segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Trovoada de Outubro em Trieste



Entardecia mais cedo, em pleno Outono a mudança da hora fazia sentir o Inverno próximo. Amanhecera um lindo dia de céu azul, com sol que brilhara nítido desde manhã. 

A tarde descia e revelava nuvens escuras, sempre a correrem, alargando-se até ao horizonte em tom de rosa acinzentado cada vez mais escuro.
A Piazza, sempre agradável, parece inóspito e o próprio Caffè degli Specchi não nos aquecia: tudo anunciava mau tempo, mas não  aquele temporal que surgiu subitamente. 
O céu fechou-se e só os relâmpagos iluminam a Piazza dell’ Unità, e os trovões ribombam, num ritmo continuado, repetitivo.

A praça esvazia-se num instante e todos correm a refugiar-se nos caféspróximos. Nós tínhamos ido à Livraria Ubik, que fica no espaço do Palazzo Tergesteo, ao pé da Borsa. 

Nesse espaço restaurado, há restaurantes, lojas,  a livraria e também novo Caffé Tergesteo -substituto do antigo que fora famoso. 
Na esplanada, protegida da chuva, é um nunca acabar de gente que entra, que espreita, que volta a sair para afrontar a tempestade. Ou que, como nós, se senta à espera que ela acalme.
 Bebemos um chá com ervas desconhecidas, a escaldar, e esperámos. Parava, não parava? Havia quem se arriscasse, com o guarda-chuva aberto, logo as varetas viradas porque o vento, em rajadas fortíssimas, a bora, começara a soprar.
Por fim, decidimos sair porque o temporal se eternizava e não ia parar. Continuavam, chuva e vento, intensos.
Saímos para a rua, à aventura, de regresso ao Hotel que não ficava longe. No momento em que atravessávamos a praça aberta para o golfo, por onde o vento girava em círculos, fugíamos do céu iluminado pelos raios.
Recordei as trovoadas da minha terra e do ar aterrorizado com que a Florinda dizia: “Meninas, está iminente” e nos íamos proteger todas num canto da sala, depois de desligar o telefone e o aparelho de rádio. Como soava trágica a palavra "iminente"!

“Santa Bárbara bendita,
que no céu estás escrita,
com papel e água benta…”
Céu, de Etsuko

Em Trieste, lembrei esses momentos em que sentia uma atracção aliada ao medo da trovoada. 
Aqui, sobre as nossas cabeças, girava interminável e iminente. A água que batia de chapa na calçada e nos fustigava as mãos e a cara, ia formando ondinhas no chão. 
Não valia a pena voltar para trás à procura da protecção que não existia em lado nenhum. A Piazza e os cafés estavam já longe e todo o comércio estava fechado. Não se via alma viva por aqueles sítios.

Avançámos, embrulhados nos impermeáveis, convencidos de que seria rápido. Chovia ininterruptamente e nem víamos bem por onde íamos. Chuva, batida de lado com muita força, ao sabor da “bora” que começara a soprar. Imaginei o mar ali perto e tive medo.
Decidimos meter pela estreita ruela, entre dois alinhamentos de casas, no espaço entre a via Cavana e a via Armando Diaz – um caminho que pareceu abrigado do vento, talvez a via Pescheria. Mas deparámos com uma espécie de corredor de águas, num remoinho junto às sarjetas e tampas de metal.
via Cavana, dias antes, de noite

Do alto dos velhos telhados, caía chuva em catadupas. Tinha medo de encontrar um buraco escondido e entalar lá um pé. A decisão de afrontar a tempestade fora inconsciência, mas agora não podíamos fazer mais nada a não ser andar em frente. 
Tentávamos colocar os pés com cuidado para não cairmos nalgum buraco, escondido pela água.

Continuámos a avançar com a sensação de não termos avançado nada e a dada altura virámos para a via Armando Diaz onde ficava o Liberty Residence. Nada se distinguia, naquela água suja que tinha uns quinze centímetros de altura. 

Na esquina, no momento de dar a curva - momento que nos pareceu uma eternidade descobrimos, aterrorizados, que a rua estava ainda mais cheia do que a ruela anterior. Pareciam ribeirinhos que, vindos das outras ruas, entravam na rua grande, em tumulto.

