segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Quem tem medo de Ruth Rendell, o nosso pesadelo?

O filme de Claude Miller, com a actriz Nicole Garcia
Ruth Rendell é considerada hoje a "Grande Dama" do suspense britânico.
É uma das grandes escritoras do género, vivas, não esquecendo, no entanto, P.D. James e outras mais modernas.




Consegue, com raro talento, dissecar e criticar temas da actualidade no meio dos mistérios que surgem na sua vasta obra.

Os enredos são variados, as épocas do ano também.



Por exemplo, num tempo de chuvas fortes, na fictícia cidade de Kingsmarkham, alguém desaparece num bosque nevoento; em plena canícula de Agosto uma jovem é encontrada morta em circunstâncias estranhas; uma pessoa tem duas identidades, uma delas comete um crime que impossível; dois irmãos e a baby sitter encarregada de cuidar deles desaparecem na bruma enquanto os pais viajam.
E etc.




Caberá ao inspector Reginald Wexford, velho conhecido dos fãs da autora, desvendar o que de facto aconteceu e assim pôr a nu a hipocrisia, o ódio, falsa loucura que disfarçam verdades inconvenientes, ou são realidades psicopáticas inaceitáveis....
Logo a partir do seu primeiro romance, From Doon with Death (1964), R. R. teve grande sucesso com o seu herói.


Ganhou vários Prémios: o "Gold Dagger" da "Crime Writer's Association", em 1976, pelo livro A Demon in my View (excelente); o "Arts Council National Book Awards" pela obra The Lake of darkness (terrível), em 1980.
E outros se seguem, rapidamente.

Em 1985, recebe o "Silver Dagger" por The Tree of Hands e com o pseudónimo de Barbara Vine, ganha na América o famoso "Prémio Edgar Allan Poe" dos "Mystery Writers of America" pelo livro A Dark-Adapted Eye.



Depois desta pequena apresentação, comecemos:
Alguns conhecem já Ruth Rendell, outros não, tentarei falar dela...
Confesso que o primeiro livro me chocou, e não gostei.
Era uma tradução da qual não recordo o título. Fiquei com a ideia de que aconteciam coisas que me pareciam nebulosas, absurdas e que me desgostaram.
Deixei passar uns anos até voltar a ela. Recomecei, desta vez em inglês -sempre que posso, leio na língua do autor, é sempre diferente. Já não sei quem dizia que as línguas reflectem uma mundividência que é intraduzível. Será isso...
Sei que desta vez consegui “entrar”. Porque se trata de “penetrar” noutro mundo, “ver” outras pessoas, "aceitar" uma certa atmosfera.

Claro que todos os livros nos provocam essa necessidade de “entrar” neles, mas aqui trata-se de mundos misteriosos ou “doentes”, o que torna tudo complicado.
Um mundo estranho, em que funcionam partes da mente que, normalmente, são controladas pelo nosso consciente? Em certos casos sim; noutros, trata-se de inseguranças ou, pura e simplesmente, de psicopatias ou paranóias.

Talvez haja mais psicopatas no mundo do que nós julgávamos...
Até que ponto a sociedade em que se vive, a solidão, a agressividade dos tempos, a falta de ajuda, a ânsia de ter não serão catalizadores destes problemas? A cada dia surgem pequenos -e grandes- psicopatas que agem de modo "a-normal", agridem, destroem, lesam: que consideramos psicopatas, doentes mentais, o que lhes quiserem chamar. Por quê?
E que nos assustam, que evocam pesadelos e que queremos afastar logo do pé de nós.
Nos livros de R.R. mais do que os enredos ou o suspense –que o há e bastante!- é uma certa atmosfera quase irreal, um qualquer coisa que paira no ar e pensamos ser “the evil”, como ela costuma dizer –o mal- o inominável e diabólico, nas suas múltiplas formas.
São personagens doentes, marcados por um passado cruel, em fuga, lutando contra os medos que os assaltam, contra os instintos incontroláveis e a pulsão assassina.
Bem escritos, bem estruturados, nada falha, tudo perfeito.
Resta-nos essa atmosfera terrível, dos nevoeiros cerrados, dos bosques que escondem corpos mortos, da charneca onde se aninha o mal, dos lagos de águas profundas, do gelo onde escorregamos, dos becos de casas abandonadas onde tudo pode acontecer.
Porque, neles, tudo pode ser uma armadilha onde as pessoas perdem o pé, entram num torvelinho que não entendem, são sorvidas e morrem.
Mas, felizmente, surge a parte humana!



O Comissário Reginald Wexford e a sua cultura, as suas longas citações de Shakespeare, Keats ou de outro qualquer escritor famoso e que enervam o inspector Burden.
E a família: Dora, a mulher, paciente mas determinada, que segue de longe as investigações e lhe dá por vezes uma ideia, aparentemente banal, mas que resulta; as duas filhas, Sheila, uma actriz de teatro famosa, frágil, que vive num mundo muito diferente do dele, mas que ele acompanha, demasiado interssado -porque talvez Sheila seja a preferida do pai...

