sexta-feira, 18 de julho de 2014

Escritores que ensinam a escrever: THomas Mann e as gaivotas...



uma gaivota em Cascais


Mais um texto magnífico de observação, sensibilidade e descrição tirado do livro de Thomas Mann, "O Cão e o Dono". 

Nos passeios pela floresta, acontece ao dono e ao cão descobrirem novas coisas na natureza, ou novos aspectos dessas coisas...


patos selvagens, em Hyde Park (Diogo LP)


Depois dos patos selvagens que vão rio abaixo, rio acima, e que o dono e o cão acham convencidos burgueses de passeio no lago com a família, são as gaivotas que atraem a atenção do escritor. 

patos selvagens no rio, em Guildford (MJF)

De facto, observar as gaivotas é um espectáculo único. Tive a sorte de as ver num cenário magnífico: Essaouira! 

Gaivotas em Essaouira (MJF)


Via-as, aos bando, no porto de Essaouira, mergulhar rápidas, entre as redes dos pescadores, a apanhar o peixe acabado de chegar. Enquanto três cães contemplam de cima dum armazem o que se passa. Ou sentinelas recortadas no nevoeiro junto à torre da velha fortaleza.

gaivota  em Essaouira (MJF)


gaivotas e observadores (MJF)

Há quem contemple o mar enquanto elas passam vigilantes. Em Essaouira acontece de tudo um pouco junto ao maravilhoso porto!

porto de Essaouira (MJF)




As gaivotas vejo-as  constantemente em Cascais, atraídas pelo alimento seja ele qual for... 
À espera, solitárias sentinelas incansáveis. E sôfregas, vorazes, mas infinitamente belas. 

Cascais, à tardinha...

Vejo-as hoje em Cascais, atraídas pelo alimento seja qual for... À espera, solitárias sentinelas incansáveis. E sôfregas, vorazes, mas infinitamente belas. 





de sentinela, frente à baía de Cascais


"A natureza das gaivotas é mais selvagem e estridente; há uma desolada monotonia no que elas fazem, essas eternas aves de rapina esfomeadas, o dia inteiro à procura da presa, em bandos, no açude, grasnando por cima dos canos de esgoto que descarregam as águas pardacentas no rio. 

Gaivotas isoladas pairam e mergulham sobre os peixes de quando em quando, o que não lhes satisfaz a voracidade; têm de a satisfazer com bocados menos apetecíveis extraídos dos esgotos, arrancando-os às águas, em pleno voo, e levando-os consigo suspensos do bico recurvo. 


Gaivotas na maré vazia, em Essaouira

Não gostam das margens do rio mas na maré vazia juntam-se, em bandos, em cima das rochas – e tudo fica branco como os recifes e as rochas dos mares do norte com os gansos à procura de ninhos. (…) de súbito uma onda de inquietação percorre o bando, voltam a cabeça, soerguem as asas e, de repente, todas se levantam nos ares, como uma nuvem branca, lançando o mais fatalista e lúgubre pio (…)”~

gaivotas em bandos (blog perfume de Jacarandá)



"O Cão e o Dono" (tradução de João Gaspar Simões), Editorial Inquérito, p.115


quinta-feira, 17 de julho de 2014

A beleza e a Arte: o expressionismo de Der Blaue Reiter e de Die Brücke...


Wassily Kandinsky, Outono em Murnau

Cartaz de Der Blaue Reiter

"O cavaleiro azul" -Der Blaue Reiter- foi um movimento criado por um grupo de artistas que formaram a Nova Associação dos Artistas de Munique (Neue Künstlervereinigung München), na Alemanha.

Franz Marc, Cavalo Azul, 1911

De inspiração expressionista, o grupo formou-se em 1911, com a participação de pintores emigrantes russos e alemães.

Wassily Kandinsky, O Cavaleiro Azul

Wassily Kandinsky, Composição

Os principais elementos foram os russos Wassily Kandinsky, Alexej von Jawlensky e Marianne Verëfkina ou von Werefkin. Kandinsky teve uma importância mais tarde no abstractismo e a sua série de Casas em Murnau é uma das belezas da pintura de todos os tempos!

Kandinsky, Casas na Obermarket (Museu Thyssen, Madrid)

Wassily Kandinsky, Rua de Murnau


Wassily Kandinsky, Murnau com arco-íris




Alexej von Jawlensk e a delicadeza das suas cabeças místicas, ou dos campos de milho dourados, ardentes sob o sol, que lembram Van Gogh!




von Jawlensky, Cabeças Místicas


Alexej von Jawlensky, Milheiral 

Alexej von Jawlensky, Jardim em Caratec

Marianne von Werefkin, Outono e escola

E o conhecido pintor alemão, Franz Marc, e a série obssessiva de cavalos azuis, vermelhos e de animais selvagens, veados e corças e cães: com as cores vivas que têm a sua simbologia especial: azul, vermelho e amarelo. O Veado Vermelho é uma pintura linda mas não consegui retirá-la de nenhum lugar, a não ser esta miniatura...


Franz Marc, Cavalos Vermelhos


Marc nasce em 1880 e morre, na Guerra, em Verdun, em 1916).


Franz Marc, O Cavalo Azul

Franz Marc, Cavalos azuis

 Franz Marc, Veados na Floresta

Macke, 1913

E August Macke (1887-1914)- cuja curta carreira acabou igualmente durante a I Grande Guerra, em combate. 
Deixa-nos as suas figuras a passear nos jardins, as meninas "em flor" -"les jeunes filles en fleur", de que fala Proust- que têm a pureza, os chapéus de palha, nos bibes brancos. E que lembram os tons suaves e a alegria das meninas de Renoir; e a linda Casa Vermelha, a casa encantada na floresta. Pouco viveu para nos deixar mais mas só por esta maravilha foi bom que tivesse nascido...

August Macke 

Auguste Macke


Auguste Macke, A Casa Vermelha

 Franz Marc, pintado por Auguste Macke


E Paul Klee (1879-1940) suíço de nascimento (cantão de Berna), mais tarde nacionalizado alemão.


 Paul Klee, Na margem


 Paul Klee, Peixes

 Paul Klee, Composição


Dele, herdaram do grupo Der Blaue Reiter a estética não-objetual e dos interesses místicos e simbólicosO movimento expressionista Der Blaue Reiter existe de 1911 a 1914.
Fritz Bleyl, Cartaz d' A Ponte

Contemporaneamente existe outro grupo ligado ao "expressionismo":  Die Brücke (A Ponte), fundado no ano de 1905, em Dresden. 

Grupo esse de que fez parte Ernest Kirchner (1880-1938), por exemplo, Fritz Bleyl (1880-1966) ou Otto Mueller (1874-1930).
Otto Mueller, Auto-retrato

 Ernest Kirchner, Mulher com chapéu

 Ernest Kirchner, "Franzi na cadeira esculpida"