segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Wynton Marsalis , o trompetista ecléctico! Ouçam-no...

Wynton Marsalis (da sua página no Facebook)

Idem...



Trompetista e compositor Americano, nasce em 18 de Outubro de 1961. De uma família de músicos! De facto, os irmãos Brandford (o mais velho), Delfeyao, Jason e Ellis são igualmente músicos. Durante tempos participaram no Marsalis Quatuor.
Considerado hoje um dos músicos de jazz mais variado, ecléctico, Marsalis é um especialista de trompete que consegue competir do mesmo modo e com a mesma qualidade, tocando música clássica ou Jazz.


Com 51 anos hoje, publicou imensos discos de Jazz e gravou igualmente álbuns de música clássica (Haydn, Música barroca, Humel). 
com o irmão, Ellis, pianista

Músico de grande virtuosismo, com uma técnica perfeita, tem um estilo muito pessoal, uma estética sofisticada – facilmente reconhecível.
Tocou com os maiores: de Dizzie Gilespie, a Sandoval, de Herbie Hancock a Eric Clapton...
Dirige o Jazz At Lincoln Center, em Nova Iorque.
Continua a tocar jazz, participa em "big jazz band", ou em quartetos de cordas, e mesmo com Orquestras Sinfónicas...
Com a mesma simplicidade, profissionalismo e a mesma classe de sempre!

domingo, 25 de novembro de 2012

"Morte de um desconhecido": Eillen



Quando Michael Brenner entrou na sala, Eileen estava junto da janela, encostada ao parapeito, com um livro fechado no colo. Olhava as árvores do jardim, absorta.
 Era uma sala pequena, de paredes claras e  com uma decoração agradável, alguns quadros modernos e uma estante cheia de livros. Lá ao fundo adivinhava-se a vegetação que delimitava a Via Cassia, a esta hora sem trânsito. Com o rosto apoiado na mão e o olhar ansioso, triste e doce, que lhe vira no restaurante.

Não ouvira tocar à porta nem ouvira a criada que anunciara a chegada de Michael. Ouvia música, com os headphones, isolada, abstraindo-se de todos os outros ruídos. Mas alguma coisa sentiu porque, de repente, sobressaltada, fez o gesto de se levantar. Ele pôs-lhe a mão  no braço, a impedi-la.
-Não se incomode, por favor...


Tirou os auscultadores e pousou-os delicadamente na mesa ao lado.

-Eu conheço-o. Mas não me lembro onde foi. Onde é que o vi?


Passou a mão pelos olhos, afastou da testa uns imaginários cabelos despenteados.

- Desculpe... Tem sido um período tão estranho. Ando confusa e custa-me a entrar no que me aconteceu.

- Chamo-me Michael Brenner e não nos conhecemos. Vimo-nos um dia, é verdade. Sou detective.


Ela fixou-o com mais atenção.

- Detective?

 Ele repetiu:

- Detective. Vim falar consigo porque não acredito que seja culpada do assassínio do conde Orsini.

- O meu marido? Não o matei. Não era capaz...


Ergueu os ombros, imperceptivelmente, desviando o olhar.
- Como sabe que não fui eu?
Parecia desolada.
- Toda a gente me olha como se acreditasse na minha culpabilidade. Eu é que o encontrei, no chão, morto. Viram-me com a pistola na mão...

- Eu sei  que viram.

- Eu não me lembro de nada! Podia ter sido eu?
- Não foi!

- Tem a certeza?


Parecia assustada.

- Quem o mandou ter comigo? Quem lhe falou em mim? Onde é que nos vimos?
- Esteja descansada, sou seu amigo. Vimo-nos no restaurante ao pé do Pantheon. Estava muito nervosa, chorou. Lembra-se?

- Chorei? Ah, sim, nesse dia...

- Sim, chorou, foi nesse dia..., ia repetindo Michael.


Queria acalmá-la. Tinha tanta vontade de a ajudar.
- Lembro-me, sim. Tive vergonha quando o vi olhar para mim. 

Era o jovem de cabelos ruivos que a olhara com simpatia.

