domingo, 26 de junho de 2011

Moon River - Breakfast at Tiffany's



A cidade de Ixelles onde Audrey Hepburn nasceu...

Audrey Hepburn, Truman Capote e a canção "Moon River" do filme "Breakfast at Tiffany's"(1961)



O filme foi tirado de um livro de Truman Capote, Breakfast at Tiffany’s, realizado em 1961 por Blake Edwards (vai chamar-se em Portugal "Boneca de Luxo", no Brasil "Bonequinha de Luxo" e, já agora, em Espanha -que me parece a tradução mais justa "Diamantes para el desayuno"!)
Lembram-se dele?

Era o realizador da Pantera Cor de Rosa e do maravilhoso filme Holywood Party... Morreu no ano passado.

Já falei aqui de Truman Capote, um dos meus autores americanos pre
ferido.
Segundo o escritor americano Norman Mailer, Capote é o escritor mais perfeito da geração deles, e “neste livro não teria alterado uma palavra para ser um pequeno clássico”.

Diz ele: “Não conheço bem Truman Capote, mas gosto dele. (..) é o escritor mais perfeito da minha geração, escreve as melhores frases, palavra a palavra, ritmo atrás de ritmo. Não mudaria duas palavras no “Breakfast at Tiffany’s”.
manuscrito de "Breakfast"

O romance "Pequeno almoço em Tiffany" (no Brasil chamar-se-à "Ao Começo do Dia" e em Portugal, "Boneca de Luxo") sai no ano de 1958.
Quando o livro sai, Truman Capote tivera já sucesso com Other Voices Other Rooms ("Outras terras, outras gentes") e The Grass Harp (o poético romance, "A harpa de ervas".
O livro é bem recebido pela crítica.
Escreve de um modo simples. Começa assim:

“Sinto- me sempre atraído pelos lugares onde vivi, as casas e os arredores...”

("I am always drawn back to places where I have lived, the houses and their neighborhoods.")
A história passa-se em Nova Iorque e conta as aventuras da jovem Holly Golightly que veio para a capital, de um sítio - algures na província ...
Não sabemos quem é o narrador, sabemos apenas que foi vizinho de Holly no bairro modesto de Nova Iorque, num velho bloco de apartamentos, ao princípio da chegada dela. Jovem, atraente, vivia uns andares abaixo dele e vivia uma vida completamente livre. Quinze anos mais tarde, um amigo vai falar-lhe dela...

Inicialmente, Capote tinha escolhido Marilyn Monroe para desempenhar o papel de Holly Golightly.

Mas a produtora Paramount insiste que seja a actriz Audrey Hepburn.
fotografia de Truman Capote (à direita), com Audrey (ao meio) e Mel Ferrer, marido da actriz (à esquerda)

Audrey entrara já em filmes de sucesso como "Sabrina"ou "Guerra e Paz".
Billy Wylder, "Sabrina"(1954)
é a Natacha de "Guerra e Paz" (1956), filme de King Vidor
Capote adorava Marilyn de quem era muito amigo. Um dos melhores textos de Truman Capote é o texto biográfico que escreve sobre ela, The Dogs Bark.

"Compreendia-a bem, tinham vindo de meios semelhantes, crianças abandonadas e com uma infância de desolação e tinham tido as mesmas dificuldades na carreira a lidar com a fama, através de drogas e álcool.”


No filme Audrey Hepburn, a dada altura, canta a canção "Moon River", de John Mercer e Henry Mancini, autor da banda sonora do filme.
A canção será cantada, mais tarde, por Andy Williams com a qual vai ganhar, em 1962, um Oscar Awards tornando-se "Moon River" rapidamente "a canção de Andy Williams".

Ouçam Andy Williams: http://youtu.be/flm4xcOyiCo

Saber mais do livro e do filme no site "Breakfast at Tiffany's:
http://wwwpersonal.umich.edu/~bcash/breakfasthomepage.ht
ml

Audrey Hepburn nasce em Ixelles (Bélgica), em 4 de Maio de 1929 e morre em de maio de 1929 — Tolochenaz (Holanda), em 20 de Janeiro de 1993.

Viveu e estudou em Inglaterra, mas durante a Guerra vai com a mãe (que era uma baronesa holandesa) para a Holanda.

Activa durante a Resistência anti-nazi, vê muitos familiares serem mortos na sua frente.

Participa em espectáculos clandestinos de ballet para angariar fundos e leva muitas vezes mensagens secretas nas sapatilhas...

Actriz, modelo, humanista dedica-se a várias obras de protecção da criança, ligada a Unicef e a outras instituições semelhantes.

