sábado, 19 de dezembro de 2015

Edith Piaf nasceu há cem anos!



Para a minha amiga Maria que nasceu num 19 de Dezembro...

Nascida num bairro popular de Paris, em Belleville, Edith Giovanna Gassion demorou a conquistar o seu lugar. 
 Edith Piaf nasce em Paris em 19 de Dezembro filha de um acrobata de circo normando, nascido em Marrocos, e a mãe era  “pied noir” de origem franco-italiana (de mãe berbere-kabila) que canta em cabarets. 
Morre, em 10 de Outubro de 1963, na Côte d’Azur, morfinómana, rica e infeliz - depois de ter ajudado tanta gente!

Abandonada cedo, pelos pais, em casa da avó materna teve uma vida muito infeliz. Vida muito difícil a sua,  cantando às esquinas, aqui e ali, pobre, ao frio, na rua. Só muitos anos mais tarde ganhará prestígio. 
Um dia houve alguém que a “descobriu” e lhe chamou “môme piaf” – passarinho, em francês. 

Deu-lhe a oportunidade de cantar em cabarets bem frequentados e deixar a estrada. 
O seu nome passou então a ser conhecido pela Europa. Nos tempos em que a Europa sofria nas guerras e se ouviam canções bem tristes. Vi há uns anos o filme de Olivier Dahan (saído em 2007).
 1961



Edith Piaf deu a mão a muitos jovens cantores, desconhecidos e com talento, como ela fora, e ajudou-os  a subir a difícil estrada do sucesso. Por muitos se apaixonou nesse caminho: como Mouloudji, Yves Montand, Georges Moustaki, ou Charles Aznavour. Era grande o coração da “môme” Piaf!



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Edith Piaf L'Hymne à l'amour

Reler “A Leste de Paraíso”, de John Steinbeck


René Magritte

Este livro lê-se de um fôlego, apenas com paragens para respirar fundo, porque sentimos a necessidade de pensar e de repor em questão muitas coisas que julgávamos decididas.
Gentes vindas de lugares longínquos do mundo, tentam a difícil conquista do Oeste americano. Lutando, aprendendo, caindo, matando e morrendo. Amando e odiando.
Páginas de vida, de sofrimento, de procura, de dúvida e de desistência. E de vontade de continuar. Conhecemos, assim, a história dos Trask e dos Hamilton e das suas vidas, a leste de Paraíso. Cyril Trask e os filhos, Charles e Adam. Samuel Hamilton e os nove filhos.
Vale Paraíso

Paraíso (o “Eden”) é uma região, Vale Paraíso, ou Vale do rio Salinas, perto da cidade de Salinas, mas é também “o paraíso” da Bíblia. A região onde John Steinbeck nasceu e onde situa muitas das suas histórias. A personagem de Samuel é, na realidade, o avô materno de John Steinbeck. 
 Salinas, Califórnia
“E Caim anda errante pela terra e vai habitar o país, a leste de Eden”. (Génesis, Cap. IV, 16)
Livro dramático - entristece-nos? Não, porque nos anima nas nossas convicções. Gritamos, ainda com mais veemência, que cada homem pode fazer alguma coisa, e que há gestos que contam. Portanto, nem tudo é inútil nesta luta.

Movem-se no livro, personagens que nunca esqueceremos. Samuel Hamilton, o irlandês, que deixou a sua terra natal por causa de um desgosto de amor e que decidiu vencer a infelicidade e reconstruir tudo do princípio. Com uma mulher boa e corajosa que ele não amava mas respeitava. Noutro lugar novo, em terra pobre onde nada crescia mas onde, cada dia, ele inventava uma coisa nova. 
tempestade de areia, Califórnia, 1936


Poeta sonhador, inventor de máquinas e utensílios para facilitar o trabalho agrícola, para furar poços à procura de água – milhentas coisas de que nunca tirava nenhum proveito, que nunca lhe pagavam, nem ele pensava nisso. Bastava-lhe o prazer de criar e de dar, com o riso nos olhos, a bondade eterna e a paciência de santo. Não porque fosse idiota, mas porque se escolheu assim. Era um poeta.
7
 O poeta, de Marc Chagall

