Quem nos fala é um médico catalão, médico e cirurgião de guerra, que sente a necessidade de lançar um grito de protesto! No jornal El Mundo.
É
um genocídio medieval. O terror pelo terror, apenas. O mais duro tem sido
recolher crianças feridas depois de um ataque djihadista contra uma coluna de
refugiados, e não poder levá-los todos dali para fora. É uma sensação de impotência brutal.
(…)
Chamo-me Juan Luis Ney Sotomayor, tenho 46 anos e sou de Barcelona. Sou médico
cirurgião e a minha especialidade é a cirurgia de guerra. (…) A minha vida dediquei-a
à cooperação internacional participei em mais de 10 missões humanitárias: Libéria,
Malí, Palestina, Iraque, Afganistão, Sudão...
Vivo em Erbil desde há três meses, contratado pelo governo autónomo do Kurdistão. (...)
Vivo em Erbil desde há três meses, contratado pelo governo autónomo do Kurdistão. (...)
Combatentes do Kurdistão ajudam refugiados
Calculamos
que mais de meio milhão de pessoas fugiram por causa do terror djyhadista –
aqui em Erbil há uns cem mil refugiados.
Tudo
começou apenas há dois meses, quando Mossul (a segunda cidade mais importante
do Iraque) caiu em mãos dos terroristas do IS (sigla, em inglês, de "Estado
Islâmico").
A partir desse momento, instaurou-se o terror. Depois, o IS
apoderaroul-se de outras cidades importantes como Kirkuk. Em todas houve as mais
horríveis matanças: degolações públicos, fuzilamentos em massa, crucificações
de infiéis, enterramento de mulheres e crianças vivas.
Tudo o que de mais espantoso e horrível se possa imaginar, foi superado pela realidade. Testemunhos directos relataram-me como la cidade de Mossul está repleta de cabeças cortadas penduradas dos fios eléctricos.
Tudo o que de mais espantoso e horrível se possa imaginar, foi superado pela realidade. Testemunhos directos relataram-me como la cidade de Mossul está repleta de cabeças cortadas penduradas dos fios eléctricos.
Primeiro
a desgraça tocou aos cristãos (…) depois chegou a vez vieram dos turcos, dos
yazidíes, (…) depois porém, como nos famosos versos de Bertolt Brecht, tocaram inclusivamente
nos que não esperavam ver-se atingidos pela perseguição: os chiítas e os moderados sunitas " - que se julgavam a salvo.
(…)
Ainda que as suas acções se “revistam” como uma "parte da guerra santa" para
instaurar um novo Califado, a realidade é que usam a religião como instrumento
de terror. Não é uma guerra contra os cristãos, nem sequer uma entre sunitas e
chiitas. É uma guerra do terrorismo internacional contra todos.
São
especialmente cruéis. Atacam hospitais, executam famílias inteiras. Realizam
crimes de massa que depois filmam e põem nas televisões, para aterrorizar a população civil. (…)
Continua
a ser um mistério o modo como e de onde conseguem receber apoio: armas,
víveres, informação. Com dinheiro quase tudo se consegue, mas este “exército de
mercenários” contou com apoio logístico desde o princípio”.
Deixo este artigo que me impressionou profundamente. Quem sabe? talvez eu ande impressionável...
Releiam, no entanto, o que disse Bertold Brecht. Faz sempre pensar!
INTERTEXTO
Primeiro
levaram os negros
Mas
não me importei com isso
Eu
não era negro
Em
seguida levaram alguns operários
Mas
não me importei com isso
Eu
também não era operário
Depois
prenderam os miseráveis
Mas
não me importei com isso
Porque
eu não sou miserável
Depois
agarraram uns desempregados
Mas
como tenho o meu emprego
Também
não me importei
Agora
estão- me levando a mim
Mas
já é tarde.
Como
eu não me importei com ninguém
Ninguém
se importa comigo.
(Bertold
Brecht)







Todos os que usam a força contra quem não se pode defender, são cobardes!
ResponderEliminarComo é possível que estas coisas continuem a acontecer nos dias de hoje, num mundo supostamente evoluído...
Como é possível seres humanos fazerem coisas tão horríveis...
Não se consegue entender...
O poema de Bertold Brecht é muito verdadeiro!
Um beijinho grande:)
Como ajudar? Esta é a minha dúvida... beijinhos, Isabel, minha boa alma e amiga!
EliminarAs palavras de Bertold Brecht resumem sabiamente a cobardia do homem e das comunidades em geral que julgam poder escapar desde que adotem uma atitude passiva.
ResponderEliminarMJ, quem é que pode ficar indiferente perante esta barbárie?
Os poderosos que têm capacidade de intervir entretêm-se em jogos de interesses intermináveis.
Isto impressiona a qualquer pessoa que tenha entranhas, esteja ou não impressionável! O mundo é um espanto, mas são as pessoas como Juan Luis Ney Sotomayor que se importam realmente com os outros, o resto é conversa.
ResponderEliminarAh! Finalmente alguém diz o que penso: "Há os que se importam realmente e dão o corpo, a vida, o sentimento: o resto é conversa!" Obrigada, Maria!
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