terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

DIANTE DE UMA PORTA FECHADA? HÁ PESSOAS QUE PENSAM ...



“Uma sociedade fundada apenas nos valores monetários não pode ir longe. Uma sociedade que não fornece um sentido,  não pode aguentar-se (... ). Não poderemos sair da crise enquanto não tiver mos dado outra vez um sentido a este modelo: é preciso apagar o fogo, dar um emprego e um ordenado ao maior número de pessoas, mas é também necessário recuperar o gosto de viver juntos, recuperar  essa convivialidade perdida (...)”.

fotografia dos autores, tirada do Nouvel Observateur

Diante da porta fechada que temos em frente, é importante é procurar soluções, ter ideias antes de falar...

Entrevista a Michel Rocard/Pierre Larrouturou (a propósito do livro recém-publicado da autoria dos dois: "La gauche n'a plus droit à l'erreur", Flammarion) no Nouvel Observateur de 17-23 Janeiro 2012

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Aconteceu na Douce France! Oui...


Van Gogh, café em Montmartre, Musée d'Orsay

Nem tudo o que é mau acontece só em Portugal. Não anima mas  faz companhia!

Há tempos, houve um gerente de um Banco que não aceitou a presença de  um “trabalhador” porque não estava vestido “como devia ser”, com o respeito devido à entidade: o Banco!

Esta outra aconteceu no sábado dia 26 de Janeiro, no Musée d’Orsay, de Paris de França (Le Monde de 31 de Janeiro de 2013).

Uma família “deserdada” (como traduzir? pobre?) visitava o Museu, acompanhada por uma senhora benévola do ATD-Quarto Mundo, um movimento que apoia os sem-abrigo e as pessoas em dificuldade.

Bem, a dada altura, família foi convidada a sair, pelos agentes da segurança do museu, porque o cheiro deles “perturbava” algumas pessoas que se tinham ido queixar aos guardas...

Edouard Manet, exposto no Musée d'Orsay

“Esses familiares eram dois adultos e um rapaz de 12 anos. Estavam a ver os quadros da sala Van Gogh quando lhes disseram que tinham de sair, porque o cheiro deles incomodara alguns dos visitantes".

O que terá pensado Van Gogh?, pensei eu... 

Van Gogh, com o seu bom coração, o pintor que viveu tão simplesmente, quase um pobre tantas vezes. Olhou de certeza essa atitude de afastamento dos pobres, com reprovação. E tristeza.
auto-retrato

E que respeitava o género humano e as pessoas e o seu trabalho. Estariam a ver possivelmente estas três maravilhas, que estão nesse Museu...
sesta depois do trabalho

Noite estrelada sobre o Rhône
o quarto em Arles

Quem conta a história é a senhora Cornacchiari, a benévola acompanhante.

“Eles continuaram a visita a outras salas, menos frequentadas”, disse ela.


Auguste Renoir

Talvez tivessem passado para a sala dos Pointillistes, a ver Signac. Ou o belo auto-retrato de Gauguin, com um Cristo amarelo por detrás. Ou o belo quadro que tem escrito em baixo "Arcarea"...
Paul Gauguin, auto-retrato com Cristo


Gauguin, Arcarea

“Mas nessa altura chegaram quatro  polícias que os conduziram à saída.”
Paul Signac, Mulheres no poço

Bem, felizmente o Ministério da Cultura pediu logo, à direcção do Museu, um “relatório circunstanciado” sobre os desagradáveis acontecimentos.

Como dizia o outro: “tutto il mondo è paese”, quer dizer “em todo o pano cai a mancha”... da alterofobia!

Até o cheiro faz esse efeito!

http://youtu.be/XMv0jwzp4gk
musée d'orsay

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Ouricinho e o cachecol azul...


Penso que a vida normalizou aqui por casa. 
O Ratinho olha, espantado, para o cachecol verde do Ouricinho...

O Ratinho anda ocupado com uns trabalhos secretos de astrologia, e o Ouricinho andou a escolher cachecóis...

Sim, porque houve alguém que não apreciou aquela escolha do cachecol verde...  Uma menina do Porto queria uma foto com um cachecol azul!!

Todos sabemos (?) que o Porto é uma nação. Bem, dizem eles lá no Porto e eu até estou de acordo porque o Porto é uma linda cidade! Sempre me senti lá bem e tenho amigos e amigas!

