segunda-feira, 19 de março de 2018

Falando do pintor Português Carlos Botelho

Carlos Botelho, My father, 1937

Carlos Botelho nasceu num prédio da Avenida da Liberdade, em 18 de Setembro de 1899 e morreu também em Lisboa em 18 de Agosto de 1982. Foi um pintor, caricaturista e ilustrador português de grande valor. Podemos dizer mesmo que foi um precursor da Banda Desenhada. 
A sua figura do “Píu” e outros, no “Sempre fixe”, na página "Ecos da Semana", são inesquecíveis.

Habituei-me a ver a sua pintura e a amar as suas imagens de Lisboa, com seu traço ligeiro sempre reconhecível, e pela visão poética da cidade.
Carlos Botelho, Lisboa manhã de domingo, 1935
Carlos Botelho, Lisboa 1936

Descobri aqui em casa um livro esquecido, livro com algumas das suas pinturas com um breve texto autobiográfico muito interessante.
Um livro pequeno bem organizado, com algumas das mais belas “vistas” de Lisboa mas também com pinturas sobre New York, com um colorido vermelho lindo, ou de Paris, a bela Place du Tertre.

A sua pintura pertence à 2ª geração modernista portuguesa.

Começo por falar do magnífico retrato -com que ilustrei o início deste post- do pai, Carlos Botelho também, pianista, tal como o era a mãe do artista. Um quadro em que é extraordinária a expressividade do rosto, a elegância da figura e as cores. 
Filho de músicos, Carlos Botelho Carlos começa a estudar violino em 1910, pouco depois da morte do pai. A dada altura abandona-o por outro amor, a pintura. Nos últimos tempos da sua vida volta, no entanto, a esse amor.

De facto, nesse texto autobiográfico, refere-se à sua entrada no Liceu Pedro Nunes onde vai descobrir a verdadeira paixão artística da sua vida: a pintura. 

Frequentava uma aula suplementar de Desenho, e começa a pintar com grande afinco.

Lembro-me que andei semanas a desenhar, de um cartão, uma gazela, e tanto rabisquei que os meus companheiros me diziam que a gazela já se parecia comigo.
Não havia festa no Liceu que não tivesse a minha colaboração como actor ou como decorador e assim executava dezenas de cartazes e desenhos para os jornais da turma.”


O Reitor interessa-se, ao ponto de lhe propor: “Não sais do liceu sem fazeres a tua primeira exposição e há-de ser na sala da Reitoria.”

Escreve Carlos Botelho:
“Por esta razão festejei os meus 50 anos de pintor neste mesmo liceu com uma retrospectiva de óleos (…)”

Assim foi. De facto em 1918, realiza a sua primeira exposição no Liceu Pedro Nunes e, ali, vendia o seu primeiro quadro.


Ingressa, depois, na Escola de Belas-Artes onde passa apenas dois anos –não se adaptando muito bem à Escola.

Saí da Escola e comecei a minha vida profissional, vivendo do que  ganhava com o meu trabalho.
Pintava cerâmicas para ganhar a vida, nos primeiros anos.
Nos anos 20, dedica-se sobretudo às artes gráficas e à banda desenhada.

Nos inícios pinta, com uma clara inclinação para o expressionismo, cidades, retratos ou histórias.
Carlos Botelho, "Nocturnal", Nova-Iorque 

A paisagem urbana atrai-o e vai ter um lugar central na sua obra. Paris, Veneza (onde participou na Biennale de 1950) Nova-Iorque e, claro, Lisboa.
Carlos Botelho

Lisboa, a bem-amada, que pintará de todos os modos, com todas as cores e momentos do dia, na solidão das ruas, no silêncio das praças,  no rosado do amanhecer, no cair da tarde - ou na luz de um domingo de alegria.
Carlos Botelho, Lisboa 1946

Carlos Botelho, Lisboa e o rio

Lisboa que servirá de modelo e de mote às suas experiências abstraizantes dos anos 50, como o será nas décadas finais da sua pintura. 
Carlos Botelho

Difícil imaginar Lisboa sem nos vir à memória um quadro ou uma gravura de Botelho!


(1)Da Colecção Artistas Portugueses, nº 1, Ed. S.E.I.T. ed. Panorama, 1973

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Botelho

1 comentário:

  1. Gosto muito de Carlos Botelho.
    Gosto muito das pinturas sobre Lisboa. Já vi algumas ao vivo, em exposições.

    Adorei este post.

    Beijinhos e continuação de boa semana:)

    ResponderEliminar