
SONETO DE JOSÉ RÉGIO:JOSÉ DURO
(in Fel)
A flor da Mocidade e do Desejo,
Depôs a morte o seu gelado beijo,
Poisou a morte a sua boca fria
Da lira juvenil, que desferia
Seu primeiro e amorável, claro harpejo,
Só torvas cordas já, de brejo em brejo,
Ferem ecos de angústia e de agonia.
Contra um corpo a abrasar-se lentamente
Na própria alma por de mais ardente,
Teus frios beijos, morte! São fatais.
Mas «o poeta nunca morre»... Basta
Que a boca lívida e sarcasta
Module um pouco os derradeiros ais...
vista de Portalegre do pintor Lauro CoradoHavia na minha (e dele) cidade, no jardim da Corredoura um banco onde muitas vezes nos sentávamos, em passeio com a minha avó, a descansar.
Tinha uma figura em bronze verde escuro, um retrato de José Duro, espécie de medalhão em baixo-relevo, de perfil.
o belo edifício da Fábrica Real (hoje restaurado assim e muito bem), ao fundo da Corredoura.A Corredoura já não existe como dantes era. Onde foi parar o José Duro?
Que, pouco antes de morrer, se queixava amargamente:
"E morro assim tão novo! ainda há um mês,/Perguntei ao Doutor: -Então?...- hei-de curá-lo.../Porém já não me importo, é bom morrer, deixá-lo! /Que morrer - é dormir...dormir...sonhar talvez...
Por isso irei sonhar debaixo dum cipreste/ Alheio à sedução dos ideais perversos.../O poeta nunca morre embora seja aggreste/ A sua aspiração e tristes os seus versos!"
Mais alguns dados sobre José Duro:
“O seu poema mais precoce, um soneto intitulado A Morte, escrito em Portalegre em 1895, revela já o temperamento melancólico, pessimista e mórbido do seu autor, que é ainda mais marcado na seu livro mais conhecido, Fel, escrito em 1898, quando a tuberculose de que sofria há muito e que provavelmente teve muita influência no seu carácter sombrio, anunciava a sua morte certa e eminente, que veio a acontecer apenas alguns dias depois da publicação.
Em 1896, publicou em Portalegre um folheto de versos que entitulou Flores.
Enquanto aluno da Escola Politécnica de Lisboa, frequentou tertúlias onde desenvolveu o seu interesse pela literatura, nacional e estrangeira, sofrendo forte influência de diversos autores, como Baudelaire, António Nobre e outros jovens simbolistas de Coimbra, bem como de Antero de Quental, Guerra Junqueiro e Cesário Verde."
http://www.webcitation.org/5lLBj9Kwd







Mais tarde, noutro filme, "Symphony in Black"(1935), 




uma bela fotografia "sunset" no Alentejo, de 
























uma das Cinque Terre, Menarolo, na Ligúria



