quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Recordando... Selecção de rugby de Montalegre!


Ainda se lembram desta "selecção" caseira?

Pois eu lembro-me e tanto procurei que os encontrei no youtube!

Inspirados nos "Blacks" da Nova Zelândia, chamavam-lhes a Haka Barrosã...

Só o filme dos Blues Brothers me faz rir assim tanto!

Vejam bem e respirem fundo depois disto: bom humor e desporto não fazem mal a ninguém!

Dizem... os de Montalegre! E têm razão...

Bom dia para todos!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Histórias de Mulheres: uma amazona da Ucrânia

Zinaida Serebriakova, camponesa deitada


É uma mulher forte e ainda bonita, de pele muito branca e olhos azuis e alegres. Tem os cabelos de um loiro-acinzentado enrolados no alto da cabeça, com farripas despenteadas sobre as orelhas.

Como certas figuras de camponesas da pintora russa Zinaida Serebryakova. O mesmo rosto de malares altos, os cabelos sedosos e claros.

Imagino-a, jovem, com os cabelos loiros e coroada de flores.
Marie Laurencin, jovem com flores


Chama-se Maria, mas costumam chamar-lhe Masha, disse-me.

Faz-me pensar em certas figuras de Toulouse-Lautrec no modo de se pentear, no modo resignado e desafiador de olhar, no modo suave e ao mesmo tempo enérgico como move o corpo, enquanto trabalha duramente.
Toulouse-Lautrec


Ri, sempre, e os olhos ficam pequeninos, acima dos malares eslavos. Pelos movimentos e pela atitude independente, lembra-me uma amazona, sem cavalo, claro. Parece uma mulher guerreira, persistente e corajosa, sempre em luta com os obstáculos que a vida lhe vai pondo em frente. Sempre avançando, nunca pensando em desistir fosse do que fosse.

Gosta muito de dizer: “tudo tem de se arranjar, Maria João!”
E é verdade para ela.
Vamos falando.


Trabalha na minha casa como mulher a dias e nunca a casa brilhou tanto como quando Masha acaba de a limpar.
Nasceu em Lviv, na Ucrânia, perto da fronteira com a Polónia. Mulher de coragem e grande capacidade inventiva, resolve todas as situações que se deparam.


Assim, arranjou-me já um sofá cujo pé mancava, concertou um banquinho que precisava de uma trave lateral para se aguentar, e mudou todos os fios dos quadros que tenho na parede e ameaçavam cair, depois de uma gravura do Hogan ter caído e os vidros ficarem espalhados pela sala toda.

Vamos falando.

Dos filhos, já grandes, que vieram pequenos ainda da Ucrânia. Do marido que só sabia beber.

Zinaida Serebriakova, camponeses


Contava as horas infindáveis que trabalha hoje para poderem viver decentemente os três.
- Um já me ajuda com dinheiro, é jardineiro. O mais novo é que é um malandro, está na escola e não estuda...
Espanto-me a ouvir o seu português, quase correcto, até com as expressões populares. Gosta muito de dizer, quando protesta: “isso é que era bom!”

Quando lhe pergunto:
- Como é que pode trabalhar tanto, Masha?, responde apenas: “quem não trabuca, não manduca!”
E é verdade. Por isso vai de casa em casa, no seu carro muito velho que lhe prega as maiores partidas.

Um dia levou-me a dar uma volta e nunca tive tanto medo!

Porque ela guia como trabalha: a toda a velocidade. Quase sempre em primeira, segunda, “para o carro não se ir abaixo”, ia explicando ela, enquanto eu me encolhia agarrada ao cinto de segurança.

Nunca fala das suas dores. Doente, não se trata porque não tem tempo para perder nas consultas. "Quem não pode, não está doente!"

- Só o tempo que tenho de esperar para ir buscar a “guia”, perco um dia!

E se vai aos médicos particulares (escolhe sempre os russos), levam-lhe muito dinheiro.

Falamos, falamos sempre...
Das florestas da Ucrânia, do cheiro dos pinheiros e da beleza das bétulas e dos olmos, dos arbustos perfumados, da paisagem maravilhosa da sua terra.

Do marido alcoólico que morreu, há poucos meses, lá na terra.
Conta-me:
"Tinha recebido pela primeira vez a pensão, convidou os amigos para beber e por ali ficaram toda a noite".

E comenta, encolhendo os ombros:
"Era só o que ele sabia fazer..."

E morreu no dia seguinte.

- Estás a ver o azar, Maria João, agora que ele ia ter um dinheirinho e podia ajudar os filhos, morre! Nem deu para nos mandar nada...


Indignada, acrescentou:
- Pelo menos aos filhos.

Morreu gasto, e envelhecido precocemente, com pouco mais de cinquenta anos, contava.
- A sorte dele foi morrer...
Fiquei espantada.
- Por quê?
- Porque, se não, ia gastar tudo outra vez e lá tinha eu que lhe continuar a mandar!