E Sylvia, a mais velha, que não acabou o curso, a eterna desorientada. Ela e os seus ideais, a participação em comissões de defesa da mulher, dos animais, até dos homens, de tudo!
As suas paixões e zangas, os namorados, depois maridos, os filhos, as frustrações perante o sucesso da irmã.

E o pequeno comissariado da polícia de Kingsmarkham, cidade de província, completamente inventada pela autora, mas que “existe” para o leitor, logo a seguir à leitura do primeiro romance. o médico legista, amigo mas inflexível quando se trata de aconselhar uma dieta ao "forte" e sedentárioWexford, que adora comer e tem o colesterol alto; os inspectores -sobretudo Burden e os seus problemas constantes, as dúvidas existenciais, as contrariedades da vida, a morte...

Estes com Wexford e os seus agentes, são, sem dúvida, para mim os melhores livros dela, porque seguimos as personagens, vêmo-las (porque R.R é uma boa escritora e criadora de gentes e de mundos), andamos com eles pelas vidas, tentamos compreender os seus dramas e ajudar a resolver os casos.
Esta é a parte humana!
Wexford é um polícia “humano” e aquilo que vê nos outros preocupa-o sinceramente e dedica-se de corpo e alma à tarefa de descobrir, perceber, resolver.

Tenta compreender (quase à maneira do Maigret de Simenon: “comprendre et pas juger...”), interpreta as acções, procura os sentimentos, numa forma de empatia com as personagens/pessoas, o que, em certos casos, se revela impossível.
Então, vai procurar a verdae, “desvendar” o oculto, perscrutar no nevoeiro do inconsciente dessas mentes baralhadas, ou doentes, abrir esses mundos fechados e encontrar, nesse inconsciente recusado, os motivos ocultos ou as “razões” irracionais que o levam à solução dos casos mais difíceis.
Comecei hoje a ler o romance "Simisola", um caso para Wexford resolver...

Algumas notas bio-bibliográficas:
Nota 1.

"Ruth Rendell é, desde 1964, ano em que veria publicada a sua primeira obra, entusiasticamente aclamada pelo público e pela crítica. Distinguida com inúmeros prémios literários internacionais -quer como Ruth Rendell quer como Barbara Vine, pseudónimo com que assina muitos dos seus trabalhos – a sua obra está traduzida em vinte e cinco línguas.
Entre as distinções mais importantes que recebeu estão: o Gold Dagger Award da Crime Writer’s Association em 1976, 1984 e 1986; o Diamond Dagger Award da mesma associação pela sua “notável contribuição para o género policial”; e o Sunday Times Literary Award em 1990.
Em 1996, foi nomeada "Commander of the British Empire (CBE)" e, em 1997, foi ordenada Par do Reino, sendo-lhe conferido o título de Baronesa Rendell of Babergh.

Publicados pela ASA, na colecção "Noites Brancas", estão os romances Jogos Perversos e Os Telhados do Bem e do Mal, este último com a assinatura de Barbara Vine.
Para mais informações sobre a autora podem consultar o site www.twbooks.co.uk/authors/rendell.html

N.B.: não se trata de publicidade feita por mim, é apenas uma indicação

Nota 2.
Barbara Ruth Rendell, Baronesa Rendell de Babergh, CBE, (nascida em 17 de Fevereiro de 1930), que também escreve sob o pseudónimo Barbara Vine, é uma escritora inglesa de obras de mistério e psicologia criminal, muitas vezes chamada de Rainha do Crime.


(Aqui só um aparte meu: e a Agatha Christie? Então não era ela "The Queen of Crime", a rainha do Crime!?)
Retirado de Sapo Saber a 13-01-2010

Nota 3.
Existem já dois DVDs cujas capas mostro acima:
Ruth Rendell: Mysteries 1 e Mysteries 2
( o primeiro, com um nível de participação de actores -entre os quais Colin Firth- e realização bastante bom já o encontrei, o segundo ainda não o vi.);
Há, também, o filme de Claude Miller, com Nicole Garcia, que se chama "Betty Fischer"
Nota 4.
Encontrei uma colecção brasileira com vários títulos, a editora "Rocco".

domingo, 17 de janeiro de 2010

O enigma do regresso? Impossível não voltar ao Haiti!














Gauguin



Sim, impossível não voltar a falar e falar e falar...
Pode pensar-se que voltar a falar é “aproveitarmo-nos” dessa tragédia para nos mostrarmos bons, generosos, preocupados com o sofrimento dos outros, cheios de boas intenções que não levam a nada.
Pode ser.
Mas não falar pode ser outra coisa: cairmos numa forma de comodismo, egoísmo, indiferença. E eu prefiro os bons sentimentos –o que se está neste momento a fazer no mundo para ajudar o Haiti- à conversa pequeninazinha de se dizer: "Ah! Foi uma tragédia... É um país marcado. Não se pode fazer nada...”
Pode fazer, sim. E está-se a fazer!
E fico contente que, à frente desse movimento, se encontre Barack Obama, o novo Presidente, quando diz: "Quero falar directamente à gente do Haiti. Não serão abandonados, não serão esquecidos! "
E , atrás dele, a América que tantas culpas teve no passado, pela sua atitude em relação ao Haiti e a toda a América latina, confessemos...
E outros.

