quarta-feira, 7 de abril de 2010

Outro Jazz: Mulatu Astakte, "Broken Flowers" de Jim Jarmush e o ethio-Jazz: ouvir


Talvez se lembrem do filme de Jim Jarmush "Broken Flowers" (2005), com Bill Murray.
A "banda sonora" do filme era de Mulatu Astakte.
Era um filme de solidão, de procura do tempo perdido que se sabe, no fundo,
irrecuperável.
Pelo menos, já nada é igual...
E ele, neste caso o actor Bill Murray, "sente-o" - e mostra-o (ver foto)...- bem.


Bom filme, mas não do melhor de Jim Jarmush.
Houve dois dele, pelo menos, que adorei:
De facto lembro o maravilhoso Stranger Than Paradise, de 1984 (traduzido cá por "Estranhos no Paraíso", que não é bem a mesma coisa), com John Lurie num papel arrebatador! Uma viagem de loucos num velho carro pela América. Cheio de humor negro, de encanto, de ternura...

Vi-o pela primeira vez com a minha filha, em Roma...

(Quem não conhece John Lurie? Nascido em 14 de Dezembro de1952) é um actor Americano, pintor e músico que, em 1978, formou o grupo The Lounge Lizards, inicialmente um"fake jazz", com o irmão Evan Lurie.
Outro filme muito bom de Jarmush: "Down by Law" (Daunbailó), inesquecível de absurdo e cómico, em 1986, com outro fantástico músico-actor, Tom Waits, e com Roberto benigni que ali vaoi muito bem.

Mais tarde virá o "Paris Texas" etc, etc.

Sobre Mulatu Astakte nada sabia...
Há dias, vi anunciarem um concerto de Astakte (França?), na Arte, e ouvi-o numa pequena entrevista.

Não me lembrava sequer que a banda sonora do filme era dele. Gostei de o ouvir, fui à procura na internet e encontrei referência a:

"The New Mulatu Astatke Album", com os Heliocentrics (2008). Chama-se Inspiration.

Alguém perguntará:
...Isto é jazz?

Resposta:

-Oh!, já percebi.

E, logo, outra pergunta:
..."Isso importa?"
A resposta é evidentemente: Não!


















O músico Mulatu Astakte e o "ethio-jazz":

Nota:
"Proper background: pianist, hand percussionist, vibraphonist and composer Mulatu Astake is commonly known as the father of "Ethio-jazz," a hybrid of the scale modes of his native Ethiopia with Western harmonic concepts and jazz sensibilities. "

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dashiell Hammett - ele, um desconhecido- e os seus heróis em filmes
































Quem era Hammett?



Dashiell Hammett pouco ou nada disse sobre si, o mais perto que esteve de se abrir um pouco foi na peça “Tulip.” A personagem central (“Pop”) é um ex-escritor que admite que a sua vida foi extraordinariamente recheada de incidentes interessantes, mas sobre os quais não tem a mínima intenção de escrever.







Ligado a este sentimento, Hammett nunca terminou a história. Hammett era um homem excepcionalmente secreto.
A própria Lillian Hellman, que viveu com ele uma vida, confessa que pouco soube do seu passado.


O que hoje se sabe deste escritor foi tirado das cartas e apontamentos que outras pessoas guardaram.

Ele, Hammett, não "salvou" nada de si...
No entanto, centenas de filmes se basearam sobre a sua vida e sobre os seus romances, contos, scripts, etc., dando origem a uma filmografia sem fim que vai de filmes a séries televisivas que chegam a 72 episódios, a mini-séries, etc.

Continuando a resposta à minha leitora Lurdes Sampaio, aqui vai o que encontrei sobre a diversa filmografia!

Um nunca acabar de coisas, de filmes desde 1930, e de bons actores no papel do saudoso Sam Spade ou do divertido Nick Carter (The Thin Man), com a sua Nora e o cão, um tremendo "fox-terrier"...
Assim, comecemos:
Roadhouse Nights, de Hobart Henley, 1930, tem como actor principal o conhecido actor do tempo, Jimmy Durante .