E, além disso, a cidade teve sempre um “côté” democrático que me agrada. 
De lá,  só vieram movimentos de liberdade e independência! Infelizmente, iam sempre durando pouco porque as forças conservadoras  não davam  repouso.

Mas voltando ao cachecol azul. Estávamos a tomar o pequeno almoço já com um açucareiro novo, pois o de vidro partiu-se, e o Ouricinho disse:


- Preciso de um cachecol novo! Azul!
- Por quê?, perguntei.
- Foi a menina Redonda que me pediu...

Não me lembrava de tal ter ouvido. Pensei num quadro do Renoir, com uma menina linda

- Onde inventaste essa história, perguntou o Poeta, entretido com uns papéis.
- Sim... Onde ?
- No teu blog! Não leste?
- Ah!
Lembrava-me agora. A Dona-Redonda!

um pé, na calçada portuguesa...




Fomos sair, a Cascais. Andámos por aqui e por ali à procura, de loja em loja... Não havia.
Aproveitei para tomar um "galão", coisa que adoro! E ver o mar lindo, lá do alto da varanda do Villa!




O Ouricinho não desistia e encontrou o cachecol azul, na praia dos Pescadores de Cascais, no meio dos barcos e das redes de pesca. 

O Ratinho não se quer meter nessas coisas de fanatismos desportivos.

- Não sou de nenhum clube, eu!
- Ah! Pois eu cá sou de todos!, respondeu-lhe o Ouricinho.  Detesto todas as "alterofobias"!

Eu preferi não me meter na conversa, mas ri-me cá para dentro...

Quando chegámos a casa, depois de termos trazido o tal cachecol, virou-se para mim, decidido:

- Agora tiras-me uma fotografia para a menina lá do Porto!


Tirei uma fotografia aos dois, claro. O Ratinho também tem muitos fãs e ficava triste de não participar no post...


A verdade é que estava uma manhã de sol maravilhosa, e ele encantou-se a olhar para as gaivotas que o fitavam um tanto irónicas, com seu ar orgulhoso e snob, olhos de pássaros e bicos de devoradoras de peixes.


Terão achado no ouricinho algo de marinho? Ou foi só por ele ser pequenino?



Ele esteve sempre encostado a mim, ou dentro da minha mala de mão. Fez bem. 

"Quem vê bicos, não vê corações..."

Uma bela canção de Ivano Fossati - "Mio Fratello Che Guardi Il Mondo..." Um canto de solidariedade!

quadro do pintor são tomense, Nézò (2002) : Mundo futuro

esculturas africanas


o anjinho negro que os pintores não pintaram...






"Mio fratello che guardi il mondo
E il mondo non somiglia a te
Mio fratello che guardi il cielo
E il cielo non ti guarda...

Se c’e una strada sotto al mare
Prima o poi ci troverà...
Se no c’e strada dentro al cuore degli altri
Prima o poi si traccerà...

Sono nato e ho lavorato in ogni paese
Ed ho diffeso con fatica la mia dignitá
Sono nato e sono morto in ogni paese
E ho camminato in ogni strada che vedi.

Mio fratello che guardi il mondo
E il mondo non ti somiglia
Mio fratello che guardi il cielo
 e il cielo non ti guarda

 Se c’e una strada sotto al mare
Prima o poi ci troverà...
Se no c’e strada dentro al cuore degli altri
Prima o poi si traccerà..."

do pintor israelita Reuven Rubin: "Estrada para Safed"


(Tentativa de tradução minha...)


Irmão meu que olhas o mundo
E o mundo não se parece contigo
Irmão meu que olhas o mundo
E o mundo não te olha.

Se existe uma estrada no fundo do mar,
Cedo ou  tarde nos encontrará
Se não há estrada dentro do coração dos outros,
Cedo ou tarde se traçará.

Nasci e trabalhei em todos os países
E defendi com dor  a minha dignidade
Nasci e morri em todos os países
E andei por todas as estradas que tu vês...

Irmão meu que olhas  o mundo
E o mundo não se parece contigo
Irmão meu que olhas o mundo
E o mundo não te olha.

Se existe uma estrada no fundo do mar
Cedo ou  tarde nos encontrará
Se não há estrada dentro do coração dos outros,
 cedo ou tarde se traçará."

Monet, Ponte em Giverny

Joshua Redman - Make Sure You're Sure... para não te acontecer como ao Calvin & Hobbes!


Filmes inesquecíveis: "Stranger Than Paradise" (Jim Jarmusch, 1984) - Part 1