domingo, 22 de junho de 2014

Boa noite, com Chopin Piano Concerto No. 1 Op.11 Evgeny Kissin



Boa noite com este maravilhoso Concerto Nº1, para piano, de Chopin, tocado pelo pianista Evgeny Kissin


Comovente. Quantas coisas me vêm à memória...

Gravado, no 75º aniversário da  Orquestra Filarmónica de Israel, dirigida por Zubin Mehta (*), em 24 de Dezembro de 2011, no Hangar 11, do Porto de Telavive.

Nesse Concerto (neste momento, transmitido pela Mezzo/TV) tocam os violinistas  Vadim Repin e Julian Rachlin, e o pianista Evgeny Kissin obras de J.S. Bach, Saint-Saëns, Frederic Chopin, Ernest Chausson  e Luwdig Van Beethoven.


a estátua "art nouveau" de Frédéric Chopin, em Varsóvia


Sobre o pianista Kissin (**): nascido em Moscovo em 10 de Outubro de 1971, Evgeny foi uma criança prodígio que começou a tocar piano com dois anos. 




Famoso na Europa, Japão, USA, tem recebido vários prémios de excelência. É, de facto, um virtuoso do piano! 

Confesso que, apesar de conhecer muitos intérpretes de Chopin, fiquei deslumbrada com a leveza do toque nas teclas, da interiridade que comunica a peças de piano mundialmente conhecidas e tocadas.

 Consegue dar-lhes um novo sopro de vida.
Chopin é sempre único, claro. Senti-o com uma grande frescura...

Kissin tem, desde 2002, a nacionalidade britânica e, desde 2013, é cidadão israelita. 



Pianista de grande virtuosidade é especialista da época Romântica, de Chopin, Liszt e Rachmaninoff.

Frédéric Chopin nasceu em Żelazowa Wola, na Polónia, em 1 de Março de 1810 - morre em Paris, a 17 de Outubro de 1849).

(*) Zubin Mehta, nasceu em Bombaim a  29 de Abril 1936. 






Gloomy Sunday - Billie Holiday


Bom Domingo!



“Gloomy Sunday” é a canção criada pelo compositor húngaro Rezsõ Seress (1933). Intitulava-se "End of the world". Mais tarde, outro húngaro, Lázlo Jávor, escreve a letra e a canção tem novo título "Sad Sunday" -ou "Gloomy Sunday".

Cantada por Billie Holiday em 1941 e por Paul Robeson -e outros cantores americanos- era conhecida pela "canção suicida húngara"... 

Foi considerada “The Saddest Music in the World” a canção Gloomy Sunday (cantada magistralmente por Bille Holiday)  dizem ter provocado o maior número de suicídios na América dos anos 20/30.

Outro músico, Bob Brookmeyer, canta também "Gloomy Sunday".

blog: http://ericocordeiro.blogspot.com/2012/02/trombone-e-tulipas.html

sábado, 21 de junho de 2014

A beleza do efémero, segundo Thomas Mann

Thomas Mann escreveu sobre a beleza do efémero (1):


“O que é para mim superior? O efémero. É a alma do ser, é o que confere à vida um valor, uma dignidade, um interesse; porque é o efémero que cria o tempo, e o tempo é, pelo menos potencialmente, o dom supremo, o mais útil, aparentado -pela essência ou mesmo pela identidade- a todo o elemento criador e activo.”


Fim de tarde no Guincho

A efemeridade da beleza, da juventude, dos momentos que passam. Como um fim de tarde ou um pôr do sol que não se repetirá nunca mais, ou uma noite de luar, ou a flor que abre de manhã e a planta que murcha e continua bela. 


a flor que abre de manhã

Ou como certos lagos efémeros de outros continentes. Ou imagens de lugares que nunca veremos mas "vivem" nos nossos olhos, pela arte de outros que as fixaram...


um lago efémero

E o tempo, diz Mann, é o "dom supremo" para apreender o efémero de cada momento. Senti-lo, vivê-lo. "O elemento criador e activo."


"Pôr do sol em Rada Tilly" (foto de Marisa Volonterio)


Composição ao espelho (MJF)

O tempo, a duração, a intensidade também dão valor a esses . O que conta é saber que vão passar, que são transitórios como nós, afinal. Nós, sombras que passamos, mais ou menos rápidas no "tempo" infindável. Sombras que, durante um tempo definido (ou indefinido?) se crêem imortais. E parecem brilhar com uma luz própria.


flor selvagem na Praia Grande

Por isso, é urgente agarrar esses instantes com as mãos ambas e interiozá-los. Saber vivê-los na sua unicidade -para nós intemporal.
"Flor"  do fotógrafo vietnamita Tu Le Thanh, a quem agradeço

É urgente saber viver intensamente o (nosso) momento, a (nossa) "oportunidade cósmica", enquanto durar!

