Francesco Primaticcio, Ulisses e Penélope
Não sabia que havia um mito de Ulisses. Li-o num artigo, que referia esse "mito".Na Odisseia, Homero conta a longa jornada de regresso a casa de Ulisses, rei de Ítaca, depois do final da guerra de Tróia. Jornada que demora dez anos, nos quais viaja, conhece, arrosta perigos, ataques, um naufrágio, durante os quais Penélope, sua mulher, o espera...

Pensei nas viagens maravilhosas que o herói viveu, viajando, anos e anos, atravessando mares cheios de mistérios desconhecidos, as múltiplas experiências vividas, o perigo afrontado, desde o naufrágio à Maga Circe, que os quer transformar em porcos, à deusa Calipso, ao gigante Cíclope.
E as sereias que o atraem para o fundo do mar. Querendo tudo conhecer da vida, Ulisses manda os outros mareantes encher os ouvidos de cera e pede que o atem ao mastro do navio: para saber, para poder "ouvir" o canto que entontecia os marinheiros e os fazia deitarem-se ao mar e afogarem-se...
Herbert James Drafer, Ulisses e as Sereias


O artigo referido era um artigo muito interessante, e foi lá que “descobri” o tal mito de Ulisses...
O articulista referia-se a um grande jornalista, Eugenio Scalfari, jornalista e escritor italiano, fundador do jornal La Repubblica.
Passava-se num Festival, em Pordenone, na alta Itália, onde fora convidado para falar do seu livro “Per l’alto mare aperto” (Einaudi, 2010).
A dada altura diz ele:
Como Galileo Galilei afirmando o seu conhecimento, frente à Inquisição, defendendo a sabedoria, as conquistas do saber. Ou Giordano Bruno, queimado por essa mesma Inquisição que desprezava o "conhecimento" desde que não enquadrado nos seus estreitos limites religiosos.
Galileu, por Cristiano Banti
A estátua de Giodano Bruno, no Campo de' Fiori, em RomaAntes explicara que hoje teme que se “feche uma época”, se abandone o passado “habituados a viver esmagados pela pressa premente do presente”, entregando o esforço do nosso intelecto a “máquinas”.
Kandinsky, Composição
É urgente reflectir atentamente sobre certos problemas, insiste. Quais? O risco de perdermos a língua que falamos, as palavras que têm significados, e que correspondem ao nosso intelecto.
Usando um vocabulário reduzido, elementar, primário, "esquelético" -quase reduzida a sons apenas, a sinais cabalísticos nos sms- perdemos certa capacidades...Uma nova geração que chega e fala uma linguagem totalmente diversa? Pode ser.
Fala da língua inglesa hoje mundialmente falada. Mas falada como?
Voltamos ao “bárbaro” e ao “esquelético”: existem ainda meio milhão de palavras na língua de Shakespeare, segundo estudos feitos em Oxford. Dessas, são usadas normalmente ainda 10.000; para falar na internet ou sms, usam-se apenas 1.500. Por cá não sei o que se passa, mas deve ser idêntico...

Continua Eugenio Scalfari:
“O vocabulário reduziu-se às necessidades primárias, sentimentos básicos, à maneira dos títulos das notícias”.
Grave. Perigoso. Porque essa forma de falar “esquelética” suscita também pensamentos igualmente esqueléticos, elementares.
Daí que seja fundamental e urgente “combater aqueles que inquinam os valores da modernidade verdadeira”.
E retomar...
Retomar o quê? O mito de Ulisses!
Como diz Eugenio Scalfari:

“É importante retomar o sentido da viagem e do mito de Ulisses, que significa manter alto o valor do conhecimento”.
Citando (livremente) Santo Agostinho, digo eu:
“A vida é um livro, quem não sai do mesmo sítio (não viaja/ não aprende) não lê mais do que uma página ...”










Era o início da carreira de muitos actores ingleses, mais tarde famosos: Alan Bates, Albert Finney, Tom Courtney...











cena d' O Principezinho, em Kaboul, no Centro Cultural Francês, "o acendedor de candeeiros"...
Um livro que tanto interessa os adultos, como as crianças. Lido nos diversos momentos da nossa vida (como qualquer livro que tenha coisas a dizer...) traz-nos sempre um pensamento bom, uma ideia, ou outra, ajuda-nos, comove-nos, empurra-nos para diante, muda-nos...+a+regar+a+flor.gif)







