domingo, 18 de abril de 2010

A minha amiga que vive no Botswana!

estatueta de pau-preto, recordação do Botswana




A minha amiga MizJay...

Tenho uma amiga que vive no Botswana e que se chama Janet MizJay Mmusi.

Começámos a trocar mensagens no Facebook e um dia perguntou-me se eu queria ser a mãe dela “virtual”. Assim, podia contar-me coisas da vida dela e falarmos de outra maneira.
Assim foi.
Eu contei-lhe que, quando vivia em Roma, uns amigos meus foram trabalhar e viver no Botswana, e tinham-me dito que era muito bonito.
Eram finlandeses e pais de uma amiga da minha filha, a Merja, e a verdade é que fiquei com curiosidade de saber mais do país. Mas nunca calhou e o tempo foi passando.
Não conhecia a África que só uns anos mais tarde conheci - vivendo quase na mesma latitude do Botswana (latitude sul, perto do Trópico de Capricórnio) em S.Tomé (mais acima, perto da linha do Equador, que passava exactamente sobre o Ilhéu das Pombas, onde ainda fomos num barquinho).



No regresso de uma dessas viagem, os senhores Rÿhaner (correcto?), ofereceram-nos uma estatueta em pau preto - trabalho muito perfeito, esculpido no que parece ser um tronco - que não mede mais do que 20 cm- e tem um desenho muito delicado. Pequenas figuras agarradas ao tronco, quase miniaturas, mas com uma enorme expressividade dos traços.
Fui fotografá-la de propósito, para poderem apreciar!

Fomos trocando pequenas mensagens, eu e a Janet, para sabermos um pouco mais de nós.
Tudo começou por que nos descobrimos ambas "fans do Obama"...
Quando lhe disse: "tenho idade para ser tua mãe"..., ela respondeu logo: "Ai, sim? Então não queres ser minha mãe na "net"? Eu gostava..."
Eu disse que com certeza e a partir daí - é engraçado...- ficámos mais íntimas, começámos a falar de nós mais confiantes.
Ultimamente, tinha-a "abandonado" um pouco. Muitas viagens, algumas complicações, e a verdade também é que sou muito dedicada ao facebook. mas, de vez em quando, aparecia ela, no quadradinho do "chat", a chamar-me:
"MUM, are you there?"!
Eu, que não percebo nada daquilo, nunca conseguia responder-lhe.
Assim, ela decidiu escrever-me uma carta...
Pedi-lhe se a podia pôr no blog, se podia usar as fotos dela, da formatura, que fazem parte do seu Album no Facebook e ela disse que "com prazer".
É uma miúda cheia de ideias, que sonha, quer fazer coisas diferentes. A quantas não aconteceu ter o mesmo desejo: ser actriz!
E mais:
Ser realizadora! Ser escritora!
Enfim, SER!
E isso é maravilhoso... Faz-nos voltar sempre à Utopia: por que não há-de a Utopia ser a nossa criação!?

no dia da sua formatura, com o diploma na mão. e o olhar orgulhoso de quem conseguiu o que desejava


Carta da Janet Mmusi:


"Hey, Mum!

Obrigada por não te teres esquecido de mim.

Tenho tentado o “chat” contigo mas nunca te apanho...
Suponho que andas ocupada a viajar... Londres? Não importa: sei que qunado precisar, encontro-te!
“you’re will be available for me!”
Perguntas pelo meu trabalho: Estudei Business Information na Universidade do Botswana.
Sou Analista de Sistemas. Estou neste momento ocupada com Websites, Databases, Newsletter e outros IT relacionados com estas coisas...

Como já te contei, o meu sonho era ser actriz, ou produtora de filmes, escritora de scripts, realizadora, etc.
Ainda continuo a lutar para entrar nesta indústria, se bem que já tenha conseguido um pequeno "breakthrough" como “Extra” nas filmagens de um filme de Holywood (The Ladies Nº 1 Detective Agency”) que foi filmado aqui, no Botswana.

Já escrevi uma novela que gostaria que fosse um filme, mas os “editors” disseram-me que a transformasse antes numa peça de teatro, porque eu não tinha perfil de novelista...
Por isso ainda estou a trabalhar nela.

O meu projecto/plano seria criar um grupo de teatro e depois dirigir e fazer representar os textos que escrevo.

Penso que Deus me há-de ajudar.

Tenho pouco tempo para dedicar a estas coisas pois o meu trabalho absorve-me. Mas sei que um dia hei-de chegar a Holywood e tu, Mum, nesse dia, vais ter orgulho e mim!
Toma conta de ti!"