Faltavam poucos metros e a água chegava-nos aos joelhos.  A roupas encharcada, prendia-se às pernas e impedia os movimentos.
Sem guarda-chuva, mal defendidos, quase me senti desfalecer.  “E se caio?”, era o meu terror.
parte alta da cidade, em dia de sol (net)

A Diaz é uma das ruas principais, paralelas ao mar: a mais larga, e todas as ruas que a cruzavam despejavam nela as águas vindas da parte alta da cidade, do Castelo e do monte San Giusto.

Era uma espécie de rio, em forte corrente, que puxava para para o Golfo, em direcção à Piazza dell’ Unitá. Com as botas cheias de água, pesadas como se tivessem pedras lá dentro, o casaco a pingar, os cabelos molhados e agarrados à cara, sem ver nada, era um verdadeiro pesadelo.
“E se caíssemos na água lamacenta? E se não conseguíssemos subir para o passeio que era alto?" 

Nem sei se foi nesse momento, se depois, que imaginei as perguntas.  
Andámos bastante, ainda, para atingir o passeio e entrar pela porta do hotel!
imagens da net, dia de temporal


Depois foi um banho, uma aspirina com um copo de leite quente, e as nova roupa vestida, até me sentir seca e segura. 

A trovoada durou muitas horas, noite fora. Como estaria a bela Piazza dell' Unità? E o Golfo e o Molo Audace? Conhecia as imagens do mar batido pela bora, mas não assim de noite e com chuva.

Ia espreitar de vez em quanto à janela. Impressionava-me o céu negro. De tempos a tempos, um relâmpago iluminava todo o quarto! 

E, logo outro. E, logo outro. E outro. A seguir, o ribombar dos trovões que pareciam afastar-se a rolarem, um após o outro.
relâmpagos sobre Trieste (imagem net)
relâmpagos sobre Trieste

Acabei por adormecer. A manhã seguinte foi azul e cheia de sol, sem rasto de água. Apenas um ou outro pingo caía dos beirais. Em volta, por cima da rua, as gaivotas giravam como loucas. 
No Molo Audace, as costureirinhas continuavam a coser, tranquilas, as bandeiras da Itália livre.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os livros, o correio da Piazza Verdi ...e a signora Anunziata!

Eu viajo sempre carregada de livros e, claro, onde quer que vou aproveito sempre para comprar mais uns.
De tal modo que, em Trieste, uma semana antes de voltar para casa, vou aos correios da Piazza Verdi despachar  uns embrulhos de formato gigante para a minha casa de São João.
 Livraria Ubik
 A estação dos correios fica perto da Livraria Ubik, um lugar cheio de luz, de novidades, dos últimos livros e das reedições dos livros eternos da literatura de Trieste. 


De "Un anno di scuola" de Giannni Stuparich, ou de Bobi Bazlen, aos recentes "Instantanei", de Claudio Magris.
Dos livros de Giorgio Voghera sobre os anos da Psícanálise em Trieste,  e dos geniais irmãos Singer às reedições em formato de bolso de Dostoievsky ou Stendhal até Stefan Zweig, ou as viagens e os lugares de Ian Morris.
Ytzaac Bashevis e a "Shosha" figura inesquecível, ou o irmão Ytzaac, Israel Singer, ambos judeus fugidos da Polónia refugiaram-se na América.  Bashevis Singer é um contador de histórias inesgotáveis, de situações humanas em que o Além anda por cá e os dibuks infernizam o mundo dos homens, intrometendo-se e fazendo partidas, trocando os objectos do sítio, enfim! De Scipio Slataper, Gainni Stuparich a Elody Oblath que encheram a Trieste do início do século

