terça-feira, 17 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
"O Canto do Ossôbó", de Marcelo da Veiga
Provérbio Chinês: "Um pássaro não canta porque tem uma resposta. Um pássaro canta porque tem uma canção...”
Ossôbó
"Ossôbó! ossôbó!
Como és estranho e só!
Longe da ignara turba e do pó
Em altas francas cantas, escondido,
As estranhas endechas
As magoadas queixas
De um coração ferido.
Em vão dee ntre a folhagem
De entre a espessa trama da ramagem
A vista corre, indaga...
Que busca ela? que quer? ronda, divaga...
Cantas, modulas, não sei que penar,
Ossôbó! Ossôbó!
E é quando o ar se embrusca
E a natureza desolada e fusca
Se arrepela aos safanões do vento
E o chó-chó, aflito, grita
E as asas abre, a busca de um lar: que é mais aflita
a tua voz; mais só o teu lamento
Dir-se-ia o rugir da tormenta
Que busca ela? que quer? ronda, divaga
Vi e vem, teimosa,
Busca e rebusca, ofegante e ansiosa...
Por fim, vencida,
Desiludida,
Desce, cai...mas no mesmo ramo só,
Ferindo o ar,
Cantas, modulas, nãosei que penar.
Ossôbó, ossôbó"
Nota Bio-bibliográfica sobre o poeta são-tomense:
“Marcelo da Veiga nasceu na Ilha do Príncipe (arquipélago de São Tomé e Príncipe) a 30 de Dezembro de 1892, tendo falecido em 1976. (...)
Veio para Portugal aos 11 anos para frequentar o Colégio Caliponense, e depois os Liceus de Pedro Nunes e Liceu Passos Manuel.
Segundo informações da filha, teria cursado Medicina e Direito, de cujos cursos desistiu. Com mais de 30 anos, talvez por volta de 1028, regressou ao Príncipe, dedicando-se à exploração de uma roça que aí possuía e hoje pertence aos herdeiros.
Em 1959 teria tomado posição pública em relação aos problemas económicos do arquipélago (...). É preso pela PIDE, em São Tomé, durante um mês. Mais tarde esteve preso em Luanda, ode foi julgado por um Tribunal Militar mas foi absolvido e voltou ao Príncipe, em Março de 1960.
De 1962 a 1971 vive em Lisboa, na Amadora, onde escreveu e datou a maioria dos sues poemas. Em 1971 regressou à Ilha do Príncipe, voltado esporadicamente a Lisboa.
Em Lisboa conviveu com vários intelectuais e políticos, oriundos de São Tomé ou amigos destes: Mário Domingues, Hernâni Cidade, Francisco Tenreiro, Almada Negreiros e Mário Eloy entre outros. A sua colaboração poética, em grande parte, se não na sua totalidade restringiu-se a poemas publicados no Correio de África.”
in Prefácio a“O Canto do Ossobó”, Edições ALAC, 1989
Esta obra patrocinada pela Câmara Municipal da Amadora: Organização, Direcção e Prefácio de Manuel Ferreira
Billie Holiday e Lester Young : Fine and Mellow (Sound of Jazz, 1957)
Depois de muitos anos de separação, Billie e Lester voltam a encontrar-se para gravar esta melodia.
Antes tinham gravado cerca de 50 canções em 4 anos...
Pouco tempo depois deste re-encontro, morrem os dois, num curto lapso de poucos meses.
Lester antes, em Março de 1959 e Billie depois, em Julho de 1959...
Poesia, Poesia, Poesia... A Poesia e o Inverno
Poesia de Inverno: poesia de tempo sem deuses
Escolha
Cuidadosa entre restos
Poesia das palavras envergonhadas
Poesia dos problemas de consciência das palavras
Poesia das palavras arrependidas
Quem ousaria dizer:
Seda nácar rosa
Árvore abstracta e desfolhada
No Inverno da nossa descrença
Sophia Mello Breyner, Antologia, Portugália, Colecção Poetas de Hoje, 1968, pág 210
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Bom Dia 11 ! "What A Wonderful World"!, com Louis, claro, Gui! Mais o Sherlock e o Watson e o Mori...
O ratinho e o ouricinho estão excitadíssimos! Porque há uma menina que faz hoje anos...Bem, querem saber? Eu digo quem é: é a minha filha!