“E uma ponta de comiseração”, pensava.


Ela chorava e deixara cair o garfo com que enrolava os spaghetti e, antes que o criado  acorresse para a ajudar, ele levantara-se da mesa para lho entregar.
- Meti-lhe pena, não foi?

- O que pensei não tem importância nenhuma. Quero ajudá-la.


Ela suspirou. Interessou-se um pouco mais. Fixou-o, com atenção.
- Disse que se chamava Brenner? É inglês?

- Sou...

- Eu sou americana. Sabe bem poder falar na minha língua. Acha que fui eu, Mr. Brenner?

- Julgo que não foi. Observei-a o tempo suficiente, nesse almoço,para a conhecer um pouco pelas suas reacções. Sou bom observador e estou habituado a “avaliar” as pessoas, digamos assim...

Ela soriu, pela primeira vez.

- Conhece-me um pouco? Coisa estranha, pois nem eu me conheço! Nem sei o que faço. Nem o que fiz, não me lembro...

- É possível. A verdade é que eu sei que não é capaz de matar. Não o matou, portanto...

- O Ugo? O meu marido?
- Sim, o seu marido.


A ideia de não ter morto o marido e, portanto existir, à solta pela cidade, alguém – desconhecido?, conhecido?- que o tivesse feito, pareceu aterrorizá-la.

- Quem foi, então? Quem o mandou ter comigo?!, voltou a perguntar, de novo ansiosa.


As mãos agarraram-se aos braços da poltrona e as unhas arranhavam o tecido, num ruído irritante de que ela não dava conta.

- Não tenha medo de mim, sou um amigo, já lhe disse.

- Eu não tenho amigos...

Baixou o olhar e disse num tom agressivo:
- Nem tenho medo!

O grito de Eileen era sincero. Mas Brenner pensou que, apesar de não ter consciência disso,  ela tinha medo. E corria perigo.

(Maria J. Falcão, "Morte de um desconhecido", romance policial inédito)
Ilustração: Zianaida Serebriakova, "Retrato de senhora"

DINAH WASHINGTON ~ Dream ~






sábado, 24 de novembro de 2012

Alegria no fim de semana! Os Blues Brothers - "Sweet Home Chicago"


estátua dos Blues Brothers algures no mundo...


Sweet Home Chicago! "Sweet home" é onde nos sentimos bem, e, ao lado deste grupo, eu cá sinto-me perfeitamente...
Bom fim de semana!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

"O Cairo Novo", de Naguib Mahfouz, pensando já no Natal...




"O Cairo Novo"  (Cairo Modern) foi escrito em 1945. O seu autor, o egípcio Naguib Mafhouz (nasceu em 11 de Dezembro de 1911 e morreu em 30 de Agosto de 2006), foi Prémio Nobel de Literatura, em 1988.

O livro é a história de quatro amigos. Três deles vivem no mesmo prédio, na residência universitária, na esquina da rua de Rashad Paxá, e estudam na Universidade. 

Estudam, têm amores, ambições, discutem e divertem-se.

O quarto é um jornalista que passa por casa deles, de vez em quando.

Vêm de classes sociais diversas, uns têm mais posses do que os outros. Uns são religiosos, os outros não. Simplificando: são muito diferentes, mas são amigos.

Ali Taha, o apaixonado e idealista Ali, Mamoun Radwan, o estudioso e religioso, Ahmed Bider o jornalista independente, e Mahgoub Abdel Daym, o ambicioso, o cínico Maghoub.

Vai ser de  Mahgoub que o autor se vaio ocupar mais longamente.



Herói negativo, no fundo, espécie de Jean Sorel de Sthendal - ou de tantos outros heróis que procuram no poder a realização pessoal, tudo sacrificando para essa ascensão, a começar pelos “valores” e pela amizade.

Trilogia do Cairo, edição egípcia

O romance começa com as conversas e discussões dos jovens estudantes, quase no final do curso. E vai acabar com algumas desilusões. E a separação inevitável.

Mahgoub segue o seu percurso acidentado, a sua fome em todos os sentidos. Ambição desenfreada, insuportável pobreza, tudo vai cimentar um egoísmo feroz e o desprezo de tudo.

