Foi ontem o dia da minha cidade, Portalegre, houve festa na tal cidade em que aconteceram coisa especiais que Régio contou e cantou...
Marc Chagall, Circo
O Coreto (Foto de M.J.F)
Portalegre no nevoeiro (foto de R.A.M.)
Aquela onde uma sementinha voou e foi parar a um pedacinho de terra e uma plantinha agarrou-se à vida e cresceu e cresceu e nunca mais esqueci esses versos, se bem que me tenha esquecido dos anos da minha cidade!
Praça da República, antigo Corro
Uma cidade diferente, como sempre é a nossa cidade natal. Mas esta tem um poema, que criou um mito à volta dela. Uma história de amor por uma coisa simples e humilde que nascera do nada, num sítio agreste.
Foto de José Fernando
"Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma não lhe secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!"
Corredoura (foto de M.J.F.)
Por timidez, por defesa, essas pequenas coisas que amamos, porque esperamos, criancices claro, preferimos não contar seja a quem for, para não troçarem de nós... O Poeta apaixona-se por uma planta? Não, pela vida!
"E era então que sucedia
que em Portalegre, cidade
do Alto Alentejo, cercada
de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros..."
Sim,
"Em Portalegre cidade do Alto Alentejo
rodeada de pinheiros e sobreiros..."
Pois foi nessa terra mesmo que houve a festa, que houve movimento, houve alegria e que as vozes do Orfeão se ergueram e cantaram, de noite, perto, muito perto, da rua onde eu vivi.
desenho de Régio, "Benilde"
Reuven Rubin, anjos
Cantaram, como anjos, ao pé da bela igreja de São Lourenço, ao fundo das escadarias onde, quase todos os dias. eu passava, em pequenina.
Ouço-as, adivinho-as, sinto-as no soprar do vento suão, e vejo as serras, os penhascos, as oliveiras e sobreiros...
E vejo a acácia pequenina do poema crescer, deitar os raminhos, criar flor...
"E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
será loucura!... mas era
Uma alegria
(...)
Como se fizera um poema
Ou se um filho me nascera."
E amo a acácia que soube trazer alegria ao poeta solitário que foi meu professor e grande amigo!
Marc Chagall, o Poeta
Marc Chagall, Mulher equilibrista
E fico feliz com a festa que houve na minha terra!