domingo, 2 de junho de 2013

Mais uma canção (bellissima!) De Iva Zanicchi - La riva bianca, la riva nera



Giovanni Giacometti






"Signor capitano si fermi qui.
Sono tanto stanco, mi fermo si.
Attento sparano, si butti qui
Sto atento, ma riparati anche tu.
Dimmi un pò soldato di dove sei...
Sono di un paese vicino a lei,
Però sul fiume passa la frontiera
La riva bianca, la riva nera.
E sopra il ponte vedo una bandiera,
Ma non è quella che c’è dentro il mio cuor.
Tu soldato allora non sei dei miei.
Ho un’ altra divisa lo  sa anche lei.
Non lo sò perchè non vedo più,
Mi han colpito e forse sei stato tu.
Signor capitano che ci vuol far...
Questa qui è la guerra, non può cambiar...
Sulla collina canta la mitraglia,
E l’erba verde diventa paglia
E lungo il fiume continua la bataglia,
Ma per noi due è già finite ormai.
Signor capitano, io devo andar
Vengo anch’io che te non mi puoi lasciar.
Non, non ti lascierò, io lo sò già, 
starò vicino a te per l’eternità.
Tutto è finito, tace la frontiera, 
la riva bianca, la riva nera.
Mentre una donna piange nella sera
E chiama un nome che non risponderà..."

William Bouguereau



Uma doce e triste canção que fala de guerras, de inimigos que se combatem sem razão, que no fundo pertencem à mesma terra e que lutam porque uma qualquer fronteira passa a meio do rio: de um lado a margem branca, do outro a margem negra e, por isso, combatem e morrem.

um  rio duas margens

Soldados na Guerra Civil de Espanha

O soldado não aguenta mais, quer parar.

"signor capitano, si fermi qui” ...

"-Senhor capitão, páre aqui....
- Sim, estou tão cansado que vou parar...
- Cuidado que disparam, esconda-se aqui...
- Está atento tu também...
Conta-me, soldado, de onde vens...

-De uma aldeia ao pé da sua,
mas a meio do rio passa a fronteira
Margem branca, margem negra...

E no alto da ponte está a bandeira,
mas naõ é a que o meu coração ama...

A aldeia, de Lita falcão

- Então, soldado, não és dos meus...
- Sim, tenho outra farda, como já viu.
-Não vejo nada porque me atingiram
 e foste tu se calhar...
- Senhor capitão, o que quer, 
É a guerra, não a pode mudar.

Lá em cima cantam as balas
e a erva verde torna-se palha...
E ao longo do rio a batalha segue...
Mas para nós dois já acabou.

- Senhor capitão, tenho de ir...
- Vou  também, não me podes deixar...
- Não te vou deixar, estarei ao pé de ti,
 já sei, até à eternidade...

Tudo acabou, a fronteira calou-se
a margem branca, a margem negra...
Na noite uma mulher chora 
e chama por um nome que não responderá."

Picasso 1951

É um diálogo do absurdo total, porque a guerra é absurda, dois sobreviventes sem forças, inimigos, que lutaram sem perceber por quê: um de um lado e o outro do outro lado do rio, duas bandeira: um era da margem branca e o outro da margem negra...

Guerra e Fuzilamentos, Goya
Guerra e fuzilamentos, Edouard Manet



DOIS PINTORES PORTUGUESES, DO PORTO, POUCO LEMBRADOS...

António Silva Porto (aliás, António Carvalho da Silva) nasceu no Porto em 11 de Novembro de 1850 e morreu em Lisboa em 1 de Junho de 1893. 

Muito novo, decidiu mudar o nome para Silva Porto, em homenagem à sua cidade.



Silva Porto, Auto-retrato

Estudou na Academia Portuense de Belas Artes. Com Marques de Oliveira parte para Paris, estagia em Paris (1876-1877), viaja pela Europa e em 1879 faz também um estágio na Itália.
Na cisterna

Quando regressa a Portugal em 1880 realiza uma exposição de quadros de belas paisagens cheias de luz. É convidado a ensinar na Academia de Lisboa como Mestre de Paisagem.
Recanto na praia

Faz parte do chamado "Grupo do Leão", em Lisboa, com José Malhoa, Cesário Verde, António Ramalho e João Vaz, Columbano e Bordalo Pinheiro. 


O "Grupo do Leão", pintado por Columbano


Ceifeiras
Em 1876 pinta uma paisagem intitulada Charneca de Belas  que D. Fernando, marido da Rainha D. Maria II, lhe compra.
Charneca de Belas (1879)

O quadro está no Museu Nacional da Ajuda, desde 1924.
Hoje, encontra-se bastante representado no Museu do Chiado (1).