Quis construir o seu caminho na generosidade e na procura do outro, não atraiçoando o que escolhera. A mensagem é ampla: “nós podemos fazer a nossa vida porque nós podemos escolher”.
“Tu podes” (trata-se da interpretação da  palavra hebraica timshel) foi a frase que guardei. Numa conversa, a propósito do nome a dar aos dois filhos de Adam Trask, gémeos sem mãe ainda sem nome, Sam Hamilton e o empregado chinês, Lee, interpretam uma passagem da Génesis: o episódio de Abel e Caim. Caim ofende-se porque Jeovah prefere o carneirinho de Abel, e mostra má cara. Jeovah repreende-o:
“Se fizeres o bem, não terás recompensa? E se fizeres o mal, não estará o pecado logo à porta? E tentar-te-á. Mas tu dominarás sobre ele.” (Génesis, IV, 7). Noutras traduções, a última frase aparece como “tu vencê-lo-ás”. A promessa de “poder vencer”? Ou apenas “impor a obediência”? Há sempre um momento em que decidimos ser isto ou aquilo: ou não ser. Pela negativa, talvez seja mais fácil entender.
O mal e o bem o que são? Acontecem as coisas fatalmente? O destino será mesmo irrevogável : um “fado” (fatum)?
A resposta, para o autor, é não. Porque nós podemos escolher “isto” ou “aquilo”.
Escreve muito bem Steinbeck. Quem não gostaria de escrever assim? E nos seus livros está a humanidade “em cheio”.
“Faz os gestos”, recomendava Sam Hamilton. “Os gestos da compreensão e do amor, mesmo que pareçam inúteis, faz os gestos que te aproximam do outro”.
 “Momentos de graça”, pensa o autor, “Em que te sentes tão bem contigo próprio e com o mundo que tudo te parece possível realizar”.
E, de repente, vem a dúvida e interrogas-te: mas para que existe o mundo? E a maldade, the evil, porque existe no mundo? (pg. 192). É difícil a resposta.
Sam interroga-se: por que devemos nós corresponder às ideias dos “outros”? E os irlandeses - os estrangeiros -  porque devem esconder a sua tristeza apenas porque os outros esperam que eles bebam e estejam alegres?
E Lee, o criado chinês, estudioso e culto, prefere falar “tchin tchon” porque, se falar em inglês correcto, não o entendem, porque não estão à espera disso. Na sua filosofia tranquila, não se importa.
Samuel não entende porquê e Lee, num inglês correctíssimo, explica: “Contigo posso falar normalmente porque não és como os outros. Tu não tens ideias preconcebidas: aceitas as coisas tal como são e não esperas que elas sejam aquilo que tu pensas que são.”

Quantas ideias preconcebidas “temos” todos os dias, a todas as horas! Todos “achamos” que os outros são aquilo que nós pensamos que eles são. Porque a maior parte das pessoas não se limitam às ideias recebidas, de espírito aberto. Já têm as suas ideias feitas, os lugares-comuns eternos!

Sam e Lee, filósofos da vida, são dois observadores do mundo, homens sérios que aceitam as ideias (e as pessoas) tal como são. E sabem que o que é diferente do que pensamos, pode ser importante! E não devemos ter medo que nos “desequilibrem”…
Lee criou os gémeos desde que a mãe, Cathy, os abandonou e que Adam, perdido no seu desgosto, se tornara indiferente a tudo, sobretudo aos filhos.
A conversa sobre os irmãos desavindos, Abel e Caim, (pg.314-315) surge, como disse, no momento de dar um nome aos dois meninos já com seis meses. Sam viera impor um “nome”: era tempo!
- Não saio daqui enquanto não tiverem um nome!
Chamar-lhes Abel e Caim? Não podia ser! Escolhem então Aaron e Caleb. Neste conteúdo, é como se antecipasse o futuro: por que razão Adam prefere Aron a Caleb?
Caim e Abel, por James Tissot
Tal como Jeovah preferiu as oferendas de Abel às de Caim, também Adam prefere as de Aron às de Cal. Aron nem dá por essa preferência, mas Cal sofre.

 Marc Chagall, Auto-retrato, 1914

 E vão crescendo separados e muito diferentes. “Cal é escuro, duro e observador”, explica Lee a Samuel, que os não vê há muito. “Aron é um rapaz de quem se gosta antes de lhe falarmos e mais ainda, depois. Cal tem de lutar pela vida enquanto o irmão não precisa de lutar e tem tudo.”