City Streets, de Reuben Mamoulian, 1931, c/ Gary Cooper e Sylvia Sydney

O Homem Sombra, de W. S. Van Dyke, 1934, c/ Myrna Loy e Dick Powell
que é o irónico e incontrolável investigador Nick Carter...
A Chave de Vidro, de Stuart Heisler, 1942, com Veronika Lake e Alan Ladd

Relíquia Macabra/O Falcão Maltês, de John Huston, 1945, com Humphrey Bogart, Peter Lorre e Mary Astor



The Thin Man, Séries TV, de 1957-59, com o actor Peter Lawford
The Dain Curse, Swakhammer, 1978, Série TV
com o actor James Coburn.

Filmes mais recentes, baseados sobretudo nos dois romances já referidos em post anterior: Red Harvest (Colheita Sangrenta) e The Glass Key(A Chave de Vidro).

1.



O romance Red Harvest foi adaptado pela primeira vez em 1930 no filme Roadhouse Nights, com o actor Jimmy Durante. Muitos elementos do livro foram alterados e a adaptação não é considerada de fiar.
2.

Akira Kurosawa e o filme Yojimbo (1961),
Conta a história de um "ronin" (samurai sem chefe), representado pelo actor Toshirō Mifune, que chega a uma terrinha onde bandas rivais do crime do jogo organizado lutam entre si. O ronin convence cada um deles a contratá-lo como protecção contra o outro ( o título japonês é guarda-costas). Manobrando os dois, usando a espada de samurai, consegue trazer a paz com a morte sangrenta de ambos os senhores da terra que se entre-assassinam.

O olhar do filme de Kurosawa lembra certos westerns de John Ford.

Os personagens e o tema do taciturno solitário ("I'm a lonely cowboy /far away from home...", cantava Lucky Luke, o herói de Gosciny) e dos cidadãos abandonados, e a precisar de um protector.

Kurosawa afirmou que a fonte principal da sua obra foi o filme tirado do clássico livro de Hammett (de 1931),
The Glass Key, adaptado ao cinema em 1942.

No entanto, segundo a opinião de muitos, Yojimbo parece mais próximo da acção do romance,
Red Harvest (1929).

3.

A Fistful of Dollars sai em 1964 ( Per un pugno di dollari)e é o primeiro filme da chamada "Trilogia dos Dólares" ou A Man with No Name Trilogy, de Sergio Leone e baseia-se nesses dois livros de Hammett.


Os outros que se seguem são: For a few dollars more (1965) e The Good, the Bad, and the Ugly ( Il buono, il brutto e il cattivo, 1966).

Os actores principais são Clint Eastwood e Gian Maria Volontè.

A história é a mesma: o herói chega a uma aldeia na fronteira do Texas, San Miguel e rapidamente entra nas "faidas", lutas rivais entre duas famílias, os irmãos Rojo.

Segundo muitos, trata-se de um "remake" do filme de Kurosawa, não assumido.

4.

Os Irmãos Cohen e Miller's Crossing:

Miller's Crossing (Luta de Gangsters em Portugal, Ajuste Final, no Brasil)é um filme de 1990 realizado pelos irmãos
Coen brothers com a actuação de grandes actores como: Gabriel Byrne, Albert Finney, Marcia Gay Harden, e John Turturro.

A acção incide sobre a luta pelo poder entre duas bandas rivais, e como o propagonista se serve de ambas para as destruir.




Antes, em 1982, há ainda o filme de Wim Wenders, numa produção de Coppola, intitulado "Hammett, Mistério em Chinatown", que se inspira na vida -e obra e personagens - de Dashiell Hammett, tendo como actor principal Frederick Forrest.
5.

Recentemente, em 2002, aparece "Sem risco aparente", de Bob Rafelson, baseia-se também num script de Hammett. Desta vez o herói principal é uma actor afro-americano, Samuel L. Jackson.