A ambição política, claro. Porque, para eles, tudo é política.

Dizia Mafhouz: "Em tudo o que escrevo vão encontrar política. Pode não haver histórias de amor ou outros assuntos mas a política está sempre; é o ponto axial do pensamento."


Enquanto os outros falam, se abrem, ele apenas comenta com a breve interjeição céptica,  a propósito de tudo, sem nunca se comprometer: um “tozz!”, redutivo.

Nazr City, onde Mahfouz está enterrado

A melhor melhor equação do mundo consiste em: religião+ciência+filosofia+moral = tozz!”, respondia-lhes ele.


A sua filosofia - comenta o autor-  consistia na “liberdade, na sua percepção egocêntrica, e o “tozz” era a sua mais exacta insígnia. Era a emancipação de tudo: dos valores, dos ideais, das crenças, dos princípios. Em resumo, toda a herança da sociedade.”

O mal e o bem? Essa dualidade não existe! Só acredita em si próprio, só luta por si próprio.

Um dia interroga-se, dubitativo: "terá o altruísmo o mesmo encanto do egoísmo?”

Nihilista, sem escrúpulos e sem esperança? Aposta tudo e aposta mal. A hipocrisia de que se rodeia vai ser fatal.

No sacrifício de tudo, dos próprios pais e da honra, tudo vai perder.

"O que poderia fazer um egoísta da sua laia, que neste mundo tão-só se preocupava com a sua pessoa quando as forças da desgraça se aliavam contra a sua  felicidade?”

Livro de grande inteligência e perspicácia que soube bem falar da realidade egípcia, realidade que soube “adivinhar” e compreender, mesmo no que se refere aos dias de hoje, às recentes “revoluções da Primavera”...

No final, quando Mahgoub desaparecera já das suas vidas, dirá Ahmed Bide, o jornalista:

Porque estão já a brigar? A hora do combate ainda não chegou!

E o livro termina:

Os três companheiros, amigos inimigos, sorriram após o que trocaram olhares carregados de significado como se os três se interrogassem: «O que será que nos reservas, ó futuro?»”

Obras de Mafhouz: 

"Old Egypt" (1932); "Cairo Modern" (1945); 



A Trilogia do Cairo: Palace Walk (1956), Desire Palace (1957),  Sugar Street (1957); 




The children of Gebelawi (1959, também chamado Children of our Alley) -o mais famoso dos seus livros- foi proibido no Egipto por alegada "blasfémia". 



A novela Miramar (1967) que gira à volta da figura feminina de Zohar a jovem empregada da pensão "Miramar",  de Alexandria.




O Escritor, apesar de ameaçado de morte pela "fatwa" lançada pelo sheik Omar Abdul-Rahman (quase "realizada", em 1994, quando foi apunhalado e ferido gravemente no pescoço e num dos olhos), continuou até ao fim da sua longa vida a escrever a sua "crónica" da sociedade egípcia. Em 2006, teve funerais de Estado...
O "sheik cego", Omar Abdul

O sheik Omar cumpre prisão perpétua numa prisão americana, acusado de  estar implicado no atentado ao Wall Trade Center de N.Y e noutros atentados terroristas.

O Cairo Novo foi  publicado pela Civilização Editora. Recentemente saiu a novela Miramar, entre outros. Outros livros também saíram na Difel e na Contraponto.


Civilização
Contraponto
Difel
Civilização




Os inesquecíveis dois: Simon & Garfunkel - Sounds Of Silence

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Lembrando a viagem do Ratinho Poeta e do Ouricinho a Roma


Saímos numa manhã de sol. Antes, eles foram à cozinha ver como estava o tempo.
- Está sol! está lindo!, disse o Ratinho.
- Sim, sol!, gritou ainda mais alto o ouricinho.

E bateram  as palmas. De facto, o sol brilhou naqueles dias, em Roma, e era bom sair à rua.

O espanto do Ratinho quando se viu no meio da cidade aberta enterneceu-me. 