Eu não quero ser indiferente!

Lembro uma frase de Quentin Ritzen (in Tchekhov, Colecção Classiques du XXe siècle) sobre Tchekhov:
É-lhe sempre necessário encontrar uma moral, uma ética, uma religião, um equilíbrio seja a que preço for. Mas a religião mete-lhe medo, e as morais generosas são inúteis.”
Como poderá “salvar-se”?, interroga-se Quentin Ritzen.
A que outros valores poderá recorrer?

Conclui que a vida de Tchekhov vai ser nesse aspecto uma eterna conquista (ou reconquista?) de valores: da dignidade, por exemplo.
Um estranho movimento apodera-se do seu ser, movimento que seguirá durante a vida; uma aplicação incessante; um reflexo obstinado: a procura da dignidade.
E continua Ritzen: " Quer dizer: o controle e o respeito por si-próprio, pela sua própria independência, ou mesmo um certo afastamento perante o drama do mundo:
A dignidade, que para ele significa: a decência
, o domínio dos instinctos, a conquista da liberdade(...)!”

"Devemos ser, de certo modo, “educados”, diz ele ao irmão Nicolas. Decentes..."

E enuncia alguns princípios:
- respeitar os outros...
- não ter só pena dos pobres e dos gatos...
- sofrer, dentro da alma, por tudo aquilo que se não vê a olho nu...

Enfim, conselhos vários que saíam da alma daquele de quem Gorki costumava dizer que emanava da sua presença apenas um pedido mudo: sejam decentes!”, continua Ritzen.
E cita esta passagem de uma carta da sua “Correspondência” (1894).
Temos que acreditar nos processos pacientes que começam com o “saber”, o alfabeto, o vapor, a electricidade...
O raciocínio e o sentido da justiça dizem-me que há na electricidade e no vapor mais amor pelo próximo do que na castidade e na recusa em comer a carne dos animais...”
A que propósito vem isto aqui, perguntarão?
Talvez porque a atitude dos haitianos perante a desgraça me fez lembrar certos princípios, os tais da decência, da procura da dignidade, de que falava Tchekhov.
E pergunto:
Quem é o verdadeiro justo?
Poderia citar o Salmo XIV, um dos textos mais belos:


[Salmo de David].

(Tirei dum livrinho dos "Psaulmes" em inglês cujo texto acho lindíssimo. A tradução em português, livre, é minha)

1.
Lord, who may sojourn in thy tent? Who may dwell on the holy mount?
Senhor, quem habitará a tua tenda? Quem morará no santo monte?
2.
He that walketh, and workhed righteousness, and speakhed the truth in his heart;
Aquele que vive sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração.
3
That huttered no calumny with his tongue, that doth no evil to his neighbor, and bringeth no reproach on his fellow-man.

Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o outro;
4
In whose eyes the despicable is despised; but that honoreth those who fear the Lord; that sweareth to his own injury, and changed not;
A cujos olhos o que merece desprezo é desprezado; mas respeita os que temem o Senhor; aquele que jura com seu próprio dano, e não muda.
5
That puteth out not out his money for interest and taketh no bribe against the innocent. He that doth these things shall not be moved to eternity.
Aquele que não põe o seu dinheiro na usura, nem recebe subornos contra o inocente. Quem fizer isto nunca sofrerá -até à eternidade.

E, para terminar, gostava de vos aconselhar o "post" no o blog "sobreorisco" (dia 16 deste mês) que transcreveu do jornal "Le Monde" uma entrevista (completa) muito interessante com o escritor, de origem haitiana, Dany Lafferrière.



















"Escritor com a nacionalidade canadiana, mas de origem haitiana é também poeta e cineasta.
Escritor atípico e cativante, Laferrière, nascido Windsor Kléber em 1953, em Porto Príncipe (Haiti), vive hoje no Quebeque (Canadá)".

Ganhou o prestigioso prémio francês "Médicis" em 2009.
Traduzo algumas passagens dessa entrevista.


