domingo, 26 de setembro de 2010

Jimi Hendrix e a sua guitarra, em 1967 - The Wind Cries Mary (live 1967)

Poster de publicidade do Festival Woodstock: "Woodstock Music & Art Fair"

A guitarra de Jimi que foi vendida em 2008, em Londres, por 280.00 £



James Marshall "Jimi" Hendrix (nasceu em Seattle em 27 de Novembro de 1942 e morreu em Londres, em 18 de Setembro de 1970) foi um guitarrista, cantor e compositor norte-americano.
Frequentemente é citado por críticos e por outros músicos como sendo o maior guitarrista da história do rock e um dos mais importantes e influentes músicos de sua era, em diferentes diversos géneros musicais.

outra das suas famosas guitarras

Depois de obter sucesso inicial na Europa, conquistou fama nos Estados Unidos depois de sua performance em 1967, no Festival Pop de Monterey. Entre os membros da comissão do festival estavam integrantes dos Beatles e dos Beach Boys.










Dois anos mais tarde, Hendrix foi a principal atracção, do famoso
Festival de Woodstock (1969) e do Festival da Ilha de Wight, em 1970.

No dia 18 de Setembro de 1970, há quarenta anos portanto, morreu o guitarrista (e cantor) americano Jimi Hendrix, no St. Mary Abbot’s Hospital de Londres.

Fora encontrado nessa manhã inconsciente, em consequência de uma mistura de álcool e de somníferos.

Tinha 27 anos, era já uma lenda e depressa se transforma num mito.

Para os interessados, lembro que vai sair (Sony Music) em Novembro um Cofre com 4 CDs e um DVD, intitulado: “West Coast Seattle Boy –The Jimi Hendrix Anthology”, com alguns títulos raros e inéditos da sua curta carreira - que começara em 1964.

Parece que se encontram neste “cofre” uma série de títulos que nem os fans mais atentos conhecem. E interpretações diferentes de composições conhecidas em estúdio e em concerto.

(tirado de um artigo de Le Monde (do último sábado, 25 de Setembro), assinado por Sylvain Siclier: “Sur les traces de Jimi Hendrix, mort il ya a quarante ans”)

ver o link sobre a venda de uma guitarra de Jimi Hendrix:

http://www.google.com/imgres?imgurl=http://i.telegraph.co.uk/telegraph/multimedia/archive/00801/jimi-hendrix-guitar_801056c.jpg&imgrefurl=http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/celebritynews/2684648/Scorched-Jimi-Hendrix-guitar-sells-for-280000.html&h=288&w=460&sz=34&tbnid=fxUkBE21wr7VGM:&tbnh=80&tbnw=128&prev=/images%3Fq%3Djimi%2Bhendrix%2Bguitar&zoom=1&q=jimi+hendrix+guitar&hl=en&usg=__4mRT-hLyf2LNDVHembxbykZFKKQ=&sa=X&ei=3z2fTPb-Do2l4AaU_fG1DQ&ved=0CB4Q9QEwAA

sábado, 25 de setembro de 2010

What's on? Imagens, sítios, coisas e mais música! "Cry me a river", Ella Fitzgerald...

Sim, what's on?


Tanta coisa, não é?


Tem razão este que é um dos animais meus preferidos!!

Aqui ficam estas imagens de coisas, sítios, pessoas que gostei de fotografar...

Ericeira, roupa ao sol

Para se distrairem um pouco no week end!

Sinais de beleza...

Será que a beleza é o amor que o nosso olhar põe sobre as coisas que olhamos?

Portugal tem uma natureza cheia de coisas linndas!

E outros lugares, também!

Bom fim de semana, e não se esqueçam de ouvir no final a fantástica Ella Fitzerald!
Londres, Igreja de St. Martin in the fields

Porto, rua num bairro antigo
Montalegre, à beira do presbitério de "O Monte dos Vendavais"


O tempo em Londres...
Palhaços em Londres
Londres e gentes
Céus de trovoada algures

Londres
Portalegre e o Coreto, um dos mais lindos do país!

Braga. Conheciam?
A beleza dos pássaros (Londres) Portalegre, janela do antigo Hospital, onde foi o laboratório do meu pai
Museu de História Natural, London: os antepassados
Porto, tectos e gentes...
A história antiga...
Marvão, tectos e longes...
Trovoada próxima
Castelo de Montalegre, aqui espécie de "Monte dos Vendavais"...
Marvão, uma rua
O Gerês
Montalegre
idem, com o presbitério ao longe...
Museu de História Natural, Londres
Barragem algures no Gerês



E Ella!
Boa música!


