No Verão apetece-me ver filmes de aventuras. Talvez porque era o que acontecia na minha adolescência quando ia ao Cine-Parque de Portalegre!
Esperava-se que a noite caísse e muitas vezes a sessão começava depois das nove horas. Havia ao lado a barraca dos refrescos, das pevides, dos tremoços - à falta dos popcorns de hoje.
À frente, mais perto do ecrã, as cadeiras de lona e o nosso lugar era nas mesas de ferro com as cadeirinhas pintadas de branco...
Mais atrás, ficavam as cadeiras de madeira desconfortáveis.
Por lá vi "O Ladrão de Bagdad" (ainda ninguém sonhava que haveria um Saddam por lá...), "O Leão de Damasco", "Robin dos Bosques", eu sei lá que mais...
E tantos filmes de índios e cowboys. Do Roy Rogers, para começar...
Lia, por essa altura, Fenimer Cooper e O Último dos Mohicanos e os mohicanos, os cherokees, apaches, seminolas, eram parte da minha imaginação de miúda.
arapahos, numa reserva
Gravura de 1835, ataque dos Seminolas ao Forte
Este "Gerónimo" vi-o há pouco, em DVD claro. Gostei. Sofri uma vez mais com a sorte dos Apaches e fiquei contente por ver que havia alguns olhos azuis (clear eyes) que eram gente decente.
O realizador Walter Hill interessou-se pelos filmes de acção, e pelos westerns em especial.
Trabalhou
como cenarista em muitos filmes de Sam Peckinpah, de Norman Jewison ou de John Boorman e muitos outros.
O filme tem actores de qualidade: Gene Hackman, Robert Duvall e o (ainda muito) jovem Matt Damon.
"Geronimo" é de 1993. Geronimo é o grande chefe dos Apaches, um mescalero-chiricahua a quem os Mexicanos (com quem luta durante anos) deram o nome de Geronimo mas que na sua língua seria Goyathlay. E Goyahkla, em inglês.
Um chiricahua
Pelo Arizona, Colorado, Novo México, Utah que são as regiões onde se vai combater a grande Guerra do Búfalo. O búfalo era o animal mais importante para o índio.
Dele tiravam tudo o que necessitavam e a caça ao búfalo nas grandes pradarias do Oeste fazia parte essencial da vida desses povos: Apaches, Comanches, Kiowas, etc.
George Catlin, Caça ao búfalo
Mas a colonização americana avança, a necessidade de conquista de novas terras impõe-se e as guerras sucedem-se.
Geronimo nasce em 16 de Junho de 1829, em Gila River, e morre, prisioneiro, no Forte de Sill, no Ocklaoma, em 17 de Fevereiro de 1909.
Gila River
Geronimo, 1887, na reserva de Camp Mars
Geronimo
Edward S. Curtis, Geronimo, em 1905
Entre lutas contra a Cavalaria Americana, em passagens pelas "reservas" americanas, na revolta e, de novo, na prisão, é a vida do grande chefe índio.
O etnólogo Edward S. Curtis
etnólogo e fotógrafo, escreve sobre esta civilização, sobre as diversas tribos índias com quem conviveu e que fotografou maravilhosamente.
Edward Curtis, a Festa guerreira dos Ogalala
Índios e Cavalaria, 1899, autor anónimo
Geronimo, o Grande Chefe Apache vencido, torna-se numa celebridade, é apresentado em feiras, fotografado. Conserva a sua dignidade em todas as circunstâncias do seu exílio.
Nunca lhe foi permitido voltar à sua terra...
Geronimo, fotografado em estúdio
O actor índio cherokee Wesley
(Wes) Studi faz um magnífico chefe Geronimo.
(Entrara já no filme de Kevin Coster "Danças com lobos" (1990) e no filme de Michael Manne "O Ultimo dos mohicanos", (de 1992) com Daniel Day-Lewis).
o actor Wes Studi
É bom sempre voltar a sentir-me pequenina, mesmo que ilusoriamente...
Como dizia Salinger e muito bem, todos somos crianças e que "um dia crescemos. Mas há alguns que se limitam a envelhecer..."
Ora isso eu nunca quis! Se puder, enquanto puder, quero guardar a minha "alma" de adolescente!