Estavam separados há muitos anos. Tinham vindo juntos, saindo de uma Ucrânia em convulsões onde tudo se tornara difícil.

Ele trabalhava numa fábrica.
- Foi o que lhe valeu, ainda teve essa reforma... O pequeninho (diz sempre assim) ainda vai ter direito a uma parte, até aos 18 anos. Só que já só faltam dois anos...

Ela tivera um restaurante que falira "porque o sócio era desonesto", explica, com muitos gestos e irritada.
- Roubou-me tudo, Maria João! Eu vivia bem. Cozinhava, tinha muito que fazer e muita responsabilidade, mas era meu!

E falava da mãe que tinha uma boa casa.
- Cheia de coisas boas... Toalhas de linho bordadas. Loiças boas.

Encolhe os ombros e diz simplesmente:

- Tivemos que partir.
Partiram. Para Espanha, onde ficaram poucos meses, depois para mais longe ainda, para Portugal.
- É gente mais agradável. Não gostei dos espanhóis.

Muitos anos já passaram desde essa primeira viagem.
O marido voltou para a Ucrânia poucos anos depois. Ela ficou. Só vai lá quando consegue juntar o dinheiro para as viagens dos três.
- Foi viver para casa da minha mãe. Sempre com a garrafa de vodka à mão. A beber até cair para o chão... Agora acabou-se.
E faz um gesto com a mão, como se deixasse cair alguma coisa.
Zinaida Serebriakova, esboços de mulheres


Os olhos dela abriam-se, com aquela imagem.

Uma certa nostalgia neles.
- Eu fiquei por cá. Ele não me servia para nada... e sempre era menos uma boca a comer.
Falava com o mesmo tom doce, mas dolorido, irónico.

E logo desatou a rir.
- Tac. Sim, é a vida, Maria João...
Às vezes contava os dias sempre iguais, a trabalhar. Logo às 8 da manhã, num café de um colégio, depois de casa em casa, até às 10 da noite.
- E depois? Ainda tem os seus filhos...
- Eles arranjam-se. Ou faço qualquer coisa a correr. Tenho é de preparar o almoço para o dia seguinte.
- E quando é que dorme?!
- Eu não durmo nunca.

Riu-se.
- Não consigo dormir. Não tenho sono.
- Isso não pode ser. Faz-lhe falta dormir!
- Oh! Depois de comer, às vezes, encosto-me em cima da mesa e então é que durmo...

Sai vermelha, suada, mas sempre com o mesmo sorriso bom.
Como estive doente, habituou-se a dar-me um grande abraço e desejar-me “saúde, Maria João”!
Penso nela e lembro-me de uma frase que ouvi há pouco num consultório:
“A vida atraiçoa a gente!”

A felicidade pode ser tanta coisa! Stan Getz "Here's That Rainy Day" e um poema de Sophia Mello Breyner


SOPHIA MELLO BREYNER

Felicidade

Pela flor pelo vento pelo fogo

Pela estrela da noite tão límpida e serena

Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo

Pelo amor sem ironia - por tudo

Que atentamente esperamos

Reconheci a tua presença incerta

Tua presença fantástica e liberta


Obrigada, Ana!




sábado, 17 de setembro de 2011

Duke Ellington, Mingus e Max Roach, "Money Jungle"




Há 49 anos Duke Ellington, o baixo Charles Mingus e o baterista Max Roach gravaram o álbum “Money Jungle” (1962)
Ouçam esta música especial.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Uma pintora entre os surrealistas: Leonora Carrigton

Leonora Carrington, pintora e romancista britânica, nasceu em 6 de Abril de 1917 numa pequena cidade do Lancashire no Norte da Inglaterra, chamada Chorley. Chorley









O pai era de ascendência anglo-irlandesa e a mãe, irlandesa.

Viviam bem. Tiveram várias casas senhoriais, primeiro viveram em Westwood, depois na mansão de Crookhey Hall, que ela imagina como um local tocado pela magia e mistério.

Mais tarde, mudam para Hazel Wood.



Ficavam todas no meio da floresta, como num conto de fadas. A esse imaginário acrescenta-se a nurse irlandesa que lhe contava contos e lendas, muitas em gaélico.
Nos bosques, havia cavalos e liberdade.
Naqueles sítios, passou Leonora a sua infância e desenvolveu a fantasia.


Leonora Carrington, "peixe vestido"


Visitava frequentemente a avó na Irlanda, foi onde descobriu as suas raízes celtas que ainda mais lhe alimentaram o espírito imaginativo.


Um dia decidiu que queria ser artista, criando um desentendimento com o pai que admitia que ela fosse tudo, menos artista!


Leonora era, porém, um carácter forte e sentia que não fora feita para viver uma vida de sociedade. Convence a mãe a deixá-la ir para Itália estudar arte.


Vai para Florença onde frequenta um curso de pintura na Academy of Arte de Mrs. Penrose, colégio para jovens inglesas.


Florença foi uma experiência indelével que marcou Leonora na forma de aprender a pintura.
Ao voltar de Itália, segue para Londres.



