quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Falando de Peter Tosh & The Wailers, do reggae e da morte


imagem retirada do "Nouvel Observateur", Bob Marley, Mick Jaegger e Peter Tosh




FALANDO DE PETER TOSH, REGGAE  E MORTE...


Fiquei contente porque uma revista séria falou há pouco de Peter Tosh, que há anos não ouvia e que ouvia bastante! (*)

No dia 11 de Setembro de 1987, Peter Tosh foi assassinado, na sua casa de Kingston na Jamaica, quando estava reunido com os amigos e a mulher Marlene Brown. Ela recebe uma bala na nuca mas sobrevive, outros dois amigos de Tosh morrem. Ele, atingido por várias balas de espingarda morre imediatamente.


O seu assassino foi Dennis "Teppe" Lobban, um “bad boy” que saíra da cadeia onde cumprira 13 anos e que, possivelmente, vinha à  procura de dinheiro.

Tosh era já uma “star” do reggae, bem conhecida por todo o mundo. Famoso. 

Ninguém sabe realmente por que razão Lobban o matou, nem se alguém lhe pagou para o fazer. O seu julgamento  durou, de facto, apenas 11 minutos e a sentença de morte foi comutada em prisão perpétua rapidamente.

Peter Tosh era um revoltado, um “indignado” avant-la-lettre, que não aceitava as injustiças do mundo. Um sonhador, talvez.


Agiu contra esse estado de coisas. Cantou essa revolta. Incomodou o governo da Jamaica.

Peter Tosh nasceu perto de Kingston, Jamaica, em 9 de Outubro de 1944.

Menino meio-negro e pobre, cedo conhece a injustiça e o sofrimento. Depressa descobriu o quanto era duro ser negro e ainda por cima pobre... 

Por que não era igual aos outros, pensava, ainda miúdo? Por que razão ele era negro?
Nunca esquecera o pastor que lhe explicou que  a cor era “porque tinha nascido no pecado” .

Ele não compreendia o que isso era e odiava o cântico, que ouvia, na Igreja onde ia com a família:

“Leva-me senhor e ficarei mais branco do que a neve” ...

Então, só a morte o libertaria dessa cor e da diferença?

Revoltou-se. Queria que a sua família saísse da miséria. Eram gente!

Ganhou alguma coisa? Sim. Foi famoso, respeitado...

Nunca parou de lutar, mas viveu até morrer na angústia e no medo. Receava as forças do mal, explicava ele, de modo vago. Pensava que as venceria.

As forças do mal estão à nossa volta. (...) Mas há algo que se chama determinação que as pode vencer, que é mais forte do que a morte.”

Com essa determinação, protestou e lutou, tendo em mira as brutalidades de todo o género, políticas e sociais. Gritou contra o colonianismo, a desigualdade, o racismo - coisas que denunciou sempre.

O mais terrível é que ele se sentia perseguido desde criança pelo Anjo da Morte e sabia que um dia acabaria mal. Era o Demónio? A marca do Anjo, à nascença?

Crenças como esta, ligadas ao obeah (magia negra? ), existiam na Jamaica. Os “duffies”, presenças malignas estavam enraizadas na sua mente, na sua cultura.

Usava drogas, sim "erva", e foi preso por isso. Bateram-lhe, quase até morrer. A posse de droga era um pretexto. Queriam calar a sua voz.


Quando Bob Marley tenta uma reconciliação dos dois chefes dos partidos do país Mannley e Seaga), no célebre Concerto para a Paz (One Love Peace Concert), em 1978.

Depois do discurso apaziguador de Marley, ele veio e ergue a voz, violentamente, contra as desigualdades e injustiças:

Todos reclamam a paz. Mas ninguém reclama justiça”.

E confessa que esteve para não estar presente no Concerto porque não acreditava que levasse a lado nenhum esse Concerto para a Paz...



Mas um dia, a morte chega, e as forças do mal, surpreendem-no. 

As forças do mal têm muitos rostos, é verdade...