Ora foi nos Correios da Piazza Verdi que encontrei uma mulher fabulosa, a signora Annunziata que já conhecia do ano passado.
Reconheceu-me porque aposto que ninguém mais mandou do correio da Piazza Verdi a quantidade de livros para Portugal que eu mandara no ano passado e ali estava eu outra vez com dois sacos pesadíssimos.
Anunziata é um nome muito característico do Sul da Itália, e notava-se um pouco na maneira de falar. Em Itália, há muitos modos de falar ou entoações que diferenciam os originários do Norte ou do Sul, dialectos e falares vários e cadências muito marcados: um napolitano não entende um veneziano por exemplo e vice-versa.
As gentes do Sul, dizem, são mais abertas e comunicativas. Não sei bem. São sempre atenciosas - depois de perceberem que não estamos ali para as ofender. Há uma desconfiança inicial mas tudo se resolve com um sorriso e duas palavras. 
Como os outros, no fim e ao cabo. Como dizem os italianos “tutto il mondo é paese”. Por grandes que sejam os países ou as cidades, todos acabamos por ser iguais aos das pequena aldeias…
Provavelmente um veneziano não entende um genovês (nem está interessado nisso) apesar de estarem a relativamente poucos quilómetros de distância. Para não falarmos do fiorentino que esse não entende ninguém.
 E sem esquecer o “romanesco” – de Roma, claro- que todos sabemos de onde vêm mas não entendemos nada do que eles dizem quando decidem falar “romanesco”, cerrado e duro, com gestos de mãos que não há por ali, em Trieste.
Falei delicadamente com a signora Annunziata – que depois me contou que, de facto, era da Sicília, de Cefalu. Ela que, pelos vistos, recordava a cena do ano passado, sorriu-me e perguntou: “é para Portugal não é?”
O tom ríspido e um pouco seco com que tinha atendido clientes antes de mim e o ar de “não dar confiança a ninguém”, desapareceram.
Penso que o pessoal que tem de atender o público, horas seguidas, ouvir protestos, impaciências, tem de criar uma certa forma de distância, que é uma defesa. 
Porque, se o comum dos mortais se queixa de quem está a atender nas lojas, nas repartições e etc -  a verdade é que os “mortais” que estão do lado de lá do balcão, ou da mesa, têm um trabalho infernal e também devem queixar-se. Trabalho monótono, repetitivo, aborrecido muitas vezes. Esgotante, sempre. E nem sempre se pensa no "espírito do Natal" quando ele vem longe...
Bem, mas não era este o meu propósito: falar das relações entre dum lado profissionais do atendimento e do “consumidores”, utentes e etc.
 A signora Annunziata ajudou-me a escolher o modo mais económico para mandar aqueles quilos dos embrulhos! Era uma caixa grande mais dois envelopes enormes. 

Foi à arrecadação, várias vezes, para escolher o que ela entendia ser a caixa mais leve e o preço mais “económico” para mim. Não valia a pena mandar por “correio expresso” – disse ela- porque seria uma grande diferença no preço e uma vez não tinha urgência, pois ficava uns dias em Trieste, mais valia que a encomenda andasse por aí a viajar calmamente até eu chegar a casa. 


De facto…os embrulhos chegaram uns quinze dias depois de eu voltar.
Ah! Mas foi uma ideia sublime essa de mandar pelo correio o que me pesava – e nem cabia na mala. Ideia que me salvou as costas - e ter de lutar com as outra maletas antes de regressar…
A vida é feita de muitas histórias, e momentos aparentemente insignificantes. O que é certo é que, durante aquela pequena conversa entre nós, houve uma comunicação de simpatia. Não sei quantas pessoas estavam na fila atrás de mim. 
Sei que foi um prazer para as duas aquelas poucas palavras no meio de tantas ideias para simplificar a minha viagem de regresso!
Correios, Piazza Verdi, Anunziata, sim, Verdi. 
Ah! "Va, pensiero"... 
Tão bonita que é esta ária de Giuseppe Verdi!
Sorrio a recordar. 

Boas Festas de Natal, signora Annunziata!



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O "Café "MUG", em Trieste...



