segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Louis Armstrong and Ella Fitzgerald - "Dream a little dream of me"


Louis Amstrong e a sua trompete
Fotografia de Ella Fitzerald, encontrada no blog "Borboletas de Jade", quando Ella, "o rouxinol", morreu.
Em baixo, uma bela expressão da maravilhosa Billie que este video mostra...

Eleições? Amanhá vai ser outro dia! "Apesar de você..." canta Chico Buarque com os MPB4


THE DAY AFTER: AMANHÃ HÁ-DE SER OUTRO DIA!

Há sempre um amanhã, um dia que se imagina mais luminoso, mais livre, mais azul, mais justo, mais profundo, mais de acordo com o que exigimos à vida. Que nos permita sermos "mais nós"...

Mesmo que a vida nos tenha dado já tanta coisa, queremos mais...

Não fiquem tristes! Amanhã vai ser outro dia!

Deixo-vos com "o sol nascente", de Monet, e a voz de Chico Buarque, em boa companhia, pois!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Falemos de coisas importantes: a Exposição sobre Claude Monet, aberta 84 horas seguidas

Li ontem no jornal Le Monde esta notícia. Falava da Exposição dedicada a Claude Monet:

“Dois anos depois da experiência tentada aquando da exposição "Picasso et ses maîtres", o Grand Palais abriu as portas de "Monet : 1840-1926" durante 84 horas, sem interrupção, até amanhã segunda-feira, às 21 horas.
Houve muitos internautas que, tendo participado numa das "folles nuits" Picasso ou Monet, contaram a sensação vivida nesta experiência nocturna tão especial.”

Fui ler esses testemunhos. E escolhi uma "impressão" ao acaso: falava de uma viagem imaginária e de um "sol nascente vermelho" que se erguia, no fim dela...
Aconselho-vos a virem comigo neste passeio da internauta em questão, dividindo as "impressões", acompanhados por Fabienne, que a vai imaginando para nós, à medida que avançamos no sonho...

Viagem para viver dentro dos quadros, ir com Monet até Giverny, tomando o combóio na gare Saint-Lazare, entrar no comboio azul que ele pintou!



Vamos ver os jardins das sua casa em Giverny, o lago, a ponte japonesa que tantas vezes pintou, sob luzes, climas, sóis diferentes.

fotografia a cores da ponte que existia no jardim de Monet

Contemplar de perto os nenúfares verdes, azuis, conforme...

a mesma ponte, pintada agora por Monet...

Olhar para tudo até ficarmos cansados.

Descansar.

Até ver a manhã chegar e, com ela, um maravilhoso sol vermelho!


Esta é a evocação de Fabienne...

"Impression soleil levant", por Fabienne C.

"Acordei com uma terrível cãimbra no pé. Era meia-noite. Levantei-me. Não me passava o incómodo. Deambulei pelo estúdio atravancado sem poder mexer-me.

Vesti-me e decidi sair para a rua. (...) Dou de caras com um painel luminoso, dizendo: “A exposição “Monet” esta noite tem as portas abertas”.

Cheia de frio, vou andando pelas ruas fora, e encontro, frente ao Grand Palais, um ambiente quente. As pessoas avançam tranquilamente numa fila sinuosa.

Pensei que ia ter de esperar uma hora. Uma jovem guia, oferece-me uma bebida quente e diz que talvez não seja uma, mas duas horas de espera...

À minha frente um pai de família dá uma “lição” sobre Monet ao filho adolescente, desatento, que brinca com o telemóvel.

Eu não ouço, não quero saber nada. Nesta noite, no Museu, quero estar como num sonho, avançando por impressões sucessivas.

No interior, começo a minha viagem, imediatamente.

jardins da casa de Monet, em Giverny

Dirijo-me à gare Saint-Lazare, entro no comboio que vai partir naquele instante, desço em Giverny, troco algumas impressões com um nenúfar, tenho uma vontade de espirrar incontrolável, em frente de uma meda de feno.



