terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O LIVRO DE ANNE MICHAELS, "IN FUGA"


Há livros que nos emocionam. Pela fragilidade que sentimos ao ver o tempo correr-nos entre os dedos como a areia da praia? Ver desaparecer tudo... Prendemos uma conchinha, que se agarrou à palma da mão, e ficamos nostálgicos, olhando o mar, o barco que se afasta. 

Mar, Megi Pepeu

É a consciência do momento que passa que nos deixa vulneráveis?
"In fuga" - título da tradução italiana que comprei em Trieste- é um livro sobre tempo, memória, e História. Um livro de momentos vividos e perdidos, logo, para todo o sempre. 

Na edição italiana da Editora Giunti a capa - uma fotografia de Mark Owen- é extraordinária! Lembra todos os meninos em fuga para um sítio, em fuga de alguma coisa má, do medo, da solidão, do abandonou ou da morte.
A memória tem a função de 'salvar' os desaparecidos.  Deixar que vivam ainda um pouco mais connosco. Porque, quando não forem recordados, desaparecerão.
«Porque cada momento são dois momentos". O de viver e o de recordar? Porque se pode sempre viver outra vez?
Desaparecidos da nossa vida: barbaramente. O “porquê” dessa falta enorme persegue-nos. Persegue o pequeno Jakob, que parece fugir sempre. 
outra fotografia de Mark Owen
 Jakob que foi “arrancado” do pântano onde se escondera dos nazis que lhe mataram a família, salvo por Athos Roussos. 

Arrancado  para a vida. Era uma criança, perdida num charco pantanoso, sem saber há quantos dias. Saía à procura de comida e voltava para se esconder, fingindo-se morto, com as botas presas na lama do fundo, porque assim se sentia seguro.