(1) In “L’artiste et la Société”, Grasset, Paris, 1ª ed. de 1925, capítulo “Eloge de l’ephémère” (pgs. 323-325)

* * *

Biografia breve do escritor Thomas Mann, na wikipedia:


"Thomas Mann nasceu em Lübeck, 6 de Junho de 1875 — e morreu em Zurique, a 12 de agosto de 1955.

Foi um romancista alemão. Recebe o Prémio Nobel de Literatura, em 1929, tornando-se ainda mais famoso.
Emigrou da Alemanha Nazista para Küsnacht, na Suíça, perto de Zurique, em 1933, ano da chegada ao poder de Hitler. 

Durante o regime nazista, o jornal Völkischer Beobachter (Observador Popular) publicava as chamadas listas de "expatriados". Os nomes de Thomas Mann, sua mulher e dos seus filhos mais novos constavam da lista número 7. Aos mais velhos – Erika e Klaus – já havia sido retirada a cidadania alemã.

Após ter perdido a nacionalidade alemã, em 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu na Suíça até 1938, mudando-se então para os Estados Unidos. Inicialmente, trabalha como convidado em Princeton, mas o ambiente acadêmico o entediava. Decidiu então mudar para Pacific Palisades, Estados Unidos, em 1941.

 Em 1944, obteve a cidadania americana. Tornou-se uma figura política reconhecida, constando que Franklin D. Roosevelt chegou a cotar seu nome para assumir o governo alemão na pós-guerra.

Diante da perseguição aos intelectuais emigrados perpetrada durante o mccarthismo, Mann retornou à Europa em 1952. Viveu em Kilchberg, próximo de Zurique, na Suíça, até a sua morte, em 1955. Encontra-se sepultado em Kilchberg Village Cemetery, Kilchberg, Zurique na Suíça."

RECOMEÇAR SEMPRE! RECORDANDO GUY BÉART "DEMAIN JE RECOMMENCE"...

 Hoje, Dia Europeu da Música, lembrei-me de Guy Béart (Guy Béhar-Hasson) que ouvia há tantíssimos anos!






Nasceu no Cairo em 16 de Julho de 1930, numa família judaica. Viajou muito porque o trabalho do pai exigia uma mudança constante. 
 Cairo e Nilo

Por isso, cresceu em cidades da Europa, viveu na Grécia e no México, antes de se fixar no Líbano. 
Beirute Líbano

Aí, estuda, entre os dez e os dezassete anos. Nessa altura, vai para Paris.
Em 1954, começa a interessar-se pela canção ligeira, compõe e canta nos cabarets parisienses da Rive Gauche, em especial em La Colombe, de Michel Valette. Situado na rue de La Colombe, cantaram  no cabaret Moustaki, Juliette Gréco e tantos...





Ou Les Trois Baudets de Jacques Canetti, que muito o ajudou. É ele que o leva a gravar na importante marca Phillips em 1957.

Em 1958, foi escolhido para compor a música do filme de François Villiers, “L’ Eau Vive”, tirado do romance de  Jean Giono.


 Jean Giono

O filme passa despercebido junto do grande público, apesar de ter sido seleccionado no Festival de Cannes.


Mas a canção –L’ Eau Vive- que se ouve constantemente durante o filme, vai ter um enorme sucesso. E foi o início da carreira de Guy Béart.

Escreve músicas para outros cantores famosos como Patachou, Zizi Jeanmaire e Juliette Gréco. 


Cantou com Caterina Valente, uma bela voz da canção francesa!



Em 1966, torna-se apresentador e animador na Rede 1 da TV francesa, dirigindo o talk-show Bienvenue chez Guy Béart. Muitos artistas passam pelo seu “show”, de Duke Ellington a Simon e Garfunkel.
Bienvenue chez Guy Béart

Participa no programa de Bernard Pivot, Apostrophes, onde tem uma grande discussão com  Serge Gainsbourg sobre a questão de a canção ser, ou não, arte maior. Discussão que ficou famosa!

Adoece com um cancro e afasta-se da cena por uns anos. Regressa em 1986 com uma canção “Demain je recommence." Deixo a canção para poderem julgar...

Publica o livro “L’Espérance Folle", na Robert Laffont, em que fala da sua doença. E recebe o Prémio Balzac. Antes escrevera outro livro.


É pai da actriz Emmanuelle Béart.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paul McCartney faz anos hoje! The Beatles- Yesterday



O Beatle Paul McCartney faz hoje anos. 

Paul McCartney, em 2010


Nascido em Liverpool, no dia 18 de Junho de 1942, faz 72 anos. 

Long life to Sir Paul McCartney!, um dos Fabulosos Quatro! 
Do grupo, restam vivos ele e Ringo Starr...

The Beatles, 1964, chegada à América!






Boa música, à tarde..."You Don't Know What Love Is" e Chet Baker




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Alain Touraine e o seu artigo em "Le Monde", há poucos dias...