"nymphéas" ou nenúfares, pintados por Monet


Depois mais adiante, um banco em frente de uma ponte convida-me a sentar e repousar um pouco.

Cansada, deixo-me cair pesadamente em cima do banco.

Fecho os olhos. Uma luz vivísima penetra através das pálpebras.

Quando os abro, descubro, no canto de um quadro, um sol vermelho a nascer!"

le soleil levant de Monet

Penso que a viagem, mesmo curta e "virtual", para nós, valeu a pena...

A maravilhosa música dos "Clannad" - In A Lifetime (Live 1998)

Gweedore, onde nascem os Clannad.

"Clannad" é um grupo irlandês que surgiu nos anos 70, em Gweedore, no Condado Donegal, na Irlanda (não confundir com a banda desenhada japonesa do mesmo nome!).

A sua música foi descrita de muitos modos diferentes: folk, new age e céltica.

Foi o meu filho que me ofereceu o primeiro CD do grupo.
O grupo é formado por Moya Brennan (Máire Ni Bhraonáin, em celta), a vocalista e tocadora de harpa céltica.
Moya Brennan
Na banda entram também os seus irmãos Ciarán Brennan, Pól Brennan, e os tios (gémeos) Noel Duggan e Pádraig Duggan.
Enya –a outra irmã- participou esporadicamente no grupo, tendo saido em 1981 para iniciar uma carreira de cantora sozinha, com grande sucesso.
Enya Brennan

Toda uma família (o clã quase inteiro!...) irlandesa.

O grupo ganhou um Grammy Award, em 1999, pelo “melhor Album de New Age”.

Deixo-vos neste domingo de reflexão, a voz maravilhosa de Moya Brennan, para descansarem neste dia ventoso, de grandes manobras!

Mais canções:


o site oficial dos Clannad:

Mais canções:

Take Five by Paul Desmond

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Sunshine Award dado ao meu blog...

Recebi há dias (na 5ª feira passada) um prémio, um Sunshine Award, "concedido" ao meu blog, pelo blog "gialli & geografie".

Obrigada, Nela San!

Cabe-me, agora:

*re-oferecer o award a 12 blogues de que goste
*passar o sunshine a cada um dos blogs;
*avisar o bloguista premiado...

E... acho que não esqueci nada e chega!

Aqui está a lista dos meus "blogs" preferidos, por ordem alfabética. (Reduzida a 12, quando teria muitos mais a indicar...)

Ainda é de dia (http://aindadedia.blogspot.com/) -blog de uma portuguesa que vive há 40 anos em Espanha. Blog de grande sinceridade, interrogando-se sobre questões importantes, corajosamente e com sensibilidade;

Art inconnu (http://www.artinconnu.com/) -profissional e perfeito: la beauté et la découverte de peintres inconnus. Belíssima escolha!
Borboletas de Jade (http://borboletasdejade.blogspot.com/) - um blog "humano" e o jazz numa escolha fabulosa;

Cozinha dos vurdóns (http://cozinhadosvurdons.blogspot.com/) -difícil de "colocar" porque fala de tantas coisas! Da cultura, sempre: seja na comida, no que se bebe, na dança...

Destante (http://destante.blogspot.com/)- blog de literatura a três mãos, com uma preocupação pedagógica;

Dona redonda (http://dona-redonda.blogspot.com/) - blog que é sinónimo de curiosidade, de saber e sentido do humor...

In (Cultura) (http://sonhar1000.blogspot.com/) - simplesmente belo: pelas imagens, palavras e música;

Jazz+Bossas (http://ericocordeiro.blogspot.com/), o “barzinho” do jazz, como lhe chama o seu autor, é fantástico !

Light (http://vivercomlight.blogspot.com/) - livros, cultura e sentimento;

Memórias e imagens (http://memoriasimagens.blogspot.com/) -blog que descobri recentemente, cheio de bonitas imagens;

Relógio de corda (http://quantotempotemotempo.blogspot.com/) - o bom humor, os livros, e as badaladas da simpatia.

Para todos, a minha homenagem!

