terça-feira, 27 de novembro de 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Wynton Marsalis , o trompetista ecléctico! Ouçam-no...
Wynton Marsalis (da sua página no Facebook)
Idem...
Trompetista e compositor Americano, nasce em 18 de Outubro de 1961. De uma família de músicos! De facto, os irmãos Brandford (o mais velho), Delfeyao, Jason e Ellis são igualmente músicos. Durante tempos participaram no Marsalis Quatuor.
Considerado hoje
um dos músicos de jazz mais variado, ecléctico, Marsalis é um especialista de
trompete que consegue competir do mesmo modo e com a mesma qualidade, tocando música clássica ou Jazz.
com o irmão, Ellis, pianista
Tocou com os maiores: de Dizzie Gilespie, a Sandoval, de Herbie Hancock a Eric Clapton...
Dirige o Jazz At Lincoln Center, em Nova Iorque.
Continua a tocar jazz, participa em "big jazz band", ou em quartetos de cordas, e mesmo com Orquestras Sinfónicas...
Dirige o Jazz At Lincoln Center, em Nova Iorque.
Continua a tocar jazz, participa em "big jazz band", ou em quartetos de cordas, e mesmo com Orquestras Sinfónicas...
Com a mesma simplicidade, profissionalismo e a mesma classe de sempre!
domingo, 25 de novembro de 2012
"Morte de um desconhecido": Eillen
Quando Michael Brenner entrou na sala, Eileen estava junto da janela,
encostada ao parapeito, com um livro fechado no colo. Olhava as árvores do
jardim, absorta.
Era uma sala pequena, de paredes claras e com uma decoração
agradável, alguns quadros modernos e uma estante cheia de livros. Lá ao fundo
adivinhava-se a vegetação que delimitava a Via Cassia, a esta hora sem
trânsito. Com o rosto apoiado na mão e o olhar ansioso, triste e doce, que lhe
vira no restaurante.
Não ouvira tocar à porta nem ouvira a criada que anunciara a
chegada de Michael. Ouvia música, com os headphones, isolada, abstraindo-se de todos os
outros ruídos. Mas alguma coisa sentiu porque, de repente,
sobressaltada, fez o gesto de se levantar. Ele pôs-lhe a mão no braço, a
impedi-la.
-Não se incomode, por favor...
-Não se incomode, por favor...
Tirou os auscultadores e pousou-os delicadamente na mesa ao lado.
-Eu conheço-o. Mas não me lembro onde foi. Onde é que o vi?
Passou a mão pelos olhos, afastou da testa uns imaginários cabelos
despenteados.
- Desculpe... Tem sido um período tão estranho. Ando confusa e
custa-me a entrar no que me aconteceu.
- Chamo-me Michael Brenner e não nos conhecemos. Vimo-nos um dia,
é verdade. Sou detective.
Ela fixou-o com mais atenção.
- Detective?
Ele repetiu:
- Detective. Vim falar consigo porque não acredito que seja
culpada do assassínio do conde Orsini.
- O meu marido? Não o matei. Não era capaz...
Ergueu os ombros, imperceptivelmente, desviando o olhar.
- Como sabe que não fui eu?
Parecia desolada.
- Toda a gente me olha como se acreditasse na minha culpabilidade.
Eu é que o encontrei, no chão, morto. Viram-me com a pistola na mão...
- Eu sei que viram.
- Eu não me lembro de nada! Podia ter sido eu?
- Não foi!
- Tem a certeza?
Parecia assustada.
- Quem o mandou ter comigo? Quem lhe falou em mim? Onde é que nos
vimos?
- Esteja descansada, sou seu amigo. Vimo-nos no restaurante ao pé
do Pantheon. Estava muito
nervosa, chorou. Lembra-se?
- Chorei? Ah, sim, nesse dia...
- Sim, chorou, foi nesse dia..., ia repetindo Michael.
Queria acalmá-la. Tinha tanta vontade de a ajudar.
- Lembro-me, sim. Tive vergonha quando o vi olhar para mim.
Era o jovem de cabelos ruivos que a olhara com simpatia.
“E uma ponta de comiseração”, pensava.
Ela chorava e deixara cair o garfo com que enrolava os spaghetti e, antes que o criado acorresse para a ajudar, ele levantara-se da mesa para lho entregar.
- Meti-lhe pena, não foi?
