terça-feira, 18 de março de 2014

Tinha razão George Sand?... Claro que tinha!


Releio uma frase de George Sand e penso na actualidade que tem! É verdade que foi sempre um espírito aberto e observador do mundo que a rodeava, é verdade também que esperava todos os dias um mundo melhor...

O livro a que me refiro, “Réponse à une amie”, é uma recolha de uns artigos que George Sand foi publicando, no jornal Le Temps, alguns anos antes da sua morte. 


Retrato pintado por Delacroix


A essa amiga conta ela umas histórias e interroga-se. 

"Recordo um pobre louco, ainda jovem, pálido e de grande barba negra, que errava pelos campos, na minha infância, com um ar preocupado e que passava por mim. Levantava as pedras do chão, espreitava nos poços, entrava nas casas e quando lhe perguntavam o que pocurava, ele dizia : "procuro a ternura".


a ternura do anjo de Raffaello



E continua George Sand:

"(...) Sim, amar, sim creio que é a palavra do enigma do universo. Empurrar sempre, voltar sempre, e renascer, querer sempre - e procurar- a vida, abraçar o seu contrário para o assimilar, fazer em todos os momentos o prodígio da mistura e das combinações de onde sai o prodígio das criações novas, é essa a lei da natureza."


... "Por que razão pergunta ela- o homem que sabe alguma coisa não pode ensinar aquilo que sabe a outro homem que nada sabe? Seria bem fácil - mas com a condição de amar este ignorante porque é um homem, e não de o desprezar porque é ignorante.



Instruir vários, instruir muitos ao mesmo tempo é difícil. É a mais bela das profissões e é difícil a tarefa. Mas qual é a coisa útil que não seja ao mesmo tempo difícil de realizar?..." p.126


Sand pintada por Auguste Charpentier

Em nota a essa "carta-resposta a uma amiga" (que Gustave Flaubert sempre acreditou lhe fosse dirigida -até porque "responde" directamente a opiniões dele com as quais não está de acordo), escreve Brigitte Lane:



“Em 5 de Outubro de 1871, na sua casa de Nohan, George Sand escreve na sua Agenda (*): 

'Como é triste a história! É sempre a humanidade estúpida e má. Gostaria de ler um dia a história de um planeta melhor e os jornais desse outro planeta!'

Tanta verdade, não é? O homem que sabe continua a desprezar o que não sabe, o ignorante continua sem aprender e nada "evolui" o suficiente. 

Ela acreditava na Utopia. Eu também. E também gostava de um dia descobrir uma história de um planeta melhor... 


                                 Palazzo de Urbino, Utopia.

Ou uma história melhor deste, remodelado? 
Tudo continua igual e as notícias só nos trazem a lembrança de uma e mesma realidade : "estúpida e má"!

(*) Georges Sand “Impressions et Souvenirs", edições Antoinette Fouque/colecção Des Femmes, 2005.




A fotografia de George Sand, na capa, é do artista Nadar.


segunda-feira, 17 de março de 2014

Serge Reggiani canta Le Déserteur, de Boris Vian


O Cavaleiro Ferido de William Shakespeare Burton (século XIX)


Canção anti-militarista com música de Harold Berg e letra de Boris Vian. Escrita em Maio de 1954, durante a batalha de Dien Bien Phu.
Cantada primeiro por Mouloudji, depois pelo autor Boris Vian, e mais tarde por Serge Reggiani. 

Usada muitas vezes pelos movimentos pacifistas em Itália (Gianna Nannini), na América e em França.

Edouard Manet, Fuzilamento

)
Sobre a canção:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Le_D%C3%A9serteur_(chanson)

Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer

sábado, 15 de março de 2014

A jovem morta da minha rua...


Odilon Redon, Ofélia

Na minha infância, como acontece com a maior parte das crianças, eu não pensava na morte.  Ela não existia. O tempo passava-se entre brincadeiras, correrias, leituras, conversas nos serões, à braseira.

Entrara para o Liceu há pouco, a novidade dos estudos interessava-me, gostava de estudar coisas novas. E entretinha-me com as histórias que vinham da rua, trazidas pela Florinda. Essas notícias bastavam a satisfazer-nos a curiosidade. 
Por vezes falava-se da morte, mas era uma ideia que não conseguia materializar. Sentir, sim, “sentira-a” nos romances. E, neles, a morte fazia-me chorar.
Zinaida Serebriakova, Menina a ler

Um dia de manhã, a Florinda entrou pela casa dentro, espavorida: tinha morrido uma menina que era nossa vizinha. Uma jovem já crescidinha e bonita que também estudava no Liceu, mais velha do que nós e que vivia na rua detrás da nossa casa.