O Ouricinho é sempre mais “natural” nas suas reacções. A facilidade de estar na vida e de aceitá-la com o que vem de bom e de mau é admirável.

Enquanto o Ratinho pasmado olhava à  esquerda e à direita, o Ouricinho sorria, de olhos bem abertos, pronto a absorver tudo, no seu ar feliz e tranquilo de todos os dias. Como se estar em Roma fosse a coisa mais natural do mundo.


O Ratinho mostrava a sua surpresa. Admirava o colorido diferente, a luz suave, cor de âmbar, que batia nas ruas e nas fachadas das casas. Apontava para cima e murmurava:
- Já viste tão lindo? O céu tão azul?...


O Ouricinho Dan sorria e saltitava pela Via del Governo Vecchio abaixo, espreitando em cada porta aberta, ou entrando pelas lojas e pelos cafés dentro.

- Olha aquela casa! E a loja do Pinóquio!

E continuava:
- Cheira tão bem este café! Lavazza! Era o que tomavas cá?


E passava a outra coisa, sem parar, porque gostava de tudo.

Ao final da rua apareceu a estátua do Pasquino. 

Eles já sabiam a história das “estátuas falantes”, e foi o Ouricinho quem disse:
- O jornalista! Este era o dos jornais de parede, não? Disseste que apareciam aqui as críticas todas...

- Ainda hoje aparecem, disse o Ratinho. Não vês ali?

E lá estava de facto um papel, uma queixa, colada numa tábua.
Corriam à minha frente e, de repente, pararam.


- Olha esta antiguidade!
Era o Ratinho que se admirava mais.
E, logo:
- E as  motas!
- Tanta motinha gira, acrescentou o Ouricinho.
- São Vespas, como no filme “Férias em Roma”, não é?

O Ratinho estava sempre mais informado sobre estas coisa culturais. Continuou, a explicar melhor ao amigo:

- Com a Audrey Hepburn... Gosto muito dela!

O Ouricinho não se deixou ficar atrás.

- Férias em Roma, tal como nós agora! Já viste a quantidade de coisas sobre o filme? Olha um avental com a Audrey! 

De facto no quiosque que vendia os jornais vários aventais pendurados com a Audrey e o Gregory estampados a várias cores.

- E tantos postais com ela! Isto é que é mediatização...
- Marketing! Hihihi..., riu-se o Ratinho que adorava estas saídas do amigo.
Ainda quis tirar uma fotografia aos aventais mas eles corriam tanto que lá fui atrás deles.


Tinham parado a ver uma Suzuki. Saltaram lá para cima e deitaram-se no selim,  a ver o céu.

- Bela vista!, gritou o Ouricinho, divertido. Ó Dan, guia tu a mota!

E ria-se às gargalhadas.
- Esqueci-me dos óculos escuros, lamentou-se o Ouricinho. Guia tu!

Continuámos a andar. E de repente, foi como um mergulho na luz e na beleza da Piazza Navona - o que os deixou literalmente sem fala.


- Estão a ver esta maravilha? É a Piazza Navona!, exclamei eu, excitada por lhes poder mostrar aquela praça de sonho.

De boca aberta, giravam a cabeça, olhavam em volta.

- Que fontes tão lindas! Podemos sentar-nos neste caixote, para ver melhor aquela ali no meio?, perguntou o Ratinho.


- Claro que podem. É a Fonte dos Quatro Rios, do Bernini.

Não me ouviram e ali ficaram, a virar-se para todos os lados, empoleirados no caixote.

- Era então assim a “tua” Roma...
O Ratinho Poeta falava, com um ar inspirado.
- Não era bem assim. Muita coisa se modificou nestes anos...
- Preferias como era dantes?
- Não sei...
Fiquei a pensar como era dantes.Vieram-me imagens à memória, pessoas, ruas cheias de mistério hoje sem ninguém. Os turistas invadiam as praças e felizmente deixavam alguns espaços livres.


- Se calhar não queres falar nisso, disse o Ratinho, filosoficamente. Custa-te sempre voltar, não é?


- Ó Ratinho, é tão complicado. Gosto de vir sempre, mas há tanta nostalgia, tanta recordação que me faz doer a alma...