- O que pensei não tem importância nenhuma. Quero ajudá-la.
Ela suspirou. Interessou-se um pouco mais. Fixou-o, com atenção.
- Disse que se chamava Brenner? É inglês?
- Sou...
- Eu sou americana. Sabe bem poder falar na minha língua. Acha que
fui eu, Mr. Brenner?
- Julgo que não foi. Observei-a o tempo suficiente, nesse almoço,para a conhecer
um pouco pelas suas reacções. Sou bom observador e estou habituado a “avaliar” as pessoas, digamos assim...
Ela soriu, pela primeira vez.
- Conhece-me um pouco?
Coisa estranha, pois nem eu me conheço! Nem sei o que faço. Nem o que fiz, não me lembro...
- É possível. A verdade é que eu sei que não é capaz de matar. Não
o matou, portanto...
- O Ugo? O meu marido?
- Sim, o seu marido.
A ideia de não ter morto o marido e, portanto existir, à solta pela cidade, alguém –
desconhecido?, conhecido?- que o tivesse feito, pareceu aterrorizá-la.
- Quem foi, então? Quem o mandou ter comigo?!, voltou a perguntar, de novo ansiosa.
As mãos agarraram-se aos braços da poltrona e as
unhas arranhavam o tecido, num ruído irritante de que ela não dava conta.
- Não tenha medo de mim, sou um amigo, já lhe disse.
- Eu não tenho amigos...
Baixou o olhar e disse num tom agressivo:
- Nem tenho medo!
O grito de Eileen era sincero. Mas Brenner pensou que,
apesar de não ter consciência disso, ela tinha medo. E corria perigo.
(Maria J. Falcão, "Morte de um desconhecido", romance policial inédito)
Ilustração: Zianaida Serebriakova, "Retrato de senhora"
sábado, 24 de novembro de 2012
Alegria no fim de semana! Os Blues Brothers - "Sweet Home Chicago"
estátua dos Blues Brothers algures no mundo...
Sweet Home Chicago! "Sweet home" é onde nos sentimos bem, e, ao lado deste grupo, eu cá sinto-me perfeitamente...
Bom fim de semana!
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
"O Cairo Novo", de Naguib Mahfouz, pensando já no Natal...
O livro é a história de quatro amigos. Três deles vivem no mesmo prédio, na residência universitária, na esquina da rua de Rashad Paxá, e estudam na Universidade.
Estudam, têm amores, ambições, discutem e divertem-se.
O quarto é um jornalista que passa por casa deles, de vez em quando.
Vêm de classes sociais diversas, uns têm mais posses do que
os outros. Uns são religiosos, os outros não. Simplificando: são muito diferentes,
mas são amigos.
Ali Taha, o apaixonado e idealista Ali, Mamoun Radwan, o estudioso
e religioso, Ahmed Bider o jornalista independente, e Mahgoub Abdel Daym, o
ambicioso, o cínico Maghoub.
O romance começa com as conversas e discussões dos jovens
estudantes, quase no final do curso. E vai acabar com algumas desilusões. E a
separação inevitável.
Mahgoub segue o seu percurso acidentado, a sua fome em todos
os sentidos. Ambição desenfreada, insuportável pobreza, tudo vai cimentar um
egoísmo feroz e o desprezo de tudo.
A ambição política, claro. Porque, para eles, tudo é política.
Dizia Mafhouz: "Em tudo o que escrevo vão encontrar política. Pode não haver histórias de amor ou outros assuntos mas a política está sempre; é o ponto axial do pensamento."
Dizia Mafhouz: "Em tudo o que escrevo vão encontrar política. Pode não haver histórias de amor ou outros assuntos mas a política está sempre; é o ponto axial do pensamento."
Enquanto os outros falam, se abrem, ele apenas comenta com a
breve interjeição céptica, a propósito
de tudo, sem nunca se comprometer: um “tozz!”, redutivo.
“A melhor melhor equação do mundo consiste em: religião+ciência+filosofia+moral = tozz!”, respondia-lhes ele.
A sua filosofia - comenta o autor- consistia na “liberdade, na sua percepção
egocêntrica, e o “tozz” era a sua mais exacta insígnia. Era a emancipação de
tudo: dos valores, dos ideais, das crenças, dos princípios. Em resumo, toda a
herança da sociedade.”
