quinta-feira, 21 de março de 2013

DIA DA POESIA,com um poema de José Régio Poeta ainda adolescente...


Marc Chagall, o anjo azul


capa sobre um desenho de Apolinário

DIA DA POESIA HOJE?  
   
Ainda bem. Faz falta a poesia...Tantos poetas esquecidos do meu país de poetas...
Fui buscar este soneto de José Régio, aqui ainda Poeta adolescente, que não conhecia e que está numa publicação intitulada: “Primeiros Versos Primeiras Prosas" (*)

desenho de Apolinário 




Poeta ainda adolescente,  tem pouco mais que 14 anos, perdoemos-lhe as ingenuidades e as rimas fáceis: é uma homenagem que eu quero fazer aos “poetas adolescentes" que existem sempre dentro de nós, mesmo que nunca escrevam poemas! Bom dia da Poesia!

NOIVOS

Quando vai mergulhar o sol no vasto mar,
Quando a briza suspira, à tarde, nos rosais,
De mãos dadas, os dois lá vão pelos trigais
No seu amor tão casto e puro meditar.

Sob os galhos em flôr dos belos laranjais
Como ela cora e treme ao ouvi-lo falar!
Ele ala d’amor ...duns sonhos virginais...
E beija-lhe a mão fina e branca a suspirar...

 Os pássaros até calam seus gorjeios,
Interrompem as flor’s seus doces devaneios,
Para vê-los melhor, p’ra os poder escutar...

E mãos dadas, os dois, trémulos, enlevados,
Nem repara sequer, num sonho extasiados,
que há muito mergulhou o sol no vasto mar...

 VENUS, 18 de Junho de 1916

(*) Edição integrada nas comemorações do 25º aniversário da morte de José régio Vila do Conde, 1994, com uma capa do irmão de Régio, Apolinário dos Reis Pereira.
O Soneto foi publicado no jornal “O Democrático”, com o pseudónimo de Venus (às vezes Phoebus) Venus, e 18 de Junho de 1916.

José Régio nasceu em Vila do Conde em 17 de Setembro de 1901 e morreu na sua cidade natal em 22 de Dezembro de 1969. Tinha pois 15 anos...

10 comentários:

  1. Apesar de jovem, eu acho que já escrevia belos poemas. É muito bonito o poema!
    E o desenho também. Eram talentosos todos os irmãos.

    Gostei muito do post. Até da letra que escolheu. Tão apropriada!

    Um beijinho grande

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    1. Ainda bem que gostaste, minha fiel seguidora!
      beijos

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  2. Muito belo o poema, o texto introdutório e Chagall.
    Ando cheia de trabalho e fora da blogosfera mas dei um pulo para agradecer e deixar um beijinho.

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    1. Temos tantos poetas! faz pena não se ouvir falar deles, não é?

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  3. Permito-me ter uma opinião diferente à nossa querida Isabel...Fartei-me de rir, porque me lembrei do meu pai quando nos fazia uns versos, no dia dos anos ou assim. Não vem nada mal rir de boa manhã, e mais hoje que volta a tocar um dia cinzento. Agora é dia sim, dia não
    Vi que voltaste a mudar os quadros, e achei piada à escolha, porque no fundo tudo o que fazemos livremente tem uma razão de ser. Acho que tens muito da Alice de Lewis Carroll, e que adoras as janelas, mulheres à janela, olhar através de, o que pode haver ao outro lado da janela, etc.e tal.
    Depois pensei nos que tenho eu: sempre rostos, em casa é a mesma coisa, caras e flores, não saio disso.
    Se tens alguma explicação, para algum dos casos ou para os dois, não deixes de contar-me.
    Desejo-te um lindo dia de chuva com um beijinho meu.

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  4. Um inciso, ainda a propósito dos Noivos do Régio: Ele fala e ela treme, não se pode ser mais narciso e mais machista aos 14 anos!!!! Ha, ha, ha...

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    1. Bom humor matinal, querida Maria, só faz bem!Também me ri "ela treme quando ele fala": foi sempre assim! Podemos rir: hahaha!
      Bom finde, minha querida!

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  5. Vejo o poema à luz daquele tempo e mesmo que assim não fosse, acho que fala de um amor bonito, ingénuo e puro de adolescentes. Porque rir?
    Não concordo contigo Maria.
    Talvez fosse "foleiro" se fosse escrito nos nossos dias. Assim não acho.
    Mas enfim, são opiniões diferentes.
    Um beijinho para ti e outro para as outras meninas.

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    1. E tens razão, Isabel, eu não devia ter rido, acho, mas De repente pode-nos parecer ridícula uma certa situação. Que, no entanto, pode ser viva...até ainda hoje, porque os sentimentos são sempre sentimentos e a emoção leva a muitas reacçoes!

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