terça-feira, 6 de outubro de 2015

Morreu o escritor policial Henning Mankell e o Inspector Wallander...

Outro romancista que “partiu”. Desta vez é a literatura policial que perdeu um dos seus autores. 

Henning Mankell nasceu, em 1948, na Suécia e, depois dos estudos, começou por se interessar pelo teatro. 
Foi romancista e dramaturgo, com peças representadas no seu país. Mas é como escritor de livros policiais que mais se distinguiu. 
Sobretudo depois da série televisiva do Inspector Wallander que o torna famoso na Suécia e pelo mundo fora.

 Kenneth Branag, actor de teatro inglês

Estou a ler um livro dele. O primeiro. Chama-se Un Paradis Trompeur (editions du Seuil, 2013)e passa-se em Moçambique, num longínquo ano do início do século XX.

Como epígrafe do livro, uma frase de Platão:

Há três espécies de homens: os mortos, os vivos, e os que navegam pelo mar".

A história começa, no ano de 2002, com a descoberta de um diário, no Africa Hotel da Beira, escondido num buraco do chão de madeira apodrecido.

“Um certo José Paulo, celibatário, que se ocupava doa irmã e dos seus cinco filhos, ao procurar madeira para se aquecer, encontra o luvro. Nunca se vira um Inverno tão rude em África há anos.” 

Há um nome escrito na capa do caderno encadernado em pele negra: Hanna Lundmark, 1905. 

Não se consegue decifrar o manuscrito porque…está escrito em sueco! De facto, Hanna era sueca e vem parar da Suécia a Moçambique, num barco, depois de várias “vidas”, por assim dizer, e de vários mares atravessados. 

Ali pára. Fica quase por acaso. E através desse diário muito se ficará a saber desses anos terríveis e da vida que por lá viveu. Confesso que ainda não apareceu nenhum crime. Vou continuar a ler. 
Na viagem!


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Vou-me embora, vou partir... eu vou voltar com o tempo...




"Vou-me embora, vou partir mas tenho esperança
De correr o mundo inteiro, quero ir
Quero ver e conhecer a rosa branca
E a vida do marinheiro sem dormir.


E a vida do marinheiro branca flor
Que anda lutando no mar com talento
Adeus, adeus, meus amigos
Eu hei-de ir, hei-de voltar com o tempo."


Sim, meus amigos, vou-me embora, vou partir... E tenho esperança.
Quero voltar a conhecer a rosa branca e a vida de marinheiro sem dormir. Por uns tempos vou estar longe. Mas vou voltar!
Adeus, adeus, meus amigos, mas vou com esperança e "hei-de ir, hei-de voltar com o tempo." 

The day after! Boa música com Keith Jarrett - Don't Ever Leave Me ~

Este crisântemo branco de Keika Hasegawa é o símbolo da 

continuação da nossa esperança no futuro!

pintura de Keika Hasegawa


domingo, 4 de outubro de 2015

Dia de eleições: fui votar! Não esqueças! Traz outro amigo também - José Afonso

Hoje fui votar. Como sempre, na minha Escola. Onde comecei a ensinar, e se chamava então escola Preparatória António Pereira Coutinho. Mais tarde, foi  Liceu. Agora é a Escola Secundária de São João do Estoril.

Tantas coisas me ligam a essas escola, onde cheguei jovenzinha. Onde encontreia alunos e alunas que ficaram amigos para a vida. Onde estive, parti para fora muitos anos, voltei. Parti outra vez e voltei. Em 2003. 
E iam aparecendo novos alunos, novos amigos, com novos trabalhos e sonhos! 
Alguns alunos tinham desaparecido para sempre. Como o Sérgio, estudante de Artes.


Tantos sonhos ao longo destes anos. Por cá e por lá.  Era isto que queríamos no nosso país quando, nessa altura, sonhávamos? 
Tinha chegado o 25 de Abril há pouco...

E sonhávamos com um 25 de Abril! Que um dia chegou. Era nele que sonhávamos, quando sonhávamos? Sem dúvida. Mas nada é perfeito e houve fragilidades que se foram 'consolidando' mal. Houve abusos. Houve passos atrás. Seja como for, sem ele hoje não teríamos ido votar em liberdade como hoje fomos!

Crescemos, trabalhámos, tivemos filhos que cresceram. Os meus alunos têm hoje filhos. E de repente deixaram de ter trabalho, segurança. E tiveram de partir! 


As vidas precarizaram-se. Este governo dos últimos 4 anos aconselhou os nossos filhos a partirem! Empurrou-os para fora.


E agudizou as diferenças sociais, falhou as promessas e ia destruindo o país com uma cura de austeridade que deu cabo da classe média e nos tirou a esperança de dias melhores. Enquanto eles durassem.

Hoje fomos votar. Espero os resultados. Espero que o país tenha sabido escolher.

 Hoje comovi-me ao ver o meu liceu! Porque o achei bonito neste dia cinzento de Outono. Tinha plantas verdes, espaços amplos, sinais de gente que quer coisas! E lembrei tantos miúdas e miúdos que conheci pequenos, que hoje vejo grandes...

E tinha quadros nas paredes feitos pelos 'nossos' alunos. 


E eram bons aqueles trabalhos. Eram bonitos. Lembrei-me do colega de Artes Plásticas, o Man que muito exigia dos seus alunos mas, creio, muito lhes dava de si.

Vi Chagall nas paredes, vi um Dali, um outro que podia ser Munch, Matisses,  ou se lá quem, pintores "citados" com muita qualidade.Tive orgulho neles.

Os meus alunos cresceram, partiram muitos deles também. Como explicar-lhes, hoje, se os visse, que para eles não há lugar por cá? Voltei ao Pavilhão A, onde comecei a dar aulas. Ao Pavilhão D, onde acabei de dar aulas.

Tive saudades desses tempos! Dessas gentes que merecem um país de jeito!
Pavilhão A


Pavilhão D





sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Revendo imagens de Viktor Mikhailovich Vasnetsov

para a Isabel que gosta de Vasnetsov...

Victor Vasnetsov,  auto-retrato
Viktor Mikhailovich Vasnetsov  nascido na chamada "governação" -ou província- de "Viatka (actual Kirov, no Império Russo) em 15 de Maio de 1848, morre em Moscovo, em 23 de Julho de 1926.

o Príncipe, viajando no tapete mágico
Saltimbancos, em Paris


 retrato de Elena Prakhova
Foi um artista russo que se especializou na temática da mitologia e em temas históricos.
Campo de batalha
A Princesa Adormecida

Alionoshka e Ivan, no lobo cinzento
Estas imagens representam a lenda do Príncipe Ivan e da sua irmã Alionoshka, fugindo da madrasta que era uma feiticeira. 
Alionoshka, pequenina
No fundo, todas as histórias populares ou as lendas dos países têm muito em comum. Os bons, os maus, os iocentes perseguidos pelas forças diabólicas.
 estudo para o lago


Alionoshka
o lago de Alionoshka, estudo
É actualmente considerado uma das figuras chave do movimento revivalista na arte russa.
 quase arte-nova, O pássaro da Tristeza e o da Alegria 

As Três Princesas do mundo subterrâneo
o Czar Ivan o Terrível
Vasnetsov, pintado por Nesterov