Outra barragem no Gerês
Uma casa, algures na Serra de S. Mamede

Bom fim de semana, com boa música!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Histórias da Casa Amarela: de Portalegre ao Porto "O casamento do meu tio"...

Portalegre, o Coreto que fica no Rossio

Portalegre, vista pelo pintor Arsénio Ressurreição

uma bela rua antiga do Porto

O Casamento do meu Tio



O meu tio era o único irmão da minha mãe. Recordo-os pequenos numa fotografia antiga que a minha mãe guardou sempre em cima da lareira.

Estavam os dois num carrinho de verga, puxado por um cão que me parecia um S. Bernardo.

Contava a minha mãe que esse cão era muito pachorrento e bom e que tinha uma paciência infinita para as traquinices deles.

Tinham um ar de meninos compostos, a minha mãe com um vestido de rendas e fitas e um ar assustado, e o meu tio vestido à marinheiro, com ar de desafio.
Mas o olhar dos dois era semelhante e, apesar de muito diferentes no feitio e nas atitudes, tinham afinidades e uma amizade que sempre os uniu.

Quando éramos pequenas, o meu tio era esperado com ansiedade lá em casa, por nós três. Alegre, brincava sem se cansar, fazia-nos rir com as caretas cómicas que inventava e os seus olhos esverdeados nunca se impacientavam com coisa nenhuma da vida.

Vivia com a mesma tranquilidade e boa disposição do meu avô, que era a pessoa mais doce, calma e generosa que conheci!
Vista da cidade de Portalegre, do pintor Lauro Corado
Lá de casa, fui só eu a assistir ao casamento dele e tive sempre nisso muito orgulho.
Eu devia ter uns quatro anos, e foi uma aventura extraordinária para mim essa viagem. Inesquecível.
Quando hoje volto ao Porto lembro sempre essa primeira sensação de distância, dos espaços de uma cidade grande, prédios altos, jardins, tudo tão diferente da minha cidade de província...
Era uma longa distância, de Portalegre ao Porto e eu nunca tinha viajado se não de Alegrete a Portalegre.
Portalegre, Igreja de São Lourenço, desenho de José Rodrigues Neves


Suponho que fomos de comboio até ao Porto: os meus avós, a tia Leopoldina, uma prima, a Lena, e eu.
Os meus pais não foram: tinha nascido a minha irmã mais nova, duas semanas antes, e a minha irmã estava doente com asma e não pôde ir. Tenho a vaga ideia de passarmos um rio e de ver as montanhas, mas posso ter inventado tudo...

Vivi coisas maravilhosas nesses dias que vejo como um dia único que parecia nunca mais ter fim.
Lembro-me bem da loja dos chapéus! Onde seria?


Laços, fitas de cetim, alfinetes, flores de seda por todo o lado, e, no meio de tudo isso, fiquei a espreitar pela janela baixa, de joelhos numa cadeira, a rua cheia de sol, com cores mais vivas do que as da minha rua.

Ouvia a voz da dona da loja que era um pouco cantada, e a da minha avó a responder-lhe, e comecei a sentir-me tonta.

A meio da escolha dos chapéus, adormeci na cadeira e já só me lembro de estar no casamento.

A minha avó ia vestida de azul escuro, com um chapéu e véu da mesma cor, o meu avô tinha um fraque e um chapéu que me pareceu enorme.

A tia Leopoldina, mostrava-se imponente, com o seu penteado alto e o chapéu com uma pena, no seu vestido de seda castanha com rendas no peito e várias fieiras de pérolas agarradas ao pescoço.

Eu levava um vestidinho azul claro, vaporoso, cheio de folhos, e umas fitinhas na cabeça.
E, de repente, surgiu a noiva, linda, cheia de vida, risonha, mais as suas damas de honor, com flores brancas nos cabelos.

O seu era um longo vestido de tule, que me contou ela depois ter levado quase cinquenta metros de tecido, e uma cauda enorme que eu levava o tempo a segurar mesmo quando não era preciso.
Vejo-nos numa fotografia, num jardim, com muitas jovens bonitas à volta dela, e eu, à frente, preocupada com uma pontinha do vestido bem agarrada na mão e a outra mão espalmada na barriga.

O meu tio estava de fraque, muito elegante achei eu, e com uma cartola debaixo do braço. Lembro ainda pessoas que riam muito, vestidos com bordados e rendas, a mesa com doces, bolos, amêndoas, rebuçados, flores.