* *
O primeiro álbum gravado chamava-se The Wailers (1964-65): os Walers eram Peter Tosh (nome verdadeiro Hubert Winston McIntosh), Bunny Wailer (Neville Livingstone Wailer) e Bob Marley (Robert Rasta Marley).
E, depois, tocou em solo muitos anos.

(*) Le Nouvel Observateur de 15-21 Agosto 2013, “Peter Tosh: la mort aux trousses”, de Bernard Loupic.

Here comes the sun
Peace Concert

Música diferente: recordar o "reggae": Bob Marley e Peter Tosh "Stop That Train"




Boa música! "The Velvet Underground & Nico"






Falar dos Velvet Underground é falar de Lou Reed John Cash e Nico e, claro, evocar a presença de Andy Warhol. 

O grupo rock (ou pop psicadélico) criado por Lou Reed e Cale em 1965, criando um “universo melódico inspirado”. Quatro álbuns em pouco tempo, sem grande sucesso, vão no entanto influenciar a história da música a partir desses anos. Bob Dylan, Serge Gainsbourg, Iggy Pop e tantos outros.
Amanhã é 6ª feira, podem ouvir no fim de semana...


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Falar dos animais: Mélodie - um cão por amigo...




Mélodie : imagem do Nouvel Observateur



Lembro-me de uma canção de Lucio Battisti que se chamava “Una donna per amico” (uma mulher que é um amigo)...Lembro-me sempre do meu cão!E não é ofensa para ninguém!



Quem nunca teve um cão não perceberá talvez a intensidade com o que vou contar. Todos os dias neste Verão que arrasa se vêem notícias de cães abandonados, receio até que já "nem façam notícia", mas é bom não deixarmos de pensar nisso. Continuarmos a indignar-nos...

No entanto, há cães que tiveram uma vida feliz e, sobretudo, ajudaram os seus donos a aprender muita coisa. 

Vajam a ternura desta história que me faz lembrar o que foi o Zac para mim ...


 Zac  e eu, na ilha de São Tomé


Eu tive um cão e sei que ele se sentiu muito feliz, quando o meu filho o encontrou e o levou lá para casa! 

Foi um cão amado! Viajou, perdeu países, mas, ao contrário de Pessoa, não foi outro constantementefoi sempre ele mesmo...



Zac em Roma, com o Diogo

Zac em São João dos Angolares


Zac em Jerusalém, com a Gui


Zac no carro a camigo de Bersheva


Falo sempre nele, não resisto! porque ele fez com que a minha vida fosse diferente... Por estranho que pareça dizer isto de um animal, ele humanizou-me!


E, quando morreu, a vida ficou mais vazia, mais tristonha, mais cinzenta porque ele enchia-a de doçura e de amor os nossos dias.

Não fui capaz de o substituir, porque sabia que ele era insubstituível, como todos os seres humanos o são quando os amamos.


amigos e recordações de  amigos

Sabia que mais nenhum (quem sabe se, afinal, sim?...) teria para mim o toque mágico da nossa amizade - que ficou para todo o sempre. 

Um  momento de beleza e de intensidade que nunca morreComo a presença tranquilizante da árvore que todas as manhãs no espera detrás da vidraça.



a janela sobre as árvores

Há uns meses, quando abri uma revista (Nouvel Observateur de 14-23 de Março) ouvi falar de um cão, aliás, de uma cadela... Li o interessante artigo de Jrôme Garcin,que gosto de ler porque sabe de cultura e de livros. Chamava-se "Quelle Mélodie!" e falava de um escritor japonês, o seu autor, que vivera em França. Actualmente a ensinar a língua francesa em Tóquio.


Berthe Morisot, Jeune fille et son chien



Mélodie era a sua cadela e o desabafo: uma amiga, uma companhia!  E a tristeza é a mesma, quando o amigo parte...



outros amigos,  de viagem...

O escritor é Akira Mizubayashi. 