As ruas da minha cidade eram um micro-mundo comunicante, onde tudo se trocava e tudo se sabia. As casas eram baixas, de um andar, havia menos gente - e quantas vezes se falava, de janela para janela, a contar o que se passava por ali...


rua de Portalegre (MJF)

Ao fundo do jardim do lavrador da Mesquita, nas traseiras da nossa cozinha, ficava uma rua paralela à nossa e que, com ela, descia também até ao Rossio. Nela, morava a jovem Sofia. 



a minha rua



vista do Rossio sobre a cidade (MJF)

Contaram depois tudo com pormenores e fiquei a saber que morrera de leucemia, doença misteriosa ainda naqueles tempos. Sem cura, isso disseram-nos logo.

A casa ficou silenciosa, não ligávamos o rádio nem o gira-discos, e uma tristeza invadiu-me, misturada de espanto. 
"Então ela, tão nova, morreu?"

O que era morrer? Ouvira as histórias da tia Zezinha, irmã da minha avó materna.  

Nas noites de Inverno, à braseira, ela gostava de contar coisas que nos assustavam. Histórias de mortes e mesmo de fantasmas, de enterrados que voltavam ... Mas tudo me aparecia tão longe. Eram uma imagem tão vaga, tão irreal. 


John Waterhouse, O barco


Mas esta menina, que eu sabia nova, que tinha tanta beleza, por que morrera?

Dias mais tarde, a família veio deixar em nossa casa uma fotografia. Lembro o rosto fino, os olhos tranquilos, o sorriso, o cabelo loiro separado ao meio. 
John Waterhouse, Psyche

Entristeceu-me pensar que nunca mais ia sorrir, nem brincar, nem enfeitar-se nos dias de festa... 
Que a Primavera nunca mais entraria pela janela do seu quarto. Que nunca mais veria os bandos de as andorinhas chegar e partir. 

Chamava-se Sofia Amélia - parece-me um nome dos romances de Camilo e a verdade é que a recordo com uma personagem de romance.  
Edward Burne-Jones, A estrela da tarde

P.S. Depois de já ter publicado o post, a minha amiga Fátima Martelo, que o leu, pôs a fotografia da Sofia Amélia no Facebook. Comoveu-me a juventude destas meninas e, outra vez, o retrato da Sofia Amélia me impressionou... 
Ela está na 1ª fila, é a primeira à esquerda, "de saia aos quadrados e casaco comprido", como escreveu a Fátima...




quarta-feira, 12 de março de 2014

O bom Doutor Tchekhov...


Pensei esta manhã: como  gostava de ter sido uma pessoa como o Tchekhov!
Admiro não apenas o escritor terno, compreensivo mas arguto, como também a humanidade do homem que ele foi, passe o pleonasmo. Generoso, cheio de amor e compaixão pelo outro, no sentido literal e bom da palavra compaixão: estar junto, com amor... Não apenas por palavras, mas por acções concretas.


Retrato pintado por Ossip Braz, grande retratista russo

Releio um livrinho com depoimentos sobre Tchekhov, um deles de Kornei Tchukovsky, outro de Gorky, um de Vladimir Ermilov e outro da mulher de Anton, a actriz Olga Knipper.
É muito interessante esta leitura para conhecer o “outro lado” desta pessoa. Intitula-se "Tchekhov" e foi publicado pela Arcádia na colecção BAB. 


Chukovsky, por Ilia Repin

Conta o escritor Kornei Chukovsky que o conheceu bem: “A casa dele estava sempre cheia de gente, era uma casa aberta a todas as pessoas que ele convidava, ou apraceiam a visitá-lo. Que ele ajudava. Cada um que chegava estabelecia-se onde queria e se não houvesse lugar, estendiam-se esteiras no chão. Era generosidade ou necessidade da companhia que lhe faziam. Por vezes queixava-se desta balbúrdia: Só tenho convidados, convidados, por isso ainda não pude escrever uma linha” (p. 79).


a casa de Melikhova

Fosse na casa de Melikhova, a propriedade que comprara em 1892, ao sul de Moscovo, porque adorava o campo, as árvores que ele próprio plantou e que "tratava como filhos", segundo dizia o irmão Nicolai; fosse em Moscovo, ou na casa da Crimeia, Tchekhov “tinha uma paixão – diz Chukovsky-  a paixão de receber, de ser anfitrião, que guardou até ao fim dos seus dias.”
Moscovo Casa-Museu

Para Tchukovsky, sem esta sua abertura e desejo de convivência e de partilhar a vida e as dificuldades dos outros “nunca teria criado essa grandiosa enciclopédia da vida russa dos anos 1880-90, que são os contos de Tchekhov. Quando neles chora com amargura a “maldita realidade russa” fazia sentir a grandeza do seu poder sobre os homens”.