E acrescentava noutra mensagem:

"Quando me reformar, um dia, gostava de ir viver para Londres. Ouvi dizer que era lindo e as tuas fotos mostram isso."
De facto, uma das nossas "conversas" preferidas era comentar essas fotos: os esquilos do Cemitério da Old Brompton -animaizinhos que não conhecia e julgou que mordiam "com aqueles dentinhos"... Com o meu inglês com erros respondi que eram "perigosos" (harmful) em vez de dizer "inofensivos" (harmless), o que criou um quid pro quo divertido.
As fotografias do Museu de História Natural, os fósseis, os gigantescos pássaros do passado, os peixes assustadores...
Assim, íamos conversando...
Como a vida é cheia de coisas interessantes, em que o acaso entra ou não, acontece-me ter, agora, quase na mesma zona de África, as minhas duas filhas: a real (em Moçambique) e a virtual, no Botswana...
Outra coisa ainda:
Hoje a Janet (no Botswana)e a Merja (na Finlândia) acabaram por se falar também.
Não é verdade que a vida é maravilhosa? Às vezes, pelo menos?
Tenho pena de não ter acesso ao youtube, se não punha já o maravilhoso Louis Amstrong e o "Wonderful World"!
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Alguns dados sobre o Botswana.
Geografia:
Botswana situa-se numa zona árida do interior da África meridional. É um país bastante plano, ocupado quase por completo por um planalto com altitudes entre os 700 e os 1200 m, aumentando um pouco a rugosidade do terreno na extremidade oriental.

O deserto do Calaári ocupa o sudoeste do país, e a norte a depressão de Mababe é parcialmente ocupada pelo pântano do Okavango, onde termina o curso do rio Okavango, proveniente da Namíbia. O principal rio é, no entanto, o Limpopo, que constitui parte da fronteira sul, com a África do Sul. É onde este rio abandona o país, na ponta oriental, que se localiza o ponto mais baixo do Botswana, a uma altitude de 513 m. O ponto mais elevado são os montes Tsodilo, que sobem a 1489 m.

O clima varia de desértico a semi-árido, com invernos suaves e verões quente.

A história de Botswana é marcada pela influência da África do Sul. Protectorado britânico desde 1885 com o nome de Bechuanalândia, em 1966 a nação declara-se independente e passa a se chamar Botsuana.


Realiza eleições regulares desde então e é considerado exemplo de estabilidade política no continente.

Como um dos países que se opõem ao regime de segregação racial na África do Sul, é alvo de incursões do Exército sul-africano, sob acusação de abrigar guerrilheiros do Congresso Nacional Africano.

A partir de 1990, as relações bilaterais melhoram, com o fim do apartheid. Na década de 80, o produto interno bruto (PIB) cresce à média anual de 10,3%. A seca e a recessão mundial do início dos anos 90 levam o país à depressão econômica e revelam sua dependência da mineração, responsável por 70% das receitas de exportação.

Em 1998, após quatro mandatos, o presidente, Ketumile Masire, do Partido Democrático de Botsuana (BDP), retira-se da política e é substituído pelo vice, Festus Mogae. O BDP vence as eleições parlamentares de 1999, e a Assembléia Nacional elege Mogae para presidente.

5 comentários:

  1. Quando leio ou ouço falar sobre o Botswana lembro-me sempre de uma triologia muito engraçada de um escritor que nasceu no Zimbabwe, chamado Alexander McCall Smith, sobre uma mulher detective. O primeiro tem por título «A Agência Nº1 de Mulheres Detectives», o segundo «Moralidade e Raparigas bonitas» e o terceiro «As Lágrimas da Girafa». Se ainda não leu, recomendo. Reparei que gosta de policiais, tenho a certeza que gostará destes:
    http://www.wook.pt/ficha/a-agencia-n-1-de-mulheres-detectives/a/id/45506
    Um abraço
    c.a.

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  2. Obrigada. Vou já tentar ler. Já procurei o site e vi que são publicados pela Presença.
    Adoro ler policiais...
    Este interessa-me até porque essa tal minha "amiga virtual" do Botswana parece ter tido um pequeno papel num desses episódios...
    Abraço

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  4. 4 real? e eu a pensar que este tipo de amizade, relação.. só existia nos filmes.. é que hoje em dia as pessoas são muito desconfiadas.. mas o que tem de suspreendente para mim tem de bonito, saber que estamos tão perto de alguém que nunca demos 1 aperto de mão, que nunca vimos pessoalmente, e trocar impressões, gostos comuns inclusivé..
    Adorei o facto de ter exposto esta "história" professora! ou acontecimento..n sei...
    Gostei muito, é interessante! saber que há pessoas em África que tem a força e vontade desta rapariga, aumenta a minha vontade de um dia voltar ao meu país e fazer multiplicar os casos de sucesso que actualmente, infelizmente, ainda sao minímos..
    beijo marty

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  5. Uau é de facto uma rapariga impressionte.
    Adorei a forma como se conheceram, eu não sou muito ligada a internet, mas lendo esta "entrada" vejo como o facebook pode criar verdadeiros laços, também já li o que escreveu sobre as irmãs B. ainda bem, senão quem sabe ficaria com ciumes da sua nova filha(brincando)
    Sim acho que faz muito bem em acreditar, prosseguir e não desistir dos seus sonhos, formidável, boa sorte para ela
    beijinhos(especial e de parabéns para M.P, não vou ao facebook)
    Glykéria
    PS: já lhe disse como admiro a sua escrita?

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