sexta-feira, 16 de maio de 2014

Janet Frame, uma escritora que vem da Nova Zelândia... E o filme de Jane Campion... Neo-zelandesa...


actriz Kerry Fox



Foi ao ver o filme de Jane Campion, intitulado Um Anjo à minha mesa,  na Arte/TV, que me dei conta de que havia uma escritora neo-zelandesa que desconhecia e me ia interessar de certeza: Janet Frame.

Jane Campion




Jane Campion, Cannes 2013

O filme de 1990 é um filme fora do vulgar. O enredo baseia-se nos 3 volumes da auto-biografia de Frame: To the Is-land (1982), An Angel at My table (1984), e The Envoy from Mirror City (1984).

O filme cujo guião foi escrito por Laura Jones é a dramatização das suas histórias autobiográficas. As actrizes escolhidas para os 3 momentos da vida da escritora são extraordinárias: da gordinha e ruiva Karen Fergusson, à adolescente  Alexia Keogh e, finalmente, já adulta, a actriz Kerry Fox.


Esta revela-se uma actriz extraordinária! Consegue dar  da figura toda a timidez doentia, a angústia, o medo e a necessidade do outro, e a vontade de se lhe chegar, as depressões...

Janet Frame nasceu, em 1924, em Dunedin, no sudeste da Nova Zelândia, filha de pais com ascendência escocesa.



O pai trabalhava nos caminhos de ferro e a família vai girando por várias terrinhas até se fixar em Oamru (a “Waimaru” das suas novelas).

Ela é uma menina gordinha e tem uma cabeleira ruiva cheia de caracóis, sente-se diferente de toda a gente, fecha-se, esconde-se, vive isolada até descobrir a literatura. Começa a escrever poesias, muito miúda, boas poesias.

A sua adolescência tem episódios dramáticos, ligados à morte trágica de duas das irmãs. O pai tem uma relação difícil e violenta com o único filho. Por incompatibilidade de caracteres?, por incompreensão da epilepsia do filho?, a verdade é que o clima é de tensão permanente e agressividade constante.
A mãe apaga-se, na cozinha, a trabalhar para todos. As irmãs têm a vida delas, as amigas delas. Os namorados delas.

Janet, sensível, sofre com tudo isto. Afasta-se de casa, primeiro indo estudar dois anos para professora, em 1943, no Dunedin College of Education.

 Simultaneamente, estuda inglês, francês psicologia e outras disciplinas, na Universidade de Otago, adjacente ao College.
Em 1945, começa a ensinar na Arthur Street School de Dunedin. A experiência corre bem até ao momento em que um inspector vem visitar a escola e entra sua aula. A timidez excessiva de Janet impedem-na de continuar, incapaz de dizer ou fazer seja o que for, abandona a aula e não volta mais à escola.

Começa a escrever uma sua "auto-biografia", a pedido do professor , nas aulas da Universidade, tal como as outras colegas. O professor lê-o, fica impressionado, percebe que ela é diferente, mas assusta-se com o que lá conta, entre outras coisas uma tentativa de suicídio recente. 

Aconselha-lhe uma consulta um médico que acha que ela deve ser tratada num Hospital Psiquiátrico : o Seacliff Lunatic Asylum. Um manicómio...


Vai ser um horror: diagnosticam-lhe esquizofrenia e vai ser “tratada” com choques eléctricos e insulina. A convivência forçada com pessoas loucas, a frustração, o descrédito em si própria, transformam-na num farrapo humano.
Durante 8 anos entra e sai de vários Hospitais. E sofre esta “tortura”. As suas obras vão sendo publicadas.
Em 1951, uma grande editora – a Caxton Press- publica-lhe o primeiro livro, “The Lagoon and other stories”. 

É galardoado com o prémio mais famoso no país: o “Hubert Church Memorial Award”. Depois do sucesso do livro, um outro médico vem vê-la e dá-lhe alta, quando se preparavam para lhe fazer uma lobotomia!... Pode voltar a casa e a viver a sua vida.

Uns amigos levam-na a visitar o escritor Frank Sargeson (1903-1982) –um dos que tornaram conhecida a literatura neo-zelandesa, só conhecida através de Katherine Mansfield. Ele vive no campo, em Aukland, e convida-a a ficar e a viver ali de abril 55 a julho 56. Tem uma cabana, onde continuará a escrever sem parar. E escreve o seu romance mais famoso: Owls Do Cry (Pegasus, 1957).


Consegue uma bolsa de Literatura e vai para Ibiza, Andorra e depois Londres.

“Tem altos e baixos e a depressão e a angústia voltam muitas vezes. Um dia é ela própria que pede para ser internada, no Hospital psiquiátrico Maudsley, em Londres. É vista por um psiquiatar que estudara na América, o Doutor Alan Miller que conclui que ela nunca sofrera de esquizofrenia e que – devido também aos sofrimentos anteriores nos diversos manicómios, necessita de umas sessões de terapia. Trata-se com o psicanalista inglês Robert Hugh Cawley que lhe diz que a sua cura será  …escrever! De facto, Frame dedica-lhe 7 novelas.” (wikipedia)

Volta para a Nova Zelândia, em 1963, e continua a escrever e a publicar.
Em 1980 escreve a sua autobiografia em três volumes diversos: To the Is-land (1982), An Angel at My table (1984), e The Envoy from Mirror City (1984).


Em 1983, no dia dos anos da Rainha, recebe a comenda da Order of the British Empire (OBE).


Em 1989 recebe o Prémio dos Escritores da Commonwealth, pelo romance “The Carpathians”.
Morre em

2 comentários:

  1. Muito interessante!
    Gostava de ver o filme ou ler os volumes da autobiografia. Fui consultar o Wook e em português só há um livro dela, mas mesmo assim está esgotado! :(
    Em inglês ou francês não me aventuro.
    Paciência...

    Gostei muito do seu post!
    Um beijinho e um bom fim-de-semana! :)

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  2. Já tinha ouvido falar, mas não li nada dela. Arrepia, interessa, não deixa indiferente. Um bom post, como sempre. Beijinho

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