(título original: The House on Turk Street
lançamento: 2002 (Alemanha) (EUA)
actores: Samuel L. Jackson , Milla Jovovich , Stellan Skarsgard , Doug Hutchinson , Grace Zabriskie
E, por uns tempos, deixo-vos "livres" de policiais...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Dia Do Anjo...



A Páscoa Do Anjo



Em Roma, costumava festejar-se hoje, segunda-feira de Páscoa, a "Pasqua dell'Angelo".


Quando era miúda, em Portalegre, também nesta segunda-feira era dia santo e íamos todos para o campo fazer um "almoço-pic-nic", de cabrito frito, borrego assado e tantas coisas mais.
Nós costumávamos ir para a quinta da tia Mariquinhas, no Olival dos Assentos e, anos mais tarde, para a quinta do meu avô na Serra de S. Mamede, que se chamava Quinda da Bela Vista...


Ontem falou-me, a dar as boas-festas, a Marta, uma antiga aluna.

Estava com os pais e irmãos, mas vinha para Lisboa, do Alentejo, de noite. Não podia passar lá o dia porque, hoje, segunda-feira, tinha trabalho.
Contei-lhe desses almoços da minha infância e ela disse, com uma voz mudada, feliz:

"Ah! Então hoje é que é o Dia do Anjo!... Lembro-me de, na Póvoa de Varzim, quando era pequenina, fazermos o mesmo!"

Nunca lhe tinha ouvido chamar assim, "o dia do Anjo", mas achei tão bonito que vim pôr aqui uma imagem de que gosto muito: um Anjo!

O doce Anjo Rafael, com Tobias pela mão -maravilhosa pintura de Perugino, que vi na National Gallery, ultimamente, muitas vezes...
O Anjo, o Arcanjo São Rafael, que vai de passeio com Tobias, e este leva o peixe que acabou de pescar, pendurado da mão, e conversam na longa jornada em que Rafael acompanha Tobias, levando-o são e salvo a casa dos pais...

Conhecia a imagem dos livros de pintura e lembro-me que, quando que ensinava o "Sermão aos Peixes", do Pde. António Vieira, ia buscar essa imagem a um livro de pintura e fotocopiava-o (agora, ia à internet...) e era a partir dela que "explicava" a história dos peixes, os peixes bons... começando pelo peixe de Tobias...


Aqui vos deixo-vos o Anjo do dia de hoje.


(reprodução de Tobias with the Angel Raphael 1500-05, pintado por Perugino ( Pietro Vannucci Perugino)

sábado, 3 de abril de 2010

Um Domingo de Páscoa em Portalegre

A minha avó tinha muitas formas de superstição.
Receava acima de tudo o "mau-olhado" e uma das coisas que nos oferecia, logo ao nascer, era uma pequenina figa de ouro, ou de coral, para pendurarmos numa pulseirinha e assim afastar o mal.
Amanhã é Domingo de Páscoa e lembrei-me das idas -com ela- visitar o Senhor dos Passos, ou "Senhor do Calvário", como ela dizia.


Já vai longe o tempo dos "folares", que a Florinda fazia...
Sei que nos entretínhamos a pintar os ovos cozidos (havia uns pós que dentro da água a ferver os coloriam) e eu pintava sempre rostos de chineses, nos ovos cozidos em água de açafrão.

Folares, com três ovos para o meu pai, um ovo para nós as duas mais velhas, e, para a mais pequenina, a Florinda fazia com a massa uns "lagartos" e punha-lhes uma amêndoa na boca...
As amêndoas de chocolate e açúcar, ou só de açúcar, de Portalegre eram famosas. Adorava comê-las. Pareciam ovinhos de pomba, perfeitinhos.

No domingo de Páscoa íamos, então, com a avó, de certeza a pessoa mais “religiosa” da família, visitar "o Senhor dos Passos", à Igreja do Calvário.