E a mãe? Morta. E o pai? Morto. E Bella? É de Bella que não se consegue lembrar se morreu. É na irmã, Bella, que pensa e pensa, com angústia. O que aconteceu a Bella?
Berthe Morisot, Jeune fille au piano
Arrancado para a vida, sim, extraído da morte pela mão de Athos Roussos, um paleobotanico e arqueólogo grego, que estudava as arenárias e os fósseis de plantas, à volta do lago - um lago onde existira uma cidade submersa. 
Cidade da Idade do Ferro, em madeira petrificada, situada no Lago Biskupin (1), na Polónia, que, uma dezena de anos antes, nos anos 30, os polacos tinham começado a desenterrar. Escavações continuadas pelos cientistas dos SS Ahnenerbe alemães até 1942.
 a cidade submersa do Lago Biskupin - hoje
É um livro que dá vontade de apertar ao peito, por momentos, para entender, pelo coração, o horror.
É, pois, a história do judeu pequeno Jakob Beer salvo dos nazis quando tinha sete anos.  
Jakob é tirado do lago. Athos abraça-o e esconde-o debaixo do casacão pesado e assim atravessam a Polónia em direcção à Grécia. E não temos dúvida que foi assim, não importa como.
Athos salvou-o e leva-o até à sua ilha, Jakintos. Insufla-lhe a vida que ele não queria, enche-lhe os pulmões de ar puro que ele não quer respirar, e trata-o como uma planta, um animalzito doente, dando-lhe água e amor, um sítio onde viver, onde perder o medo e o espanto.
Berthe Morisot, Desenho "Ao piano"
E Bella? A irmã que tocava piano e tinha os cabelos negros e compridos a caírem pelas costas, bela nos seus quinze anos, e que deixava os ganchos por toda a parte, a marcarem os livros ou a segurar a partitura. É a sua angústia lembrar-se onde ficou Bella. Onde a perdeu?
“Filho do pântano, nasci das entranhas enlameadas da cidade submersa”. (pg 9-10)
A fuga constante: “Corria e caía, corria e caía. Depois o rio: tão frio que parecia cortar.”
Vê a aldeia arder sem entender o que se passa. Deitado no rio, sentia os corpos transformarem-se em espíritos.
Ergueram-se em voo, os mortos passaram por cima de mim, estranhos arcos e auréolas que ofuscavam as estrelas. As árvores dobravam-se com o peso deles”.
Tem medo. Nunca estivera sozinho na floresta. Os dias passam, tem fome, alimenta-se de raízes e, quando chega a noite, deita-se ao lado do rio.
Os ramos nus e selvagens pareciam serpentes geladas.” Enterrado,  mas seguro, com as roupas geladas como uma armadura.
“Respirava como um cão. Com os braços apertados no peito, o pescoço esticado para trás, as lágrimas colavam-se nas orelhas rastejando como insectos.”
E, de repente, a nuvem e a angústia: e Bella? Onde ficara Bella, a irmã adorada? A Belle que chorava no final dos livros, os de Romain Rolland e de Jack London que ela tanto amara. Lembrava-se dela, a ler ou a escrever.
Berthe Morisot, Jeune fille écrivant
Enquanto lia, assumia a expressão das personagens como se usasse máscaras, e esfregava o dedo no fim da página para a virar.” (pg.13)
Como dizer o indizível? Em que momento exacto perdera Bella? Athos arrancara-o ao pântano e levara-o. Athos salva-o todos os dias, Athos obriga-o a aprender uma língua nova. E outra. Obriga-o a comer, a andar, a observar.
Mas dentro, Jakob não tem nada.
Tens de ir ao fundo de ti procurar as palavras”. Jakob não era capaz, passava horas num vazio mental total. 
Bazille, Au piano
A memória recusa-se e, só em breves flashs, recorda. Vê as paredes do armário em que  estivera escondido. Ouve os gritos. Apercebe-se do drama? Passou por cima do corpo dos pais mortos? 
Mais nada. Onde desapareceu Bella? No  caminho para o rio ou será que ela fora levada antes?
Os gestos de Athos querem trazê-lo para a vida, para a cidade nova. E fala-lhe do provérbio hebraico: “Tens um livro na mão, és um peregrino às portas da cidade nova”. 
E ensina-o: o cuidado com que trata as plantas, o amor às pedras, a explicação do mundo desaparecido há milhares de anos, “um mundo que pede para ser descoberto”
De facto, no Lago de Biskupin onde encontrara Jakob, ele procurava vestígios arqueológicos. Estudioso dos fósseis fala-lhe da madeira apodrecida que sobrevive petrificada; das transformações da natureza durante séculos para renascer; da força da vida. 

Mas em que momento é que a madeira se transforma em pedra?” E as folhas? E as plantas? E os peixes?

Também Jakob tem de sobreviver e Athos tenta ‘fixá-lo’ a um sítio, a uma paisagem: à Grécia, ocupada agora pelos nazis, à sua ilha de Jakintos. Depois, muito mais tarde, será a cidade de Toronto.
O que é o homem sem uma paisagem? É apenas o momento em que se olha ao espelho…”(pg.81)
Van Gogh, paisagem em Arles
Athos e as suas inesquecíveis lições de vida, de arte, da procura da beleza das coisas naturais e das criadas. E da sua necessidade..Da necessidade da vida!
“Encontra o modo de tornar a beleza necessária e de tornar bela a necessidade.” 
Que se salve através do passado: que tire para fora tudo! “Escreve para te salvares. Um dia escreverás porque te salvaste. (…) E nesse dia talvez tenhas vergonha de teres sobrevivido.”
O que acontecerá a Jakob? Não vou contar. É um livro demasiado belo, ético, profundo e cheio de pequenas riquezas para ser contado assim, sem o ler!
Cada momento são dois momentos”, insiste Jakob. "O momento da História não coincide nunca com o da memória.” 
Grutas de Lascaux
No ano de 1942, enquanto os judeus são mortos em Auschwitz e se “abrem covas para os enterrar”, nas grutas de Lascaux, os arqueólogos cavam, na profundidade, abrem covas, e descobrem nas cavernas as maravilhas das pinturas rupestres: o “veado que nada”; os “cavalos suspensos no ar…” 
Anton Zorai Music, No Campo
Felix Nussbaum, Esqueletos
Enquanto a orquestra fúnebre e trágica toca nos campos de concentração, o arqueólogo -ao descobrir a beleza- ouve uma sinfonia maravilhosa.
Grutas de Lascaux
Vida e morte. Horror e beleza. Cada momento são dois momentos.
O trabalho de memória sim. “Não conseguia afastar o meu olhar angustiado do momento exacto dos que morreram. (…) Quem morreu primeiro? A mãe ou o filho? Estavam calados ou gritavam? Tinham os olhos abertos ou fechados?” (pg.127) 