Em 1952, vai para paris e ali conhece a escritora Colette que a escolhe para representar a sua Gigi, no cinema.

É considerada pelos americanos como a terceira maior lenda feminina do cinema (ignoro quais as duas primeiras "eleitas"!) pelo American Film Institute.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Morreu Peter Falk, o inspector Columbo! Mas não era só Columbo...







Lembram-se do inspector Columbo?


Hoje, li: "Morreu ontem o actor Peter Falk" (16 de Setembro de1927 – 21 de Julho de 2009)


Mais outra recordação dos velhos tempos que se vai. Divertia-me aquela figura de gabardine suja e sempre amachucada, o olhar desconfiado e ao mesmo tempo "matreiro", o cabelo despenteado. O inspector que, pelo seu aspecto, parecia inofensivo e quase ingénuo, mas que não deixava escapar um criminoso.

E aquela ideia de estar sempre a falar da mulher era fantástica!

Tive pena, muita pena.


Deixo a notícia de Le Monde online:



Actor e realizador, ficou célebre no mundo inteiro sobretudo por ter incarnado, sessenta-e-nove vezes, entre 1968 e 2003, Columbo, o polícia descontraído mas genial, falsamente ingénuo, se bem que um pouco trapalhão.

Peter Falk já tinha atrás de si uma longa carreira quando faz pela primeira vez de inspector Columbo, o tenente da polícia..."


Descontraído mas sempre genial, trapalhão de aspecto e falsamente ingénuo, acaba por nos prender. Era o contrário de um herói policial, ele e Humphrey Bogart nada tinham em comum a não ser a qualidade de bons actores...


"Entre 1961 e 62 foi seleccionado para os Oscars (actor não protagonista). Entrou em grandes filmes de Frank Capra, John Cassavetes e em "As Asas do Desejo" de Wim Wenders" .


Em baixo, Solveig Dommartin, "As Asas do Desejo", de Wim Wenders:


Peter Falk deve ter entrado em cerca de 60 filmes, entre eles Husbands, em 1970, e A Woman under the influence, em 1974, dos seis realizados pelo seu amigo John Cassavetes.

Com a grande Gena Rowlands, a actriz inesquecível de "Gloria".

Gostei muito do filme "As Asas do Desejo", de Wim Wenders (Asas sobre Berlim).
Recordo os dois "anjos" (um deles Bruno Ganz) e a trapezista (Solveig Dommartin) e Peter Falk, que ali já não tinha nada a ver com Columbo, não "era" Columbo...
Era apenas ele, Peter Falk, um grande actor!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Recordando Marrocos, com a voz de Amina Alaoui, "Hija Mia" ( Andalo-Sefardic song )


Amina Alaoui, capa do CD "Alcantara" (O porto)

o último álbum de Amina Alaoui, "Arco-Iris"


Amina Alaoui É uma cantor marroquina, intérprete de música andaluza.

Comprei o único disco que tenho dela em Essaouira, numa bela tarde de Primavera. Essaouira é uma cidade de mar, onde existem muitos festivais de música no Verão. De música Gnaoua ou de música Andaluza.


Ouvia tocar estas canções, e lembro-me desta canção "Hija Mia"... numas férias que ali passei.

Essaouira ficava longe de Rabat, onde na altura vivia, mas era um passeio sempre agradável, costeando grande parte do mar, lindo, de Marrocos.

A costa desde Safi, El-Jadida e, mais abaixo, Essaouira, era magnífica!

Via-se logo o Torreão, as gaivotas enormes, de asas pesadas, em volta do porto.

As casas alcantiladas e brancas, o largo junto da muralha e a kasbah onde se ouvia constantemente esta canção.

Entrei na loja a saber o que era. Achei graça ao ver o título do CD, "Alcantara" (o porto...), e comprei-o.


Amina Alaoui nasceu em Fez, em 1964, numa família aristocrática. Aos 6 anos aprendeu a música clássica andaluza, com a própria família. Continuou a estudar piano e aprendeu também música clássica europeia com o director de orquestra Mohammed Abou Drar.


Entrada da Medina de Rabat

Continua a estudar para Rabat, primeiro no Liceu Descartes e depois no Conservatóriao Rabat (de 1979 a 1981), estudando com Ahmed Aydoun e Mohammed Ouassini.


Dedica-se também à dança clássica e moderna.


Mais tarde, dedica-se ao estudo de Filologia e de Linguística Árabe e Espanhola, na Universidade de Madrid e na de Granada.


Fez, El-Andalus


Enquanto estudava em Granada, procurou saber mais sobre a música árabe-Estuda a música andaluza e a música oriental e especializa-se na música clássica Andaluza, em especial na música Gharnati (do nome de Granada, em árabe (*).