A sua devoção pelo Cristo da Paixão parecia-me às vezes uma forma de religião, mais pagã do que católica.
Também foi com ela que visitámos a linda Igreja do Bonfim...

Levava-nos todos os anos ao Calvário, ver o Cristo...
Antes, passara Ele em procissão, descalço, curvo debaixo da cruz de lenho, pensativo.
O meu pai, que era ateu, respeitava as crenças dos outros.

Por essa época, as janelas e varandas da nossa rua ficavam cheias de colchas que iam do cor de rosa mais berrante ao vermelho cardeal mais vivo, do amarelo-dourado, ao azul turquesa, colchas de seda simples, de algodão ou de damasco pesado. Mas o meu pai –que não deixava pôr colchas porque não era religioso-, também nos não deixava ficar a “olhar” como observadoras das nossas janelas.
Assim, íamos ver a procissão em casa da tia Leopoldina, das sacadas enfeitadas de colchas de sedas antigas. Ela morava na rua da Carreira (hoje rua 19 de Junho), logo à saída do Largo da Sé, de onde saía o cortejo.

Lembro a música solene, fúnebre, tocada pela banda, vejo algumas figuras descalças, com túnicas escuras e cabeças baixas, o andor do Cristo passava lentamente e, atrás, seguia-o uma chorosa Virgem, de azul. E muitas velas e os anjinhos brancos, com as asas enormes a abanar.
Havia refrescos na sala de jantar, bolinhos, pão com doce. De cima da janela deitávamos pétalas perfumadas, de rosa, de cravos sobre as pessoas que passavam.

O meu pai nunca se opôs a essa nossa peregrinação com a avó.

Chegávamos à Igreja do Calvário, silenciosas, e ficávamos a olhar o Cristo da Paixão, vestido de roxo sob a cruz de lenho escuro. Lembro a sua testa sangrando, cravada de espinhos, em bagas de rubi, e os olhos pensativos e tristes que tinha. A avó sentava-se um pouco, com o seu véu branco na cabeça inclinada para um lado, e as pontas do véu caídas sobre os ombros. De olhos fixos, cheios de brilho, devia pedir ao seu Cristo muitas coisas.
Depositávamos um beijo no pé direito, e rezávamos uma oração pequenina que esqueci.
Ainda soube muitas orações que a avó nos ensinava.

Lembro hoje com saudade as nossas "visitas" ao Cristo da Paixão...

Junto um poema do grande poeta José Régio. Quero associá-lo nesta recordação, ele que tão bem sabe falar do Cristo da Paixão.

CRISTO











Quando eu nasci, Senhor, já tu lá estavas,
Crucificado, lívido, esquecido.
Não respondeste, pois, ao meu gemido,
Que há muito tempo já que não falavas...

Redemoinhavam, longe, as turbas bravas,
Alevantando ao ar fumo e alarido.
E a tua benta Cruz de Deus vencido,
Quis eu erguê-la em minhas mãos escravas!

A turba veio então, seguiu-me os rastros;
E riu-se, e eu nem sequer fui açoitado,
E dos braços da Cruz fizeram mastros...


Senhor! eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a teu lado,
E apodrecer contigo à luz dos astros!

José Régio

Ilustrações:

1.Vista de Portalegre com a Sé

2. Andrea Mantegna, Cristo Morto

3. Igreja do Calvário, Portalegre

3. Igreja do Bonfim, Portalegre

4. Carlo Crivelli, Cristo na Cruz, com dois anjos

5. Giovanni Belllini, Cristo na Cruz, com anjos

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quem não tem saudades de " Os Vingadores"?


























OS VINGADORES!

Quem não tem saudades dessa famosa série televisiva inglesa? (e, já agora, de tantas outras que passavam, bem superiores a tudo o que hoje se vê como telenovelas portuguesas, brasileiras, sul-americanas -que, confesso, não quero ver!).

Uma série que nenhuma outra conseguiu ultrapassar pelo mundo fora e que continua a ter sucesso onde quer que apareça.