Akira Mizubayashi


desenho japonês, suzuki

Pelo que dizem, é um homem de paixões. Há dois anos, escrevera um livro que se chamava “Une langue venue d’ailleurs” e fiquei com curiosidade de o ler.Uma paixão que o levara a escrever os seus livros em francês. 


A lembrança de Mélodie, a  cadela Mélodie que morrera em 2009. A bela golden retriever, inteligente, boa e doce como o mel - a cor do seu pelo. 

E veio-me à memória o meu Zac, a sua cor, os seus olhos espertos e amigos, o seu calor! Inesquecível!O meu cão, que foi um cão feliz


Zac em Telavive, na ilegalidade...


Zac em T.A. 


O Zac, em Telavive

O Zac, em São Tomé


Num tempo em que os seres humanos abandonam os cães nas estradas quando vão de férias, num tempo em que os seres humanos se abandonam uns  aos outros, admirei este senhor que teve um cão por amigo...
um cão abandonado na cidade (internet)





O cão, ao colo da dona...

Pensar sempre nos animais que não têm ninguém e não são, como "Mélodie", a paixão, de Akira Mizubayashi. Nem o meu cão Zac, a minha paixão...








Akira Mizubayashi fala de Mélodie 


http://youtu.be/1sEe-Sce4Hc

Elisabeh Fontenay fala do silêncio dos animais


http://www.arte.tv/fr/animal-elisabeth-de-fontenay-est-l-invitee-de-raphael-enthoven-dans-philosophie/2235124,CmC=3839930.html


blog que fala do abandono dos animais e página do Facebook sobre cães abandonado



domingo, 18 de agosto de 2013

Happy Birthday, Isabel!

Querida Amiga do meu coração, fiel leitora do meu blog, sempre presente em todos os momentos da minha vida!
Parabéns! Beijinhos!Felicidades! 
Uma rosinha em botão vai aqui para ti...

Botão de rosa da minha varanda...

Os amigos, mesmo cansados da viagem, vêm dar-te um beijinho...


Um café e um bocadinho do meu pastel de nata...

E...

Louis & Ella  e o "Georgian Hand Shadow Theatre Budrugana"




sábado, 17 de agosto de 2013

Uma manhã há 25 anos...

Pensei hoje no meu pai e no enterro de Van Gogh, descrito na sua Biografia:

O meu pai a colher laranjas na quinta da Serra

O enterro foi por volta do meio dia, numa manhã de calor tórrido. O cemitério ficava rodeado de searas.

Há 25 anos escrevia eu:

“Manhã de Agosto, no Alentejo. O ar sufocava. O sol, parado lá no azul do alto,  ardia.

Searas no Alentejo, por Stego (internet)

Descíamos em direcção ao cemitério, seguindo o cortejo. Gente em redor, gente parada nas ruas, comovida, num grande silêncio.

Eu não via ninguém. Pensava nas flores que colhera de manhãzinha para o meu Pai. Pensava na casa abandonada, agora, lá no alto da Serra, onde ele nunca mais voltaria.

Van Gogh, Jarra com papoilas vermelhas


 Lembrava-me da ternura do meu Pai.


o meu pai, as minhas irmãs e eu, na Casa Amarela


Depois, tudo desapareceu, sem me dar conta. As flores caíam devagarinho, quase sem ruído, em cima do esquife. Inconscientemente, abri os braços e o ramo de rosas vermelhas que apertava ao peito foi juntar-se às outras flores. E a terra caíu durante muito tempo...

Van Gogh, Searas ao sol ardente


O sol queimava a planície dourada, os longes esfumavam-se numa neblina delicada. Ouviam-se os ralos  nas searas, para lá dos ciprestes e do muro. Nunca mais...”

Van Gogh, Ciprestes

Hoje dei por mim a pensar: a sensibildade de certas pessoas aproxima-as... até na morte. E escolhi um pouco da beleza que amaram...


