livro que esteve à venda na Livraria Lumière, do Porto
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
"Lindbergh" - canta Ivano Fossati
Uma canção cheia de poesia, com uma introdução musical muito suave e sugestiva para a melodia e para o poema de Fossati...
Van Gogh e as estrelas sobre o rio
"Non sono che il contabile dell’ombra di me stesso
se mi vedetti qui a volare
è che so staccarmi
da terra
ed alzarmi in volo
ed alzarmi in volo
Difficile non è partire contro il vento
Ma caso mais senza un saluto...
Non sono che l’anima di un pesce
con le ali
Volato via dal mare
Difficile non
è nuotare contro la corrente
Ma salire nel cielo
E non trovarci niente.
Dal mio piccolo aereo di stelle
io ne vedo
seguo il loro segnale e mostro le mie insegne...
seguo il loro segnale e mostro le mie insegne...
E la voglio fare tutta questa strada fino al punto
Esatto in cui
si spegne..."
("Sou apenas o contabilista
das sombras de mim mesmo
Se me vedes voar aqui
é porque sei libertar-me da terra
como vocês segurarem-se num pé só.
Difícil não é partir contra o vento
mas, sim, sem um adeus.
Sou apenas a alma de um peixe com asas
que voou do mar para cheirar as estrelas.
Difícil não é o nadar contra a corrente
mas subir ao céu
e não encontrar lá nada.
Do meu aviãozinho vejo estrelas
sigo o seu sinal e mostro as minhas insígnias.
E quero fazer toda a estrada até ao
ponto exacto em que se apaga...")
(É a tradução possível, mas nunca igual, do poema de Fossati, porque Ivano Fossati, "cantautore" italiano - que a minha amiga Anna Marra me deu a conhecer, em Roma, há poucos meses- é um poeta!)
Charles Lindbergh nasceu em 1902, foi "correio aéreo" durante anos. Um dia, com 25 anos (1927), no seu voo solitário, sobrevoou o Atlântico, no pequeno avião, o Spirit of Saint Louis, proeza nunca tentada até então: 33 horas e 31 minutos de voo...
das sombras de mim mesmo
Se me vedes voar aqui
é porque sei libertar-me da terra
como vocês segurarem-se num pé só.
Difícil não é partir contra o vento
mas, sim, sem um adeus.
Sou apenas a alma de um peixe com asas
que voou do mar para cheirar as estrelas.
Difícil não é o nadar contra a corrente
mas subir ao céu
e não encontrar lá nada.
Do meu aviãozinho vejo estrelas
sigo o seu sinal e mostro as minhas insígnias.
E quero fazer toda a estrada até ao
ponto exacto em que se apaga...")
(É a tradução possível, mas nunca igual, do poema de Fossati, porque Ivano Fossati, "cantautore" italiano - que a minha amiga Anna Marra me deu a conhecer, em Roma, há poucos meses- é um poeta!)
Charles Lindbergh nasceu em 1902, foi "correio aéreo" durante anos. Um dia, com 25 anos (1927), no seu voo solitário, sobrevoou o Atlântico, no pequeno avião, o Spirit of Saint Louis, proeza nunca tentada até então: 33 horas e 31 minutos de voo...
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Intermezzo policial: "Morte de um desconhecido", capítulo 2
Liliana
tentara brincar com Roberta mas não se sentia à vontade. Ela falava de coisas demasiado sérias.
Pensou que era a luz forte que a
incomodava e semicerrou os olhos. A fonte salpicava tudo à volta.
Alguns turistas estavam sentados nos degraus, virados para o Pantheon.
Cheios de sono, cheios de frio, cansados.
De repente, protestou:
-Acho que já não era capaz de viajar assim...
E
apontava para os turistas.
Os outros estavam abstraídos, possivelmente a pensar no que ela dissera.
-Já
leste sobre a morte da condessa?
Era Michael que mudava a conversa, de propósito. Era muito complicado o problema de Roberta...
-Estás
a falar comigo?, perguntou Roberta.
-Contigo,
claro. A Liliana sei eu que leu. Estamos sempre à procura destas notícias. Adoramos mistérios.
-Ele, não sabes?
É um detective! disse Liliana, que esticava os braços,
espreguiçando os braços nus.
-Ó
detective, então o que pensas desta história misteriosa?, perguntou Roberta, a querer interessar-se.
Pusera-se a rir outra vez. A Roberta de sempre, cheia de vontade de viver.
Não o imaginava como detective, parecia-lhe antes um
grande sonhador.
-Já
tinhas lido?
-Claro
que li! Como toda a gente. Quem é que resiste à atracção do mistério...
Voltou-se para Michael.
- Não tenho as ideias muito claras...
- Tu, não tens ideias?, interrompeu-o Liliana. Não falas se não nisso!
E voltou a encostar-se, de olhos semicerrados.
E voltou a encostar-se, de olhos semicerrados.
Observava-os.
Percebia que gostavam de trocar impressões e que Roberta se sentia bem com
Michael. Assim, retirava-se da cena e deixava-lhes o grande plano.
“É
isso o amor, pensava. Deixar que o objecto do nosso amor se expanda, brilhe...
Será?”
No
fundo, não tinha a certeza, mas, desde que tinha conhecido Michael, começara a
apagar-se diante dele.
“Será
que me acomodei e deixei de desafiar a vida como antes? A anti-conformista, a
rebelde, a teimosa, a exigente conformou-se?”
Enrolou
os cabelos por detrás da orelha direita. Ergueu as sobrancelhas.
“Foi
o que ele amou em mim, a minha rebeldia, a minha diferença, até uma certa
extravagância...”