 Marc Chagall

E um dia aparece a suave e bela Abra, ainda adolescente, que prefere o pequeno Aron. Preferirá mesmo? O destino intromete-se porque não é simples amar e não ser amado. 
 Marc Chagall

E voltamos a Aron e Cal os gémeos cujo destino é triste. Por que razão Adam preferiu Aron a Caleb? E ofendeu-o, recusando a sua oferta. E Cal espera o momento  da vingança.

A condição humana é esta: temos o destino marcado? Temos de matar, odiar, desprezar? Ou podemos fazer de outro modo?
- Há uma palavra que pode salvar a humanidade. Timshel! – ensinará, mais tarde, Lee.
O que significa realmente este tempo verbal? Cada Bíblia o traduz a seu modo, cada língua é diferente e as traduções sobrepõem-se sobre o texto em hebraico. Por isso, para entender o significado dos 16 versos que são fundamentais para a compreensão da condição humana, Lee e os velhos tios sábios, vão estudar hebraico durante dois anos.

“Estes 16 versos são a história da humanidade em qualquer tempo, ou cultura, ou raça. (…) É um meio de subir às estrelas”, diz Lee.
E, uns aos mais tarde, Sam Hamilton e Lee falam da força dessa palavra, enquanto Adam Trask os ouve distraidamente.
“A palavra hebraica ‘timshel’ quer dizer ‘tu podes fazer’ (Thou mayest). Que deve ser a palavra mais importante do mundo. Que nos diz que o caminho está aberto. Porque ‘thou mayest’ –tu podes- é tão verdade como ‘thou mayest not’, tu podes não fazer!”, diz Lee. “A possibilidade da escolha “engrandece” o homem que entende isso…”

“Já pensaste na glória de escolher! (…) Faz do homem um homem. Um gato não tem escolha e a abelha deve fazer mel. Nada de divino nisto.” (306).

E continua, entusiasmado: “Não podemos esquecer nem perder isto porque impede a existência da fraqueza e da covardia e da preguiça!”
Implica a responsabilidade e impede a entrega do homem à fraqueza, ao fatalismo das situações ou à covardia nas atitudes a tomar.
 “(…) dá ao homem a estatura dos deuses porque na sua fraqueza e maldade, ou assassínio do outro, ela dá-nos a possibilidade da escolha. (East Of Eden, Penguin Book, pg. 305)”
Impede-nos de adormecer “entregando-nos nos braços dos deuses” justificando as nossas desistências ao dizermos: “Ah, não posso fazer nada, estava decidido assim”.
Perto do fim, Adam Trask recorda a Lee:
“Lembro-me do dia em que discutiste com Sam Hamilton a propósito de uma palavra.
- A palavra era ‘timshel’.
- ‘Timshel’, sim. Tu disseste…
- Sim, eu disse que esta palavra engrandecia o homem que a soubesse compreender.
- Lembro-me que Sam ficou feliz.
- A palavra libertara-o, disse Lee. Dera-lhe o direito de ser um homem com o seu destino diferente do dos outros homens.”
É a palavra-chave do romance: ‘podes’. É, aliás, com esta palavra que se fecha o romance.

Livro de amor e da dificuldade de amar. Da dificuldade de crescer e do sofrimento que implica amar; das feridas que deixa a adolescência; dos gestos que nos magoaram; dos gestos que não fizemos porque tivemos medo de os fazer, ou por vergonha de mostrar a nossa sensibilidade ou fragilidade, a incerteza ou a nossa insegurança.
Livro onde se cruzam destinos, dúvidas, amores e desamores. Fazer os gestos que ajudam, apoiam, que podem pesar na felicidade dos outros nem sempre é simples. Não os fazer pode conduzir ao sofrimento ou à morte de alguém. E aos remorsos que teremos depois.
A esperança reside na figura de Samuel Hamilton, o grande sonhador, o homem humano. Que não esquece os gestos que são importantes, os que nos custam a fazer, muitas vezes porque, no nosso orgulho e convencimento, julgamos que nos diminuem.
Mas, concluímos que são os gestos que resgatam a humanidade, “num mundo de luta e de cólera, com os seus impulsos de fraternidade e as suas quedas.” (pg.603)
Gestos que podemos escolher: os que trazem o bem ou o mal. Os que são certos ou injustos. Os que trazem a paz durante a vida, ou apenas no seu final.
- Timshel… Tu podes!
*  *  *
  

John Ernest Steinbeck nasceu em Salinas, condado de Monterey em 27 de Fevereiro de 1902 e morreu em Nova Iorque em 20 de Dezembro de 1968.  Amanhã passam 47 anos sobre a sua morte.