"Dany Laferrière fazia parte dos escritores convidados para o Festival "Etonnants Voyageurs en Haïti", que se devia realizar em Port-au-Prince de 14 a 21 de Janeiro. Depois de alguns dias passados na capital haitiana, de regresso a Montréal, onde reside há muitos anos, concedeu-nos esta entrevista na 6ª feira 15 de Janeiro."
- "Estava no Hotel Karibé, que se situa em Pétionville, na companhia do editor Rodney Saint-Eloi. Ele tinha acabado de chegar e queria ir para o quarto. Mas como eu tinha fome, levei-o para os restaurante e foi isso que o salvou...
..............
- " Ninguém ali ao pé de nós tinha notícias da família...
- "Como foi que as conseguiu ter?
- "Foi graças ao meu amigo, o romancista Lyonel Trouillot, que foi admirável.
Apesar da sua dificuldade em andar, veio a pé até ao hotel onde eu estava. Estávamos no campoo de ténis, ele não nos viu. Voltou na manhã seguinte de carro para me levar a casa da minha mãe. Depois fomos a casa do grande Frankétienne [dramaturgo e escritor], cuja casa estava rachada e que tinha lágrimas nos olhos. Antes do sisma estava a recitar um monólogo de uma sua peça de teatro que evoca um tremor de terra em Port-au-Prince. Disse-me: "Nunca mais se pode representar esta peça."
Respondi-lhe: "Não te deixes ir abaixo, vai ser a cultura que nos salvará. Faz o que sabes fazer ."
Mais adiante:

"- Este tremor de terra é um acontecimento trágico, mas a cultura é aquilo que estrutura este país. Disse-lhe que saísse à rua, porque as pessoas precisavam de o ver. Quando as referências físicas caem, restam as referências humanas. Frankétienne, este imenso artista, é uma metáfora de Port-au-Prince!


"-Quando fomos a casa da minha mãe, pelas ruas, viam-se pilhas de corpos que as pessoas depositavam com cuidado, ao longo dos passeios, tapando-as com um trapo, o que havia. Depois do silêncio e da angústia, começaram a sair e a organizar-se, a tapar brechas onde podiam, nas casas.
O que salvou esta cidade foi a grande energia dos mais pobres. Para ajudar, para ir procurar de comer, criou-se uma grande energia em toda a cidade. Deram a impressão que estava viva. Sem eles, Port-au-Prince steria sido uma cidade morta pois os que tinham com que viver ficaram na maior parte fechados em casa..."
-"Foi para ver essa energia que voltou ?
-Sim, também. Quando a embaixada do Canadá me propôs voltar outra vez na 6ª feira aceitei pois receava que uma catástrofe do género provocasse um discurso estereotipado. Deve-se parar de usar o termo maldição!
É uma palavra insultuosa que subentende que o Haïti fez alguma coisa de mal e agora paga... Sofremos ciclones por razões que se sabem, há mais de duzentos anos que não havia um tremor de terra desta magnitude. Ainda vai que os televangelistas americanos pretendam que os Haitianos têm um pacto com o diabo, mas os médias?, esses não… Fariam melhor em falar desta energia incrível, destes homens e mulheres cheios de coragem e dignidade que se entreajudam. Apesar da cidade estar em parte destruída e o Estado decapitado, as pessoas ficaram no seu lugar, trabalham e ajudam. E vivem!
Mais adiante, ainda:

"- Há outra expressão que me choca: empregar a torto e a direito a palavra pilhagem. Quando, com risco da própria vida, pessoas vão procurar nos escombros com que comer antes que as gruas venham destruir tudo o que resta, isto não é pilhagem é sobrevivência. Haverá sem dúvida pilhagens pois uma cidade de dois milhões de habitantes possui a sua quota de bandidos, mas até agora, trata-se sobretudo de sobreviver."


Apreciei nesta entrevista a serenidade, a justiça do que o escritor refere. A ideia de que a cultura é que pode ajudar a "pôr em pé" o país outra vez. Qualquer país, penso eu...
E a solidariedade.

É a palavra "dignidade" que me vem à memória e me remete para Tchekhov. É uma forma de "dignidade" que ouvimos nos haitianos que falam, que vemos nas suas atitudes.
É a palavra que vemos repetida (se repararem bem), na boca dos jornalistas, nos telejornais: a dignidade daqueles que -não tendo mais nada, e tanto sofreram- conseguem ainda pensar primeiro nos outros, e ajudarem-se entre si, dignos.


"Haití ya no existe!", era o título de "El Pays", ontem, na edição online.

Talvez...

Mas o que cai, pode sempre reerguer-se! "Quando faltam as referências físicas, restam as referências humanas!", dizia Laferrière na entrevista.

Restam os marcos culturais e morais!

Resta a vontade, a solidariedade, a tal energia que empurra para a frente os sobreviventes da catástrofe!

E... a dignidade!
Esta é a lição que eu quero tirar da tragédia.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Música: ouvir Greg Howe e a sua guitarra eléctrica

Recebi hoje uma mensagem:


"Ouvir até ao fim este video: "Sunny", dos Boney M, tocado por Greg Howe (Génio da guitarra eléctrica...) que tocou com Michael Jackson entre outros.
É tudo improvisado e solo!! Espero que gostes..."


Gostei e aqui está para o fim de semana: espero que gostem também...




E, para poderem comparar, deixo-vos a canção "Sunny" pelos Boney M.


José de Alencar e a Trilogia indiana: "O Guarani", "Iracema" e "Ubirajara"...

















