segunda-feira, 7 de abril de 2014

E tudo é feito de mudança....




Hoje pensei em Camões e na sua ideia da mudança. Para bom, para mau? Com o cepticismo dele, creio que para o poeta seria sempre mudança para o mau e, dele, para  pior.




Ora leiam o soneto:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança:
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança:
do mal ficam as mágoas na lembrança
e do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía."

Tudo é feito de mudança...
...

Mas hoje venho falar do mar! O poder, a força do mar... Os estragos que a violência das ondas, das correntes fazem. Da luta eterna do homem com o mar, das forças desiguais e da vontade do homem de nunca ser vencido...


E por que razão falo disto tudo hoje? Ah!, já explico...

 Porque fui ver a Praia Grande, onde muitas vezes costumava passear e agora -com os temporais deste longo Inverno- me desabituei de ir ver. E que era assim...

o areial sem fim, antes, na Praia Grande

ainda a Praia Grande, antes...

a praia, antes....

Voltei hoje: era outra praia! Parecia-me ter mudado de país! O areal vastíssimo que se  estendia do promontório, à esquerda da praia, até ao Hotel das Arribas na outra ponta extrema...bem: o areal não estava lá! 


E em vez da extensão de areia branca, que recordava, havia três praias pequeninas formadas por rochedos que nunca sonhei haver por aquelas bandas! 

mudança, na Praia Grande...






curiosos (ou estudiosos?)

O mar vem, devagarinho, rodear as rochas e retira-se, aparentemente calmo. As grandes ondas dos surfistas chegaram-se todas para um lado, receosas. 

A praia está toda mudada! Guarda a beleza, talvez ainda mais selvagem hoje, os remoinhos de espuma branca desfazem-se por perto. As pedras e pedregulhos, as fissuras nos rochedos que aparentavam tanta segurança há uns meses apenas...



"todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades..."




A praia desceu? Ou foi o mar que subiu? Os meus pontos de referência não estão lá! Quem mudou a minha praia??? 


Ah! A força do mar mudou a minha praia! E lá vem Camões outra vez! Os perigos do mar, os danos que as ondas causam, os barcos engolidos pelas vagas gigantescas, o monstrengo avistado! 


Sim, "No mar  tanta guerra, tanto dano/Tantas vezes a morte apercebida... O medo dos nautas, os pescadores sem barco, os náufragos, a morte sempre diante dos olhos .

Chegada dos Portugueses ao Japão: a nau Carrack

Os males que cercam o pobre bicho humano tão pequeno...


Diz o poeta dessa fragilidade do homem- e é tão bonito o que diz e como o diz:

"No mar,  tanta tormenta e tanto dano
Tantas vezes a morte apercebida
Na terra, tanta guerra, tanto engano
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher-se o fraco humano
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?” 


Sim, onde estará a minha praia segura que não venha o céu e o mar tentar movê-la? 


domingo, 6 de abril de 2014

Francesco De Gregori - Non dirle che non è così


Francesco de Gregori nasceu em 4 de Abril de 1951 em Roma... no seio de uma família da média burguesia. Passou algum tempo da sua vida em Pescara, na costa do Adriático. 

Em Itália é conhecido pelo nome “Principe dei cantautori”, ou apenas "o Poeta", título que homenageiam a delicadeza e a finura das suas letras. 
No entanto ele prefere ser apenas chamado "artista". O irmão mais velho Luigi era também músico. 
Francesco foi influenciado pela música de Dylan, Cohen e pelo italiano Fabrizio de André. 
Muitas das canções de De Gregori começaram por ser traduções de canções americanas folk. Depois começou a escrever as próprias canções. Tocou com outros músicos e cantautori como Antonello Venditti ou Lucio Dalla.
Antonello Venditti, Pádua, 2008

 com o inesquecível Lucio Dalla



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sir Arthur Ernest Streeton, um pintor australiano, na Primavera...


Flores de cerejeira

O pintor "Sir" Arthur Ernest Streeton nasceu em Mount Duneed, perto de Geelong, na Austrália,  em 8 de Abril de 1867. 
Primavera

Sir Arthur Ernest Streeton nasceu em Mount Duneed, perto de Geelong, na Austrália,  em 8 de Abril de 1867. Morreu em 1943, no dia 1 Setembro. 

É um importante paisagista australiano, membro da Heidelberg School, também conhecida como a escola do Impressionismo australiano.
Trovoada em Nápoles, 1898

Verão Dourado


Outono

A família muda-se para Richmond em 1874. Os pais tinham-se encontrado na viagem de Inglaterra para a Austrália, em 1854.



Visão do Cairo

Em 1882, Streeton começa a estudar arte, na National Gallery School. Influenciado pelo Impressionismo francês, e por Turner, vai continuar a aprender pintura, em Melbourne. 



Em 1885 realiza a 1ª exposição na Victoria Academy of Art, de Melbourne.

Mount Wellington


Vi por acaso na internet esta pintura de Streeton e na altura pensei que esta poderia ser uma bela ilustração do "Shangri-La", do Horizonte Perdido, de Milton. Interessou-me muito e fui procurar mais coisas sobre ele. 
Descobri outros quadros lindos! E achei que deveria "mostrá-los" no meu blog!
Gosto das suas cores, dos azuis das montanhas perdidas na névoa, aprecio a delicadeza do traço, e o conjunto dá-me uma sensação de repouso...


Vamos esquecer a chuva! Ouvindo Pino Daniele - I Say 'I Sto Cca'... Eu estou cá... e tu?


à minha janela, à chuva...

Pino Daniele encanta-me sempre: é Roma, claro, mas é Nápoles, é o bom humor dele, é a figura divertida. É a música e a voz: é um grande cantautore italianao! No dia meio chuvoso é o que ouço com mais prezer... "'I Sto Ccá" ! à chuva... E vocês??? 


Edouard Léon, em Paris, à chuva...

Marlène Jobert e Charles Bronson, à chuva...



Ratinho e Ouricinho, aborrecidos, à chuva...



"I Sto CCà".... E tenho aqui mais canções...

terça-feira, 1 de abril de 2014

The Byrds - Ballad Of Easy Rider

Let's go with The Byrds! De moto, de carro, de bicicleta, a pé ou a cavalo: vamos com eles!

Os pensativos a preparar a viagem...

Os eternos cavalos alados!

O mar da Praia grande... sempre!

Uma JAWA em 1955...

Um triciclo a motor, em Almoçageme!

Um sorriso motorizado!

Outro sorriso, agora de bicicleta...
O meu cão Zac, em Telavive...

Um aventureiro... a pé!