Em 1955, Elia Kazan realiza um filme baseado no livro de Steinbeck, com guião de Paul Osborne. Nos principais papéis, James Dean, Richard Davalos e Julie Harris.
 James Dean, Richard Davalos

Francoise Hardy canta Charles Trenet- La mer 1967



segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O CLUBE DOS QUE ACREDITAM NA VIDA - E ROBERT SABATIER



Pelas palavras das crianças e dos amigos podemos ir, confiantes… 
Escreveu-me há tempos uma jovem e grande amiga: 
“Se ser sensível, atenta ao mundo e às belezas das coisas, presentes e passadas, então já somos duas. Se há coisas horríveis neste mundo, também há coisas muito belas e, por vezes, esquecidas e invisíveis – a precisarem de ser resgatadas da invisibilidade e do esquecimento.” 

No fim e ao cabo, é sempre uma questão de palavras que se dizem para expressar os sentimentos. Se hesitamos, a pensar que já está tudo dito e que a desgraça e infelicidade dos homens é inevitável,  ou duvidamos se “vale a pena” arriscarmo-nos a repetir o que os outros disseram, aí está tudo mal - porque nos arriscamos a não acentuar o que está certo - dizendo-o de outro modo, é certo, pois todos temos o nosso “modo”, bem particular de dizer. Se formos sinceros, há sempre uma maneira nova de dizer!
Importante é não ter medo de “fazer os gestos” de afirmação e compreensão e de aproximação, de que falava John Steinbeck. De não termos medo de sermos nós e afirmarmos aquilo em que acreditamos.  
Citando ainda a minha amiga L.S., esses gestos são os que mostram “a sensibilidade e um amor ao Outro /a e à Vida que torna vívido tudo o que “tocamos”.  
Ouço coisas que me indignam pelo que revelam de resignação e de amargura, de falta de confiança na vida e em si próprios, de frustração e de covardia, com a sua lenga-lenga:
“Ah, isto é inevitável... Ah, os portugueses foram sempre assim...Ah, os chineses são amarelos…Ah, os árabes têm sede de sangue! Ah, os são maus judeus mataram o Cristo!" 
Não é verdade! Tudo pode ser diferente se nós acreditarmos e se nós quisermos ajudar, realmente, os outros. 
Sem egoísmos, sem desconfianças, sem narcisismos. Aceitando as razões deles, apenas, defendendo o nosso ponto de vista, mas  sem o impormos.
E certos escritores ajudam-nos a criar essa confiança no Outro e a escolher os caminhos do encontro.
Comecei a ler Robert Sabatier, quase por brincadeira, porque a minha amiga Marie, depois de me cortar o cabelo quase todo,  mo emprestou. 
Chama-se “Trois Sucettes à la Menthe” (que faz parte da trilogia-“saga” "Le roman d’Olivier").
Dizia-me ela: “lê por favor, pois gostava de saber se este livro que tanto me encantou na adolescência é mesmo um livro bom. Marcou a minha infância mas não o leio há muito tempo.”
A Marie, pelos vistos, tem confiança no meu gosto. Isto foi há uns meses e como vou voltar depressa à Marie pensei: “tenho que ler o livro!"

E comecei. E gostei: faltam 10 páginas para o acabar. É um livro bom, daqueles que nos fazem comover, ao lembrar outras histórias da nossa vida - e da vida que encontrámos noutros livros que nos educaram na nossa maneira de ser. 
Um livro que nos leva a pensar sobre o que é justo ou injusto, o que se pode fazer ou não. Os tais gestos de que falava Steinbeck!
Sabatier é um escritor francês que escreveu muito sobre a infância e a adolescência.
Nasceu, em 17 de Agosto de 1923, em Paris, Montmartre, onde vai viver parte da sua infância. E morre, em 28 de Junho de 2012, com 88 anos.
Órfão aos 12 anos, muito cedo,  sente a necessidade de escrever sobre a sua adolescência difícil e, tantas vezes, solitária. De escrever sobre a solidão, o brutal sentimento de abandono quando a mãe morre e se vê obrigado a ir viver com os tios, que não conhecia sequer e que viviam na zona do Canal Saint-Martin.
Um dos seus primeiros livros, de 1969, “Les Allumettes suédoises”, que fala da infância, tem um grande sucesso e, adaptado por Jacques Ertaud, será, em 1995, uma apreciada série televisiva. 