José (Martiniano) de Alencar (Fortaleza, 1 de Maio de 1829 - Rio de Janeiro, 12 de Dezembro de 1877) foi um jornalista, político, advogado, orador, crítico, cronista, polemista, romancista e dramaturgo brasileiro.
Formou-se em direito, iniciando-se na actividade literária através dos jornais Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro.
Nasceu em Messejana, na época um município perto de Fortaleza. A família transferiu-se para a capital, Rio de Janeiro, e José de Alencar, com onze anos, foi matriculado no Colégio de Instrução Elementar.
Em 1844, matriculou-se nos cursos preparatórios na Faculdade de Direito de São Paulo, começando o curso de Direito em 1846.


Fundou, na época, a revista Ensaios Literários, onde publicou o artigo "Questões de estilo".
Formou-se em direito, em 1850, e estreou-se como folhetinista no Correio Mercantil.
Em 1856 publica o primeiro romance, Cinco Minutos, seguido de A Viuvinha em 1857.
Mas é com O Guarani também em 1857 que alcançará notoriedade.









Estes romances de José de Alencar foram publicados todos em jornais e só depois em livros. (Lembram-se do romance "A Mulher de Branco" de Wilkie Collins, de que falei ontem? Foi também, antes, publicado em folhetim.)

José de Alencar foi talvez ainda mais longe nos romances que completam a trilogia indigenista:
Iracema (1865) e Ubirajara (1874).
(esta notícia biográfica foi tirada da Wikipedia)
***********
Lembrei-me destes livros quando encontrei uma velha edição que tinha pertencido à minha mãe, quando muito jovem, do romance Iracema.

Recordei logo os outros que lera dele muitos anos atrás!
Ou os que não li, como "A Senhora"...







Iracema, a virgem dos lábios de mel, Ubirajara, o jovem senhor da lança, Guarani, e A Pata da Gazela (que conta de modo irónico a paixão de um jovem por uma donzela porque ela tinha um pé pequenino) li-os todos nessa altura...


A chamada "Trilogia Indiana" é formada pelo conjunto desses livros Guarani, Iracema e Ubirajara, tendo iniciado a série com Guarani.

Publicado em 1857, o livro Guarani foi um dos marcos mais incríveis da literatura brasileira e é considerado a obra-prima do indianismo brasileiro.
A história passa-se em 1604, no estado da Paraíba.

O índio Peri, elevado à condição de herói, renega a própria raça em defesa da meiga e bela Ceci, filha de portugueses.
Além de O Guarani, José de Alencar escreveu outros dois livros classificados também como romances histórico-indianistas, como já vimos: Iracema (1865) e Ubirajara (1874).

Nessas obras o autor aborda a visão do "bom selvagem" - o indígena puro, nascido bom. Os índios, a população autóctone do Brasil, tupis, guaranis, bororos, tocantins e tantos outros -são aqui vistos como os representantes de pureza e integridade.
O que contrasta com a perda da pureza, ou mesmo a dignidade perdida, do mundo civilizado europeu, devido à ganância e à falsidade.O romance Iracema (lenda do Ceará) é considerado uma "epopeia" da literatura romântica, uma explicação poética sobre a origem do Ceará, ligada à personagem da bela índia. Iracema é -se repararem- um anagrama de América.

O romance, quase um poema, conta o amor de um branco, Martim Soares Moreno (*) por Iracema, a "virgem dos lábios de mel e de cabelos mais negros que a asa da graúna".

Ela era filha do chefe guerreiro dos tabajaras, Araquém, o velho pagé. E era uma "vestal" (como as vestais da Grécia antiga), jovem cuja virgindade fora consagrada a uma divindade para guardar o segredo de Jurema (uma bebida mágica usada durante os rituais religiosos).

Mas o destino...

Verão o que acontece se encontrarem o livro, é uma leitura que vale a pena.

(Segundo vi nas minhas procuras, o livro faz parte das leituras "vestibulares" -o equivalente ao nosso 12º anono Brasil. Ainda bem que essa escolha é cuidada no Brasil! Mais uma vez se prova que os brasileiros têm bom gosto e sabem escolher o que é bom. Devíamos pôr os olhos no país irmão, muitas vezes...)
O terceiro livro da trilogia, Ubirajara (1874) tem como protagonista o índio Ubirajara (antes, Jaguarê).
Jaguarê, jovem caçador araguaia, procura noutras terras um inimigo com quem possa lutar, pois se conseguisse levar um prisioneiro para sua "taba" alcançaria o título de guerreiro.

Mas em vez de um guerreiro da tribo inimiga dos tocantins, ele encontra a índia tocantim de nome Araci, filha do chefe da tribo.



Ela conta-lhe que na sua terra existem cem guerreiros que a vão disputar em casamento e convida Jaguarê para ser um desse pretendentes.