Junto este meu "mini-award-snoopy-para-a-Arte-em geral" - e para os blogs que vou seguindo!
Acabo, aconselhando o blog Gialli & Geografie (http://gialli-e-geografie.blogspot.com/), aos que entendem um pouco de italiano: é um blog cheio de literatura, de livrarias, de viagens -e uma boa escolha de livros policiais-, de uma jovem italiana, que escreve e fala português.

Mas achei que parecia mal escolher o blog dela...
Parecia como dizem os napolitanos: “io ti dò una cosa a te, tu mi dai una cosa a me...”
Obrigada, Nela!

Pelo Alentejo, à procura da Adega do Sr. Gato e a ver os limoeiros...



Continuando a falar de viagens e fotografias, volto atrás a um passeio a Portalegre, e Marvão, passando antes por Estremoz e pela aldeia dos Arcos.

o nosso carro a chegar aos Arcos...

o "largo" dos Arcos (não pude tirar de lá o tractor...)


pelas ruas, à procura da Adega do Sr. Gato


Ali perto, fomos parar à aldeia dos Arcos, na estrada para Borba e Elvas, a uma adega maravilhosa, a Adega do Sr. António Gato.

na rua da adega do Sr. António Gato

Sítio inesquecível! Quando virem as fotografias vão perceber melhor...
Só ontem consegui passá-las do telemóvel para o computador, com um cabo USB super-especial.
Por issso, só hoje as pude "publicar" e assim falar deste local...
Nunca vi nada igual!

Para além disso, o vinho (do Alentejo) era mesmo bom e (eu confesso que prefiro água, desculpem), melhor ainda, eram as iscas que a mulher do Sr. António, a D. Joana, tinha cozinhado. Coisa que eu adoro mas nunca faço em casa porque as "iscas" me saem mal, muito duras e secas...
Além das iscas, havia também frango do campo, da capoeira deles, frito, esparregado de espinafres com miolo de pão caseiro, pimentos vermelhos assados, azeitonas retalhadas e queijinho de ovelha curado, e etc.

Mas o que me deixou encantada foi aquele ambiente quente, de simpatia, o silêncio, a penumbra.

Neste momento confesso que pensei na Fernandinha, na Guida e em certos passeios e brincadeiras, a cantar: "Disse pr'a mim, ó Tavares! Se esta pipa fosse nossa!"

Aqueles tectos de pé alto, tectos em traves de madeira, as paredes caiadas de branco, onde se perfilavam, encostados a elas, odres de barro (ânforas? bilhas? pipas?) gigantescos de uma elegância e proporções extraordinárias, cheios de vinho.

Imaginei também a frescura nas tardes de Verão alentejanas...

Lá ao fundo, agora, duas ou três pessoas falam ao balcão com o Sr. António Gato.
Tínhamos acabado de comer e fui lá dentro, às traseiras da casa, ter com a D. Joana e ver o quintal.
Fiquei espantada com os limoeiros, cheios de limões gigantes, e com as florzinhas perfumadas a rebentar nalguns ramos.

O que me tem acontecido ver de há uns tempos para cá: os rebentos das árvores de fruto começam a vir fora, rebentam cheios de força, mas parece-me que cedo de mais...

Lembro os versos do poeta Camilo Pessanha:

“Floriram por engano as rosas bravas (as flores do limoeiro...neste caso)/
no Inverno, veio o vento desfolhá-las...”

O Inverno ainda aí anda e vai durar. O que vai ser das florzinhas do limoeiro da D. Joana?


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Passeio pelo Sabugal, a convite de amigos

a "Casa do Castelo", no Sabugal

Convidados por amigos, Natália e Romeu, fomos de passeio até ao Sabugal. Dias frios esses, mas essa manhã foi excepcionalmente bela.
Um sol brilhante, céu azul, enfim, tudo o que é bom num passeio.
Muitos anos antes estivera por ali e lembrava-me de um restaurante que nos servira tanta comida que -vinda de Itália, onde se come bem e muito- fiquei de olhos em bico.
Agora voltava. Continuo a pensar que se come muito –e bem”- no Sabugal.
Desta vez na Casa do castelo onde a bela e gentil castelã Natália Bisporecebe com classe e tem sempre a mesa posta para quem chega.