O mal e o bem? Essa dualidade não existe! Só acredita em si
próprio, só luta por si próprio.
Um dia interroga-se, dubitativo: "terá o altruísmo o mesmo encanto do
egoísmo?”
Nihilista, sem escrúpulos e sem esperança? Aposta tudo e
aposta mal. A hipocrisia de que se rodeia vai ser fatal.
No sacrifício de tudo, dos próprios pais e da honra, tudo vai
perder.
"O que poderia fazer um egoísta da sua laia, que neste mundo
tão-só se preocupava com a sua pessoa quando as forças da desgraça se aliavam
contra a sua felicidade?”
Livro de grande inteligência e perspicácia que soube bem
falar da realidade egípcia, realidade que soube “adivinhar” e compreender,
mesmo no que se refere aos dias de hoje, às recentes “revoluções da Primavera”...
No final, quando Mahgoub desaparecera já das suas vidas, dirá
Ahmed Bide, o jornalista:
“Porque estão já a brigar? A hora do combate ainda não
chegou!”
E o livro termina:
“Os três companheiros, amigos inimigos, sorriram após o que
trocaram olhares carregados de significado como se os três se interrogassem: «O
que será que nos reservas, ó futuro?»”
Obras de Mafhouz:
"Old Egypt" (1932); "Cairo Modern" (1945);
A Trilogia do Cairo: Palace Walk (1956), Desire Palace (1957), Sugar Street (1957);
The children of Gebelawi (1959, também chamado Children of our Alley) -o mais famoso dos seus livros- foi proibido no Egipto por alegada "blasfémia".
A novela Miramar (1967) que gira à volta da figura feminina de Zohar a jovem empregada da pensão "Miramar", de Alexandria.
O Escritor, apesar de ameaçado de morte pela "fatwa" lançada pelo sheik Omar Abdul-Rahman (quase "realizada", em 1994, quando foi apunhalado e ferido gravemente no pescoço e num dos olhos), continuou até ao fim da sua longa vida a escrever a sua "crónica" da sociedade egípcia. Em 2006, teve funerais de Estado...
O sheik Omar cumpre prisão perpétua numa prisão americana, acusado de estar implicado no atentado ao Wall Trade Center de N.Y e noutros atentados terroristas.
O Cairo Novo foi publicado pela Civilização Editora. Recentemente saiu a novela Miramar, entre outros. Outros livros também saíram na Difel e na Contraponto.
Obras de Mafhouz:
"Old Egypt" (1932); "Cairo Modern" (1945);
A Trilogia do Cairo: Palace Walk (1956), Desire Palace (1957), Sugar Street (1957);
A novela Miramar (1967) que gira à volta da figura feminina de Zohar a jovem empregada da pensão "Miramar", de Alexandria.
O Escritor, apesar de ameaçado de morte pela "fatwa" lançada pelo sheik Omar Abdul-Rahman (quase "realizada", em 1994, quando foi apunhalado e ferido gravemente no pescoço e num dos olhos), continuou até ao fim da sua longa vida a escrever a sua "crónica" da sociedade egípcia. Em 2006, teve funerais de Estado...
O "sheik cego", Omar Abdul
O sheik Omar cumpre prisão perpétua numa prisão americana, acusado de estar implicado no atentado ao Wall Trade Center de N.Y e noutros atentados terroristas.
O Cairo Novo foi publicado pela Civilização Editora. Recentemente saiu a novela Miramar, entre outros. Outros livros também saíram na Difel e na Contraponto.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Lembrando a viagem do Ratinho Poeta e do Ouricinho a Roma
Saímos numa manhã de sol. Antes, eles foram à cozinha
ver como estava o tempo.
- Está sol! está lindo!, disse o Ratinho.
- Está sol! está lindo!, disse o Ratinho.
- Sim, sol!, gritou ainda mais alto o ouricinho.
E bateram as palmas. De facto, o sol brilhou naqueles dias, em Roma, e era bom sair à rua.
O espanto do Ratinho quando se viu no meio da cidade aberta
enterneceu-me.
O Ouricinho é sempre mais “natural” nas suas reacções. A facilidade
de estar na vida e de aceitá-la com o que vem de bom e de mau é admirável.
Enquanto o Ratinho pasmado olhava à esquerda e à direita, o Ouricinho sorria, de
olhos bem abertos, pronto a absorver tudo, no seu ar feliz e tranquilo de todos
os dias. Como se estar em Roma fosse a coisa mais natural do mundo.
