdistão. (...)
Combatentes do Kurdistão ajudam refugiados


Calculamos que mais de meio milhão de pessoas fugiram por causa do terror djyhadista – aqui em Erbil há uns cem mil refugiados

Tudo começou apenas há dois meses, quando Mossul (a segunda cidade mais importante do Iraque) caiu em mãos dos terroristas do IS (sigla, em inglês, de "Estado Islâmico"). 

A partir desse momento, instaurou-se o terror. Depois, o IS apoderaroul-se de outras cidades importantes como Kirkuk. Em todas houve as mais horríveis matanças: degolações públicos, fuzilamentos em massa, crucificações de infiéis, enterramento de mulheres e crianças vivas.  

Tudo o que de mais espantoso e horrível se possa imaginar, foi superado pela realidade. Testemunhos directos relataram-me como la cidade de Mossul está repleta de cabeças cortadas penduradas dos fios eléctricos.

Primeiro a desgraça tocou aos cristãos (…) depois chegou a vez vieram dos turcos, dos yazidíes, (…) depois porém, como nos famosos versos de Bertolt Brecht, tocaram inclusivamente nos que não esperavam ver-se atingidos pela perseguição: os chiítas e os  moderados sunitas " - que se julgavam a salvo.

(…) Ainda que as suas acções se “revistam” como uma "parte da guerra santa" para instaurar um novo Califado, a realidade é que usam a religião como instrumento de terror. Não é uma guerra contra os cristãos, nem sequer uma entre sunitas e chiitas. É uma guerra do terrorismo internacional contra todos. 


São especialmente cruéis. Atacam hospitais, executam famílias inteiras. Realizam crimes de massa que depois filmam e põem nas televisões, para aterrorizar a população civil. (…)


Continua a ser um mistério o modo como e de onde conseguem receber apoio: armas, víveres, informação. Com dinheiro quase tudo se consegue, mas este “exército de mercenários” contou com apoio logístico desde o princípio”.

Deixo este artigo que me impressionou profundamente. Quem sabe? talvez eu ande impressionável... 
Releiam, no entanto, o que disse Bertold Brecht. Faz sempre pensar!

INTERTEXTO
  
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei

Agora estão- me levando a mim
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

(Bertold Brecht)

5 comentários:

  1. Todos os que usam a força contra quem não se pode defender, são cobardes!
    Como é possível que estas coisas continuem a acontecer nos dias de hoje, num mundo supostamente evoluído...
    Como é possível seres humanos fazerem coisas tão horríveis...
    Não se consegue entender...

    O poema de Bertold Brecht é muito verdadeiro!

    Um beijinho grande:)

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    1. Como ajudar? Esta é a minha dúvida... beijinhos, Isabel, minha boa alma e amiga!

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  2. As palavras de Bertold Brecht resumem sabiamente a cobardia do homem e das comunidades em geral que julgam poder escapar desde que adotem uma atitude passiva.
    MJ, quem é que pode ficar indiferente perante esta barbárie?
    Os poderosos que têm capacidade de intervir entretêm-se em jogos de interesses intermináveis.

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  3. Isto impressiona a qualquer pessoa que tenha entranhas, esteja ou não impressionável! O mundo é um espanto, mas são as pessoas como Juan Luis Ney Sotomayor que se importam realmente com os outros, o resto é conversa.

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  4. Ah! Finalmente alguém diz o que penso: "Há os que se importam realmente e dão o corpo, a vida, o sentimento: o resto é conversa!" Obrigada, Maria!

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