Ao longo do romance, Jaguarê vai crescendo, aprendendo, vencendo dificuldades, cumprindo ritos de passagem, ganhando vitórias até atingir a maturidade e a "condição" de Ubirajara, valente guerreiro, "o senhor da lança".
Neste enredo aparece o "primeiro termo" da "tríade indianista" de José de Alencar, onde a personagem principal é um índio brasileiro puro, que ainda não se corrompeu em contacto com a cultura europeia.
Penso que vão adorar estas leituras, como eu adorei. São livros que se lêem sempre!
Sugiro que talvez possam procurar os exemplares na Livraria Lumière, -osque vivem no Porto, claro. Ou em bons alfarrabistas. Ou -talvez mais simples e cómodo- nas diversas livrarias online, na hoje indispensável internet...
****************
(*) Martim Soares Moreno, Capitão-mor do Ceará, (Santiago do Cacém, c.1586 — Portugal, após 1648), foi um militar português que defendeu os interesses da coroa lusitana no Brasil, tendo durante décadas combatido piratas franceses e invasores holandeses

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Wilkie Collins: A Pedra da Lua e A Mulher de Branco, dois belos livros de suspense...















Uma boa notícia para os apreciadores de boa literatura "policial", ou boa literatura apenas:
"A Pedra da Lua" (A Pedra Lunar, na edição brasileira), de Wilkie Collins, saíu há pouco em nova edição, na "Relógio de Água".
Estão, pois, de parabéns os leitores e a editora que fez uma boa escolha (além de ter escolhido uma bela capa de um grande pintos romântico!)...

Alguns dados biográficos sobre o escritor e a feitura desta obra
Wilkie Collins (1824–1889), escritor inglês e criador da novela de detective escreveu inúmeros ensaios, novelas, mais de doze peças de teatro e publicou 23 romances entre os quais "A Mulher de Branco" (1860) e "A Pedra da Lua" (1886), de que me ocuparei hoje um pouco.Opiniões de outros escritores sobre "A Pedra da Lua":

Diz Dorothy Sayers (grande romancista policial inglesa, de que convém fixar o nome e ir procurar, por exemplo, "O Crime exige propaganda", "Os crimes do Bispo"; "As férias do carrasco", tudo na colecção Vampiro)):

" Collins é o maior mestre que conheço na literatura de ficção policial!"

Jorge Luis Borges:

«A Pedra da Lua não é apenas inesquecível pelo seu enredo, também o é pelos seus protagonistas (...) e até pela presença Cuff, o primeiro detective da literatura britânica
T.S. Eliot:

«Este é o melhor e maior romance policial escrito até hoje
P.D. James (outra escritora inglesa de romances policiais, bem conhecida!):

«Wilkie Collins consegue [manter o interesse e a emoção] com mestria através do recurso a diferentes narradores para contar a história. Essa ideia, essencial para o êxito do romance, ocorreu-lhe quando assistia ao julgamento de um crime de 1856 e ouviu os depoimentos de diferentes testemunhas e o efeito causado nos espectadores por uma série de provas cada vez mais comprometedoras

Pois é verdade: Wilkie Collins (1824-1889) é um grande escritor. Utilizando elementos da literatura de folhetim, hábito muito comum no século XIX, inventa um novo género.
Collins sofreu de uma forma de artrite conhecida por "gota reumática" muito dolorosa e acabou dependente do opium que tomava sob a forma de laudanum) para aliviar essas dores. Como resultado sofreu de alucinações paranóicas delusions, a mais notável a ideia de ser constantemente acompanhado por uma figura subjectiva a quem chamava 'Ghost Wilkie'.
A sua novela The Moonstone refere os efeitos do ópio e da dependência por ele criada.

Resumo breve do livro: Um enorme diamante - a pedra da lua do título - traz uma maldição ligada a uma infâmia cometida muitos anos antes, mas mesmo assim é roubado no dia do aniversário de dezoito anos de uma bela jovem.


De repente, veio-me uma dúvida e, logo, a ideia luminosa: por que é que a "Relógio de Água" não publica já a seguir A Mulher de Branco?

Havia esse romance na velha colecção "Romano Torres" mas está "indisponível" em toda a parte.

Existe uma edição relativamente recente da Europa-América, em dois volumes, na colecção Livros de bolso/Série Clube do Crime, mas possivelmente estará esgotada também.

Deixo a ideia...

Li pela primeira vez há muitos muitos anos Wilkie Collins!
Com grande entusiasmo.

Talvez tenha sido primeiro A Mulher de Branco, e, mais tarde, O Diamante da Lua, assim se chamava na edição saída em 1953, numa velha colecção -da tal editora Romano Torres- que traduzia (bem?, mal?,truncados? Não faço ideia) autores famosos!



Eu adorava os livros daquela colecção! Que deve ser recordada pelo trabalho importante que teve em dar aos jovens -e menos jovens- uma possibilidade de lerem, de forma talvez mais simplificada, a boa literatura -sobretudo a literatura inglesa.