Quando os amigos morrem, chega a noite... Jacques Brel canta "Voir un ami pleurer" e faz-me companhia...
NOITE
"Sòzinha estou entre paredes brancas
Pela janela azul entrou a noite
Com o seu rosto altíssimo de estrelas"
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Para nunca esquecer. Memória do Holocausto...
Encontrei hoje dois apontamentos que me levaram a escrever uma vez mais quanto é perigoso esquecer certas coisas.
No blog “Palavras daqui e dali” vi recordado o filme “Au Revoir Les Enfants,de Louis Malle, um dos filmes mais dolorosos que me lembro de ver. Fala de rapazes de 11 anos, judeus, que foram levados para os campos.
Como o foram estes meninos ciganos...
Como dizia à Isabel, tenho o DVD mas não consigo “rever” o filme, visto há muitos anos, num cinemazinho de Roma, no Campo de' Fiori.
O filme baseia-se em acontecimentos verdadeiros que Louis Malle recorda: era ele o menino de 11 anos que estudava num colégio católico e um dia viu chegar a Gestapo e levar três colegas dele e um professor, que eram judeus.
O director do Colégio, não-judeu (não quero usar “ariano”), foi preso por os ter albergado, e mandado para o campo de Mauthausen.
Morreu pouco depois do Exército Americano ter libertado o campo. Recusara-se a sair dali enquanto o último francês não fosse libertado.
Chamava-se Lucien Bunel, era o Père Jacques. Hoje está na lista dos Justos entre as Nações, em Israel.
Depois, vi no blog Cozinha dos Vurdóns outra "evocação" dessas vítimas que não foram só judeus, mas ciganos, mas também homossexuais, mas também deficientes...
E ainda o blog "Zerafim" no seu post "Céu Negro" fala do mesmo assunto e da mesma necessidade urgente de "guardar a Memória"!
Para que não volte a acontecer...
Foi aqui que "roubei" a foto do triângulo roxo e a belíssima imagem da "Chuva"...
A "Cozinha dos Vurdóns" revelava que o Governo alemão vai construir um Memorial dedicado aos ciganos mortos nos campos. Os “sintos e os rom” como eram conhecidos, "distinguidos" pelo triângulo roxo.
Como os judeus tinham a sua estrela amarela e os homossexuais o triângulo cor de rosa.
Será o grande arquitecto israelita, Dani Karavan o seu criador.
"A menos de 100 passos do Reicshtag, perto da Porta de Brandeburgo"...
Porque os ciganos foram também deportados, como os homossexuias, como os comunistas.
A maior parte não voltou...
Citam um texto - chocante, verdadeiro e triste- de Esther Muznick (escritora judia portuguesa):
“Curvamo-nos e vemos pequenas placas incrustadas no chão, normalmente junto a prédios de habitação. São de cobre ou de latão dourado do tamanho da mão de uma criança e têm apenas gravadas um nome, a data e o local da deportação. “Aqui viveu Anita Bukofzer, nascida em 1930, deportada em 1943, assassinada em Aushcwitz.”
Pequenas placas que perpetuam a memória de judeus, ciganos, homossexuais e deficientes, junto das casas onde viveram antes de ser levados para a morte.”
sábado, 7 de janeiro de 2012
Começar bem o Ano 2012! A grande Mulher!
Aos 92 anos Olga Kodelko, canadiana, é ainda um título nos jornais: Ganhou 600 medalhas de ouro nos vários Jogos Olímpicos, nas modalidades de lançamento de dardo, salto à vara, etc, na categoria dos "acima dos 80/90".
A sua paixão pelo desporto começou aos ...77 anos!.
“A velhice não é uma doença, tal como a infância o não é... Só temos um corpo e um espírito para viver, e cada um deve tomar conta deles o melhor possível...”
Para permanecer activa, aconselha “treino e mais treino”. Porque nunca é tarde para começar.
20 a 30 minutos de actividade mais forte: aeróbica, corrida, hidro-ginástica ou natação.
Importante: fazer isto todos os dias!
O seu regime é à base de muitos frutos, de legumes e salmão. Diz ela: "Assim, tenho mais energia, força e velocidade do que tinha aos 77 anos! A densidade óssea aumentou e não tomo remédios. Apenas vitaminas e calcium.”
E bebe água, muita água!