Granada, El Allambra

De facto, Granada foi a última cidade - era o emirado de Granada- árabe (berbere?), na Península Ibérica a ser "reconquistada".

Cai em 1492 (Córdoba caíra em 1238, o Algarve em 1248), no tempo de Mohamadd XII, rendendo-se aos Reis Católicos, Fernando e Isabel.

Daí a influência que a música árabe deixou em Granada, do reino "Al Andalus" (a Península Ibérica)

F. Padilla, Rendição de Granada


Amina, em 1986, parte para Paris onde continua o estudos de música andaluza, agora com Rachid Guerbas e Ahmed Piro

Começa a sua carreira de cantora de música andaluza.

Canta em árabe, em espanhol, em persa clássico e em Haketia - língua dos judeus sefarditas de Marrocos, considerado o "ladino" ocidental (por oposição ao ladino oriental, a língua dos judeus sefarditas e orientais durante a diáspora sob o Império Ottomano), e misto de língua romance saída do espanhol antigo, com termos do hebraico, português, búlgaro, que se falou em Tetuão e Tânger.


A cidade de Tetuão, no oriente de MarrocosA cidade de Tânger, magnífica

Música marroquina: Amina Alaoui, Ahmed Piro et son orchestre- Ra3a Laho



Mais música: Arik Einstein | Love Song |



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sonhando com guitarras, "Guitar Dreams"-do álbum de Arik Einstein, "Oof Gozal"





Arik (Arieh) Einstein nasceu em Telavive em 3 de Janeiro de 1939 e é um cantor e compositor israelita.

Foi campeão "júnior" do salto em altura.

Cantou no grupoTambém foi actor em alguns filmes.

Einstein foi vocalista dos conjuntos Batzal Yarok (Cebola verde), Slishiat Guesher Hayarkon (Trio ponte do Yarkon) e cantou junto com Shmulik Kraus e Josie Katz no trio vocal Hachalonot hagvoim (As Altas Janelas).

Com seu melhor amigo Uri Zohar, dominava a nascente boémia israelense e o rock nascente. Einstein exerceu ao longo dos anos grande influência sobre a música israelita.

Einstein compôs muitas das canções que ele mesmo canta. Entre elas: Ani Ve'Ata (Eu e Tu), Sa Leat (Conduz devagar), Yoshev Al Ha'gader (Sentado no muro), Ima sheli ( A minha mãe) e Uf Gozal ...

Ficou conhecida a sua interpretação da canção dedicada a Rabin, “Shalom Haver” (to cry for you).

Words and Music: Aviv Gefen

Performed by Arik Einstein

I am going to cry for you

Be strong above

My yearnings

Are like doors that are opened at night

Forever, my brother

I will remember you always

And we'll meet in the end, you know

And I have friends

But they too are dimmed

Before your crazy light

http://youtu.be/4cygVEtou0E




São João, ó meu São João!

Montra dedicada ao São João, na Livraria Lumière, no Porto...


(fotografias de Cláudia e Alexandra)

Leonardo da Vinci, São João Baptista


São João no Porto

São João é meu santinho
E concedeu-me um desejo
Arranjou-me um maridinho
E eu paguei-lhe com um beijo

Se eu saltar a fogueira
E queimadinha ficar
Não hei-de ser a primeira
A com o fogo brincar

A fogueira eu saltei
Na noite de São João
E toda a noite marchei
Com meu arquinho e balão

Na noite de São João
Mandei embora a tristeza
Houve sardinhas com pão
E muito sobre vinho na mesa

Paula Belnavis (blog Joanina) 24 de Junho de 2008


Quadras ao São João, na Beira

Ó Anjo da minha guarda
Quem vos varreu o terreiro?
As cachopas de Alpedrinha
C'um raminho de loureiro.

S. João adormeceu
Debaixo da laranjeira,
Cobriu-se todo de flores,
S. João que bem que cheira.

Na noite de S. João
Vou fazer uma fogueira
Com folhas de verde louro
Com rosmaninho que cheira.

Hei-de deixar ao relento
Uma folha de figueira
Se S. João a orvalhar
Hei-de encontrar quem me queira.

(in Velhas Canções e Romances Populares Portugueses, de Pedro Fernandes Thomás, Coimbra: F. França Amado Editor, 191 3 (tiradas do blog “há vida em Marta”)


Nos Açores

"O São João na Terceira
É vivido com alegria
Muita folia e brincadeira
Até ao romper do dia!"