Primeiro, estuda na Chelsea School of Arts e depois na Academy of Amédée Ozenfant.
quadro do pintor cubista Amédée Ozenfant



Um dia oferecem-lhe um livro de Herbert Read sobre o surrealismo (Herbert Read Surrealism, 1936), com uma ilustração de Max Ernst. Foi assim que descobriu o surrealismo.
o quadro de Max Ernst, "deux enfants et un nightingale", que impressionou Leonora


Em Londres, em 1936, encontra M. Ernst na International Surrealist Exhibition e é-lhe apresentada. Em 1937, volta a encontrá-lo, numa viagem que fez Paris.




quadro de Max Ernst



Frequentam um grupo de intelectuais com os mesmos interesses e que pertenciam a um tipo de pessoas que podiam entender a pintura que Leonora fazia.



Leonora Carrington



Vão viver juntos para Saint-Martin-d'Ardèche. Além de Ernst, encontrou outros surrealistas como Tanguy, Breton, Arp e tantos outros.


Juntavam-se por vezes com André Breton, no Café des Deux Magots. Ali conheceu Picasso, Dali e outros que entraram para o mesmo grupo.
Max Ernst the bride of the wind


Ele chamava-lhe a sua "noiva do vento". Ele era o Loplop, um bicho estranho que era o seu alter-ego.
Leonora no seu trabalho debruça-se sobre o que sempre a encantara: o mágico, o místico e o misterioso.


Dali disse dela: “ a mais importante mulher artista”.


Mas este período idílico não vai durar. Ernst era judeu e acabou por ser preso. Leonora teve um colapso nervoso. Ela própria tem de fugir. Deixa para trás tudo o que pintara ou esculpira.


Mais tarde, Ernst consegue fugir e exila-se nos Estados Unidos.
Não voltam a encontrar-se.


Leonora consegue chegar aos Pirinéus com alguns amigos, mas tem novo colapso nervoso e vai parar a um hospital psiquiátrico, experiência horrenda na sua vida e que a leva a escrever dois livros: “Down Bellow” e “The Stone Door”.

Que falam do medo.

Vai viver para o México. É considerada como uma importante pintora, um dos pilares do surrealismo. Teve exposições em Nova Iorque, Cidade do México, San Francisco, Paris, Londres, Munique e Tóquio.



Os seus livros estão traduzidos em mais de 6 línguas.




Lutou - e venceu- uma batalha até ser considerada "como um indivíduo, como uma mulher e como artista", dizia ela.



Morreu no México em 25 de Maio de 2011.






Alguns títulos de livros:



The House of Fear - Ilustrado por Max Ernst
The Oval Lady- com ilustrações de Pablo Weisz-Carrington, seu filho








Homenagem ao inesgotável Woody Allen & His New Orleans Jazz Band - Swing Lullaby



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Yasmin Levy - Mal De L`Amor

Nasceu em 23 de Dezembro de 1975, em Jerusalém.

O pai de Yasmin, Yitzhak Levy era “cantor” (cantor na Sinagoga) e compositor de músicas judaico-espanholas.
Foi um pioneiro na investigação da longa e rica história da música e cultura em Ladino (ver
Ladino).
Yasmin Levy trouxe uma nova interpretação dessas canções medievais fazendo entrar nelas o seu estilo emotivo e o som mais “moderno” do flamenco andaluz e da música persa.


Ouçam esta voz fantástica: Yasmin Levy -" Gracias a la vida




Homenagem a Rolando Palma, viajante, fotógrafo e alentejano como eu...

Começou o verão... e o alentejo transborda de luz... foto de 2010

Mourão, Verão de 2011

Monsaraz, Verão 2011 (post do dia 9 de Julho).

Habituei-me a ir ver as fotografias de Rolando Palma, há muito tempo. Era o meu Alentejo que ele fotografava e me chamava.


Ele, de Elvas, eu de Portalegre a poucos quilómetros. Sempre, o Alentejo...

Outras vezes deslumbravam-me as fotografias das muitas viagens que fez, as coisas que viu e das quais soube descobrir os melhores ângulos, a cor, a luz.

A luz das coisas e dos dias ou da noite.

A simplicidade das linhas.
Uma certa forma de olhar...

Na sua última mensagem, em 9 de Julho, que ele intitulou "o silêncio do verão", uma das fotografias chamava-se "parede".

É muito bela!
Rolando Palma: "parede" (post de 9 de Julho)

Tailândia

Zanzibar


Para quem quiser ver, deixo o blog de Rolando Palma. Não sei o que acontecerá a estas fotografias.

Era bom que fossem publicadas.

Penso que serão!
Mallorca
Canárias


Ignoro tudo da vida "real" de Rolando, só sei das suas fotografias e da sua sensibilidade...
Que admirei e admiro.

O Verão "a transbordar de luz no Alentejo" findou. Vai chegar o Outono...

Rolando Palma, Outono, 2010


Em memória de Rolando Palma , deixo um pouco dos céus do nosso Alentejo.