segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Carta as amigos do meu blog...publiquei o meu livro!


Amigos do meu blog... 


Sei que alguns me lêem e me "seguem" e eu agradeço essa atenção. Por isso aqui estou a contar aquilo que foi para mim, a escrever, uma aventura e, depois, na realização, uma festa!
No passado  dia 5 de Janeiro, apresentei o meu novo livro, um livro de histórias da minha infância e adolescência que andava aqui, dentro de mim, com vontade de ir conhecer o mundo.


Dizia o meu amigo Inácio Steinhardt, em Telavive, que eu escrevia sempre "à janela"... e perguntava-me: "Maria João, quando é que vem para a rua e fala de si?" 
Pois a verdade é que nestas recordações falo de mim e do que vi num tempo  em que se é observador, vibrátil, sensível e tudo nos toca bem no fundo da alma - "seja lá a alma o que for", como diz a minha amiga Luísa Moreira. 

Aqui vão umas breves palavras sobre o que escrevi nesse livro Sei que há sempre, nos leitores, uma certa curiosidade em saberem por que razão alguém decide escrever um livro. "Há tantos livros a serem publicados - o que vem acrescentar este livro, segundo o autor?", perguntam. Eu própria o pergunto...
Acrescentar, não creio que acrescente nada. É apenas o desejo de contar uma história vivida,  numa "percepção à distância", do que foi a evolução de uma criança, que se vai "formando" a si própria, com a experiência das coisas observadas e sentidas

São as esperanças, os desafios, os desejos, os entusiasmos  e desilusões, tudo o que “ferve” dentro dela num espaço e num tempo fundamentais da vida: a infância e a adolescência. "Começa uma vida" é o título de uma novela de Irene Lisboa. E é de facto sobre esse "começar" que me debruço.

Só muito mais tarde comecei a levar a sério aquilo que escrevia e pensar em publicar.

Um dia, em São Tomé e Príncipe, proporcionou-se a publicação de Ilhas na Bruma – com o apoio de uma pessoa generosa, a poetisa São Tomense, Alda do Espírito Santo, directora da UNEAS. (*)
Eu participara, com pequenas histórias, na revista cultural “Batê Mom” (Bate mão) de São Tomé e a Alda propôs-me publicar essas crónicas, num livro.
Aceitei com entusiasmo e o livro saiu, em 2006, com o apoio da Fundação Gulbenkian. 
Confesso que houve uma escritora, a inglesa Penelope Fitzgerald, que me “empurrou” para publicar (já não muito jovem) um livro.  Ela que, com cerca de 60 anos, publica o seu primeiro livro A Biblioteca – uma obra que me interessou.
Penso também num outro escritor, Giorgio Voghera, triestino e judeu, que começa a escrever tarde: “Não queria deixar de testemunhar sobre o que vi,  a gente que conheci e o que aprendi com os outros e com a vida.” 
A verdade é que deixou livros muito importantes sobre a realidade e a literatura triestina e sobre as figuras famosas que conheceu. De si próprio praticamente nada falou.

Escrever como um testemunho do que vivemos, vimos, observámos – pode ser diferente do que outros escreveram pois, como o dizia Bashevis Singer:
 Todos podemos observar as mesmas coisas, viver vidas semelhantes, ver pessoas aparentemente iguais, mas a verdade é que todos escreveremos de modo diferente segundo a sensibilidade e capacidade de observação de cada um”. 

É como se a realidade, aparentemente idêntica, passasse por um “filtro” pessoal. 
Todos temos o nosso “filtro” - diverso do dos outros - o que, no fim e ao cabo, essa afirmação vai dar ao que afirmava Régio: “Cada um vê de modo diferente a mesma realidade, conforme a sua própria sensibilidade”. 
Se formos sinceros e autênticos, surgirá no que escrevermos a nossa originalidade.
Depois de São Tomé, nos mais tarde, em 2009, a minha filha fez-me uma surpresa quando foi à Índia, publicando, em Mysore, outros dois livrinhos: Histórias da Casa Amarela e Recordações da Ilha.
Por mim, confesso que senti vontade do que foi o começo da minha  aprendizagem de vida.
Evoco, simplesmente, momentos da minha infância e adolescência que me marcaram mais: as pequenas-grandes conquistas, os desafios e medos, a descoberta do desconhecido e da natureza, de mim própria e dos outros.
Nessa recordação, quis “reviver” o passado: as imagens indeléveis, e irrepetíveis de certas figuras que não esqueci, entre a nostalgia e a ironia.
A vida é uma aventura que se cria todos os dias e a minha vida foi agitada e aventurosa, de país para país, tão depressa dizendo “olá” - à chegada- e, a seguir, dizer “adeus”  - e tudo isso faz doer. 
Tenho de associar a esta aventura o Manuel, companheiro de uma longa viagem e de muitos desafios…
 A apresentação do meu livro, no Centro Cultural de Cascais, foi uma espécie de aventura que eu considero quase mágica. 
O Auditório é um espaço muito amplo e nobre e terei que voltar ao Centro para ver tudo melhor um dia.

Porque a verdade é que os que vieram eram amigos mesmo, vieram de longe, tiraram um bom bocado do seu repouso de sábado para me virem fazer companhia. 