Versos de um poeta muito amado no Sabugal, Alfredo Virgílio Correia :

No Sabugal

“A festa vai começar
Com rosmanos e balão
Toda a gente vai dança
Na noite de São João

Até no inferno escuro
um pecador coração
se vê que mais puro
na noite de São João

Lindas flores orvalhadas
Ficam bem na tua mão
E no peito conchegadas
Na noite de São João

Vai haver animação
Nas noites de arraial
Da festa de São João
Da Vila do Sabugal”


Alfredo Virgílio Correia
Andrea del Verrocchio, pormenor do Baptismo do Cristo

No Alentejo


Pombinha, "avoa", "avoa"
que está caçador na horta.
Em pondo a espingarda à cara
logo a pombinha cai morta.

Ó minha mãe, minha mãe,
companheira de meu pai!
Eu também sou companheira
daquele cravo que ali vai!

Minha mãe ouviu lá fora

tu jurares devagarinho,
dizer-me que me querias
e roubares-me um beijinho!

Os meus olhos com chorar
fizeram covas no chão.
Coisa que os teus não fizeram,
nem fazem, nem farão.

Se eu soubesse que voando
alcançava os teus carinhos,

mandava fazer umas asas
de papel encarnadinho.

(algumas das quadras das muitas que foram recolhidas por Carlos Luna Luna, de outras “recolhas” da Poesia Tradicional Alentejana)

E, para finalizar, o São João no Brasil

No Brasil

São João arrasta-pé:
Forró, fogueira, baião...
Xote, xaxado e quadrilha...
Foguete, bomba, balão...
Caruaru-Campina Grande:
São João bom é no Sertão...

São João lá na Bahia:
Na festa do interior...
Irecê, Ibititá...Cruz das Almas, Salvador...
m Recife dos Cardosos:
Sanfona, paz e amor...

Arraiá, queima de espada:
Cará, milho, animação...
Festa junina...joanina:
No Brasil é tradição...
Santo Antônio, São Pedro:
O quente é o São João...

Gustavo Dourado

Há tantas quadras populares sobre o São João, como aldeias (só???) há em Portugal!

Mas quem era este São João de que tanto falamos e que tão amado é?!!

São João foi um asceta, proveniente de uma família pobre de rabinos hebraicos, originária da região montanhosa da Judeia.

Foi o fundador de uma comunidade "Baptista" que deu origem a alguns movimentos religiosos do século I d.C., como a comunidade judaica não rabínica fundada por Jesus de Nazaré e as comunidades gnósticas samaritanas fundadas por Dositeo, Simão Mago e Menandro.

São João é venerado por todas as igrejas cristãs e considerado “santo” por todas as que admitem o culto dos santos e é uma das personalidades mais importantes dos Evangelhos.

De acordo com o Cristianismo, a sua vida e predicação cruza-se constantemente com a vida do Cristo.

Presente quando Jesus é um men

ino de colo, vai ser ele que o baptiza e as duas vidas correm paralelas.

De facto, segundo os Evangelhos, João era filho de Zacarias e Elisabeth (prima de Maria) e que foi gerado sendo os pais já muito velhos.

Como aconteceu a outras personagens da Bílblia (Isaac filho do velho Abraão...).

O seu nascimento foi anunciado pelo mesmo

arcanjo Gabriel que fez o anúncio a Maria.

Leonardo da Vinci, A Anunciação do Arcanjo Gabriel

Quando esta foi visitar Elisabeth o nascituro João terá dado saltos de alegria no ventre materno, contente por ver Maria que, poucos anos depois, seria mãe de Yoshua, Jesus...



Neste maravilhoso desenho de Leonardo da Vinci, vemos Santa Ana com a Virgem no colo. Jesus, ao colo de sua mãe, brinca com São João. Vão crescendo juntos, supõe-se, pelo que dizem os Evangelhos.
De acordo com o Cristianismo, a sua vida e predicação cruza-se constantemente com a vida do Cristo.

Caravaggio, "O jovem São João"


O destino dos dois é também um destino “trágico”: Jesus morre na cruz e João é degolado...
Michelangelo Caravaggio, "A degolação de São João"

De facto, tendo criticado a conduta moral do rei Herodes (Erode Antipa), que vivia com a cunhada, Herodiades, caíu em desgraça.


Paul Delaroche, "Herodíades"

O rei, ultrajado, mandou-o prender e depois - para dar prazer à filha de Herodíades, que se chamava Salomé (a Salomè -que dançou para ele num banquete)- , foi decapitado.

São João, o Baptista, morreu por volta do ano 35 d. C.
Tiziano Vecelli, "Salomé com a cabeça de São João"

Tiziano Vecelli, "Salomé com a cabeça de São João Baptista"