É importante ler este artigo do filósofo e sociólogo, Alain Touraine, no jornal Le Monde: "Réinventons le politique". 
http://www.lemonde.fr/idees/article/2014/06/07/reinventons-le-politique_4433882_3232.html

Tornou-se conhecido por ter sido o pai da expressão "sociedade pós-industrial" e pelos seus trabalhos baseados na "sociologia da acção". 
O principal ponto de interesse de Touraine tem sido o estudo dos movimentos sociais.



Ouvimos, neste artigo, a voz de alguém que não desistiu e que "abre" ainda uma esperança no nosso futuro: salvar a política, reinventando-a.

Como ?
"Reunindo os objectivos económicos e sociais, voltando a pôr em marcha a mobilidade social e transformando o ensino."

Manifesta a sua esperança em países que, como a França e a Itália, não escolheram as políticas (que, até então, eram sociais-democratas) de direita -como a Inglaterra ou a Alemanha.

"A França tem um potencial científico inovador que deve ser mantido e desenvolvido. Educar, aprender, ensinar, participar."


Como muito bem pergunda - na imagem acima: "Que país discute a educação? Só dizem que está mal..."

Educar, pois, defender o estudo, o ensino, a Cultura das nossas populações! 
E saber viver em comum, respeitando a diferença do outro! Chega das obsessões desctructivas e de ódio, desse "triunfo glacial da morte" de que ele fala!


"Contra a obsessão crescente da identidade, do medo do outro, do assassínio de minorias, contra este triunfo glacial da morte e do proibido, só a paixão da diversidade, mas fundada na crença do universalismo dos direitos fundamentais pode fazer-nos escolher a abertura em vez do fechar em si próprios, a inovação em vez da recusa." (…)

Nada é mais concreto do que a animação da vida política pelas esperanças, pelas reivindicações e pela consciência dos direitos".

Discurso coerente. Já se referira à reivindicação dos direitos, anos atrás (8/01/2011), quando disse, em entrevista conduzida por Vincent Rémy:

"O indivíduo deve privilegiar (...) a procura dos direitos…”

“A mundialização destruiu o social e substituiu-o pelo humanitarismo.”(…) A mundialização e o império da finança destruíram a sociedade ocidental”, afirma. 

E continua: “Daí o “silêncio das vítimas” frente ao “gangsterismo financeiro”.

Por toda a parte a crise é profunda, durável. E o que se fez nestes anos? Nada. O único sector que se renovou foi o sector financeiro. Não se desenvolve a indústria, não se produz. Criam-se “jogos especulativos”.

E à pergunta: “Quem conseguirá parar a finança, esta máquina louca que destrói as nossas sociedades ocidentais?", o filósofo Alain Touraine responde que existe uma escolha:

“(…) ou vivemos num mundo de consumismo, de não-produção, que dura o que durar (…) ou, então, inventa-se um novo tipo de sociedade, o que é muito complicado.”

Pergunta: "Podemos esperar que apareçam novas ideias que lhe resistam?"
 A resposta é: “Cada um de nós, tem a obrigação de se revoltar para salvar a democracia.”  

Pergunta: "Sobre que forças não-sociais se pode contar hoje?"
 Temos duas. A primeira, o fenómeno extraordinário que é a ecologia. Vivemos séculos com a ideia dos filósofos Descartes e  Bacon que diziam que tínhamos de dominar a natureza.” (...)

Pergunta: "Qual a segunda força não social?"
O indivíduo! O indivíduo pode decerto privilegiar a procura do dinheiro, do prazer, do jogo, claro, mas igualmente a procura dos direitos…”

A escolha é nossa, procurando saber, aprender- e privilegiando os nossos direitos… Porque, de facto, ele tem razão:
Nada é mais concreto do que a animação da vida política pelas esperanças, pelas reivindicações e pela consciência dos direitos".

Como Stéphane Hessel, recentemente desaparecido, estas vozes dos antigos "sábios" só nos podem dar "novas" ideias, porque muito souberam e viveram! 
E, assim,  podem "renovar" o que não presta neste mundo de interesses vãos e de ambições várias e inúteis.

Bem o dizia Camões: “ó glória de mandar, ó vã cobiça” e etc…!

(Os sublinhados em bold são meus...)





(1) “Os sublinhados a bold são meus...Alain Touraine (Hermanville-sur-Mer, 3 de agosto de 1925) é um sociólogo e filósofo francês. Acredita que a sociedade molda o seu futuro através de mecanismos estruturais e das suas próprias lutas sociais. Tem estudado e escrito acerca dos movimentos de trabalhadores em todo o mundo, particularmente na América Latina e, mais recentemente, na Polónia”, onde observou e ajudou ao nascimento do Solidarność e desenvolveu um método de pesquisa denominado intervenção sociológica.” (wikipedia)