Vejo-a agora na Arte (passa às 17 e 10, mais ou menos, de segunda a sexta... E acho que também ao meio-dia) –rede televisiva franco/alemã que consegue manter a qualidade, a preocupação da “arte” que o nome escolhido revela.


Chama-se em francês “Chapeau melon et bottes de cuir”, coisa estranha para traduzir “The Avengers”! Mais estranho ainda é “ouvir”, dobrado em francês, o acento bem british de John Steed, o actor Patrick Macnee!


Choca-me...mas continuo a ver até que “aceitar”, até me esquecer que é em francês que o Steed fala, mais a Emma Peel, depois a Tara King, agora a Purdey dos Novos Vingadores), etc.

Os primeiros episódios (de 1960-1962) -onde já aparece John Steed- têm como personagem feminina a actriz Honor Blackman, que faz de Dra Cathy Gale (mais tarde entrará em filmes como o antigo "Titanic"), onde aparece também o actor Hunt que mais tarde (em 1976-77) aparece na nova série The New Avengers na personagem de Mike Gambitt .
À medida que os episódios correm, esqueço tudo menos o momento em que os começámos a ver, já em S. João, ainda os meus filhos eram pequenos, a Florinda andava por aqui (porque a famosa Florinda veio parar à minha casa!).

Mais a Fernandinha, aluna do Liceu onde eu ensinava na altura, mas que não era minha aluna, e sim "visitante nocturna" e companheira de todas as séries inglesas.

“Guerra e Paz” (a Florinda sentava-se atrás, no chão, e chorava com aqule drama que amava), “A Família Forsyth”, “O maldoso Mr. Ryder” (já não tenho a certeza do nome, mas só poderia ter sido tirada de um livro da Patricia Highsmith, tal o espírito maldoso deste investigador!).

Os Vingadores!


As histórias, hoje talvez nos pareçam “ingénuas”, mas ainda “ficção científica” para nós, na altura o absurdo das ideias e situações, o “mal” quase de outro mundo, os espiões que vinham de vários sítios, e a “Mother”, mãe de todos os chefes!


Os robots, os computadores que faziam o impensável nessa altura, que “morriam” e eram “ressuscitados” pelos sábios em operações cirúrgicas de luvas, máscaras e bisturis.

O encantador de pássaros que cria verdadeiras aves kamikaze, mas que acaba por morrer porque...não aprendeu a voar...

Coisas que olhávamos na altura com uma certa condescendência –porque “aquilo” era impossível!- estão no nosso século bem mais próximas da realidade do que nunca, e já não sorrimos ao ver o impossível, o inominável acontecer.

Hoje que já se viu tudo, que a ficção científica é real, que os filmes e as seus efeitos especiais nos atordoam de barulho e luzes, de sangue, sexo e mortes, o suspense de Os Vingadores mantém-se intacto. Feito de pequenos nadas, assusta-nos, entretém-nos com a respiração suspensa, à espera mesmo quando até nos lembramos do final do filme.


A séria, sensual, e, ao mesmo tempo, irónica, Mrs. Peel (Diana Rigg). E Tara King (Linda Thorston) , que a substitui mais tarde e os seus "ingénuos" e sonolentos olhos azuis, as mini-saias -novidade para a época. Sim, quem se lembraria de uma década mais tarde "censurar" as esculturais pernas de Purdey, sempre destapadas?

Grandes séries, na verdade, que conseguem vencer o tempo! Que são “actuais” sempre.
O gentleman Steed -possivelmente descendente, pelo lado materno dos condes de Huntigdon (pela avó Frances Alice Hastings) Macnee afirmou durante muito tempo ser um familiar distante Robin Hood, outras vezes dizia ter sido o a ovelha negra da família Huntingdon. O avô dele era o artista-retratista escocês Sir Daniel Macnee.- é sempre um gentleman...