I Parte do livro fala do trabalho que Jakob vai realizar. Juntar as "Peças Fugitivas"? Tal como o trabalho do arqueólogo, o escavar dentro do passado é também uma procura de "peças" perdidas que não se deixam apanhar facilmente.
Na II Parte, o narrador, Ben, é um admirador da poesia de Jacob Beer -que se transformou num poeta famoso- e a procura do passado do poeta leva-o a encontrar o seu.

Romance poético, livro metafórico que recorre, constantemente, à metáfora. 
A ciência paleobotanica de Athos 'implica' que há uma gradual descoberta física de estratos arqueológicos - sejam eles os estratos temporais de mudanças ou os da degradaçãoTalvez seja essa a explicação daquilo a que chama o "instante gradual".
“Cada momento são dois momentos”. Em cada momento, há sempre dois momentos. 
Anton Zorai Music, sobrevivente de Auschwitz
Pode dizer-se que o romance explora o tema dos traumas, da dor, da perda e da memória, comparando a realidade humana, pessoal, e a científica. 

Se bem que as personagens possam não ser verdadeiras, baseia-se em acontecimentos reais, vividos. Tal como o lago existiu e a cidade submersa foi descoberta, também Jakintos (ou Zante) foi uma ilha ocupada pelos alemães onde os judeus que lá viviam foram expulsos e mortos (2). 
Quem é Anne Michaels? Uma poetiza e romancista canadiana, nascida em 1958 em Toronto, filha de pai polaco. O livro "Fugitive Pieces", publicado em 1996, sai em Londres (e na Itália) em 1997. Recebeu vários prémios entre os quais o conceituado Orange Prize


NOTA (1): 

Existiu e existe Biskupin. Existiu uma cidade submersa dos tempos da Idade do Ferro, chamaram-lhe a Pompeia Polaca ou Herculaneum polaca. Existia uma fortaleza hoje reconstruída, a 70 kms da fronteira alemã. Os polacos teriam pois lutado desde a pré-história. Biskupin passa a aparecer em novelas e contos e pinturas. Quando os Alemães ocuparam os Sudetas em 1939, as escavações passaram a ser feitas exclusivamente (1940) pelos SS Ahnenerbe até 1942. Quando foram obrigados a recuar, os alemães inundaram as escavações esperando destruí-la mas ironicamente isso levou a que se preservassem muito bem as antigas construções. As escavações foram retomadas pela Polónia depois da Guerra por arqueólogos polacos e continuaram até 1974.

NOTA (2):

Anne Michaels conta a história do Bispo Crysostomos a quem os nazis tinham exigido uma lista com os nomes dos judeus da ilha. Ele entrega-lhes um papel com dois nomes apenas: o dele e o do presidente da Câmara. 
E conta como o bispo -toda a noite- ficou ao lado do barco cheio de gente,  prontos para a expulsão, a falar com eles e a rezar. 
O que explica que em 1953, num grande sismo que deitou abaixo grande parte da ilha os primeiros socorros tenham vindo de Israel. Hoje Jakintos resiste a todos os sismos porque construída coma as técnicas anti-sísmicas mais modernas.