João Marques da Silva Oliveira nasceu no Porto em 23 de Agosto de 1853 e morreu  em 9 de Outubro de 1927.
Marques Oliveira, Auto-retrato

Formou-se na Academia Portuense de Belas Artes, em 1873. Nesse mesmo ano parte para França,  com Silva Porto, estagia em Paris,  e viaja pela Bélgica, Itália, Inglaterra e Holanda. 

Vive alguns anos em Itália.
Participa nos Salons de Paris, em 1876 e 1878.
Volta ao Porto em 1879, e vai ser professor na Academia onde se formou, e, mais tarde, director da mesma.



À espera dos barcos

É considerado, com Silva Porto, colega e amigo, com quem viaja de 1873 a 1879, o introdutor do naturalismo. 


Praia de banhos

São eles também que trazem para Portugal a “pintura ao ar livre” dos Impressionistas (“ en plein air”).

As fotografias do Porto na noite são da autora...

NOTA:
Museu do Chiado fundado em 1911 (Museu nacional de Arte Contemporânea), foi, em 1994, resconstruído pelo arquitecto francês Jean-Michel Wilmotte.




Bom domingo! Com o amigo de sempre, Louis Armstrong - When the Saints Go Marching In, 1961


sábado, 1 de junho de 2013

Manifestação contra a troika, na Europa toda...

Hoje, Portugal participa numa grande manifestação, espalhada pela Europa toda, contra a “troïka” (Que se lixe a troïka!) e organizou grandes protestos contra a austeridade, depois do sucesso das "marchas" de Setembro e de Março.
Li há pouco no  El Pais online de hoje!

Bom Dia Da Criança e Do Leite!


Zinaida Serebriakova, Os Filhos

Pensando que hoje é o Dia da criança e do Leite, decidi dar um apoio também às vaquinhas, animais nossos amigos. 

Lembram-se dos livros de estudo? Animais amigos, claro,  que, entretanto, despojamos de tudo, desde o leite à carne, passando pelo couro. Enfim...

Ao menos um obrigada às vaquinhas!


Há tanta desigualdade pelo mundo fora, tanta criança sem leite, sem ternura, sem alegria, sem nada! 

Foto de Ferdy Oin

Tantos direitos justamente "exigidos" para a criança, e tanta injustiça, tanta fome...

William Bouguereau, Ciganos

Serov, Meninos


Crianças que nem sonham o que é a esperança, mas que sonham...

Que não têm nada, e que conseguem brincar, que conseguem rir...
Banksy, Crianças a brincar

Hoje Dia do Leite, exijamos  leite nas escolas para todas as crianças! 
John Sargent Singer, Filhos

miúdos ciganos, num bidonville


crianças lutando num ringue!


Para o dia da criança decidi escolher fotografias de que gosto - até pelas diferenças que há (de tudo) nelas!


Vasnetsov, Menina na neve



Bom dia para a criançada do mundo! 


Dancing with children?


A Day e a filha Debora



Árvore da vida, de Klimt



Boa sorte para as crianças de um "hoje" tão difícil!

RECORDANDO FRASES DE PESSOAS INVULGARES E A ARTE...

Luciana e eu, em Roma
A PINTURA:

“Mais do que outra arte qualquer, a pintura deixou-me sempre com uma espécie de “inveja” pelos pintores que sentia congeniais desde o Beato Angelico ao Lonardo da "Vergine delle Rocce", do Vermeer de Delft a Rembrandt, até Van Gogh, Kandinsky, Klee e Mirò."

Fra Angelico, Anunciação

em baixo: Leonardo, uma das "Vergine delle Rocce"(Louvre) 

Vermeer de Delft, Lição de guitarra


Leonardo, e a outra "Vergine delle Rocce" (Londres)


Kandinsky, Improvisação 7 (Tretyakova Gallery, Moscovo)

Kandinsky, Black Violet


Klee , The Red Baloon


Mirò, A Constelação da estrela da manhã



Luciana Stegagno-Picchio, na sua casa da Via Civitavecchia em Roma



A LITERATURA E A ESCRITA:

"E mais do que pela literatura ficou-me o gosto pela escrita. Leio três linhas e vem-me logo  uma ideia. Valha ela o que valer... 
E, quando escrevo, hoje, de há dez anos para cá  sempre no computador, mesmo quando estou doente e triste, e seja lá o que estiver a escrever, artigo ou  ensaio, uma tradução ou uma "inconfessada" poesia, sinto-me feliz, suspendo a vida. Ou pelo menos não me lembro do corpo e do tempo que passa.”


Luciana Stegagno-Picchio
“La língua altra” p.15:

Bom sábado! Com os Scorpions, claro, e Still Loving You (Live)