Elegante, super-educado, com o seu guarda-chuva (“carregado” para as emergências, ou transformado em estilete mortífero), não pretende ser um “007”, mas é um grande profissional.
Steed e as suas partners inesquecíveis, diferentes, mas figuras agradáveis, mulheres perigosas, que se agitam, elegantes, passos de kung-fu e de bailado.



Depois, vêm The New Avengers que nos aparecem em 1976 quando já "deseperávamos" e retomam a cavalgada heróica dos velhos episódios!


Chega a sofisticada e esbelta Purdey, a sua dança entre o ballet clássico e o karaté de saltos altos; com ela vem o divertido e "conquistador" Mike Gambitt e John Steed mantém o seu "charme"...
Alternam-se, sucedem-se nos episódios, à medida que o tempo passa e tudo acaba, seja ela qual for, com um tanto de sensualidade, completamente nada de vulgaridade ou mau gosto, e a fatal taça de champagne, umas flores e maravilhoso humor inglês.
Afastam-se tanto da banalidade e até pornografia soft (ou hard!) que existe nos filmes de hoje, nas séries, nos policiais, nos dramas, nas comédias... metida “à força”, e sem sentido nenhum.
É bom ver The Avengers sempre!
Deixam saudades. Criam desejos, expectativas! Por que não há-de aparecer uma série assim???
Sim. Why not?----------------------------------------

Nota:
The Avengers foi uma série criada para a televisão inglesa, nos anos 60. Concebida no estilo dos Spy Fi -os filmes de espionagem, realizados durante a guerra fria, em Inglaterra.
The Avengers (Os Vingadores) centra-se em dois caracteres, John Steed e uma ajudante. Assim surgem as suas partners variadas, trabalhando como agentes secretos do governo para o 'Ministério'.
À medida que a série progride, as histórias combinam entre si um pouco de science fiction, fantasia e uma certa excentricidade britânica.
The Avengers foram produzidos de 1961 a 1969, sendo a mais longa série de espionagem continuada, existente.
A série The Avengers estava "inserida" em mais de 90 países.


Sete anos mais tarde, a ITV ressuscitou a série como The New Avengers (de 1976 1 1977), com Patrick Macnee, retomando o seu papel de John Steed e, desta vez, acompanhado de dois ajudantes: Mike Gambit (que já entrara na primeira série), o actor Gareth Hunt, especialista em artes marciais e a nova partner, Purdey, a interessante actriz Joanna Lumley, ex- bailarina do Royal Ballet.
Protagonista de outras séries inglesas, como Saphire and Steel, e mais tarde a Bond'girl de Roger Moore, no filme "Ao Serviço de Sua Majestade", onde contracena com Diana Rigg também.

Foi também modelo, além de ser uma activista dos direitos do homem e activista política na defesa do "welfare" britânico.


Nasceu em na Índia inglesa, no Kashmir, filha de um Major do Exército Britânico que combateu na Brigada Gurkha Rifles, e viveu grande parte da infância no Extremo Oriente onde o pai estava.


Os programas dos anos 60 foram produzidos pela ABC Weekend Television, uma companhia produtora de TV independente. Em 1961 a série aparece com uma música diferente (library music), e, depois, abre com um tema de jazz, de John Dankworth (Sir John Dankworth foi um importante saxofonista e clarinetista inglês, nascido em 1927, e que morreu em Fevereiro de 2010).
Quando acaba a “ABC Weekend Television”, em Julho de 1968, a produção passa para a Thames Television, sob o controle de Sydney Newman.


O novo tema inicial, a abertura de The Avengers, é composta por Laurie Johnson, na parte final entra também Howard Blake, ambos compositores de músicas de filmes, como mais tarde o será a música de The New Avengers .

Alguns dos actores, entram mais tarde em filmes de espionagem de James Bond como Honor Blackman, Diana Rigg, Joana Lumley e Patrick Macnee.



Uma Páscoa Feliz.


Conselho: Procurem depressa "Os Vingadores", e divirtam-se!