Parabéns, Ana!

Para a Ana, este jardim florido de Van Gogh!

sábado, 21 de janeiro de 2017

O MEDO E A INDIFERENÇA


René Magritte, O Anjo migrante

                  esculturas submersas, de Jason Caires Taylor (*)

Mal entrou o ano 2017, mas já lhe sinto um ar morno e sem energia. Tudo parece amolecido, sem reacção, aceitando-se isto ou aquilo, a dizer-se: ‘vamos ver’ ou ‘é cedo ainda' - a propósito de tudo e de nada.
Talvez seja o resultado da “quebra” e do cansaço ou da desilusão que deixam as festas da passagem de ano e do Natal, agarrados aos pequenos e medíocres bons sentimentos, e fracos protestos, acompanhados pela última fatia de bolo-rei.
No entanto, há muita coisa mal e não vamos ver nada, nem é cedo de mais. Há gestos a fazer, coisas a dizer. Cada um de nós saberá os quais porque é – e só - na nossa esfera pessoal que poderemos realizar, pela palavra, pelo choque emocional, pelo suspiro arrancado cá do fundo, ou a vontade de dar um murro na mesa ao ouvir o que se ouve. Porque já se ouve muito disparate. E vê-se muita desgraça.

Gente que morre de frio pelas estradas da Europa ou, nas ruas, mulheres que morrem às mãos dos maridos e companheiros de vida.

Crianças batidas, crianças geladas pelas estradas da Europa. Soterrados na neve, sob abalos sísmicos: Lembro os mortos em Itália, a última tragédia do tremor de terra seguido de uma avalanche, há 3 dias, sofrimento e dor.
A nossa vulnerabilidade é igual. A visibilidade é que, por vezes, é diferente.
Culpas lançadas, injustamente, aos migrantes e estrangeiros, bodes-expiatórios dos descontentamentos e dos medos. Gente que morre de frio nas ruas das capitais europeias, dentro de caixotes ou abrigos de fortuna.
E recordo as sábias palavras de Zigmunt Bauman (**), filósofo e humanista, judeu polaco, que viveu e ensinou no Reino Unido, na Universidade de Leeds - onde morreu no dia 9 de Janeiro:
É infame a afirmação que todos os terroristas são migrantes. É falso: quase todos os terroristas são, de facto, indígenas do país que atacam! Os conspiradores e 'comanditários', os assassinos, vivem bem longe, em países estrangeiros e manobram os cordelinhos à distância, fora dos perigos, aproveitando-se, sim, dos mais desgraçados, dos discriminados pela sorte, dos humilhados e vingativos que crescem no meio de nós sem um futuro.” 
São, por vezes, apenas lugares comuns repetidos e inúteis porque tantas vezes ditos sem servirem para nada. Mas há gestos que contam e que elevam a humanidade! 
Como há dias, nas ruas de Turim, quando jovens e menos jovens distribuíram edredons que um armazém oferecera. E trouxeram chá quente e café, em ‘termos’, e bolos e uma palavra amiga. Outros, também, uma camisola de lã, um cachecol: muitos ainda se lembram disso, até de tricotar cachecóis e meias quentes. Ou servem sopa quente, aqui ou ali, e descobrem abrigos em vãos de escadas para os que não têm casa. 
Há quem saia de casa para ir tratar dos outros. Não basta, claro! Mas faz bem à alma humana fragilizada por tanta tragédia! 
Como diz o Papa: "é preciso sair à rua e tocar nos que sofrem. Ouvir, estar próximo. Sem pensar em beneficência. É muito mais." Apenas, no concreto, estar próximo do outro, do que sofre.
Parece ridículo perante a imensidade dos dramas? Parece. Mas conta para os que os recebem.
Pelo contrário, tantos recusam à partida os migrantes que chegam. Por medo. Do medo, disse também Bauman que “é o mais sinistro dos demónios aninhados nas cidades abertas em que vivemos.” (8 Março 2016). 
Abertas, até quando?
E lembro uma cena que vi na televisão dum país que não vale a pena identificar: uma camioneta cheia de mulheres africanas são conduzidas algures a uma aldeia da Europa, a um centro de acolhimento. Doze mulheres indefesas, algumas ainda crianças, cansadas, uma delas grávida.
Empurrados, porém, pelo medo que lhes impingem os partidos xenófobos, veio o ‘povo’ para a rua construir barricadas contra as ‘estrangeiras’ não ficarem na terra, pobre terra de pescadores, sem peixe nem trabalho. E, medrosos e ignorantes, gritavam slogans de protestos acusando-as de virem roubar e de trazerem o terrorismo.
Ninguém lhes explicara que eram inofensivas? Ou, vivendo mal e com tanto desemprego, as consideravam concorrentes? A verdade é que, nesse país, há uma soma atribuída à estadia de cada migrante. Portanto, ali ninguém perdia nada, elas não eram concorrentes em nada. Mas a ignorância é má conselheira.
Na madrugada gelada, foram afastadas para outra terrinha. Ali, talvez chocados pelas imagens que a televisão transmitira, um grupo decidira-se a acolhê-las. E decidira defender aquelas pobres mulheres.