O jardim Attilio Hortis fica muito perto do Museo Revoltella e da via Armando Diaz onde estivemos um mês neste Outono. Outono que teimou este ano em não existir: foi como saltássemos da Primavera - uma primavera quente - para o Inverno.
O Jardim Hortis – na Piazza do mesmo nome - é um sítio muito agradável, não muito longe da Marginal que corre ao longo das águas do Golfo. 
É um espaço quadrado entre quatro ruas, com árvores centenárias e tem uma frequência especialmente de crianças e de mães de crianças. Pais e avós também. Talvez pelo lindo Parque Infantil que ocupa boa espaço do jardim.
Tinha um baloiço que era sensacional e o maior centro da atracção da miudagem. Parecia um tapete voador e cabiam lá, sentados ou mesmo deitados, três ou quatro pequenitos. Cá fora, outras daquelas criaturas minúsculas empurravam, com força impressionante. E o baloiço ia, vinha, subia, acelerava e parava.
Muitos andavam a trepar por umas cordas, ou a descer no escorrega. Havia risos, empurrões, quedas, choros mas sem gravidade. As mães e pais sentavam-se nos bancos de madeira e ferro que estavam espalhados pelo jardim. Conversavam, liam o jornal e de vez em quando aproximavam-se do baloiço ou do escorrega, a ver o que se passava.
o escorrega...
O frio chegara a Trieste e distinguiam-se as cores variadas dos barretes da miudagem e das mães com os blusões forrados e capuzes na cabeça.
Pelo Jardim Hortis, passavam também os alunos das escolas e os estudantes da Faculdade de Letras e de Arquitectura, não muito longe do Palazzo Revoltella onde está instalado o Museu de Trieste.
o Jardim Hortis e o Café "MUG"
Em grupos barulhentos, abraçados aos livros, de mochilas às costas, pareciam pássaros libertos de alguma gaiola. Elas, de cabelos soltos, ou em tranças, ou atados no alto da cabeça, traziam também gorros com um pompom no alto e seguiam para o Café Mug.

Entravam a esfregar as mãos do frio que ficara lá fora. O problema é que o café estava quase sempre cheio! Esperavam em pé, a conversar ao pé da porta ou diante do balcão. Outros sentavam-se lá atrás em bancos altos onde havia uma espécie de prateleira, de madeira corrida, com fichas na parede para ligar os computadores; e jornais e revistas para quem quisesse ler. Havia sempre uma exposição de fotografias dos alunos do Curso de Fotografia.
O Café era um espaço amplo, com boas mesas e cadeiras e, no fundo da sala, um divã e duas poltronas, com uma mesa baixa, e era onde se sentavam muitas vezes as mães e os meninos. 
De vez em quando, chegava alguém puxando a trela do cão. Havia muitos cães em Trieste e o acesso era-lhes sempre permitido. Um cartaz colado nos vidros mostrava o convite: “Sieti i benvenuti” (bem vindos!) com a figura de um cão desenhado em tons de verdes.
Foi no “Mug”, que conheci o Tommy e a sua dona, a Claudia. Tudo por causa do Tommy que era o cão mais simpático e civilizado do mundo. Já não muito novo, é lindo e educado. Ela sentava-se, tirava o casaco, o cachecol e o barrete, pousava tudo na cadeira ao lado e pedia  logo “un capo”. 

O “capo” é o capuccino piccolo em Trieste. Há o “capo”, em chávenas pequeninas como as do café, ou num copo. Pode levar uma colher de “panna” (natas batidas com açúcar) por cima, ou num copinho ao lado.
A Claudia começava a abrir e a mexer nos livros ou a escrever num caderno, sempre com um ar atarefado e um sorriso divertido. Olhava em volta e, quase sem ver mais nada, embrenhava-se no seu trabalho. Ou pegava no smartphone e tocava rapidamente nas teclas, sorrindo para si.
Metemos conversa por causa do Tommy. Perguntei se podia tirar-lhe uma fotografia. Disse que sim, claro, e estabeleceu-se uma breve conversa. Voltámos a ver-nos várias vezes no café, ou nos bancos da via Cavana, muito cómodos para quem se cansa a andar tanto. Trieste é uma cidade plana, com bom piso, onde se caminham quilómetros sem dar por isso. Felizmente há sempre um banquinho aqui e ali, para nos descansarmos.
Ela dizia que tinha curiosidade de conhecer Lisboa e que talvez viesse um dia a Portugal com o Tommy. 
“Sem o Tommy não vou viajar a lado nenhum. É o meu companheiro e estamos sempre juntos. Arranjamos um carro velho e vamos!”
O bairro Cavana tem tantas coisas que é difícil enumerá-las. Há tantos lugares agradáveis. Ali perto fica o "Chocolat", onde cá fora, na grande mesa de madeira, nos sentamos a beber um chocolate 'piccolo' extraordinário.
O “Mug” é um pormenor. Um pormenor muito importante, porém!
Uma das coisas que me divertiram à chegada ao Café foi o quadro preto na parede do lado esquerdo da entrada, por detrás do balcão. Sim, um quadro preto como nas escolas, com giz e tudo. E vi escrito, entre muitos outros bolos, o nome “pastel de nata”, em português.
Fotografia roubada da página FB do“Mug”