Tchukovsky respeita-o imenso, todo o seu artigo está cheio de pequenas coisas admiráveis que ele conta com admiração: "Tchekhov subordinou a sua existência inteira a um grande ideal de nobreza a si próprio imposto desde a juventude."

"O que é preciso é trabalhar dia e noite sem tréguas, ler, estudar, ter vontade... o tempo é precioso!" Trabalhar...para ser melhor!



Tchekhov teve uma infância difícil, uma adolescência dura em que teve de pensar em si próprio, completamente só, sem dinheiro, em Tangarog. Deu lições para sobreviver aos 16 anos e dormia na casa de um e almoçava na casa de outro dos seus amigos. A família, com problemas de dinheiro, tinha-se mudado para Moscovo. 


Casa-Museu de Taganrog, onde nasceu

Anton Tchekhov nasceu em 29 de Janeiro de 1860, em Taganrog, no Mar de Azov,  e morreu em Badenweiller, na Floresta Negra, onde fora tratar-se  da tuberculose, em 15 de Junho de 1904. De facto, em Março de 1897, declarara-se a tuberculose. 




Em 1898, depois da morte do pai, compra uma casa na Crimeia (a Sibéria quente, como ele dizia), porque se julgava que fazia bem à doença a proximidade do mar. Leva a mãe e a irmã a viver com ele. Em Yalta recebe todos os escritores que o admiram, de Gorky a Tolstoi que, antes, visitara em Iasnaya Polyana.



O escritor Gorki visitou-o muitas vezes em Yalta, na Crimeia, onde tentava curar a sua tuberculose. Conversavam horas a fio, de tudo. Tchekhov recordava, a rir,  os ciúmes de Tolstoi: ciúmes que  tinha de todos: queria ser ele o único, para todos! 

Tchekhov e Leo Tostoi

E é sobre todas estas conversas e momentos que Gorky escreve um montinho de páginas inesquecível!

Tchekhov conservava os sonhos e gostava de falar neles. Sonhos para o mundo, sonhos para os humanos...

Estou a aborrecê-lo com os meus sonhos?, perguntava ele a Gorky. Gosto de falar neles.”

Gorky, em poucas páginas, faz um retrato magnífico! O seu amor pela vida, pela diversão, pela brincadeira - que ele compara ao de Dickens...

 A sua procura de justiça, a tentativa de "melhorar-se" sempre. "Dominar-se, educar-se..."  (p.134) 
As pessoas educadas "não se humilham para suscitar piedade", recomenda aos irmãos numa "carta" (...) "não intrigam" (...) "se têm um talento, respeitam-no"...

"Todos devemos evitar ser injustos", recomendava aos irmãos. Tinha horror ao despotismo que era o do pai, à violência (todos os dias pensava, logo de manhã: "o pai vai-me bater?")

Não pesar sobre os outros : "morrer sem incomodar ninguém". A preocupação ética -hoje tão fora de moda! "Deve-se libertar a alma da mesquinhez, alcançar a doçura, dominando-se" (p.135)
Para ele a "vontade" humana era essencial, e é um tema constante na sua obra: "adoptem uma estética, uma vontade poderosa". 

Critica o modo de viver dos seus contemporâneos: "Senhores, viveis mal!"

 A sua lição de vida penso que é esta: tudo é possível se nós quisermos, se fizermos o esforço necessário para isso - e nos "vencermos", sem nos entregarmos às fraquezas.
Trabalhou duramente como médico, deslocava-se às suas custas para ir visistar os doentes, longe, debaixo de neve, sem nunca hesitar. 

"Todas as manhãs à porta da casa já estava uma fila de gente à espera do doutor". Porque ele os tratava bem, lhes falava, os ensinava.

Gorky e Tchekhov, Yalta

 “Falava do fundo do coração, com seriedade e sinceridade, mas de repente era capaz de troçar do que dissera e de si próprio. É nessa doce e melancólica troça sentia-se o cepticismo subtil do homem que sabe o que valem as palavras, os sonhos; sob essa troça escondia-se também uma modéstia encantadora, uma delicada sensibilidade.” (p.12)

Conta Gorky:

O dia estava claro e quente; as cigarras sussurravam (...). Ao fundo, um cão satisfeito ladrava alegremente:- É vergonhoso e triste, mas é a verdade! Há muita gente que inveja os cães...”

