O filme de Claude Miller, com a actriz Nicole Garcia 

Ruth Rendell é considerada hoje a "Grande Dama" do suspense britânico. 

Logo a partir do seu primeiro romance, From Doon with Death (1964), R. R. teve grande sucesso com o seu herói.
Ganhou vários Prémios: o "Gold Dagger" da "Crime Writer's Association", em 1976, pelo livro A Demon in my View (excelente); o "Arts Council National Book Awards" pela obra The Lake of darkness (terrível), em 1980.

Depois desta pequena apresentação, comecemos:
Confesso que o primeiro livro me chocou, e não gostei.
Deixei passar uns anos até voltar a ela. Recomecei, desta vez em inglês -sempre que posso, leio na língua do autor, é sempre diferente. Já não sei quem dizia que as línguas reflectem uma mundividência que é intraduzível. Será isso...

Sei que desta vez consegui “entrar”. Porque se trata de “penetrar” noutro mundo, “ver” outras pessoas, "aceitar" uma certa atmosfera.
Claro que todos os livros nos provocam essa necessidade de “entrar” neles, mas aqui trata-se de mundos misteriosos ou “doentes”, o que torna tudo complicado.Um mundo estranho, em que funcionam partes da mente que, normalmente, são controladas pelo nosso consciente? Em certos casos sim; noutros, trata-se de inseguranças ou, pura e simplesmente, de psicopatias ou paranóias.

Nos livros de R.R. mais do que os enredos ou o suspense –que o há e bastante!- é uma certa atmosfera quase irreal, um qualquer coisa que paira no ar e pensamos ser “the evil”, como ela costuma dizer –o mal- o inominável e diabólico, nas suas múltiplas formas.
São personagens doentes, marcados por um passado cruel, em fuga, lutando contra os medos que os assaltam, contra os instintos incontroláveis e a pulsão assassina.
Bem escritos, bem estruturados, nada falha, tudo perfeito.
Resta-nos essa atmosfera terrível, dos nevoeiros cerrados, dos bosques que escondem corpos mortos, da charneca onde se aninha o mal, dos lagos de águas profundas, do gelo onde escorregamos, dos becos de casas abandonadas onde tudo pode acontecer.
Porque, neles, tudo pode ser uma armadilha onde as pessoas perdem o pé, entram num torvelinho que não entendem, são sorvidas e morrem.
Mas, felizmente, surge a parte humana!

O Comissário Reginald Wexford e a sua cultura, as suas longas citações de Shakespeare, Keats ou de outro qualquer escritor famoso e que enervam o inspector Burden.
E a família: Dora, a mulher, paciente mas determinada, que segue de longe as investigações e lhe dá por vezes uma ideia, aparentemente banal, mas que resulta; as duas filhas, Sheila, uma actriz de teatro famosa, frágil, que vive num mundo muito diferente do dele, mas que ele acompanha, demasiado interssado -porque talvez Sheila seja a preferida do pai...

Então, vai procurar a verdae, “desvendar” o oculto, perscrutar no nevoeiro do inconsciente dessas mentes baralhadas, ou doentes, abrir esses mundos fechados e encontrar, nesse inconsciente recusado, os motivos ocultos ou as “razões” irracionais que o levam à solução dos casos mais difíceis.

"Ruth Rendell é, desde 1964, ano em que veria publicada a sua primeira obra, entusiasticamente aclamada pelo público e pela crítica. Distinguida com inúmeros prémios literários internacionais -quer como Ruth Rendell quer como Barbara Vine, pseudónimo com que assina muitos dos seus trabalhos – a sua obra está traduzida em vinte e cinco línguas.
Publicados pela ASA, na colecção "Noites Brancas", estão os romances Jogos Perversos e Os Telhados do Bem e do Mal, este último com a assinatura de Barbara Vine.
Nota 2.
Barbara Ruth Rendell, Baronesa Rendell de Babergh, CBE, (nascida em 17 de Fevereiro de 1930), que também escreve sob o pseudónimo Barbara Vine, é uma escritora inglesa de obras de mistério e psicologia criminal, muitas vezes chamada de Rainha do Crime.
Nota 3.
( o primeiro, com um nível de participação de actores -entre os quais Colin Firth- e realização bastante bom já o encontrei, o segundo ainda não o vi.);






























imagem da cidade de Port-au-Prince: fotografia e imagem via satélite 