O Ratinho mostrava a sua surpresa. Admirava o colorido
diferente, a luz suave, cor de âmbar, que batia nas ruas e nas fachadas das casas.
Apontava para cima e murmurava:
- Já viste tão lindo? O céu tão azul?...
O Ouricinho Dan sorria e saltitava pela Via del Governo
Vecchio abaixo, espreitando em cada porta aberta, ou entrando pelas lojas e pelos cafés
dentro.
- Olha aquela casa! E a loja do Pinóquio!
- Olha aquela casa! E a loja do Pinóquio!
E continuava:
- Cheira tão bem este café! Lavazza! Era o que tomavas cá?
E passava a outra coisa, sem parar, porque gostava de tudo.
Ao final da rua apareceu a estátua do Pasquino.
Eles já sabiam a
história das “estátuas falantes”, e foi o Ouricinho quem disse:
- O jornalista! Este era o dos jornais de parede, não? Disseste que
apareciam aqui as críticas todas...
- Ainda hoje aparecem, disse o Ratinho. Não vês ali?
E lá estava de facto um papel, uma queixa, colada numa tábua.
Corriam à minha frente e, de repente, pararam.
- Olha esta antiguidade!
Era o Ratinho que se admirava mais.
E, logo:
- E as motas!
- E as motas!
- Tanta motinha gira, acrescentou o Ouricinho.
- São Vespas, como no filme “Férias em Roma”, não é?
O Ratinho estava sempre mais informado sobre estas coisa
culturais. Continuou, a explicar melhor ao amigo:
- Com a Audrey Hepburn... Gosto muito dela!
O Ouricinho não se deixou ficar atrás.
- Férias em Roma, tal como nós agora! Já viste a quantidade de
coisas sobre o filme? Olha um avental com a Audrey!
De facto no quiosque que vendia os jornais vários aventais pendurados com a Audrey e o Gregory estampados a várias cores.
- E tantos postais com ela! Isto é que é mediatização...
De facto no quiosque que vendia os jornais vários aventais pendurados com a Audrey e o Gregory estampados a várias cores.
- E tantos postais com ela! Isto é que é mediatização...
- Marketing! Hihihi..., riu-se o Ratinho que adorava estas
saídas do amigo.
Ainda quis tirar uma fotografia aos aventais mas eles corriam tanto que lá fui atrás deles.
Ainda quis tirar uma fotografia aos aventais mas eles corriam tanto que lá fui atrás deles.
Tinham parado a ver uma Suzuki. Saltaram lá para cima e deitaram-se no selim, a ver o céu.
- Bela vista!, gritou o Ouricinho, divertido. Ó Dan, guia tu a mota!
E ria-se às gargalhadas.
- Esqueci-me dos óculos escuros, lamentou-se o Ouricinho. Guia
tu!
Continuámos a andar. E de repente, foi como um
mergulho na luz e na beleza da Piazza Navona - o que os deixou literalmente sem fala.
- Estão a ver esta maravilha? É a Piazza Navona!, exclamei
eu, excitada por lhes poder mostrar aquela praça de sonho.
De boca aberta, giravam a cabeça, olhavam em volta.
- Que fontes tão lindas! Podemos sentar-nos neste caixote, para ver melhor aquela ali no meio?, perguntou o Ratinho.
- Claro que podem. É a Fonte dos Quatro Rios, do Bernini.
Não me ouviram e ali ficaram, a virar-se para todos os lados, empoleirados no caixote.
- Era então assim a “tua” Roma...
O Ratinho Poeta falava, com um ar inspirado.
- Não era bem assim. Muita coisa se modificou nestes anos...
- Preferias como era dantes?
- Não sei...
Fiquei a pensar como era dantes.Vieram-me imagens à memória, pessoas, ruas cheias de mistério hoje sem ninguém. Os turistas invadiam as praças e felizmente deixavam alguns espaços livres.
- Se calhar não queres falar nisso, disse o Ratinho, filosoficamente.
Custa-te sempre voltar, não é?
- Ó Ratinho, é tão complicado. Gosto de vir sempre, mas há
tanta nostalgia, tanta recordação que me faz doer a alma...
O Ouricinho, curioso como sempre, olhava para a minha expressão.
- Por quê?, perguntou.