Eu espreitava as salas todas, corria pelos corredores e ia para a sacada da janela grande, que tinha uma protecção de ferro forjado, e deitava mãos cheias de rebuçados para a rua onde um grupo de miúdos, que brincava, se ia reunindo à espera do que eu deitasse.

Não me lembro de mais nada, tão cansada cheguei ao fim do dia. Nem recordo a viagem de regresso, nem a chegada a casa, tudo se confunde numa nebulosa.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Claude Monet e os outros...

Monet, Paris,Boulevard des Capucines


A Grande Exposição de Monet e os seus espectadores

Abriu ontem no Grand-Palais, em Paris, uma exposição monumental de Claude Monet (1840-1926).

Até ao dia 24 de Janeiro de 2011, vão estar expostos, ob a maravilhosa cúpula de vidro do Grand Palais, mais de 200 trabalhos de Claude Monet, o grande mestre do Impressionismo.


cúpula em vidro do Grand Palais

Poderão contemplar-se ali as primeiras paisagens pintadas na Normandia e, passando por Paris, ir até às últimas e delicadas pinturas em que procurou captar a beleza da luz, nos reflexos da água, dos lagos e dos jardins da sua casa de Giverny, onde viveu os últimos anos de vida.
Boudin, um dos mestres de Monet :"paisagem da costa normanda"

Jongkind, outro mestre de Monet e o quadro "Igreja"
Tudo se poderá ver (ou quase tudo!) nestra exposição grandiosa.

Monet, Le Havre

Monet, Lírios, pormenor

Confesso que Claude Monet foi desde sempre um dos meus pintores preferidos.

Admirava as formas suaves, os tons rosados ou liláses, os azuis, os roxos, as linhas puras e delicadas, os matizes, os enevoados-esfumados dos seus quadros.

A luz, a cor, ondas de cores. E o azul, sempre.

As paisagens à beira da água, rios, o mar, os lagos. As flores diáfanas, os nenúfares, que pintou, repetiu, tentou representar, em todas as horas do dia, sob todas as luzes e estações.
Monet, nenúfares com nuvens reflectidas, e nenúfares sob um céu limpo...

As mulheres com as sombrinhas verdes, brancas e azuis, envoltas em mousselines, tendo por fundo o azul do céu .
A obsessão da procura, tal como o fez nas vistas do Sena, ou do Tamisa, ou a representação várias vezes repetida da estação Saint-Lazare com os seus comboios a chegar e a partir...

Ou o Parlamento em Londres. A mesma obsessão de repetir, voltar a fazer, a pintar o que "via", a "comunicar" a impressão mutável, nunca igual, na procura da beleza, na sua perfeição.

Monet, Houses of Parliament, Londres

Monet, Westminster vista do Tamisa

Ou as catedrais, pintadas em diversas horas do dia, ao amanhecer, nos tons azul-rosados da Catedral de Rouen, ou ao meio-dia, quando a luz do sol bate com força e se vê o dourado cair nas fachadas das igrejas, sempre numa procura incansável da impressão do instante que passa...

Monet, Catedral de Rouen, ao amanhecer
Monet, Catedral de Saint-Romain

E as figuras femininas nos vestidos vaporosos brancos, azuis, cor de rosa, com os véus, as sombrinhas coloridas, os campos de alfazema ou de papoilas. Avistadas no alto da colina, viradas de um lado, depois do outro, eternas, na sua beleza.
A beleza, que parece estar ali mesmo à mão, nos seus quadros...

E, sobre toda esta realidade matizada, a luz difusa, nunca demasiado forte ou chocante.

E, depois, os azuis, os rosas, os liláses...

Tanta beleza, sem dúvida.

E os outros?

Lembro outros impressionistas seus contemporâneos...

Alfred Sisley, por exemplo, e as suas paisagens: o moinho, o canal, a casa à beira-rio, etc.
A maravilhosa pintora Berthe Morisot e a doçura dos rostos, os interiores, os tules, mas também o campo, o mar, a figura "en plein air", a cor azul idêntica, a luz tamisada.



Ou o grande Camille Pissarro, com as suas paisagens rurais, as figuras simples, ou Paris, a neve, as geadas nos campos, a luz de inverno.

Pissarro, pastora com uma varinha

Pissarro, Paris e "e Pont Neuf"

Edouard Manet e as mesmas cores, às vezes as mesmas paisagens e figuras, as mulheres, as crianças, agora mais citadinas...

Manet, o parque
Manet, a praia

Manet, estação de comboios

Ou Auguste Renoir e as suas meninas, as mulheres, as amigas, com outra sensualidade, mas a mesma candura.




Como dizia Keats: "A Thing of Beauty is a Joy Forever"!