Beethoven, a sonata "Appassionata", que eu adoro, interpretada por Daniel Barenboin:



e a sonata "Clair de Lune", tocada por Hélène Grimaud:


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

UM AÇOR NOS AÇORES?



este é o açor verdadeiro, o pássaro que voa rápido, o accipiter gentilis!


 Pois é, também eu julgava, mas parece que não havia nenhum açor, nos Açores.

esta é a ave que os navegadoras avistaram...

Surpresa para nós, claro, mas a verdade é que os navegadores ao chegarem aos Açores tiveram a “impressão” de ver voar um açor, que o não era.

´
era a águia de asa redonda ou "Buteo Rothschildi"


Teria sido, sim, uma águia de asa redonda – como me ensinaram, em Ponta Delgada-, chamada  Buteo Rothschildi, ou, mais vulgarmente, “milhafre queimado”.



Estranho esse engano pois em Portugal, desde a invasão dos berberes que chegaram ao Al-Andalous, existia a arte da falcoaria (*), a caça com falcões, açores e francelhos - aves de falcoaria. Ora havia entre os navegadores gente da nobreza que não deveria confundir nunca um açor com uma águia de asa redonda. 

o falcão: aqui o falco eleonorae

Todas são rapaces, aves de rapina diurna que caçam outros animais, ou apenas pássaros (essas chamadas ornitófagas) - mas com suas diferenças....

No entanto, enganaram-se...e, por isso, o açor e a imagem do açor, continuou ligada aos Açores e está na sua bandeira.


Pássaros há muitos pelas ilhas que eu vi! 

Na Graciosa, ouvia-os pela manhã a cantar, em cima da araucária que dominava a praça onde ficava o nosso poiso, a simpática Residencial Santa Cruz, ou no Largo cheio de árvores e passarinhos.





Depois, vi-os por aqui e por ali... Ou adivinhei-os?

Lindo é o priolo (nome científico pyrrhula pyrrhula), com as suas cores suaves. É uma ave endémica nos Açores, desde o século XVII,  e que, no século XIX, sofreu alguma “perseguição” durante o chamado “ciclo da laranja”.

o priolo

Tempos áureos esses em que,  nas ilhas, se produziam laranjas para toda a Europa e em especial para a Inglaterra, ciosa da sua “orange marmalade”!

O pobre do priolo era um passarinho que tinha bom gosto e apreciava a flor de laranjeira, competindo com a produção e a exportação da fruta...

Hoje creio que o priolo voltou a viver sossegado!

o cagarro, ou cory, é um pássaro em vias de extinção

Outro pássaro que existe por lá é o cagarro. Sendo, como é, uma espécie em vias de extinção, há grandes cartazes pelos aeroportos, visando a informação de quem passa e tentando assegurar a sua protecção!


Gaivotas vi-as na Terceira, voando sobre o porto acima dos mastros dos barcos. 


E na Graciosa vi-as outra vez - ou não houvesse o Ilhéu da Gaivota mesmo ali em frente!

E que mais? Pássaros, passarinhos e passarões... 

Já agora, homenageando, de passagem, o filme de Pasolini "Ucellini e Ucellacci" (1966) que não fala do açor mas de outras maravilhas da vida...

Tótó e Ninetto Davoli

E fala do fradinho franciscano (Tótó, numa interpretação inesquecível!) que São Francisco mandou evangelizar os falcões e os pardais e fazê-los entenderem-se. E que se põe a saltitar para poder entender e conversar com os passarinhos... 


o pardal, ou passer domesticus... E a doçura de Pasolini.

E com os passarões, claro.

o falcão, aqui o "brown falcon"

(*) A falcoaria, ou cetraria, como sabem é a arte de criar, treinar e caçar com falcões ou outras rapaces como o açor ou o francelho. Existiu na àsia desde o século I. No Japão chamava-se “takagari” e, como na Europa, era a caça dos “senhores”, ou dos samurais, a classe feudal.  


http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7or

(As imagens dos falcões e dos açores ou das águias de asas redondas foram retiradas da internet. E são lindas!)