- Lembro-me de certas noites na Navona. Oh, muita gente se foi embora daqui.
- Morreram?
O Ouricinho era mesmo curioso.
- Sim, alguns morreram...
O Ratinho pôs-me a patinha no braço, com ternura.
- Se quiseres, fala comigo, diz-me o que sentes. Se preferes,
não digas nada, nós compreendemos. Não é, Dan?
- Claro! Não queremos que sofras a lembrar os amigos...
Não sofria. Tinha saudades deles e de mim.
- Esta praça é a tua preferida? É a mais importante para ti na tua
memória?
O Ratinho queria mudar a conversa.
- Não sei, Ratinho. Há tantas praças em Roma de que gosto. Tens
razão, esta é importante para mim. E tu o que achas?
- É linda... De uma beleza estonteante!
O Ouricinho, no seu discurso mais terra a terra ,
acrescentou:
- É divertida, tem tanta luz, tanta cor e tantos
divertimentos!
Olhava de olho arregalado para o “fakir” (o que poderia chamar-lhe se não isto?) que num braço estendido, impávido, aguentava - como se não tivesse peso- o corpo de um homem, vestido de panos laranja, meditando, imóvel.
- Impressionante! Achas que é só a concentração?, perguntou o
Ratinho.
Continuámos, atravessando o Corso Rinascimento, passando
perto do Senado, em direcção à Piazza della Rotonda, também chamada Piazza del
Panthéon, outra das minhas preferidas.
- Espantosa! Que arquitectura tão bela...
O grito de entusiasmo do Ratinho divertiu-me. Esqueci as tristezas.
"Os amigos são para isso e há sempre amigos novos!", pensei.
"Os amigos são para isso e há sempre amigos novos!", pensei.
- Amazing!, disse o Ouricinho, que tinha aprendido aquela
palavra há uns tempos.
- Ó Dan, mais motas!!! Que loucos estes romanos! Bem
dizia o Astérix...
Rimo-nos os três da graça do Ratinho. Entrámos no Panthéon.
- Aquilo é a lua ou é um buraco?
O Ouricinho, de pescoço esticado, procurava ver através da
lucarna do Panthéon, tão alta que nos parecia estar em pleno céu aberto.
- É uma abertura...
- E esta escultura tão bonita com uma pombinhas?, perguntou o amigo Poeta.
- É o túmulo de Rafael, o pintor ...
- Do Renascimento!
Era o Ratinho, uma vez mais... Aquele Ratinho era uma enciclopédia!
- E esta escultura tão bonita com uma pombinhas?, perguntou o amigo Poeta.
- É o túmulo de Rafael, o pintor ...
- Do Renascimento!
Era o Ratinho, uma vez mais... Aquele Ratinho era uma enciclopédia!
Continuámos a andar, subimos a rua paralela ao Panthéon e chegámos a Santa Maria Sopra
Minerva.
- Ai, o elefantinho que engraçado!, disse o Ouricinho, encantado.
Outro deslumbramento para os dois.
- Que lindo!
- É o elefante português..., expliquei.
- O quê??
Tinham-se virado ao mesmo tempo para mim.
- Sim. A estátua representa o elefante que veio a Roma.
- Quando é que ele veio?, perguntou o Ratinho, desconfiado.
- Eu não percebo é como ele veio ate cá. Num avião não pode
ser!
O Ouricinho parecia céptico quanto a essa vinda.
- Foi há muitos anos! Veio numa embaixada do Rei D. Manuel, ao
Papa.
- Ah!, disse o Ratinho. Também veio uma pantera, não foi?
- Do Rei?! Ó, isso então foi há séculos...
Entrámos na Igreja.
- Não é bonita?
Para mim era maravilhosa. Mas o Ouricinho parecia desinteressar-se. O Ratinho olhava em volta silencioso.
Pensei que estavam cansados de andar e andar. Animei-os com uma proposta:
Para mim era maravilhosa. Mas o Ouricinho parecia desinteressar-se. O Ratinho olhava em volta silencioso.
Pensei que estavam cansados de andar e andar. Animei-os com uma proposta:
- Vamos comer um gelado?!
O Ratinho, sempre bem educado, respondeu logo:
O Ratinho, sempre bem educado, respondeu logo:
- Oh, sim. E depois vamos para casa?...
- Sim, Sim! Quero um gelado!...
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