 Outros romances se lhe seguem, como “Alain et le Nègre”, do qual Jean Duvivier fez um filme, em 1953, e de que Aragon dizia ser o primeiro livro anti-racista francês. 
E “La Mort du Figuier”, “Canard au sang” e "les Noisettes Sauvages". 

Li apenas “Trois Sucettes à la menthe”: um belo livro sobre a infância e adolescência para juntar aos tantos que se escreveram no mundo.

Descobri, nele, a páginas tantas, uma referência a uma canção de que gosto muito, Gloomy Sunday, que cantada por Billie Holiday é arrasante e bela.

Tratava-se dum momento de desespero do pequeno Olivier, de castigo por ter imitado a assinatura do tio, na caderneta escolar, em que sente saudades dos tempos da rue Labat, onde a mãe tinha a sua retrosaria e onde fora tão feliz com os amigos, a brincar livremente pelas ruas. (pg.252) 

E chora. E pensa que “as pessoas que se suicidavam depois de ouvir “Sombre Dimanche” (cantada por Billie é uma canção “triste à mourir!) deviam encontrar-se no mesmo estado de espírito que ele”. Volta à escola e o professor põe-o de castigo a copiar frases  de um livro de Louis Pergaud. Achei graça encontrar este escritor no livro dele pois Pergaud é um autor de que, ainda há pouco tempo, ouvi falar. Num artigo do El País sobre os escritores franceses que morreram jovens, na I Guerra, alguns dos quais desaparecidos para sempre, pois os corpos nunca foram encontrados. 

É o caso de Louis Pergaud que nasceu, em Doubs, em 1882, e morre na batalha de Woëvre (Meuse) em 1915. Autor do “poemario”, “De Goupil à Margot” (1910), livro de sucesso, e de "La Guerre des Boutons "(1912) de que conheço apenas o filme de Yves Robert (1962). 
Em 2011, saiu outra versão, de Yann Samuel.
No artigo, falavam também de outro escritor, Alain-Fournier, autor do maravilhoso livro sobre a adolescência que se chama "Le Grand Meaulnes". 

Henri Alain-Fournier cujos restos foram descobertos apenas em 1991 em Saint-Remy-la-Calonne, juntamente com outros soldados do seu regimento. Alain-Fournier, mobilizado em Agosto de 1914, participa em três batalhas mortíferas na zona da Meuse. 
Em fins de Setembro, é dado como desaparecido, nos Hauts de la Meuse, durante muitos anos de mistério. Soube-se, em 1991, quando se encontraram os restos do regimento inteiro, que fora executado, em 22 de Setembro, com o capitão e todos os soldados.


túmulo de Alain-Fournier

Tantas ilusões, tanta juventude e que preço tão duro pagaram estes jovens escritores. E recordo os triestinos Slataper e Stuparich mortos na mesma guerra, ainda tão novos. Ou George Duhamel. Ou Emile Guillaumin. 
Ou Apollinaire, gravemente ferido na cabeça, em 1916, tendo sofrido uma trepanação, e que, com essas sequelas, e fragilizado, vai morrer em 1918 com a "gripe espanhola".
Apollinaire e a mulher, em 1918



Também os poetas ingleses Robert Graves ou Wilfried Owen que sobreviveram para contar os horrores da Guerra.
Wilfried Owen

Voltando a Robert Sabatier, que belo livro Trois sucettes à la menthe!
Dá vontade de viver porque a verdade é que ele transforma a tristeza da morte da mãe de Olivier, o abandono, a solidão, a nova vida junto de uns tios desconhecidos, num desafio, numa criação diária em que cada coisa é uma conquista apreciada e vivida com amor, em que os gestos contam.

Nota: 
Poeta e romancista, Robert Sabatier dedicou a sua vida à literatura, participando activamente na vida literária. Pertenceu à Académie Goncourt. Escreveu uma História de Poesia Francesa muito considerada. Ganhou o Prémio de Poesia da Académie Française, em 1969.
Aos 20 anos, Robert Sabatier entra na Resistência Francesa, no “maquis” de Saugues.