segunda-feira, 27 de maio de 2013

Iva Zanicchi - Zingara

Iva Zanicchi nasceu em Ligonzio, em 1940, na Emilia Romagna, em 1940, uma bela região da Itália, nos Apeninos.


Vista dos Apeninos

Tem uma bela voz. Ouvia-a pela primeira vez no filme de Lucchino Visconti, "Ritratto di Famiglia in un Interno" (1974).  Cantava "Testarda Io" (Teimosa, eu...) e era surpreendente a força daquela voz.



Era uma das músicas “de fundo” do filme e impressionou-me muito a canção e a voz fantástica.

Tivera  bastante sucesso em Itália, já era famosa no ano do filme, tinha ganho duas vezes o Festival de San Remo, uma delas em 1967 com a canção “Non pensare a me”, e de novo, em 1969, com “Zingara”.



"Zingara" é uma canção muito bonita também. 


Em 1974, ganha pela terceira vez o Festival com a canção “Ciao, cara, come stai?"

Antes andara pelos Estados Unidos, apresentou-se no Carneggie Hall em 1963, no Madison Square Garden,  em 1973. 

Esteve no Olympia, em Paris. Em tournées pela Europa toda. Na Rússia. Na Turquia.

Em 1975 publica um álbum “Io sarò la tua idea”, com poemas de Garcia Lorca.
Teve programas ma TV italiana RAI e Canale  5.

Com Walter Chiari em 1974



domingo, 26 de maio de 2013

Lembrando Miles Davis - In a Silent Way...


o jovem Miles Davis fotografado por Palumbo, 1955


Miles Dewey Davis III nasceu num dia  26 de Maio, de 1926, e morreu em Setembro, dia 28,  do ano de 1991.


Miles, ao piano, com H. McGhee e Brick Fleagle

Músico de jazz americano, foi trompetiata, band-leader e compositor.É hoje  considerado um dos músicos que mais influência tiveram no século XX.
Com os seus diversos  grupos, esteve sempre na vanguarda e na frente: jazz, cool jazz, mood jazz, jazz fusion, esteve em todas... (E também bebop, claro.)
Não vou escrever a (enorme) biografia de Miles, nem referir a sua discografia, ou os grupos “Bands” musicais que fundou ou os músicos famosos com qUem trabalhou.
Não esquecço nomes como Coleman Hawkins em cuja banda tocou, em 1947, ou Bill Evans de quem gosto muito.

Miles & Coltrane

Quero lembrar o seu primeiro grupo, um quinteto famoso: o “Miles Davis Quintet”, criado em 1955 com John Coltrane (saxofone); Red Garland (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Philly Joe Jones (bateria), quinteto que acabo em 1957, pelos problemas de droga ...

o álbum "Bitches Brew" (capa de Matti Karlwein)
Miles no Festival North Ovest, fins dos anos 80
Miles e Coleman Hawkins

Nomes como Marcus Miller, Quincy Jones, Leo Konitz passaram perto e tocaram com ele.
Art Blakey
Kenny Clarcke

capa do álbum "Blue Moods"

Assinalo, apenas, alguns pormenores interessantes: a sua ligação com o Paris do Boulevard  Saint-Germain.


Paris por onde andou nos anos 57/58, e onde participou na criação da bandas sonora de filmes que ficaram famosas. Como o filme de Louis Malle, "Ascenseur pour l’échafaud" (1958).
Miles no Festival de Cascais, em 1971

Nesse ano, Miles começara a tocar no Club Saint-Germain clube de jazz que Boris Vian abrira, em 1947,  na rue de Saint-Benoit. 
No Paris boémio dos "caveaux", onde se ouvia jazz, encontra a jovem cantora  Juliette Gréco (que tinha 22 anos) e têm uma ligação amorosa. Em 2006, Gréco dá uma entrevista ao jornal inglês The Guardian em que recorda esse amor.

Miles e Juliette Gréco (antes de ela ter operado o nariz)


Onde tocaram, anos antes, Django Reinhardt, por exemplo, e Kenny Dorham ou  Art Blakey.
Django fotografado por Gottlieb


E outros músicos que vai encontrar e com quem trabalha: Barney Wilen e o americano Kenny Clarcke, por exemplo.

Miles hoje está assinalado no Museu chamado  Rock and Roll Hall of Fame, em Cleveland, no Ohio.
Foi considerado como uma das figures-chave na história do jazz.


Em 7 de Outubro de 2008, o seu álbum "Kind Of Blue" recebeu o quarto certificado de platina, conferido pela Recording Industry Association of america, pela venda de pelo menos 4 milhões de exemplares nos USA.

Em 2009, em 15 de Dezembro 50 anos depois da saída desse álbum (em 1959), a Cãmara e o Senado americanos  reconhece, simbolicamente e comemoram o 50º aniversário da saída de “Kind of blue”:

“Assim é homenageado a obra-prima e a afirmação do jazz como tesouro nacional”.

Miles Davishoje está presente no Museu  “Rock and Roll Hall of Fame”, em Cleveland, no Ohio.

Miles e a sua trompete

É uma figura incontornável do Jazz em especial e da música em geral...
 Curiosa a estátua que lhe fizeram na Polónia, uma bela escultura, onde é chamado de "Milos Davis"!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Em Portalegre, cidade do Alto Alentejo...

