quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Parto! Mas volto...


Pois é, vou partir e vou contente porque vou rever Roma. Mas voltarei! 
Degas, café-concert

Vozes dizem por aqui - as más-línguas-  que vou ficar desconectada, que nem pensar em cyber-cafés nem nada. 

Talvez...
Capela Sixtina

Depois trago coisas para contar porque em Roma acontece muita coisa!... 

E vou falar de outros assuntos: o filme Gerónimo, de Walter Hill, o escritor egípcio Mahfouz...
E o italiano Primo Levi...
 E tantos outros!
Para Roma, levo, evidentemente, comigo, o Ratinho e o Ouricinho! Era o que faltava que eles não fossem. Ficaram tão contentes.

Até à vista!

Recomeçar (para uma amiga que falou de Sísifo) e o poema de Miguel Torga.


o Sísifo, pintado por Tiziano

Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só
metade.


E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga in Diário XIII

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Todos diferentes? Todos iguais! Todos somos seres humanos: a única raça! l



Encontrei no blog "cozinha dos vurdóns":

O programa de "AÇÃO AFIRMATIVA BRASIL ROMANI – EU SOU "– acredita:

Num país que respeita os seus,
Crê num mundo que reconheça seus filhos,
E deseja que os homens que se enxerguem entre si,
Que as Mulheres se reconheçam e sejam reconhecidas;
E espera que as Crianças comunguem o direito a inocência e a infância.

 Eu também acredito! E luto com vocês, minhas amigas dos "vurdóns", porque acredito que isso há-de acontecer um dia e a Utopia nunca morrerá! Oprá romá! Eu também sou cigana!

Paolo Ucello, uma das virtudes: "A Esperança"

Agradecer...


Como agradecer a amizade? Não se deve, não é preciso, é um sentimento que fica connosco e basta.

Mas não posso deixar de trazer aos meus amigos "virtuais" e "reais" uma palavra: Obrigada!


Por um dia, senti-me importante no coração de alguns. Tive prendas bonitas, prendas grandes, prendas simples, muitas mensagens (algumas até já passava da meia-noite...) e fui feliz. 

Houve quem tivesse a paciência de fazer um "fascículo" e encadernar a 1ª história do Ratinho Poeta!



Houve quem me oferecesse uma flor logo de manhã, e sorrisos ao telefone, um tiramisu feito por uma verdadeira italiana (de Palermo!).





Houve quem me oferecesse livros que eu desejava ler, houve quem me desse a agenda 2013 mais linda, cheia de gatinhos coloridos, e quem me mandasse postais únicos, escolhidos para me dar prazer, e que me oferecesse imagens efémeras...




Eu acredito nos sentimentos,

Eu acredito que não é a mesma coisa uma palavra de encorajamento ou uma palavra fria,

Eu acredito que é importante dizer "bom dia" mesmo que saibas que não te respondem,


Eu acredito que vale a pena sorrir para alguém que traz a amargura na boca, e te olha sem te ver, num esgar de sofrimento ou de ódio, que é afinal a dor de estar sozinho,

Eu acredito que é bom rir às gargalhadas, em vez de nos queixarmos o dia todo,


Eu acredito que odiar é um sentimento menor e amar e perdoar são sentimentos maiores,

Eu acredito que ajudar é melhor do que encolher os ombros e pensar: "para quê?"

Eu acredito que mais vale responder com um sorriso a um insulto, porque é melhor que transmitas a essa pessoa uma força positiva e o teu sorriso vai surpreendê-lo...

Porque o que é positivo no teu olhar, na tua "empatia", tem uma "energia" boa que se transmite aos outros. E eles precisam dela.

Porque eu acredito que nos outros há algo de bom, mesmo escondido,


Eu acredito que os homens se podem "salvar"  na relação humana e que não há "danados", porque se houver um Deus ele será só de amor... 

Ou, então, não há nada do lado de lá...


Eu acredito que se tu sorrires, de manhã, alguém te devolverá o sorriso nesse mesmo dia, do lado de lá do oceano,

Eu acredito que cada dia pode ainda trazer a alegria e que não devemos desesperar, porque os outros são a nossa possibilidade de alegria,

Eu acredito que é melhor ser magoado que magoar, e quero antes parecer parva aos olhos de todos- mas ser justa.


Se acreditasse em Deus, este seria o meu "credo"... E quem diz que não existe um Deus?

Ontem foi um dia feliz na minha vida. 

Cresci um ano mais. E lutei nesse ano contra coisas do destino muito duras. 

E não estive sozinha: "senti" um soprozinho sempre ao meu lado, as vozes de amigos vivos e dos desaparecidos, que não se calavam, e que me vinham sussurrar de noite ao ouvido, e que me impediam de desesperar. 

o meu cão Zac

E me cantavam, na manhã seguinte, à porta do quarto ou ao telefone, quando eu olhava pela janela, e me apetecia chorar.

Cresci. Aprendi um pouco mais. Mas sem os meus amigos, tudo seria mais difícil...

Por isso tudo em que acredito, eu digo obrigada! Porque no que eu acredito, foram os outros que me fizeram acreditar... 

E eu guardo a esperança acima de tudo.


Como diz o Rabí Nahman de Breslau: 

"Mais vale ser louco e acreditar em tudo
Do que ser um céptico que não acredita em nada,
Mesmo na própria verdade..."

BOM DIA com Pino Daniele - "I Got the Blues..."


Uma certa melancolia que vem depois da festa... Hoje já sou mais velha!
"I got the Blues... "

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Romanidade, um conceito eterno como Roma! E a canção "Quanno Chiove... E Roma" de Pino Daniele, o napolitano genial!...



uma gata no Outono...


Roma, Arco de Tito Trajano (106-113 d.C)


ROMANITÀ

Un giorno, una signora forestiera,
passano cor marito
sotto l’Arco di Tito,
vidde una gatta nera
spaparachiatta fra l’antiquità.

-  Micia che fai? Je chiese e jebuttò
un pezzettino di biscotto ingrese;
ma la gatta, scociatta, nu’ lo prese
e manco l’odorò.
E disse, cor un’ aria strafottente:
- Grazie,  madama, nun me serve gnente:
io non magno che trippa nazzionale!

Como traduzir o intraduzível? Se já do italiano nunca seria fácil traduzir uma poesia, como fazê-lo do “romano” ou melhor do “romanesco”, língua sagrada de Roma, dos bairros populares, língua do povo de Roma?!

a gata senhoril...

Conto apenas a história desta poesia.


Um dia, uma senhora forasteira,
Passando com o marido
Sob o Arco de Tito,
Viu uma gata negra
Ali estendida no meio da antiguidade.

- Gatinha, o que fazes?- perguntou  e deitou-lhe
um pedacinho de bolacha inglesa;
mas a gata, aborrecida, nem lhe tocou
e nem sequer a cheirou.
E disse, com ar de arrogância:
- Obrigada, madama, não preciso de nada:
Eu só como tripa nacional!”


O poema é de um autor que nasceu em 1873 3 morreu em 1952, em Roma. Chamava-se Augusto Jandolo e foi um antiquário erudito com estúdio na conhecida Via Margutta, a dos artistas. Em 1939, fundou o grupo dos “Romanisti” (os Romanistas).

Roma é a Roma Imperial sempre, passados os séculos. 

Lá está sempre imponente a Ara Pacis de Augusto (9 a.C.), no Lungotevere, ou o Foro Trajano com a sua maravilhosa Coluna (106-113 d.C.) esculpida em mármore branco e o belo Arco de Tito Trajano (também de 106-113 d.C.).


A Ara Pacis
A coluna de Trajano no Forum Romanum

pormenor do Arco de Tito: Jerusalém

Este é um poema verdadeiro que mostra a faceta “romana-imperial” dos romanos: Roma é Roma e os romanos não precisam de nada (gnente-niente!). 


E fora de Roma, aliás,  não há nada!

O os gatos habitam a Roma antiga como se algo de imperial tivesse permanecido neles.~


gatos imperiais...


o gato Laurentino com a Gui, no nosso jardim de Roma

a gata romana,Timmy, ao colo do Diogo...

A Romanidade de que fala o poema conheci-a bem, pois vivi nessa cidade fora do mundo... Sim, porque há Roma e depois vem a Itália e depois a Europa e depois o Mundo. 

Praça do Capitólio

Têm razão os romanos : há Roma e o resto é  “fôra” que significa “fuori” em italiano e “fora” em português...

Tudo é diferente: o tempo que passa, o ritmo das gentes, la dolce la quieta vita que se vive (ou se vivia? será que o romano já se agita? já corre?)...

Como dizia outro poeta "romanesco" de nome  Attilio Cerrutti (nascido e 1909 e que começou a escrever poemas em 1954), em Roma há sempre una piazzetta solitária onde se pode ter "a fantasia" de respirar um pouco de ar fresco, em qualquer momento!...

"C'è sempre 'na piazzetta solitaria
dove te puôi levà' la fantasia
de respirà' na bocatella d'aria!"

E há o Romano na sua arrogância especial, no seu menefreghismo (o intraduzível sentimento de "estar-se nas tintas para tudo"), na sua generosidade que nunca aceitará nada sem logo dar em troca... 

Piazza Navona

E que não precisa de nada, nem do mar, nem da montanha: basta-lhe Roma, la sua Rometta! 

E esta Rometta tem tanta coisa bela!!!
o interior do Panthéon (construído pelo cônsul Agrippa em 27 a. C. sobre um templo pagão)


Quadro de Giovanni Panini, século XVIII

O Panthéon de Roma, na Piazza della Rotona

É esta a filosofia romana, independente e orgulhosa e por vezes irrespeitosa...mas sempre, sempre generosa!
estátua "colossal" de Constantino

A canção de Roma: "Roma, nun far la stupida stasera...", cantada por Mina e Nino Manfredi.

http://youtu.be/XrOi4zoOTTk

E mais umas canções de Pino Daniele, napolitano mas de coração "romano" com certeza...