O Ouricinho, curioso como sempre, olhava para a minha expressão.
- Por quê?, perguntou.



- Lembro-me de certas noites na Navona. Oh, muita gente se foi embora daqui.
- Morreram? 

O Ouricinho era mesmo curioso.
- Sim, alguns morreram...

O Ratinho pôs-me a patinha no braço, com ternura.

- Se quiseres, fala comigo, diz-me o que sentes. Se preferes, não digas nada, nós compreendemos. Não é, Dan?

- Claro! Não queremos que sofras a lembrar os amigos...

Não sofria. Tinha saudades deles e de mim.

- Esta praça é a tua preferida? É a mais importante para ti na tua memória?

O Ratinho queria mudar a conversa.
- Não sei, Ratinho. Há tantas praças em Roma de que gosto. Tens razão, esta é importante para mim. E tu o que achas?
- É linda... De uma beleza estonteante!

O Ouricinho, no seu discurso mais terra a terra , acrescentou:
- É divertida, tem tanta luz, tanta cor e tantos divertimentos!

Olhava de olho arregalado para o “fakir” (o que poderia chamar-lhe se não isto?) que num braço estendido, impávido, aguentava - como se não tivesse peso- o corpo de um homem, vestido de panos laranja, meditando, imóvel.

- Impressionante! Achas que é só a concentração?, perguntou o Ratinho.



Continuámos, atravessando o Corso Rinascimento, passando perto do Senado, em direcção à Piazza della Rotonda, também chamada Piazza del Panthéon, outra das minhas preferidas.

- Espantosa! Que arquitectura tão bela...

O grito de entusiasmo do Ratinho divertiu-me. Esqueci as tristezas. 
"Os amigos são para isso e há sempre amigos novos!", pensei.

- Amazing!, disse o Ouricinho, que tinha aprendido aquela palavra há uns tempos.
- Ó Dan, mais motas!!! Que loucos estes romanos! Bem dizia o Astérix...

Rimo-nos os três da graça do Ratinho. Entrámos no Panthéon.

- Aquilo é a lua ou é um buraco? 

O Ouricinho, de pescoço esticado, procurava ver através da lucarna do Panthéon, tão alta que nos parecia estar em pleno céu aberto.

- É uma abertura...
- E esta escultura tão bonita com uma pombinhas?, perguntou o amigo Poeta.


- É o túmulo de Rafael,  o pintor ...
- Do Renascimento!

Era o Ratinho, uma vez mais... Aquele Ratinho era uma enciclopédia!

Continuámos a andar, subimos a rua paralela ao Panthéon  e chegámos a Santa Maria Sopra Minerva.

- Ai, o elefantinho que engraçado!, disse o Ouricinho, encantado.

Outro deslumbramento para os dois.
-  Que lindo!
- É o elefante português..., expliquei.
- O quê??
- Português?

Tinham-se virado ao mesmo tempo para mim.

- Sim. A estátua representa o elefante que veio a Roma.
- Quando é que ele veio?, perguntou o Ratinho, desconfiado.
- Eu não percebo é como ele veio ate cá. Num avião não pode ser!

O Ouricinho parecia céptico quanto a essa vinda.
- Foi há muitos anos! Veio numa embaixada do Rei D. Manuel, ao Papa.
- Ah!, disse o Ratinho. Também veio uma pantera, não foi?
- Do Rei?! Ó, isso então foi há séculos...
Entrámos na Igreja.
- Não é bonita?
Para mim era maravilhosa. Mas o Ouricinho parecia desinteressar-se. O Ratinho olhava em volta silencioso. 
Pensei que estavam cansados de andar e andar. Animei-os com uma proposta:
- Vamos comer um gelado?!
O Ratinho, sempre bem educado, respondeu logo:
- Oh, sim. E depois vamos para casa?...
- Sim, Sim! Quero um gelado!...
Ainda quis contar mais coisas...

- O Café Tazza d'Oro... Que saudades!

Mas eles já nem me ouviam bem. Tinha sido um dia muito intenso!