Foi ontem o dia da minha cidade, Portalegre, houve festa na tal cidade em que aconteceram coisa especiais que Régio contou e cantou... 
Marc Chagall, Circo

O Coreto (Foto de M.J.F)
Portalegre no nevoeiro (foto de R.A.M.)


Aquela onde uma sementinha voou e foi parar a um pedacinho de terra e uma plantinha agarrou-se à vida e cresceu e cresceu e nunca mais esqueci esses versos, se bem que me tenha esquecido dos anos da minha cidade! 

Praça da República, antigo Corro

Uma cidade diferente, como sempre é a nossa cidade natal. Mas esta tem um poema, que criou um mito à volta dela. Uma história de amor por uma coisa simples e humilde que nascera do nada, num sítio agreste.

Foto de José Fernando

"Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma não lhe secou, 
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas, 
E ter criancices tais,
Tais e tantas!
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!"

Corredoura (foto de M.J.F.)

Por timidez, por defesa, essas pequenas coisas que amamos, porque esperamos, criancices claro, preferimos não contar seja a quem for, para não troçarem de nós... O Poeta apaixona-se por uma planta? Não, pela vida!



"E era então que sucedia
que em Portalegre, cidade
do Alto Alentejo, cercada 
de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros..."

Sim, 
"Em Portalegre cidade do Alto Alentejo
rodeada de pinheiros e sobreiros..."


Pois foi nessa terra mesmo que houve a festa, que houve movimento, houve alegria e que as vozes do Orfeão se ergueram e cantaram, de noite, perto, muito perto, da rua onde eu vivi.

desenho de Régio, "Benilde"

Reuven Rubin, anjos


Cantaram, como anjos, ao pé da bela igreja de São Lourenço, ao fundo das escadarias onde, quase todos os dias. eu passava, em pequenina. 

Ouço-as, adivinho-as, sinto-as no soprar do vento suão, e vejo as serras, os penhascos, as oliveiras e sobreiros...

E vejo a acácia pequenina do poema crescer, deitar os raminhos, criar flor...

"E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
será loucura!... mas era
Uma alegria
(...)
Como se fizera um poema
Ou se um filho me nascera."



E amo a acácia que soube  trazer alegria ao poeta solitário que foi meu professor e grande amigo! 

Marc Chagall, o Poeta




Marc Chagall, Mulher equilibrista

E fico feliz com a festa que houve na minha terra!


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Adeus, Georges Moustaki... Et au revoir!





Morreu Georges Moustaki, o cantor que “identificamos” perto, em todos os protestos, como "Ma Liberté", em Maio 68; o "cantautore" , o poeta que falou do estrangeirado parisiense que ele foi, que se auto-retratou como “judeu errante”, e “pastor grego”...

O seu nome verdadeiro era Giuseppe Mustacchi e nasceu em Alexandria em 3 de maio de 1934, filho de pais judeus que tinham imigrado para o Egipto.

Vai para paris, em 1951, e conhece os cantores e o mundo boémio do “quartier latin” e outros.


 Conhece Georges Brassens que considerou sempre seu mestre. 


Viveu com Edith Piaf e escreveu canções para ela como a célebre canção “Milord”, que Piaf canta magistralmente.
Pierre Tchernia entrevista Edith Piaf que apresenta Moustaki 



Conhece igualmente Juliette Gréco, Barbara, Serge Reggiani que, em 1966, tornou famosas as canções "Ma Liberté", "Sarah", "Ma Solitude" ou "Votre fille a vingt ans".

 Moustaki “Ce pâtre grec cheveux aux quatres vents”, que falou da liberdade como ninguém, e da sua parente, a Solidão, e do valor da Vida como na magnífica “le temps de vivre”.



Moustaki que escreveu para Barbara a belíssima “La Dame Brune”, para ela, "la longue dame brune", e que os dois cantaram juntos, imortalizando a canção.




Sim,  Georges Moustaki partiu!

“Pour cueillir en rêvant une rose des vents sur  un rayon de lune”…?

Voltou aos mares da sua Grécia natal? 
Ou andará pelo Quartier Latin
Ou, de cabelos ao vento, voa, por aí, com as asas de anjo errante, à  procura das raízes -outra vez- pelo mundo fora?

Ele, eterno estrangeiro, eterno vagabundo, que se sentia em casa onde quer que parava e encontrava amigos e com eles bebia um copo, a ver o sol cair.

Mas como ele cantou: 

"Il faudra bien mourir un jour
quitter sa vie et ses amours
dire qu'il faudra laisser tout ça
pour Dieu sait seul quel au-delà 
(...)
 c'est dur à penser mon amour"



Talvez, sempre sonhador,  procure colher a tal rosa dos ventos, num raio de lua”...



Que importa por onde anda? Amou, cantou, escreveu... , como diria Stendhal.

Viveu!


Ouçam a maravilhosa canção, “Le temps de Vivre” (gravada em 8 de Setembro de 1969, acompanhado de 4 guitarras e uma vocalista (Archive Tv/INA).



E tantas outras canções inesquecíveis! Porque não o vamos nunca esquecer!

"La dame brune" (com Barbara):

“Le métèque”:
“La Solitude” :


Ma Liberté:
Sarah, cantada por Serge Reggiani