Ainda conservo alguns deles, entre os quais os dois livros deste grande autor inglês talvez um dos precursores do “romance de detective”, inquérito, mistério. E muitos outros cujas capas fui encontrar na internet (site da Biblioteca Nacional) e todos os títulos estão "indisponíveis"...
Havia também Walter Scott, Charles Dickens e o seu divertido e inesqucível Pickwick's Club, Natanael Hawthorne (“A Letra Escarlate”), A Feira das Vaidades, de Thackeray, Jane Austen e Orgulho e Preconceito (Sangue Azul, chamava-se), etc .
Reli os dois romance de Collins há pouco tempo. Desta vez li "The woman in white" em inglês, mas o The Moonstone -o tal Diamante da Lua, hoje publicado como A Pedra da Lua- esse reli-o na velha versão que, desta vez, me pareceu mais fraca, possivelmente pela tal tradução que aos 12 anos não me incomodava nada saber se era boa ou má...

A Mulher de Branco é um livro fantástico! Maravilhoso, empolgante, sem dar um momento de trégua ao leitor que pensa, pensa sem conseguir desvendar o mistério da famosa e desconhecida "mulher de branco"!

Em 1859, Wilkie Collins começa a publicação, em folhetim, do romance The Woman in White (A Mulher de Branco”, publicado depois em 1860).
Romance extremamente fascinante e moderno, penso eu, por muitas razões.

Por exemplo: o autor dá-nos diversas “versões” dos acontecimentos, cada uma apresentada pelos vários protagonistas: numa espécie de “diário” -ou “cartas” por vezes- que revelam aspectos muito diferentes uns dos outros.

Tudo depende da perspectiva, do ponto de vista, da boa-fé em que cada um dos "narradores" se põe; ou conforme a relação afectiva que liga os diversos personagens entre si...

Assim, só o leitor pode “julgar” (e com dificuldade...) essas diversas versões, –conforme as situações- inclinando-se ora para um lado ora para o outro, hesitando, tentando perceber o que há de verdade ou de mentira, ou apenas ocultação dos factos, voluntária ou involuntária, em cada uma delas.
Mas o leitor sabe pouco...

Tudo é contado pouco a pouco, diria a conta-gotas, sempre com grande suspense e, no final de cada capítulo (ou folhetim saído), há sempre a dúvida, a curiosidade, o pasmo.


Quem é a mulher de branco?
Existirá mesmo a mulher de branco?

Por que motivo a imagem da mulher de branco se associa a outra mulher?

De facto, A Mulher de Branco é um romance de mistério, ou então -termo que recebeu na época em que saíu- “romance de sensação”.
Há quem o considere (Edgar Allan Pöe) como o primeiro romance do género (“policial”, série noire, ou giallo italiano, diríamos hoje, conforme as línguas) detectivesco.

Em que consiste a intriga?
O romance inicia-se com a “versão” dos factos contada por Walter Hartrigh, jovem pintor londrino, e do “extraordinário” (sentido literal da palavra “fora do ordinário”) encontro que teve uma noite com uma misteriosa mulher vestida de branco, em Londres.

A mulher misteriosa fugira não se sabe bem de onde: sente-se vítima de perseguição, e Hartright ajuda-a a atravessar as ruas sombrias de Londres até um ponto em que se separa dele e lhe pede que não procure saber dela.
E desaparece, na noite.


Continuando o seu caminho, o destino coloca-o como professor de pintura de duas irmãs órfãs, aliás meias-irmãs, na província inglesa.
A mais velha, Marian Halcombe, é uma figura interessante de mulher mas que nada deve à beleza. O que a grande inteligência permite fazer esquecer a quem com ela se relacione.

Lembra-me a frase de Henry James sobre a escritora George Eliot, em carta à mãe: “é uma mulher muito feia, mas, pouco tempo depois de conversar, é muito fácil apaixonarmo-nos por ela...”
É Marian que escreve a segunda “versão” do que acontece e apresenta novos mistérios, indecifráveis para os personagens e, é claro, ainda mais para o leitor...
A irmã mais nova, Laura Fairlie, pelo contrário é de uma beleza fora do vulgar e de uma sensibilidade e fragilidade enormes.

E Hartwright apaixona-se por ela...
Outras personagens aparecem: Sir Percival Glyde, o tio e tutor, personagem de grande egoísmo, o Conte Fosco e a mulher, personagens ambíguas, e outras figuras. Não adianto a história porque não quero que percam a curiosidade.

Entrego-vos os dois livros...Mas digo só mais uma coisa que lhes pode interessar:
O romance foi adaptado pela BBC (*) para uma série televisiva de grande qualidade –como sempre são as séries inglesas! -e que, segundo dizem, se mantém fiel ao suspense e ao mistério de uma forma que não atraiçoa o espírito do livro.

(*) The Woman in White (
1997) do realizador Tim Fywell que também já realizou The Moonstone e, mais recentemente, fez filme tirado da novela magistral de Henry James (**), terrificante, The turn of the screw (de que existe uma bela tradução de João Gaspar Simões, Calafrio, Portugália Editora, 1965, na colecção "O livro de bolso").

