sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Leonardo em Londres!


Abriu no dia 9 deste mês, na National Gallery em Londres, uma exposição sobre a obra de Leonardo da Vinci.

Intitula-se  “Leonardo em Londres” e vai estar aberta até dia 5 de Fevereiro de 2012.

“Cientista, engenheiro, músico e grande artista, Leonardo é o arquétipo do homem do Renascimento. Génio indiscutível, que viveu até aos 67 anos, foi também um dos mais completos autor de “inacabados” da história.
Começou projectos que nunca terminou, aceitou comissões que nunca iniciou muitos dos tratados planeados foram apenas apresentados. Só dezoito das suas pinturas sobreviveram.”

(Na revista "The Economist",  de 12-18 de Novembro - artigo não assinado)

Dessas dezoito, nove vão estar expostas na célebre Galeria da Trafalgar Square.

Todas as pinturas expostas são do período em que o pintor viveu em Milão. 


Há também cerca de 55 desenhos, incluindo o monumental “A Virgem com o menino, Santa Ana e João Baptista” (ver acima).

A única que não veio –diz ironicamente o autor do artigo- foi  "A Última Ceia” porque foi pintada na parede.”

                                                 ("A Última Ceia", fresco pintado entre 1495 e 1519)

O artista nasceu em Florença em 1452, e foi viver  para Milão aos 30 anos. Morre em França, agora protegido do Rei François I, em Amboise,no ano de 1519.

“Pintor da corte de Ludovico Sforza, duque de Milão, aproveitou a imensa liberdade de que gozava para revelar ainda mais o seu génio. Ludovico Sforza, duque de Milão, foi a chave que abriu o seu génio”.
(Retrato de Ludovico Sforza por De Predis)

Ali vai viver dezoito anos da sua vida, a maturidade.

A Exposição apresenta-se sob um arranjo “temático”: Beleza e Amor; Carácter e Emoção; Corpo e Alma.

Continuo a ler o artigo:

“Depara-se, à entrada, ao visitante, a presença das duas “versões” da conhecida "Virgem dos Rochedos", uma que pertence à National Gallery e a outra pertencente ao Museu do Louvre. As duas estão penduradas nos dois  lados opostos da ampla sala. Quanto mais se olham, mais as diferenças são evidentes (...)”.

(pintada entre 1483-1486, Museu do Louvre)
                                                 
                                                              (pintada entre 1495-1508, National Gallery)

Outro dos pontos fortes da Exposição é o "Retrato de Senhora com Arminho", que representaria, segundo a história, a jovem amante do duque de Milão, a bela Cecilia Gallerani (1), com um vestido de veludo vermelho, debaixo de cujas mangas aparece um outro indumento claro.
(pintado cerca de 1489, o quadro pertence ao Museu de Cracóvia)

Igualmente, estará presente o retrato da mulher do duque Ludovico o Moro, Beatrice d' Este, pintado por Leonardo.



(Beatrice d'Este, Duquesa Sforza)

Termina citando um grande ensaísta e crítico de arte inglês do século XIX, Walter Pater, sobre a obra de Leonardo: “ a realidade que quase se aproxima da ilusão. ”

(1) A bela Cecilia deu à luz um filho seu, que foi chamado Cesare, em 3 de Maio de 1491, no mesmo ano em que Ludovico casara com Beatrice d' Este, em Janeiro.


O retrato de outra das amantes do Duque, Lucrezia Crivelli (La bella Ferroniera), atribuído erradamente durante séculos a Leonardo, afinal da autoria de um dos seus seguidores, foi vendido no ano passado num leilão por 1m,5 $. 


Música sempre! Eberhard Weber: "The Following Morning" (1976)


música...e o pintor russo Shinskin

Billie Holiday (e amigos) - "On the sunny side of the street"

Billie Holiday e Ella Fitzgerald

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um poema de amor, de Eugénio de Andrade... E Chagall!

Os amantes sem dinheiro


Tinham o rosto aberto a quem passava
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão. Tinha como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados. Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos,
mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços. 


(Eugénio de Andrade, Os amantes sem dinheiro)

Um poema triste de Eugénio de Andrade


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade