sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Neste domingo proponho-vos ouvir Sidney Bechet e a maravilha que é a canção "Petite Fleur" ( the Olympia Concert Paris, December 8, 1954)




Sempre gostei muito de Sidney Bechet. Depois do filme de Woody Allen, Midnight in Paris, e de recordar "Si tu vois ma mère", decidi voltar a procurar a música fantástica dele!

http://youtu.be/YEnZLFyrvA0

Sidney Bechet nasceu na Nova Orléans, em 14 de Maio de 1897, e morreu em Paris e 14 de Maio (14 de Maio!) de 1959.

Clarinetista, saxofonista e compositor americano.

Foi um músico prodígio, nascido numa família crioula. Em 1917 foi viver em Chicago para tocar com dois famosos “exilados” Freddie Keppard (trompetista) e Tony Jackons (pianista).

Começa como solista na Southern Syncopathed Orchestra dirigida pelo maestro Will Marion Cook.

Depois acompanha a orquestra de Cook a Londres. Ali descobre o saxofone soprano, um instrumento com o qual pode facilmente do que no clarinete realizar o “vibrato” – que é a sua marca.

Sobre ele disse outro maestro suíço, Ernest Ansermet – que várias vezes o ouviu em Londres - "Nada se pode dizer sobre a sua arte a não ser que ele segue o próprio caminho... talvez o caminho em que o mundo “vai swingar” amanhã...”

Muitas vezes ouvi Mouloudji cantar esta canção num disco 45 tours, no meu gira-discos portátil. um Dual, que comprámos quando casámos - e que ainda tenho guardado...

http://youtu.be/n2xPGXDSQqI

Lembro (com falhas) a letra da canção:

"J’ai caché/ dans le fond de mon coeur/ une petite fleur/elle garde en secret/ tous mes rêves d’enfant/l’amour de mes parents/ et tout ces clairs matins/faits de souvenirs lointains".

Era mais ou menos assim que Mouloudji cantava. Encontrei também uma versão de Danielle Darrieux!

…Une petite fleur jamais ne meurt...

http://youtu.be/g5YdHiSpgHU

http://youtu.be/59zz2b7MZZg


Sidney Bechet - Si tu vois ma mère

Billie Holiday - Lets Do It (Let's Fall In Love) Cole Porter 1941

Billie Holiday, fotografia tirada do blog "Borboletas de Jade", que é um "especialista" dela...

A música de Cole Porter - "You're The Top"


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Revendo Woody Allen e "Os dias da rádio"

Hoje apeteceu-me falar de "Radio Days" (Os Dias da Rádio) realizado por Woody Allen, em 1983. Comprei o DVD há dias na FNAC de cascais (ainda por cima em promoção: 6,99 euros...).

Foi um prazer revê-lo! Voltar a sentir a ternura do filme, ver a luz "dourada", a "poeira de estrelas" que tudo envolve e que é a da sua nostalgia, recordando um pouco do que foi a sua infância.

Ri imenso, comovi-me e, no final, estava feliz - o que nem sempre acontece com os filmes que hoje se fazem...

A família ali unida (o que nem sempre acontece nos filmes dele, bem complicados emotivamente, o pai que não acerta com um emprego certo, à espera de entrar num grande negócio! E esconde ao filho que é taxista.

E o aparelho de rádio que segue a família há anos, imprescindível, e "sublinha" todos os momentos importantes da vida.
Os programas, o folhetim, os concursos... O percurso de Sally (Mia Farrow) no mundo da rádio...
E as mara
vilhosas canções de Cole Porter que ele escolhe, a graça da voz de Carmen Miranda...

Tudo visto através dum humor judio, auto-flagelador, que nos acompanha do princípio ao fim, mesmo nos momentos dramáticos.
A ideia da Guerra que se aproxima, o medo, a esperança!
Vejo o "miúdo", o ruivo Joe (o actor Seth Green), com os amigos, pela praia deserta, de binóculos, à espera de verem os submarinos alemães...

Os passeios com a doce e inesquecível Tia Bea, sempre apaixonada, sempre desiludida e sempre à procura do grande amor!

As idas com ela -e o apaixonado de serviço- ao cinema, a um concurso da rádio...

O deslumbramento de Joe perante todas as coisas...

Gosto de Woody Allen quase sempre, mas este filme e "Stardust Memories" têm alguma coisa de diferente, de melancolia e saudade de um tempo que foi bom, de um momento da vida que passou ... e sabe-se lá o que aí vem?!

Com a sua eterna hipocondria, e pessimismo, rodeados - por todos os lados- de psiquiatras e psicólogos, é o que muitos personagens de Woody Allen devem pensar: Sabe-se lá o que aí vem?

Mas ele continua a "criar" o mundo todos os dias...




NOTAS:

Os dias da radio é um filme americano de 1987, comédia escrita e dirigida por Woody Allen.

As décadas de 30 e 40 foram os momentos áureos do rádio Nos Estados Unidos. Inspirado por esse período, Woody Allen escreveu e dirigiu o filme Radio Days, que conta as lembranças de um garoto e sua família judia em Nova Iorque, durante a Segunda Guerra Mundial.

Woody Allen narra alguns episódios fictícios do tempo de ouro do rádio norte-americano, e também conta histórias, como se fosse o protagonista, relembrando sua infância permeada pelos programas de rádio da época.

Neste video a actriz que representa Carmen Miranda é Denise Dumont.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Amor que mata ou: "Antes de Adormecer", de S. J. Watson


Livro perturbante. Aterrador, por momentos. Nos quais, os sentimentos fundamentais da vida: amor, ódio e medo se cruzam.

E, no meio de tudo, o “suspense”.

Onde os meandros do amor e da morte, das situações doentias, do exacerbar de certas pulsões negativas se revelam lado a lado.

Amor que podia ser “Amor de Perdição”, já o Camilo dele falou...

A história é simples: Christine acorda todas as manhãs, jovem, ou criança, sem recordar nada do passado depois disso.

Acorda ao lado de um homem que não conhece.

Ele explica, calmamente, todo os dias com as mesmas palavras: que ele é o marido dela e que ela perdeu a memória depois de um acidente grave.

E explica mais: depois de vários anos de consulta a diversos especialistas, estadias em hospitais, casas de cura, até um hospital psiquiátrico – os médicos concluíram que era um caso sem cura.

A memória tinha sido atingida profundamente, pela pancada, pelo traumatismo. Tinha sido o marido que a tirara do último asilo e a trouxera para casa, conta ele. Abandona o trabalho por muito tempo, sacrifica tudo por ela.

Chama-se Ben.

Sentimos algo que nos disturba naquele discurso: que ele quer que ela não faça mais esforços para recordar, não quer vê-la sofrer, diz ele, “basta-lhe que ela acorde todas as manhãs e saiba que ele a ama e se sinta bem ao pé dele.”.

- Eu amo-te, diz ele.

E todos os dias ela acorda sem saber quem é, por que razão ele está ali. Só sabe que se julga jovem e todos os dias e, ao ver-se ao espelho da casa de banho, percebe que é uma mulher de meia idade, um rosto que quase não recorda.

O marido vai trabalhar desde que ela se tornou mais autónoma e deixa-lhe um papel na cozinha a indicar as tarefas a fazer, as horas a que volta, ou se vão jantar fora nesse dia...

E assim Christine vive o dia a dia.

Os seus sentimentos de jovem de 20 anos permanecem. Mas ao querer recordar, nada lhe vem à memória.

Vê as fotografias coladas no espelho e procura “decifrar” nomes, rostos, mas só percebe que muitas são dela, outras de Ben, mais novo nessa altura, que não reconhece.

Porque as poucas coisas que recorda durante o dia, o que vive nessas vinte e quatro horas, esquece durante a noite.

Um dia recebe o telefonema de um médico que não sabe quem é, mas que deve ter conhecido antes e diz chamar-se Dr. Nash.

Afirma conhecer bem o seu caso, gostaria de escrever um trabalho sobre o problema dela.

E diz que quer vê-la.

Vai encontrá-lo. Precisa de mais, confiar em alguém, porque o que o marido diz não lhe basta.

E ele dá-lhe um caderno onde ela anotará tudo o que for vivendo no dia a dia e o que recordar do passado.

E dá-lhe um telemóvel para poder falar-lhe quando quiser.

Todas as manhãs, nesse telemóvel, tem uma chamada do médico (uma voz que não reconhece) que lhe recomenda: “procure o seu diário”.

Quando ela se espanta: “que diário? Eu tenho um diário?, ele responde que vá ao armário do quarto.

“Leia o que escreveu para trás e escreva tudo o que lhe acontecer hoje.”

Durante o dia, sozinha em casa, ela escreve. Na manhã seguinte tudo passou e volta a mesma angústia.

Quem sou? Quem é este homem? Quem é a pessoa que me telefona?

'As I sleep, my mind will erase everything I did today. I will wake up tomorrow as I did this morning. Thinking I'm still a child. Thinking I have a whole lifetime of choice ahead of me .

Há uma “conquista” todos os dias, mesmo que ganha com sofrimento, dor, surpresa. E o medo de ter de recomeçar na manhã seguinte.

Mas o diário vai aumentando, as histórias ganhando forma.

Relendo de manhã o que escreveu, vai saber quem é, recordar um pouco de quem foi.

Surgem “flashs” súbitos do passado - que um cheiro, um gosto, um gesto, tal como a madaleine de Proust, lhe trazem: imagens, cenários, rostos.

Assim surge Claire, a amiga com quem tudo dividira na juventude, e que nunca mais tinha visto. Ou não se lembrava?

Não vou contar o resto, é claro. O livro vale a pena ser lido e não quero estragar-vos o prazer.

O seu autor, S. J. Watson sabe do que fala. Formado em Química, decidiu trabalhar apenas em Hospitais. Trabalhou anos no Centro Nacional de Saúde em Londres.

Bem conduzido, bem escrito, lê-se de uma ponta à outra em dois ou três dias.

Foi isso que eu fiz...

http://www.bookbrowse.com/biographies/index.cfm/author_number/2038/sj-watson

http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/books/reviews/before-i-go-to-sleep-by-s-j-watson-2277300.html

Publicado pela Editora Civilização, “Before I Go to Sleep” saiu no reino Unido em 2011 (Lola Communications)

O livro vai ser adaptado para o cinema por Ridley Scott. As filmagens deverão começar ainda em 2011.

Primeira lição: "Carpe diem": colham as rosas enquanto é tempo...


Lição aprendida: Cena final do filme "Sociedade dos Poetas Mortos"...


Bom dia, Professores!

Uma professora, e os seus alunos, em Londres. Por acaso, esta professora já foi minha aluna... Boa aluna!

capa do romance de Charlotte Brontë, "O Professor"

Bom dia, Professores!

Faço minhas as palavras de Philippe Claudel - em entrevista, há cerca e um ano, ao jornal Le Monde. Professor na Universidade de Nancy hoje, foi durante anos simples professor do ensino secundário.
Philippe Claudel é igualmente escritor e realizador de cinema, arte em que se estreou em 2008, com o filme "Il y a longtemps que je t'aime".

Tal como o professor de "Adeus, Mr. Chips" do filme - tirado do romance homónimo de James Hilton-, e realizado por Sam Woods, com a bela ruiva, Greer Garson.

Ou o "remake" que dele fez Herbert Ross (1969) numa comédia musical, com Peter O'Toole e a cantora Petula Clark.
Ou, ainda, o professor do filme "To Sir, with Love", (Para o o Professor, com Amor), de James Clavell (1967), com Sydney Poitier, que representa um professor negro americano, na Londres do bairro pobre do East End. Filme baseado no texto semi- autobiográfico de E. R. Braithwaite.

Para chegarmos ao magnífico, poético, terno e dramático filme "A Sociedade dos Poetas Mortos" (1989), do australiano Peter Weir, com Robin Williams, o professor que todos os professores/as gostariam de ser!

E que tanta nostalgia - e certa amargura- nos deixa.

Ou outros professores, na vida real,dura e crua de São Tomé, como o Professor João, que ensina na Escola do Riboque e ensaia os seus alunos no "Tchiloli", verdadeiro "entertainer" e cenarista...

E tantos dos meus amigos professores que se esforçam, lutam, e não desistem! A Isabel, a Luísa, a Helena, a Ana, a Amélia, a Alexandra (outra aluna)!

Diz, pois, Philippe Claudel:

“Deveríamos venerar os que transmitem o saber. E a coisa mais importante da história do mundo: não há humanidade sem essa transmissão. Quando uma sociedade não é capaz de reconhece o papel civilizador da educaçãp, e de compreender que tal função é essencial e que se deve exercer em condições satisfatórias, anda às avessas...”

De facto nos dias que correm em que a escola “deve” absorver todas as funções –de transmissora de saberes a educadora- são eles que ajudam a crescer os seus alunos, adolescentes que se interrogam, procuram respostas, querem saber mais, têm dúvidas e exigências.

Ou não têm nada destas curiosidades, e pouco lhes interessa estar ali, pintam as unhas, dizem "que seca", baixinho, e só esperam que a campainha toque...

Segundo a minha experiência e de tantos outros professores, esta é uma minoria!

E existe desde que o mundo é mundo...não piorou. Sou optimista!

Há os outros que julgam que sabem tudo, ou acham que eles é que têm razão. E os pais deles muitas vezes pensam o mesmo.

"Na sala de aula - continua- quem sabe é o professor e não o aluno. (...) Não é pelo facto de se navegar pela internet ou ver programas de divulgação na televisão que o aluno passa a saber tanto como o professor...”

Lá deve, pois, vir o professor ensinar, educar, encontrar respostas...

E ser “inovador”, “motivante”, um “animador” do espaço da aula, uma espécie de "entertainer", actor em cena, quantas vezes "domador" em jaula...

Além de “sabedor”.

Tarefa evidentemente dura e difícil.

Tanto mais que o número de professores diminui, as turmas aumentam o número de alunos.

E os tais professores têm -quantas vezes- de andar de terra em terra, ou "cair" no desemprego... e emigrar. Qualquer dia vêmo-los trocar com os emigrantes ucranianos, na busca de um lugar ao sol!

Coragem, Professores!

Mais sobre Philippe Claudel: http://www.guardian.co.uk/books/2011/may/01/monsieur-linh-child-philippe-claudel-review


Música no feriado: Aretha Franklin canta "Think" (Blues Brothers de John Landis)



Aretha Louise Franklin nasceu em 25 de Março de 1924. É uma cantora e compositora de canções e também pianista. Diria que é actriz pois me lembro bem dela no inesquecível filme de John Landis, "The Blues Brothers" ...

Conhecida pelos discos de soul – chamada a Rainha do Soul, Aretha Franklin é também adepta de jazz, E&B e música gospel.

Ouçam a maravilhosa Aretha!

http://youtu.be/Eto2urJTKno


Parabéns, Cozinha dos Vurdóns!



“As montanhas não se encontram, mas gente sim...”, ditado cigano.

Latcho Drom! Bom caminho, sempre, à vossa frente. Cheio de água pura, de luar, de noites e de dias cheios!

Parabéns, amigas, este vosso ano de vida encheu muitas almas! Obrigada por este encontro todos os dias, pela enorme humanidade, pela generosidade, pela exigência!

Nais Tuke!


domingo, 2 de outubro de 2011

A PENA DE MORTE? NUNCA MAIS!



quadro de Pisanello

Não à pena de morte!


"No Sudão, o jovem Alphonse Kenyi está na última ala da prisão de Juba, reservada aos condenados à morte, preso desde 2009. Foi condenado por assassinato múltiplo quando tinha só 14 anos. Acusaram-no de ser membro de uma banda que andava pela cidade e matava pessoas – os chamados “niggers”. Está no corredor da morte, desde Outubro de 2010, condenado a morrer na forca. O jovem afirma: “nunca dissi ao juiz que matei alguém...”





Vinha no El país, de ontem.

Como bem se lembram, há dias, foi condenado à morte, e executado por injecção letal, na América, na prisão estatal da Geórgia, em Jackson, Troy Davis, de 42 anos, apesar da mobilização do mundo inteiro.

Troy Davis foi condenado pelo assassinato do agente da polícia Mark Allen MacPHail e a acusação baseava-se principalmente em declaração de testemunhas. Ele negava ter cometido o crime.


Estava preso no corredor da morte desde 1991 e havia sérias dúvidas sobre a sua culpabilidade.


E se estivesse inocente?


Há muito pouco tempo foi libertado no Reino Unido um cidadão, preso durante 32 anos, que estava inocente!


Como não ter vergonha da espécie humana? Os homens matam por "dá cá aquela palha", sem perdão nem dó.


Por raiva, ódio, intolerância, ou apenas indisposição naquele dia.

Ou porque não gostam dos pretos, amarelos ou vermelhos.

Ou apenas "porque sim"...


Ilegalmente, é certo.


"Legalmente", também muitos países continuam a matar... Com a pena de morte.


Portugal foi o primeiro Estado moderno da Europa a abolir a pena de morte.


Actualmente a pena de morte é um acto proibido e ilegal segundo o Artigo 24º alínea 2 da Constituição Portuguesa


A última em território português execução remonta a 1846. A pena de morte foi abolida no reinado de D. Maria II, no ano de 1852, para os crimes políticos.



Confirmada, para crimes comuns , por seu filho D. Luís, em 1867.

No Brasil, desde 1878 que o Imperador D. Pedro II comuta as condenações à morte em penas perpétuas.



Mas ainda há muita estrada a fazer!



Recordo-me bem da batalha de Robert Badinter - que muito admiro-, em França, para abolir a pena de morte.


Conseguiu-o em 1981 ! Acabou com a bem tristemente famosa guilhotina...


Robert Badinter nasceu em 30 de Março de 1928 e é um advogado criminalista, professor do ensino superior, hoje senador pelo departamento dos Hauts-de-Seine.
Ficou conhecido pelo seu combate para abolir a pena de morte.


Membro do PS foi Ministro da Justiça e Presidente do Conselho Constitucional durante o governo de François Miterrand.


Em Novembro de 1972, depois da execução de Roger Bontemps, acusado de participar numa revolta na prisão de Clairvaux e de fazer 2 reféns, juntamente com outro prisioneiro, Buffet, que mata os reféns.


O júri condena os dois à morte apesar de Bontemps ser considerado inocente dessas mortes. Badinter foi o seu advogado e, furioso dessa condenação à morte, decidiu dedicar o resto da sua vida à luta pela abolição da pena capital.



Em 1981, Ministro da Justiça, sob o governo do Presidente Mitterrand, uma das suas primeiras acções foi a criação de uma lei abolindo a pena de morte para todos os crimes, aprovada após calorosa sessão do Parlamento em 30 de Setembro de 1981.

Há muita estrada a percorrer! Juntos.
Não à pena de morte!

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/224918.html
http://www.dhnet.org.br/direitos/penamorte/dalmodallari.html


de


The Kid - Charlie Chaplin

E poesia para o domingo: Gelsomina no filme "La Strada" de Fellini---Nino Rota

Ella Fitzgerald - September song


Um pouco de música romântica: Bing Crosby "Tea For Two"


sábado, 1 de outubro de 2011

Música no domingo! Miles Davis - Cool Jazz


Miles Davis - o Príncipe Negro - morreu há vinte anos : ouçam "Bye Bye Blackbird" (19'56)









Miles Dewey Davis Jr. Nasceu em Alton, em 26 de Maio de 1926 e morreu em Santa Mónica em 28 de Setembro de 1991.


Grande trompetista, compositor e bandleader de jazz, norte americano.

Foi considerado um dos mais influentes músicos do século XX e esteve na vanguarda de quase todos os movimentos de Jazz desde a II Guerra Mundial, até à década de 90.


Participou em várias gravações do bebop e das gravações de cool jazz. Fez parte do jazz modal e do jazz fusion.



Muitos dos grandes nomes do jazz fizeram o nome na 2ª metade do século passado nas "bandas" de Miles Davis, como Chick Corea, Herbie Hancock, ou John Coltrane.


Miles Davis toca com John Coltrane


Como diz Érico Cordeiro no seu livro "Confesso que ouvi", pg 381) : "Miles era aquilo que os americanos costumam chamar 'larger than life', um homem maior que a vida, mas encerrado no personagem que ele próprio criou - O Príncipe das Trevas- e do qual jamais soube se libertar. Segundo o crítico Kenneth Tynan: 'no movimento do jazz existem váris mansões, mas apenas qutro arquitectos: Charlie Parker, Duke Ellington, Dizzy Gillespie e Miles, o parceiro mais jovem. Estes foram os 4 cavaleiros do Apocalipse do jazz que começou nos anos 40 e acabou por transformar a música (...)' ."
Podemos discutir eternamente sobre qual dos 4 era o melhor, depende dos gostos, dos dias, do "mood"... de tanta coisa!

Até dos diversos álbuns: Kind of blue, Blue Moods, Somethi'n else (com o grande Cannonbol Adderley), Milestones...


capa do álbum Kind of Blue


"Nenhum outro músico de jazz despertou tanta admiração ou tamanho desprezo (...) Ninguém é capaz de ficar indiferente a Miles Davis e nem mesmo os seus mais renhidos adversários são capazes de negar que em qualquer lista dos 10 melhores discos de jazz de todos os tempos, ele consegue emplacar pelo menos dois ou três álbuns."

Miles Davis em 1984



Continua Érico C.: " Davis que não era um virtuose, tampouco era apenas um músico. Ele era o chefe, o patrão, o sujeito que com um único olhar ou um grunhido ininteligível enquadrava todos os caras da banda - fossem eles uma lenda viva como o Oscar Pettiford ou um quase iniciante como Herbie Hancock. Miles tocava de costas para a plateias que pagavam fortunas para lhe assitir, por um único motivo: porque podia fazê-lo!"


Passaram vinte anos que morreu o 4º cavaleiro do Apocalipse! É um dever recordá-lo... e sempre um prazer ouvi-lo!



(1) Cool jazz é um estilo de jazz surgido no final da década de 40, em Nova Iorque. Um de seus maiores representantes foi o músico Miles Davis. O estilo caracteriza-se por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica. Há mais espaços na música, ela é mais estendida, e menos notas são tocadas.

(2) Jazz fusion (às vezes simplesmente citado como fusion) é um género musical que consiste na mistura do jazz com outros estilos, particularmente rock 'n roll, funk, soul e rhythm and blues.











You're My Everything - The Miles Davis Quintet