No jardim da casa onde vive com a filha e dois netos, farta-se de “jardinar”. Além disso pratica “Sudoku” para manter o cérebro treinado, canta em dois grupos corais, dá cursos e faz conferências.
Por vezes bebe um copo de vinho ou mesmo um scotch. “Não sou perfeita”..., diz.
Para explicar as suas proezas desportivas, não tem explicação: “Faço o que posso do melhor modo que posso.”
O Ratinho e Marilyn Monroe...
- Achas que as pessoas famosas podem ser infelizes?, perguntou.
O ouricinho estava encostado a ele, a ouvir, como sempre.
O ouricinho estava encostado a ele, a ouvir, como sempre.
- Era tão bonita,disse, numa voz suave.
- Quem?
A princípio não estava certa a quem o ratinho se referia.
- Frágil?, perguntou, surpreendido. Ela?
- Penso que sim. As pessoas famosas podem ser frágeis, sofrer como as outras...
- Por quê?
- Talvez porque estão mais expostas...
- Olha o Truman Capote...
- O quê?!, espantei-me.
- O escritor. Tu conheces.
- Eu sei. E o que foi que ele fez?
Perguntei só pela curiosidade de o ouvir responder.
Perguntei só pela curiosidade de o ouvir responder.
- Foi infeliz. Era frágil também...
- Ah!
Reflectiu e acrescentou:
- Sim, tens razão, podem estar mais expostos...
- Claro que sim, disse o ouricinho Danny. É a fama, a popularidade, não é?
Virava-se para mim, para eu confirmar. O ratinho voltara a olhar para a caixa. Parecia fascinado com aquela imagem.
- Sim. É o olhar dos outros, impúdico. A câmara que filma, a máquina fotográfica que entra pela vida deles dentro...
- Pode ser...Achas?
- Esse olhar, esse espiolhar da vida não os deixa respirar à vontade.
- Mas ela também sofreu com isso? Parecia tão forte, tão alegre. Tão cheia de vida!
O ouricinho interrompeu-o:
O ouricinho interrompeu-o:
Gostava de os ouvir falar.
- Que pena... E tinha uma voz tão bonita!
O ratinho estava agora sentado na tampa, para ver com mais atenção.
- Matou-se, não foi?, acrescentou o ouricinho, inseguro.
E encostou-se mais a ele.
E encostou-se mais a ele.
- Oh! –disse o ratinho Poeta- esse é um mistério ainda a desvendar! Não se sabe tudo...
E continuou, com ar preocupado:
-Pode-se ter suicidado... Pode ter sido assassinada...
Tinham razão os dois. Mas onde teriam ido descobrir tantas coisas? Surpreendiam-me e enterneciam-me aqueles dois!
- Como é que sabem?, perguntei, a rir-me.
- Li umas coisas na internet... Ouvi também na televisão...
Eu tinha calculado. Agora tinham a mania da internet e estavam sempre a discutir por causa de um computador micro com malinha que o ouricinho tinha arranjado...
- Tenho pena dela, sabes?, repetiu o Ratinho.
Eu tinha calculado. Agora tinham a mania da internet e estavam sempre a discutir por causa de um computador micro com malinha que o ouricinho tinha arranjado...
- Tenho pena dela, sabes?, repetiu o Ratinho.
- Eu cá também, disse o ouricinho, compungido.
- Bela e famosa... Julgamos que isso chega para dar a felicidade, não é?
E o Ratinho tinha o ar de um filósofo que muito pensara já no assunto.
- Claro, ratinho, acrescentei, não chega...
Franziu os bigodes, sério:
Franziu os bigodes, sério:
- Pois é... Eu sei. E a solidão?
- É verdade! E a solidão?, perguntou o ouricinho. Eu sei o que isso é! vivi sozinho...
- Nós sabemos! Mas agora não estás sozinho!, disse eu. Tens amigos.
- Nós sabemos! Mas agora não estás sozinho!, disse eu. Tens amigos.
O ratinho ainda acrescentou, deixando-me espantada:
- Quando se está sozinho, para que servem as outras coisas?...
Como é que ele pensava assim?
- Mas os amigos sim, esses contam!, terminou o ratinho.
Como é que ele pensava assim?
- Mas os amigos sim, esses contam!, terminou o ratinho.
O ouricinho que estava quase deitado na tampa da caixa, disse ainda mais uma vez:
- Que pena, que pena...
Suspirou.
Suspirou.
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