E seguem-se várias histórias, várias conversas. Um dia, um jovem professor veio do interior do país ver Anton Tchekhov. Gorky recorda esse encontro, com pormenores. 



Tímido, vem e fala-lhe num tom de respeito, cheio de frases filosóficas e de floreados de estilo, todo “cheio de vento”. Assim passam uma tarde inteira. Tchekhov ouve, mas também pergunta muito. Quer saber como vivem os professores. E os alunos? Ouvira que, naquela região, batiam nos alunos. 

"É verdade que batem nos alunos?" Ele quer saber. Ele queria sempre saber dos outros.
O professor protesta, diz que ele nunca bateu nos seus alunos mas tinha um colega, que sim. E lamenta a sorte dos professores: 

"Pobres, muitas vezes tuberculosos, com mulher e filhos e mal pagos, a habitar num compartimentozinho da cave da escola, sem conforto e mal aquecido..."
Houve um pobre e desgraçado que, desesperado com a vida,  um dia se enervou e excedeu-se... 

Diz o professor a Tchekhov: "Com esta vida, estes sofrimentos, até se pode bater num anjo sem razão. E os nossos alunos não são anjos..."

O professor, no final, diz-lhe comovido: “Vim à sua casa como quem vem procurar um chefe, vim tímido e a tremer. Falei “cheio de vento” porque queria mostrar que não era um pobre diabo qualquer. E deixo-o como um amigo querido, que compreende tudo”.

E acrescenta: 

"É uma grande coisa a compreensão do outro! Foi uma bela e boa lição. Fiquei a saber que os homens a sério, de escol, são simples, mais compreensivos, mais perto de nós pelo coração do que essas nulidades no meio das quais vivemos e se dão ares. Nunca o esquecerei!"


Depois de ele sair, Tchekhov sorri e comenta: "Uma boa pessoa. Não ensina muito tempo... - Porquê?, pergunta Gorky. - Será perseguido...expulso." (p.16)

Da Ucrânia, Gorki escreve-lhe sobre o conto “Na ravina”: “Acabo de ler o seu conto a uns camponeses. Gostava que visse como foi belo esse momento. Os ucranianos puseram-se a chorar. E eu chorava com eles.” p.92


É uma constante essa comoção que Gorki sente ao ler o escritor. “Quantos momentos deliciosos vivi com os seus livros, quantas vezes chorei ao lê-los, eu que sou um homem duro.”

Um homem duro pode ter um coração grande como o de Gorki! Eu, que não sou um "homem duro", farto-me de engulir as lágrimas, ao lê-lo.  Contos, peças...

Lembro os amigos, o grande pintor Isaac Levitan que tanto conviveu com ele em Moscovo, as idas às galerias, a injustiça para com a pintura de Levitan da parte dos críticos.

Penso na sua "Gaivota", a actriz Olga Knipper com quem casa, tarde, em 1901, com quem pouco convive: ela, actriz, em Moscovo, ele, doente, em Yalta. Mas, em 1904, quando ele morre, ela está ao seu lado.



Anton sente-se mal, ela consegue chamar um médico. Badenweiller é uma cidade alemã, de termas, tranquila, e nesse fim de tarde, havia pouca gente no hotel. 

Ele diz em alemão quando o médico chega: "Estou a morrer..." 

O médico dá-lhe uma injecção de cânfora e aconselha champagne. Tchekhov bebe um pouco, encosta-se e morre.

"Como uma criança que tivesse adormecido", conta Olga. E, sozinha, vela-o toda a  noite.


Ver as suas peças em Moscovo, no Teatro Maly, foi algo de tão magnífico que ainda hoje me parece mentira. Seguir, no palco, com  cores suaves, a frágil silhueta de Nina, a gaivota, as suas emoções e sofrimento e observar o drama das outras personagens, era comovente! Vivíamos com eles, intensamente, o papel que representavam, sofríamos, mesmo sem entendermos o russo que falavam... 
Comovi-me, depois, ao pé da sua tomba simples, simples, no cemitério Novodevitchy de Moscovo.



"O meu santo dos santos é o corpo humano, a saúde, a inteligência, o talento, a inspiração, o amor,  a liberdade mais absoluta".



Como não estar de acordo com o bom Doutor Tchekhov?