Nota:

(**) Outros livros de Henry James: Daisy Miller (procurem, há imensas traduções), Portrait of a Lady, The Author of Beltraffio" ou The Wings of the Dove.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A vida nem sempre é maravilhosa e a natureza muitas vezes é madrasta. A tragédia do Haiti.

imagem da cidade de Port-au-Prince: fotografia e imagem via satélite
O Haiti é um país das Caraíbas que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola, possuindo uma das duas fronteiras terrestres das Caraíbas, a fronteira que faz com a República Dominicana, a leste. Além desta fronteira, os territórios mais próximos são as Bahamas e Cuba a noroeste. A capital é Porto Príncipe (em francês Port-au-Prince, em crioulo haitiano Pòroprens)

Alguns dados sobre a história política recente do Haiti (informação da Wikipedia):

"O período mais sombrio na história do Haiti iniciou-se em 1957 com a ditadura de François Duvalier. Médico sanitarista com certo prestígio mundial, devido a suas ligações com o movimento negro, realizara excelente trabalho junto às populações rurais no combate à malária, sendo apelidado de Papa Doc (papá médico).

O regime montou um aparato de repressão militar que perseguiu os opositores, torturando-os e assassinando muitos deles. A repressão era encabeçada pela milícia secreta dos tontons macoutes, cuja tradução é "bichos papões".

Papa Doc morreu em 1971, após ter promulgado uma constituição em 1964 que lhe dera um mandato vitalício e ter conseguido que o seu filho mais novo fosse declarado seu sucessor.
O filho Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, que assumiu o poder aos 19 anos, deu continuidade ao regime de terror imposto pelo pai.

Governou até 1986, quando foi deposto por um golpe militar. Os militares que assumiram o poder sucederam-se no governo por vários anos. A esperança de redemocratização surgiu em 1990, quando ocorreram eleições livres e a população elegeu o padre Jean Bertrand Aristide para presidente.
O Haiti -de 1986 a 1990- foi governado por uma série de governos provisórios.

Em 1987, uma nova constituição foi feita.

Em Dezembro de 1990, Jean-Bertrand Aristide foi eleito com 67% dos votos. Porém poucos meses depois, Aristide foi deposto por um novo golpe militar e a ditadura foi restaurada no Haiti.
Em 1994, Aristide retornou ao poder, com o auxílio do Estados Unidos. Mesmo assim, o ciclo de violência, corrupção e miséria não foi rompido.

Em Dezembro de 2003, sob pressão crescente da ala rebelde, Aristide prometeu eleições novas dentro de seis meses.

Os protestos contra Aristide, em janeiro de 2004, fizeram várias mortes na capital do Haiti, Porto Príncipe.

Em Fevereiro, com o avanço dos rebeldes, o ex-presidente foge para a África e o Haiti sofre intervenção das Nações Unidas".

A economia de Porto Príncipe:

Actualmente a cidade de Port-au-Prince exporta café e açúcar, e no passado exportou outras diversas mercadorias, como sapatos e artigos como bolas de basebol.

Porto Príncipe possui fábricas de processamento de plantas comestíveis, sabão, têxteis e cimento. A cidade também depende das indústrias do turismo e as companhias de construção para mover sua economia.

Dado que em Porto Príncipe a taxa de desemprego é altíssima, seria mais exacto dizer que a população está desempregada. Uma pessoa que caminhe pelas ruas de Porto Príncipe poderá notar a grande actividade de ambulantes e serviços não registrados.

País pobre, abandonado, explorado, sem esperança. Assolado por tufões, furacões, cheias, mortes e todo o cortejo que vem atrás, de fome e desepero. Ontem, um tremor de terra deita abaixo o país.

...............

in Público, edição online de hoje:

"A Assistência Médica Internacional (AMI) envia amanhã de manhã uma equipa exploratória para o Haiti, disse ao PÚBLICO o presidente da organização, Fernando Nobre.

A equipa é composta por Tânia Barbosa, directora do departamento internacional, e Marta Andrade, coordenadora de projectos, que viajarão via Madrid e Miami, e deverão chegar à capital, Port au Prince, pela hora de almoço de sexta-feira".
........................
in Le Monde, edição online de hoje:
"Le séisme qui a frappé Haïti, mardi 12 janvier, touche l'un des pays les plus pauvres du monde, déjà mis à l'épreuve en 2008 par une série de cyclones. Plusieurs centaines de personnes avaient péri. La destruction des routes, des maisons et des infrastructures économiques avaient alors été chiffrée à près de 15% de la richesse nationale".
.........................
in El Pays, edição online de hoje:

"Haití, un país paupérrimo y azotado por la violencia, se ha hundido en el caos tras el terremoto que ha tirado edificios, con especial crudeza en la capital, y ha enterrado bajo las ruinas a miles de personas. Éstas son las voces del drama haitiano.


Las calles de Puerto Príncipe, la capital de Haití, se han convertido en una trampa, con buena parte de los edificios a ras de suelo y bajo los mismos un número indeterminado de personas. Esas calles trampa son ahora el lugar más seguro para los que temen nuevas réplicas del terremoto que asoló ayer el país, y el único techo para muchos de los que se han quedado sin casa".
Afinal, a vida nem sempre é maravilhosa...
Para alguns, não é? Infelizmente, quase sempre os mesmos?