A Casa do Castelo é uma fabulosa caverna de Ali Babá, onde se encontra um pouco de tudo, misturado com uma quantidade de livros.
Na cave, onde está a sala de jantar, há mesmo uma ara judaica (Aron Hakodesh)autêntica, metida no granito da parede.
Aron HaKodesh


O Sabugal, a região em volta, é uma zona de cristãos novos e de "marranos" (os cristãos
que mantiveram, às ocultas, a sua antiga religião, a judaica).

o terreiro e a feira

No terreiro havia feira e alguns feirantes mostravam o seu artesanato, bric à brac, ou peças antigas.
Não resisti: comprei um tacho de barro (em segunda mão...) porque adoro o arroz feito no barro e levado ao forno, para acabar de cozer.

o tachinho de barro, já na minha cozinha, ao pé de um tabuleiro com embutidos de "amoreira" feito pelo Sr. Fonseca, em S. Tomé.

Acho que o que mais gosto de cozinhar é o arroz! (E, já agora, as massas italianas “vício” de 15 anos em Roma...)


Continuando... Foi o Sr. João, um senhor de olhar azul de grande nobreza, que me vendeu o tacho, mais uns pratinhos de Sacavém de florinhas azuis.

As casas de pedra, feitas de granito cortado em cubos, com o fumo das chaminés saindo perto das telhas.

As ruelas empedradas de casas pintadas de branco ou de pedra solta, algumas varandas ao cimo da escadaria sem protecção, tudo parece acabado de talhar na montanha.O castelo via-se imponente, ali ao lado.
Parecia-me impossível ter à minha frente um castelo medieval, tão verdadeiro, tão bem conservado, saído quase me parecia de um filme dos Monthy Python! Ou de Sir Lancelot do Lago! E lembrei-me de pôr esta tapeçaria...

tapeçaria com imagem medieval, Tapeçarias de Portalegre

Linhas sóbrias, ameias recortadas, portas de madeira onde os cavalos entravam em correrias...

Entrei também. As escadarias de pedra, sem apoio, vendo na vertical lá em baixo, girar, vertiginosamente, o terreiro.

Mais escadas, agora de madeira, que vão subindo e girando, quase em caracol, agora com um corrimão onde me agarro com força.

E continuo a subir.
Um lanço de escadas. Outro.
A paragem necessária para descansar e o espanto ao olhar para fora: a beleza do local, a paisagem era de cortar o sopro.

Mais um lance de escadas. Quantos foram?

De repente, para sair para o exterior, tive de baixar a cabeça para não bater na pequena porta que abre na muralha.


E, do lado de lá, o céu!
As terrinhas em redor, em baixo, as árvores, o rio, as serranias em volta.

Sei que depois grande parte das escadas desci-as mais ou menos sentada, do que em pé, com medo das vertigens.

Regressámos à Guarda, noite entrada, acompanhados pelos amigos. O jantar fora também óptimo, para não falar da companhia.

O condutor, o amigo Romeu, guiava com cuidado nas estradas estreitas e com curvas, onde a geada da noite começava a prender.

De repente, o termómetro marcou 3 graus e, um pouco mais adiante, baixou para 1 grau.

A Praça Velha esperava-nos gelada, deserta, belíssima. Respirar aquele ar frio fazia doer o peito.
Na manhã seguinte, a neve começou a cair e foi um nevão fantástico! Em poucas horas a neve cobria a cidade com mais de dez centímetros.



Os pés enterravam-se, os carros começaram a deslizar, descaindo nas subidas, um pouco desgovernados.
Espectáculo lindo, único, irrepetível.
Conseguimos apanhar o comboio para Lisboa, nessa tarde, quase por milagre.
Milagre que outra amiga conseguiu...
Sempre os amigos!
Aqui ficam mais fotografias para vos abrir o apetite de irem até ao Sabugal. E à casa do Castelo ver a castelã!