E assim começou a minha conversa com a Alessia Cicin uma das quatro jovens que dirigem e trabalham no “Mug”. Ao ver o meu espanto, riu-se: “sim, são pastéis de nata”. Contei-lhe que era portuguesa. Disse, com naturalidade: “são iguais aos portugueses”. Sim, no gosto, mas tinham um formato muito especial: em vez de redondos eram quadrados e com um bico em cada canto.

Fui lendo o que estava no quadro, sentada na mesa, à espera do meu “capo” triestino. Chamava-se: “Bakery Mug” e a verdade é que se viam por toda a parte canecas (mugs) e se bebia chá quente - além do cappuccino, o café ristretto ou o chocolate quente, mais comuns nos outros cafés da cidade. E os bolos eram variados e muito bons. Os "begel" também!
 Logo de manhã e nos intervalos das aulas, as mesas tinham umas grandes canecas que vinham com um bule de chá individual. Em redor do balcão havia muitas chávenas e bules de cerâmica e chávenas iguais e caixas de chá de todos os tipos, para venda. Faziam uns embrulhos lindos quando alguém queria comprar uma prenda diferente.
 Alessia, foto do seu FB

A Alessia é uma perfeccionista e tem uma atitude, ao movimentar-se,  que lhe  dá uma leveza extrema: as costas bem direitas, com uma ligeira inclinação para trás, como têm certas bailarinas. Um dia disse-me que não fizera ballet, mas, sim, muitos anos de ginástica artística.
Outra particularidade inglesa do “Mug”: aos domingos serviam, das 10 da manhã às duas da tarde, um “english breakfast” perfeito, “pancakes with jam” e “eggs and bacon”. Ainda lá “almoçámos” o english breakfast nutritivo.
Percebia-se que alguém que conhecera bem a Inglaterra fora até Lisboa e trouxera, no bolso, a receita dos “pastéis de nata”…

Continuando a minha descrição, havia na parede que continuava o balcão e ia até ao canto dos sofás, uma pequena estante-biblioteca organizada, com cerca de trinta livros, para trazermos emprestados ou alugados – não cheguei a perguntar.
Eu viajo sempre cheia de livros e aproveito sempre para comprar mais uns! 
Hoje fico por aqui, mas ainda há muitas coisas a contar do Café Mug e dos outros – que são muitos.
Ou não fosse Trieste a cidade do café especial, o Ílly, que é uma das riquezas de Trieste.

E de tantos outros Cafés onde se passam momentos inesquecíveis!
***
(1) Humanista e patriota, Attilio Hortis nasceu em Trieste em 1850. Aluno brilhante foi depois licenciar-se em Direito e Letras em Pádua. Teve um futuro brilhante e é uma das figuras importantes da cidade. No centro do jardim está o seu busto em mármore esculpido por G. Mayer.

 (2) Foi o húngaro Francesco Illy que, chegado a Trieste depois da I Guerra Mundial, concluído um curso de Economia em Timisoara, na sua terra, trabalhara em Viena. Em Trieste, decide fundar o Illycafé.
Cacau e café chegam de toda a parte do mundo ao porto de Trieste. Resta escolher, fazer os lotes, torrar, moer. Em 1933, Illy inventa a Illetta, a avó da primeira máquina de café expresso. O filho licenciado em Química, vai continuar o seu trabalho, e melhorar a qualidade. Em Trieste, o Illy é uma espécie de diamante nacional!