Nunca tinha tido uma festa assim. Estava nervosa e a Luísa, minha aluna de há tantos anos, reparou e disse logo:  "Maria João, isto não é nada comparado com o estágio, com aqueles professores todos, lá atrás, a avaliarem-na! E nós a dar apoio!"
Luísa e eu, noutra situação de apoio...
De facto, nessas aulas,  elas - a Luísa, a Guida, a Mari, a Ana Lobão - preocupavam-se em tornar a "aula " interessante,  perguntando "à professora" tudo e mais alguma coisa para tornarem a "aula viva e activa".
***
E lá estavam os velhos amigos fazer companhia! A Luísa, a Fernandinha ou a Mónica e a Marta - alunas de tempos mais recentes...

E o “clã” dos alentejanos que se deram ao trabalho de fazer quilómetros para virem de Portalegre, de Lisboa, Santarém e de outros lugares. E mais ainda...
As três irmãs
A Mimi que nos viu nascer a todas
a Mónica

Amigos, e familiares crescidos e jovens que não via há anos; as minhas antigas colegas, professoras da Escola Secundárias de São João do Estoril e da Escola da Portela de Sintra.
a Conceição, primeiro aluna e depois colega

E as alunas e alunos de vários idades, conforme os diversos períodos de ensino da minha vida.
E, last but not least, tive a bela surpresa de reencontrar, passados tantos e tantos anos, a minha primeira colega de carteira quando entrei para o Liceu de Portalegre.

 O nosso liceu era o belo Palácio dos Acciaioli, de que falo no livro. Tínhamos as duas 10 anos mas ela veio para Lisboa e nunca mais nos vimos.
Maria Helena...

...e eu

Quando comecei a reunir estes contarelos, encontrei a história do nosso encontro e do ano que passámos lado a lado. Perguntava : “o que será feito dela?”
Como a vida é mais rica do que os romances, um dia - há sempre milagres no Facebook – recebi um pedido de amizade. Conheci imediatamente o nome que nunca esquecera e, a partir daí, fomos falando. 

Saudades desse ano passado, lado a lado? Sim, muitas! e da nossa ingenuidade, das histórias divertidas, alguma esquecidas por uma, lembradas pela outra. 
Outra maravilha inesperada foi ter os meus filhos, cada um vindo de seu continente, e a  hipótese de nos encontramos todos.
Assim foi a minha festa! Para finalizar, as flores que eles me ofereceram. "Sem fotos"!, recomendam sempre.
(Não, não são narcisos - apesar deste post ser bastante narcisista!)
Enfim, um momento de felicidade de que todos os presentes, conhecidos ou desconhecidos, fizeram parte. E que vos trago, amigos, para participarem da festa... 

(*) União Nacional dos Escritores e Artistas São Tomenses


14 comentários:

  1. Um belo e comovente post sobre a amizade, a escrita e as memórias de uma vida.
    Irei ler "Os Figos de Setembro", assim como o livro das crónicas de S.Tomé, que refere na sua crónica:-)
    Desejo-lhe as maiores felicidades.
    Muito Boa Noite!
    Rui Lima

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  2. Muitos, muitos parabéns! Vi no FB e já estou a tentar através da Livraria Lumiére conseguir um exemplar
    um beijinho
    Gábi

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  3. Que bonito! Tenho imensa pena de não ter podido estar aí, mas a Maria João sabe que agora é muito complicado para mim sair daqui. Mas acompanhei-a em pensamento.

    Muitos parabéns e que este seja o (re)começo de uma aventura na escrita, que se repita muitas vezes.

    Um beijinho :))

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  4. Quando damos o nosso melhor
    somos felizes com os outros
    Registo a sua publicação
    desejo que voe em voz alta

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  5. Querida Maria João, já a felicitei pela publicação do livro "Os Figos de Setembro", mas mais uma vez e agora aqui, a felicito.
    Só podia ter sido assim como foi: uma festa, um momento bom, feliz e a não esquecer; onde a família e os amigos marcaram presença!
    Apenas duas amigas ingratas faltaram: eu e a Isabel. Imperdoável...
    A editora ficou de me enviar alguns exemplares. Aguardo.
    Um beijinho saudoso.:)

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  6. Votos de muito sucesso! O livro deve ser muito interessante - gosto de livros de memórias. Bom dia e parabéns!

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  7. Maria João, foi muito bom poder assistir ao lançamento do seu livro. Sinto Portalegre a escorrer nas páginas... Obrigada! Beijinhos e avise quando lançar o próximo

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  8. Obrigada a todos!
    para os que possam estar interessados, os livros estão à venda na Livraria Lumière do Porto (está online, FB, etc) e também em Cascais, na RGlivreiros...

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  9. quem teria adorado lá estar tb, seria a mamã.....e eu claro.....és o máximo e eu fico toda inchadada por ter na familia pessoas como tu,,,,,, e que te lembras de tudo ao pormenor....adoro....também quero ter esse livro. Beijinhos e parabéns.Ainda bem que foi uma FESTA BONITA....tu mereces

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    1. Tinha sido uma grande alegria para mim e para ela...Quase podia ter sido possível...mas eu vou enviar-lhe o livro já amanhã. Não tenho conseguido...beijinhos queridas

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  10. Só agora cheguei!
    A demora não aconteceu minimamente por descaso, mas aguardei um tempo de tranquilidade para saborear devidamente a sua simpática carta que me compete também agradecer.
    Foi muito agradável saber que o lançamento foi um êxito e verificar como todos se aliaram para a saber feliz.
    Sabe que eu também adoro os figos de Setembro, nome que no seu livro, suspeito ter um segundo sentido.
    Muitos parabéns, querida Maria João.
    Continuação de dias de contentamento e realização.
    Beijinhos.
    ~~~~

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