Li há dias que mais um barco se afundou ao largo das costas europeias. Sobreviventes: doze pessoas.
Até quando morrerão inocentes à procura do Eldorado da Europa…que não existe? Até quando serão explorados, assassinados por culpa dos que destruíram o seu habitat, a sua vida, a sua paz? E cito de novo o Papa Francisco: "Que o Mediterrâneo se tenha tornado num grande cemitério deve fazer-nos pensar!" (1)
A este propósito lembro a afirmação de Fabrice Olivier Dubosc, psicólogo, no livro "Approdi e naufragi": 

“Creio que a consciência contemporânea deva confrontar-se com a necessidade de reconhecer quais sejam os mortos significativos que precisam que falemos deles. Talvez porque sejam aqueles que foram excluídos da história de todos os modos, que foram excluídos por causa da  escravidão e da colonização, assim como a multidão dos mortos, prematuramente, em guerras inúteis, unidos com todos os que, privados de sepultura, jazem incorporados, misturados nos alicerces da modernidade."
O livro de Dubosc vai ser apresentado em Bergamo amanhã. Demasiado longe, para nós.



 Zigmunt Bauman (1925-2017)

Só mais uma palavra de Zigmunt Bauman. Quando lhe perguntaram se estava preocupado com esta migração na Europa, respondeu: 
A minha única preocupação é que a Europa possa abandonar os seus valores e se possa dobrar aos códigos de comportamento dos terroristas. Seria o suicídio da moralidade e da beleza – do local onde nasceu a ideia de liberdade, igualdade e fraternidade.
migrantes portugueses, num 'bidonville' de França

Sem esquecer nunca que somos todos iguais: pertencentes à mesma raça: a humana! E que todos fomos um dia -ou poderemos ser ainda- migrantes!
(1) Papa Francisco, entrevista a El País, de Antonio  Caño, online, hoje, 22 de Janeiro.

(*) Jason Caires Taylor nasceu a 12 de Agosto de 1974 em Dover, no Kent. É um escultor britânico e o criador de primeiro Parque de Esculturas Submersas. O Museu Submerso, no mar das Caraíbas, granada.
Escultor, conservador marinho, fotógrafo submarino e instrutor de mergulho, estudou em Kent e, depois, no Camberwell College of Arts de Londres.

(**) https://032c.com/2016/zygmunt-bauman-love-fear-and-the-network/A

(***) http://www.quilibri.eu/presentazione-di-approdi-e-naufragi-resistenza-culturale-e-lavoro-del-tutto-di-fabrice-olivier-dubosc-2016morettivitali/