Deixara
de os ouvir. Ia pensando que ele se preocupava com tudo, tomava conta dela e a
verdade é que se encostara e repousava nele. Lembrava o primeiro encontro no Mahjong, um pequeno restaurante chinês numa rua do Bairro
Alto, em Lisboa.
A simpatia mútua que se criara logo.
Recordava-o a voltar de Inglaterra, e a ir
procurá-la. Vivera uma experiência dolorosa, indescritível, que envolvera o
assassínio da mãe e de pessoas próximas. E a resolução do crime, por ele, sozinho.
“Um
grande detective de facto...” Sorriu.
Voltou
a olhá-los, e sentiu uma ponta de ciúme. Roberta
era uma pessoa bela, viva, cheia de "charme".
“Disparate!
Ele gosta de mim!”, esforçou-se por pensar.
Voltou
a fechar os olhos.
Durante
a conversa, Michael olhara várias vezes para Liliana, mas encontrava a
barreira das pálpebras fechadas, as pestanas negras como um pequeno écran
que a protegiam.
Queria chamá-la, mas não tinha
coragem, julgava que dormia. Ela guardara o mesmo ar fresco e franco que
o encantara. Olhou com ternura os cabelos negros e lisos puxados para o lado.
Como quando a conhecera em Lisboa.
“Ó meu anjo, por que não abres os olhos?! Deixas-me tão sozinho...”
Ela
sentia o olhar dele e não olhava. Mais valia deixá-los falar.
Lembrava-se
de uma amiga que lhe dissera um dia:
“Há
pessoas que só olham quando sabem que os outros não estão a olhar para elas, e
então espreitam-nos, furtivamente, a
medo... Têm medo dos outros? Tu não, tu não tens medo dos outros. É como se nada
te pudesse ferir.”
Seria verdade que não tinha medo de ser magoada? Seria apenas indiferença?
De facto, tanto medo tinham as pessoas umas das outras. Não, ela não tinha medo!
Simberg, O Anjo ferido
Pensou
que queria estar um momento sozinha consigo.
Aretha Franklin - "Bridge Over Troubled Water"
Imagem muito bela da escultora Camille Claudel, "La vague", a onda enorme que é a vida...
E a ponte sobre as águas turvas, perigosas que atravessamos, pobres de nós, ouvindo Aretha Franklin, torna-se mais fácil de atravessar .
O Rabbi Nahman de Bretslav, cujo livro de ensinamentos - ou"conselhos"?- (La Chaise Vide)- tenho e de que gosto muito, dizia: "ao atravessar a ponte, o principal é não ter medo!"
Vamos a isso???
É verdade que um bom café e um chocolate em mousse de la maison (?) também ajudam...
domingo, 27 de janeiro de 2013
Dia do Holocausto e da Memória dos povos...
A árvore da vida, de Yaïr Emanuel
O campo de Belzec é libertado no Verão de 1944, pelo Exército Vermelho, que, meses mais tarde, em 27 de Janeiro de 1945, entra em Auschwitz e ocupa o campo, libertando os prisioneiros.
Céu negro, no blog Serafim
Ao Holocausto os ciganos dão o nome de Porajmos...
Ali foram gazeados e queimados, homens mulheres e crianças.
sábado, 26 de janeiro de 2013
O filme de Nicholas Ray, "Johnny Guitar" (1954) Play It again Johnny
O filme "Johnny Guitar" foi
realizado por Nicholas Ray, em 1954. Um western dramático, como tantos outros...
Distinguiu-se logo pela figura da grande actriz, Joan Crawford, num papel pouco feminino, a
pistoleira Vienna, dona do saloon da terra.
O saloon ficava situado num cruzamento de vias e
ferrovias, de lutas entre bandoleiros e rancheiros, ataques à diligência por bandos armados contra rancheiros
etc. e era constantemente o centro de ajustes de contas.
Vienna chama em seu auxílio o pistoleiro Johnny Guitar, que fora seu amante.
Sterling
Hayden é Johnny Guitar - uma figura um pouco "estática" e silenciosa do famoso herói.
Tem ainda outros bons actores como Ernest Borgnine e o, ainda, jovem Dennis Hopper.
Filme de pouco sucesso nos USA, no momento, mas considerado filme “cult”
na Europa. François Truffaut foi um dos seus maiores admiradores.
É célebre a canção Johnny Guitar, cantada por Peggy Lee...
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Um galo dentro da cidade...
Passo naquela rua muitas vezes, de carro, quando vou para a piscina. Vejo o bocadinho
de campo e as árvores, entre as quais umas oliveiras sem azeitonas há muito tempo.
O verde brilha em vários tons, agora molhados, e a
cor da terra é avermelhada. E a pequena horta no meio do espaço urbano: Couves altas como árvores, um limoeiro pequenino, cenouras...
Como um “Havre” campestre. Rodeado de arame, é certo...
Ontem, para meu espanto, do lado de lá da vedação que protege as
plantas, mais o espanta-pardais espantado, vi um galo! A dois passos da porta da piscina!
“Impossível...”, pensei. "Um galo, aqui, quase na rua?"
Mas era mesmo um galo...
E cantou!
Pensei na capacidade de invenção do homem, nos tempos duros que vão
correndo e na sua capacidade de, pela imaginação criativa, dar asas a um galo
em plena cidade!
Até lembrei com saudade os meu tomateiros de verão na varanda e a oliveirinha que este ano não deu nem uma azeitona também...
E comovi-me a pensar no homem comum que, em qualquer poiso, pode inventar, qual Candide, o seu jardim...
Ou a sua
horta, com um galo! Dentro da cidade... Afinal, o sonho sempre existe!
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